O Caçador Meio-sangue
4 Capture a Bandeira
Notas iniciais
Após a janta, os preparativos para o capture a bandeira a iniciaram. Alguns sátiros voltavam da floresta onde colocaram as bandeiras em algum lugar.
Quíron se colocou à frente de todos com papéis dentro de um recipiente, bem dobrados.
Para o primeiro time foram anunciados os filhos de Hécate, Poseidon, Hades, Afrodite e Ares.
Alguns deles pularam, outros faziam poses de vitória, que seriam, claro, os filhos de Ares, exceto Clarisse, que apenas fitou Dante e fez um sinal do dedo atravessando o pescoço.
— Agora, o segundo time! — Anunciou enfiando os dedos no recipiente e puxando um papel. — Atena! — Os filhos de Atena sorriam. — Hélio! Íris! Esculápio! Apolo! — Os semideuses dos chalés escolhidos comemoraram.
— Bom, vamos ter suportes na equipe. Podem ajudar a curar, os de Esculápio. — Annabeth refletia. — Hélio cega os inimigos.
— O que eu tenho que fazer, irmãzinha? — Dante fitou os olhos da garota.
Ela o olhou, mas voltou a encarar o chão.
— Ainda estou pensando... Acho que já sei. — Pegou seu pulso e o ergueu. — Hoje quem vai planejar tudo é Dante! — Falou para todos, que não receberam a notícia como ela imaginava. Alguns apenas encaravam, outros a olhavam como "O queeeeeeee?", inclusive o próprio Dante.
— Mas ele é apenas um iniciante, Annie! Você é experiente, poderia fazer isto melhor! — Contestou um de seus irmãos.
— É verdade, Annie. Seria melhor você planejar tudo.
— Não. Quero ver como é a estratégia dele. É sua hora de provar sua força e valor. — O olhou nos olhos com uma expressão decidida que o intimidava.
— Tá bom então, mas depois não reclame. — Olhou para todos eles. — Os filhos de Apolo ficarão de prontidão nos galhos das árvores com flechas prontas para serem disparadas a qualquer momento! Estejam bem posicionados para resistirem ao ataque dos de Hélio! — Passou os olhos para o outro chalé. Determinados como o olhar de um general, não parecia mais um filho de Atena, mas sim de Ares pela força que exalava. — Escondam-se nos matos altos e arbustos! Quando se aproximarem, liberem o máximo de seu poder para cegar seus inimigos, coisa que não funcionará com os de Apolo! — Voltou para os arqueiros. — Vocês! — Apontou. — Metade estará nos galhos disparando, outra metade correrá na direção da bandeira! Filhos de Íris! — Apontou. — Vocês estarão espalhados para comunicarem a todos sobre qualquer coisa! Esculápio! Usem o poder de seu pai para ajudarem os feridos a se recuperarem! Metade dos de Atena formarão uma falange que irá de encontro aos cegos pelos de Hélio comandados por Annabeth! Os comandados por mim irão se separar de Annabeth depois que encararem os oponentes!
— E os outros comandantes? — Perguntou uma filha de Íris, uma garota de dezoito anos com cabelos cacheados, longos e pele escura. Se chamava Agnes. — Não seria melhor...
— Agnes! — Interrompeu. — Você será comandante dos filhos de Íris! — A garota corou, mas sem deixar a posição reta. Todos estavam retos como militares. — Will Solace comanda os atiradores que estarão nas árvores e Julius comandará os que vão avançar por cima! Hector comanda seus irmãos curandeiros de Esculápio e os que ajudarão a derrubar os inimigos por Hélio serão comandados por Nora Gadot! Espero que os líderes dos chalés entendam a escolha, mas apenas vamos brincar um pouco. Vamos!
Os campistas de todos os chalés correram para a floresta como foguetes, energizados ao máximo e inspirados pela estratégia de Dante.
