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​O hangar de decolagem do Setor Sul estava mergulhado em uma luz vermelha de pré-missão. O som das turbinas do transporte Valkyrie vibrava no chão de metal. Elowen Styles estava de pé junto à rampa de embarque, o uniforme camuflado impecável, os cabelos loiros presos em um coque tático tão firme quanto sua disciplina.

​— Vocês estão atrasadas — a voz de Elowen cortou o barulho, fria e precisa.

​Hadjha chegou primeiro, carregando seu kit de ferramentas táticas e o visor de pulso. Mellysa vinha logo atrás, com a maleta de emergência médica e o semblante fechado. Desde a conversa na varanda, nenhuma das duas havia trocado uma única palavra.

​— Elowen, isso é desnecessário — Hadjha começou, ajustando a alça do colete. — É apenas uma escolta de suprimentos para o posto avançado. Eu não preciso de uma oficial médica de campo para isso.

​Elowen deu um passo à frente, os olhos azuis-aço fixos nos de Hadjha.

— Você não precisa, mas a Fundação precisa que suas peças principais funcionem em sincronia. Eu li os relatórios do laboratório. Li sobre o incidente do canhão. — Ela olhou para Mellysa, depois de volta para Hadjha. — Vocês duas são um risco tático enquanto estiverem em guerra uma com a outra. Por isso, hoje, vocês são a minha equipe.

​Mellysa apertou a alça da maleta.

— Com todo o respeito, Tenente Styles, eu estou aqui para cumprir meu dever médico. Se a Dra. Lâfrer decidir se comportar como uma profissional, não haverá problemas.

​Hadjha soltou uma risada sarcástica.

— "Dra. Lâfrer"? Agora voltamos ao formalismo, Valentine?

​— Silêncio — Elowen comandou, e a autoridade em sua voz era absoluta. — Entrem no transporte. Agora.

​O voo foi um exercício de tortura psicológica. Elowen sentou-se na frente, pilotando com uma calma irritante, enquanto Hadjha e Mellysa ficaram nos bancos laterais, separadas pelo corredor estreito. Hadjha tentava focar em seu tablet, mas seus olhos sempre desviavam para Mellysa, que mantinha o olhar fixo na escotilha, as barreiras ainda visivelmente erguidas.

​De repente, um solavanco violento jogou o transporte para o lado. Os alarmes de proximidade começaram a gritar.

​— Contato visual! — a voz de Elowen veio pelo comunicador. — Drones rebeldes interceptando no quadrante 4. Preparem-se para manobras evasivas!

​Outro impacto. O transporte inclinou-se bruscamente. Uma das caixas de suprimentos se soltou da trava, deslizando com força em direção a Mellysa.

​— Mellysa, cuidado! — Hadjha gritou, pulando do banco e se jogando para interceptar a caixa antes que ela esmagasse a médica.

​Hadjha conseguiu travar a caixa com o ombro, mas o impacto a fez gemer de dor, o braço que ainda estava sensível pela descarga elétrica do dia anterior protestando violentamente. Mellysa, em um reflexo de médica, agarrou os ombros de Hadjha para estabilizá-la.

​— Você está bem? — a pergunta de Mellysa saiu antes que ela pudesse conter a preocupação.

​Hadjha olhou para cima, o rosto a centímetros do de Mellysa. A fúria ainda estava lá, mas havia algo novo: um reconhecimento de que, sob o fogo, elas eram as únicas que poderiam proteger uma à outra.

​— Eu disse que salvaria o capacitor — Hadjha sussurrou, com um meio sorriso forçado pela dor. — Eu não disse que salvaria você.

​Mellysa soltou um suspiro de frustração, mas não soltou o braço de Hadjha.

— Você é impossível, Lâfrer. Absolutamente impossível.

​— Menos conversa e mais ação lá atrás! — Elowen gritou, enquanto o transporte mergulhava entre as nuvens para escapar dos disparos. — Hadjha, assuma os sistemas de defesa! Mellysa, prepare o kit de trauma, vamos ter um pouso forçado!

​A missão de "rotina" de Elowen acabara de se tornar uma luta pela sobrevivência. E, pela primeira vez, o ferro e o vidro teriam que se fundir para não estilhaçarem juntos.