O CONTRATO DA VIDA: Legados de Ferro e Vidro Lâfre
13 CAPÍTULO 12: O Código da Despedida
A dor física nos dedos quebrados era o único âncora que mantinha Hadjha sã enquanto ela passava noites em claro no laboratório principal. Ela trabalhava de forma maníaca, limpando cada servidor, cada linha de código que Mellysa pudesse ter tocado. Ela queria apagar a existência da loira da Fundação e de sua própria memória.
Por volta das quatro da manhã, enquanto executava um rastreio profundo no núcleo da enfermaria, um erro de sintaxe apareceu na tela. Não era um erro comum; era um padrão de pulsação que Hadjha reconheceu instantaneamente.
0.4 milissegundos. O atraso que Mellysa havia mencionado no dia da briga pelo canhão de pulso.
Hadjha sentiu o estômago revirar. Ela isolou o pacote de dados. Não era um vírus, nem um vazamento. Era um arquivo criptografado com uma chave que só Hadjha possuía: a frequência de ressonância do seu próprio braço mecânico.
Ao abrir o arquivo, não surgiu um manifesto de Vance. Surgiram imagens médicas.
Eram exames de uma mulher idosa. Hadassa Nymerelle, a avó de Hadjha.
Abaixo dos exames, um diário clínico escondido revelava que Hadassa estava sofrendo de uma degeneração celular rara e incurável, algo que a família ainda não sabia. Mellysa estava tratando a matriarca em segredo. Mas havia algo mais... uma gravação de áudio, com a voz de Mellysa sussurrada, gravada provavelmente na noite do baile, minutos antes de tudo explodir.
"Hadjha... se você estiver ouvindo isso, é porque o firewall caiu e eu não estou mais aí. Eles estão com a minha irmã mais nova. Vance a pegou. Eles me deram uma escolha: a Fundação ou a vida de uma criança. Eu tentei ganhar tempo, tentei sabotar os ataques por dentro para que ninguém morresse... os drones que nos derrubaram deveriam ter errado, mas eles recalibraram sem me avisar. Eu nunca quis que você me amasse, porque eu sabia que teria que te destruir para salvar o que restou da minha família. Não me perdoe. O ódio vai te manter segura. Continue sendo de aço... é o único jeito de você sobreviver ao que Vance está planejando."
Hadjha empurrou a cadeira para trás, o som do metal rangendo contra o chão ecoando no laboratório vazio. O suor frio escorria pelo seu pescoço. Mellysa não era uma fanática; era uma refém. Cada insulto, cada olhar gélido na cela, cada palavra sobre ser uma "atriz" no interrogatório... foi uma tentativa desesperada de afastar Hadjha para que ela não se tornasse um alvo.
Hadjha olhou para sua mão enfaixada. A raiva que sentia agora mudou de direção. Não era mais contra a mulher na cela, mas contra o sistema que as havia colocado em lados opostos de uma guerra suja.
Ela acessou as câmeras de segurança da ala de isolamento. Mellysa estava encolhida no chão da cela, tremendo. O interrogatório de nível 5 começaria em duas horas, e Dhorwack não seria gentil. Ele usaria sondas neurais que poderiam apagar a mente de Mellysa permanentemente.
Hadjha pegou seu rifle e uma unidade de pulso. Seus dedos quebrados latejaram, mas ela os forçou a fechar em volta da empunhadura.
— Você acha que o ódio vai me manter segura, Valentine? — Hadjha murmurou para a tela, os olhos cinzas queimando com uma nova e perigosa determinação. — Você errou o cálculo. O que vai me manter segura é tirar você desse buraco.
Ela não era mais apenas a "Filha do Aço" da Fundação Lâfrer. Naquela noite, Hadjha se tornou algo que Vance e sua própria família temiam: uma rebelde com uma causa pessoal.
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