— Você seria um bom comandante numa batalha. Ou general, quem sabe? — Deu-lhe um empurrãozinho. — Se saiu bem, meu soldado.
— Bom, vendo a situação, você que é a soldada aqui.
Colocou a mão em seu ombro e olhou nos olhos do rapaz.
— Não se acostuma. — Trocaram sorrisos e se pôs a correr para alcançar os outros.
Na floresta, ainda nenhum movimento aconteceu quando chegaram. Os filhos de Apolo escalavam as árvores e esticavam as cordas com flechas prontas.
— Tudo pronto. — Solace sussurrou.
As filhas de Íris transmitiam para outras de suas irmãs suas mensagens até chegar a Agnes, ao lado de Annabeth, esperando o movimento. A altura de Agnes dificultava para que falasse algo no ouvido de Annabeth, mas as pontas dos pés ajudaram.
Annabeth olhava para o homem de armadura de bronze, espada e escudo com orgulho, vendo em seguida a baixinha correr para ele dar as notícias e em resposta, ele acenar com a cabeça.
O chalé de Hélio escondeu-se em matos e arbustos, e novamente a notícia foi anunciada.
— A Ana viu uma esfera de água se formando. — Agnes disse preocupada. — Diga para Solace que usem as flechas para se segurarem nas árvores. Percy vai verificar a área com um Tsunami, talvez. Atacará as árvores. Os de Hélio devem se segurar no chão. — Olhou para a menor que assentiu e falou mentalmente com os irmãos.
— Mande a mensagem! Vamos! — Gritou uma voz grossa.
— Clarisse. Ela descobriu nossa espiã.
— Que esperto você é, mas quero que saiba da baixinha.
— Me desculpem! Eu... Eu traí vocês! Eles sabem tudo agora.
Agnes estava prestes a mandar uma repreensão para a amiga, mas Dante chamou sua atenção com um toque em seu ombro.
— A culpa é minha. Não me lembrei dos filhos de Afrodite. Eles a seduziram para contar sobre tudo! Mande as suas irmãs recuarem. Tudo o que foi falado foi ouvido por eles.
— E agora? — Perguntou Annabeth tentando esconder o desespero com um "é só um jogo" para si mesma.
— Não sei se você já aprendeu sobre isso, mas vou mostrar agora. Os filhos de Apolo ainda estão em suas posições, as de Íris recuando. Quero que você ataque, mas eu vou na frente para garantir uma vantagem, pode ser?
— Tá. — Balançou a cabeça com um "sim". — Vai fundo.
— Ah, e a propósito... Não sei se você sabe viajar na velocidade do pensamento. É demais... Mas não posso usar, né.
— Isto você pode. É um poder de sua mãe.
Henry a olhou com um pouco de felicidade antes de desaparecer diante de seus olhos. Annie respirou fundo antes de olhar para seus outros irmãos e ordenar:
— Ataquem!
Sons de espadas se batendo ecoavam.
Dante avançava rapidamente com uma velocidade surpreendente e bateu em Clarisse com seu escudo, deixando a mesma no chão longe de si e de Ana, que estava em seus braços e logo perto da bandeira.
Apressado, Dante voltou para o combate com Percy que, antes de qualquer coisa, usou um pouco da água para fazer um escudo e o resto para inundar e empurrar os inimigos na floresta.
— Vocês falharam. Há uma barreira anti-poderes protegendo a bandeira. Você não tem mais chances. — Falava Percy de um jeito diferente, talvez um pouco mais frio.
— Eu não posso usar meu Haki, mas você ainda deveria ter medo de mim.
Percy riu e destampou Contracorrente.
Clarisse se levantou, mas caiu novamente com o escudo de Dante voando em seu rosto.
Nico avançava com um exército de mortos.
Bloqueou um ataque de espada de Percy com a sua. O namorado de sua irmã era mais forte do que ele esperava. Percy forçou a espada com a outra mão abaixando o cunhado mais e forçando a também usar mais força.
