O Caçador Meio-sangue
3 Jantar em Família
Notas iniciais
Na hora da janta, Annabeth o ensinou a prática que o acampamento tinha de oferecer algo aos deuses, talvez por gratidão, o que Dante pensava ser desnecessário, embora não quisesse ofender aquela prática apenas expondo sua opinião. Se houvesse algum serviço a ser feito, preferiria que apenas isto valesse para eles, apesar de ser um tanto agradável o cheiro das coisas que mandava para a fogueira.
Ao conhecer sua irmã não pensou que fosse tão sensível, embora realmente poderia ser algo triste não ter um irmão na infância por saber que ele havia desaparecido.
Annie o deixou sentado ao seu lado para conhecer mais do irmão mais velho, mas a primeira das perguntas tinha a ver com uma lógica bem estranha:
— Mas Dante, como é que você disse que tinha me visto e bateu na porta se quando você tinha se perdido teria uns dois anos? — Todos os outros sabiam mais ou menos da história.
— Nossa mãe tem mais poderes do que se imagina, mas agora imagine uma mente que compreenda os limites da física e das leis do universo e um deus que crie todas as máquinas possíveis? Ela teve por um tempo o poder de viajar no tempo até que Zeus aboliu este poder e destruiu as máquinas do tempo.
— Máquinas do tempo?
— Minha mãe disse que alguém mal intencionado poderia trazer os titãs à nossa época e causar a Titanomaquia. Pela alteração da linha temporal, isto mudaria a história e teríamos perdido. Só houve uma vez numa outra linha do tempo quando eram falsos deuses que mandavam no mundo. O herói matou os titãs e deuses sozinho. — Todos tinham a boca aberta, olhos arregalados e cabeças como se explodissem ao pensar naquelas coisas.
— E como você sabe?
— Por um tempo tive uma relação direta com minha mãe. Um bom tempo. Aparecia em sonhos, me chamava a quartos vazios para conversar e uma vez me fez viajar no tempo para a época em que iria entregar Annie ao meu pai. Como no passado ela viajou ao futuro, construiu uma ponte no tempo para não ser uma fissura na linha temporal e então eu apareci... — Comeu um pouco e continuou. — Ela disse até uma coisa sobre ter criado descendentes em um outro planeta e um até foi referência de uma série inglesa.
— Aliens? Tá falando sério?
— Talvez. Não faço ideia se é ou não verdade, mas as outras coisas que ela falou sobre o universo... — Voltou os olhos para o prato enquanto os irmãos acompanharam seus movimentos curiosos para outra história. — Que foi? Eu desmaiei tentando entender outras coisas. Nem tudo é para nós.
— Ei, nanico! — Clarisse desceu a palma da mão aberta sobre a mesa, que causou um belo barulho. — Hoje após escurecer vai ter "capture a bandeira". Como é que vai ser, vai com a gente?
— Ei, Clarisse. Esqueceu que a escolha não é sua? — Leo disse direto da mesa de Hefesto. — Deixa o cara, quer fazer parte do time dele porque sabe que vai apanhar, né?
— Apanhar para ele? Olha aqui, Valdez, fica na sua aí ou enfio sua cara na privada de novo! — Voltou-se para Dante. — Vai achando que o minotauro foi grande coisa. Já vi coisas que você ficaria molhado só de ouvir.
— Sério? — O clima pareceu ficar mais sombrio. — Você viu as entranhas de um companheiro morto em combate sobre seu corpo enquanto se cobre com seu sangue com cheiro de fezes temendo que o encontrem e o matem sem antes te torturar ao melhor estilo romano antigo com direito a crucificação, deterioração viva e ratos no estômago?
— Não.
Dante ouviu um barulho desagradável de alguém vomitando.
— E você?
— Também não.
— Então não crie essa história só para nos assustar, idiota! — Gritaram ao mesmo tempo, inclusive Annabeth.
Percy nem mesmo ligava se uma mosca pousasse em sua orelha, entrasse no ouvido e saísse pelo outro lado, só estava comendo.
— O quê? — Perguntou. Com certeza este era o Percy lerdo de sempre, nem mesmo sentiu o mau cheiro. — Alguém tá com queijo ralado aí para me passar?
— Você é muito lerdo! — Gritaram para ele.
— Hã, lerdo? — Sua cara demonstrava o quanto ele estava entendendo a situação. — Eu só pedi queijo. — Comeu mais um pouco, mas algo o incomodava. — Que cheiro de vômito é esse?
— Você é normal assim ou tá se fazendo? — Dante gritou.
— Mas o que é isto? — Quíron sem querer pisou no vômito de algum campista que saiu correndo para se limpar. — Argh... Está bem. — Arrastou o casco para limpar. — Ainda não chegou a hora, mas quero antecipar para explicar as regras ao novo membro...
O centauro começou a explicar sobre um jogo de capture a bandeira, bem como Clarisse disse e era até que fácil de entender as regras, que eram:
1. Não ferir para matar (mas poderia fazer sangrar sem morrer, quebrar ossos e ser um tipo Batman);
2. Os times têm suas áreas onde a bandeira deverá estar sem haver alterações. A capturada deverá estar ao lado da bandeira aliada;
3. Haverá monstros mortais;
4. Todos os poderes estão liberados se tiverem, incluindo inteligência para se salvar de poderes inimigos.
— Então é basicamente isto. Armaduras e armas liberadas, usem com sabedoria. — Fitou a mesa de Atena. — Dante! Eu sei que poderes tem, você é o único que não pode usar seu haki. — Todos começaram a cochichar. — Está bem, vai ser difícil explicar mas só vão. Os ganhadores receberão pontos para os chalés, o chalé com a imagem na bandeira terá mais pontos, então após a janta, na floresta! — Aumentou a voz para todos ouvirem.
O tipo de jogo era bem interessante para Dante. Tão louco o estilo que nunca havia pensado em algo assim. Se criasse algum acampamento poderia usar algum jogo assim entre equipes, mas... Por que estava pensando nisso?
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