— Chegou no limite? — Perguntou com um sorriso no rosto.
Dante rangia os dentes tentando se esforçar para empurrá-lo. Gritou como se ficasse mais forte, mas de certa forma ficou; empurrou a espada do amigo para longe de sua cabeça, colocou sua espada atrás de suas costas para retorná-la com força total, tirando a de Percy de seu poder.
— Nanicoooo! — Clarisse gritou com espadas em punhos, mas sentiu uma pontada em sua armadura... Duas... Três. Parou e olhou para trás com raiva.
— Clarisse desclassificada! — Berrou Solace com um sinal com a cabeça para Dante.
— Ainda não acabamos. Vamos, você aguenta, não aguenta? — Percy pegou novamente sua espada e tentou um ataque falho, bloqueado pela espada do outro e, com outra mão deu um soco em seu peitoral dourado que se deformou.
Percy tirou a armadura do peito e brandiu a lâmina novamente.
— Terá que fazer muito mais se quiser ter o reconhecimento de Annabeth! — Provocou o oponente com as espadas se bloqueando separando seus corpos.
Dante jogou as espadas para o lado, segurou Percy pelo pescoço, levantou-o no ar e o derrubou de costas na areia da praia, começando a golpear seu rosto com um dos punhos enquanto o outro o segurava. Socava até ele deixar de segurar suas mãos em vão, mas o que o fez pensar no que estava fazendo foi sua mão se afundar em sua cabeça tornando-se azul como a água e prendendo-o ali.
— Há! — Gritou Percy como se pegasse enfim sua presa. — Melhor tampar a respiração! — A onda do mar quebrou e avançou nas areias, debaixo dos pés de Dante, mas fortes como uma mão seguraram seus pés e o puxaram.
Dante se segurava em sua única salvação, uma raiz debaixo da areia. Seus olhos fitavam Percy como um caçador há dias atrás aquele alvo e não permitiria ser derrotado por ele.
A raiz não resistiu e nem seus dedos foram firmes o bastante. Se avermelharam ao ser puxado e a raiz se arrebentou com a água o levando ao mar com a espada que estava próxima.
Percy deu alguns passos e pegou sua espada. Esforçou-se um pouco para tentar trazê-lo em alguns segundos. A água estava calma demais e esteve assim também até uma mancha vermelha surgir na água. Seus olhos arregalaram, não podia acreditar que matou o irmão de Annabeth, ela iria matá-lo por isso, ficaria deprimida, não podia acontecer.
— Ah não, não esteja morto, por favor, cara! — Forçou a maré a trazer as coisas próximas para a superfície. Foi acertado. Era tão rápido que mal pôde ver o que o atacou e empurrou de costas para uma árvore.
— Eu não estou morto. Foi apenas uma ferida na minha mão. Poderia ter me deixado lá por três minutos, aí eu desmaiaria.
— Como...? — Percy urrou com o chute que Dante lhe deu e atravessou a árvore.
— Devo desculpas às dríades depois. — Estalou os dedos, mas não ia precisar mais de ataques. Percy já estava apagado. Usou muita energia e recebeu muito dano colateral. — Você precisa descansar agora.
Urrou com um golpe dado pelas costas usando seu próprio escudo. Clarisse já havia acordado e ainda por cima o derrubou e colocou o pé sobre seu pescoço.
— Como se sente de ter sido burro para deixar armas aos seus inimigos? Filho de Atena? Mesmo? — Abaixou. — Você foi um adversário e tanto, devo admitir, mas nem mesmo viu sua traidora? Preferiu salvá-la à puní-la. Que heroico.
— Ela não me traiu. Ela nos fez vencer. — Clarisse olhou para trás, onde a bandeira deveria estar. Em um momento de fúria, golpeou o rapaz com o escudo, que desmaiou.
— Atrás da bandeira! — Berrou, embora já estivesse longe demais para alcançar.
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