Vários anos atrás

* * * Noruega — Tromsø — Hotel Scandic Ishavshotel * * *

Dite sentiu os raios de sol nos olhos, se virou para o outro lado da cama, sonolento abria os olhos aos poucos e encontrou lindos olhos em tons de roxo o olhando.

Lune deitado ao lado do Dite, sorriu e disse.

(Lune) – Dormiu bem?

Dite piscou algumas vezes e passou a mão nos olhos, devolveu o sorriso timidamente.

(Afrodite) – Sim, obrigado por perguntar.

Lune o olhava.

(Lune) – Está sem jeito por termos dormidos juntos?

A pergunta só aumentou a timidez dele.

(Afrodite) – Hãm, me desculpe é que é a primeira vez que divido a cama com alguém.

Lune ficou intrigado.

(Lune) – E isso é ruim?

Dite se sentou na cama e sem jeito arrumava os cabelos.

(Afrodite) – Não, não é, e que estou me sentindo sem jeito de você me ver assim...

Lune se sentou, tocou no rosto do Dite e não entendendo o que ele havia tido, perguntou:

(Lune) – Assim como?

Dite desviou o olhar do dele.

(Afrodite) – É a primeira vez que alguém me vê assim, sem me arrumar antes...

Lune olhava para todo o rosto do Dite e balançou a cabeça em negativa.

(Lune) – Dite, olha para mim.

Dite levantou o olhar para vê-lo.

(Afrodite) — Não há nada para arrumar aqui.

Desenhando as linhas perfeitas do rosto do Dite disse convicto.

(Lune) – Você é simplesmente perfeito dormindo e mais ainda acordando.

Dite sorriu sem jeito.

(Afrodite) – Muita gentileza da sua parte, Lune.

Lune o olhou por completo e se levantou, andando em direção a uma cômoda do quarto disse:

(Lune) – Não é gentileza, Dite. É somente a mais pura verdade.

Abrindo a mochila do Dite.

(Lune) – Se me der licença, preciso pegar isso.

Mostrou a agenda para o Dite, procurou uma caneta e a achando voltou a sentar ao lado dele. Dite o olhava sem entender o porquê de pegar a sua agenda, ele não tinha mais itens para riscar. Lune o olhou e sorriu, como se tivesse lido a mente dele, falou:

(Lune) – Não se preocupe, não vou riscar nenhum item...

Dite sorriu sem jeito.

(Lune) – Mas, preciso colocar um item aqui, está bem?

Dite franziu a testa tentando entender a lógica dele colocar itens nos seus desejos.

(Afrodite) – Hãm, acredito que não funcione assim...

Lune o olhando nos olhos disse sorrindo.

(Lune) – Vamos considerar de outro modo, eu retirei um item da sua lista que achei redundante, agora eu estaria devolvendo um outro item para equilibrar.

Dite ia contestar quando ele continuou.

(Lune) – Confie em mim, por favor.

Dite acenou que sim e Lune se voltou para a agenda e escreveu o item e entregou a agenda para o dono.

Dite leu o item em voz alta.

(Afrodite) – Ter a convicção do homem perfeito que sou.

Dite o olhou. Lune tocou o seu rosto e o admirando disse.

(Lune) – Dite, é imperdoável que não saiba disso! Todos os elogios a você são pequenos diante da beleza que você nos proporciona.

Dite sussurrou.

(Afrodite) – Pelos deuses...

Lune segurou o rosto do Dite em suas mãos e disse olhando nos olhos.

(Lune) – Eu posso garantir que reconheço a beleza e a perfeição quando estou diante delas. E vejo ambas de forma clara em você! Me promete que só vai riscar esse item quando você não tiver a menor dúvida disso!

(Afrodite) – Eu prometo.

Lune sorriu.

(Lune) – Perfeito!

Ele se levantou.

(Lune) — Eu solicitei um café da manhã especial para você.

Dite se levantou também e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, disse.

(Afrodite) – Agradeço, mas enquanto o café não chega eu gostaria de me banhar primeiro, tudo bem?

Lune acenou que sim.

(Lune) – Fique à vontade.

*

Lune folheava a agenda do Dite, vendo lugares visitados e as impressões que ele teve de cada experiências nos locais, quando ouviu tocarem na porta do quarto. Ele respirou fundo, detestava a interação com as pessoas, mas sabia que era necessário e não gostava de se prolongar além do necessário.

Foi até a porta e a abriu, uma mulher estava com o carrinho do café da manhã que deixaria no quarto.

(Mulher) – Bom dia, senhor, aqui está o seu café da manhã, tenha um bom apetite.

Ele olhou para o carrinho e viu o jarro de flores recheado de diversas rosas e perguntou sério.

(Lune) – O que é isso???

A mulher piscou algumas vezes sem entender a pergunta.

(Mulher) – Hãm, o seu café da manhã, senhor.

Lune a olhou nos olhos e disse friamente.

(Lune) – Eu fui muito claro no meu pedido, solicitei rosas brancas.

(Mulher) – Bom, senhor, é que não tínhamos muitas então colocamos as amarelas e rosa-clara para completar.

Ele puxou um sorriso forçado.

(Lune) – É claro, entendo, mas se não se importar...

Lune retirou cada rosa que não fosse branca do jarro, a juntou nas mãos e ao finalizar mostrou para a mulher.

(Lune) – Poderia segurá-las, por favor?

Ela acenou que sim, e quando ela pegou com as duas mãos o pequeno buquê formado pelas rosas, Lune colocou as suas mãos em cima das dela e apertou com força fazendo a mulher gritar de dor com os espinhos entrando na sua mão. Ela olhava horrorizada para ele.

Lune sem se alterar disse calmamente ainda apertando as mãos da mulher.

(Lune) – Agradeço a gentileza de ter trazido o meu café da manhã.

Ele soltou as mãos dela, a mulher soltou as rosas no chão e olhou para as suas mãos ensanguentadas e olhando para ele saiu correndo.

Lune puxou um sorriso com a cena, colocou o carrinho para dentro do quarto e fechou a porta.

Enquanto olhava no carrinho se o pedido estava de acordo com o que ele queria. Ele viu em câmera lenta o Dite saindo do banheiro com a toalha branca amarrada na cintura indo em direção a sua mochila, ele o olhava por completo, cada detalhe exposto.

Dite pegou sua roupa na mochila e ao olhar para o meio do quarto viu que Lune o olhava e vinha na sua direção, sem jeito colocou as peças de roupa encostado no seu peitoral e começou a falar.

(Afrodite) – Me desculpe, esqueci de levar a minha roupa para o banheiro e ...

Lune colocou o indicar nos lábios rosas dele para silenciá-lo.

(Lune) – Não se desculpe, Dite...

Lune tirou as roupas das mãos dele, não queria perder a visão do que estava admirando a pouco tempo atrás. Lune o olhava e tocando no seu rosto, sussurrou:

(Lune) – Você me deixa confuso, Dite... tem certeza que não é a própria reencarnação da deusa Afrodite?

Dite sorriu sem jeito.

(Afrodite) – Não, não sou.

Lune continuou falando.

(Lune) – Como é possível ficar ainda mais belo a cada vez que eu o vejo? Seu cabelo molhado, seu rosto rosado, seu corpo... tudo é tão perfeito, Dite... e se não bastasse tudo isso...

Lune aproximou seu rosto do dele e deslizou o nariz pelo seu pescoço sentindo o cheiro suave da sua pele.

(Lune) – Sua pele tem o cheiro suave das rosas brancas.

Ele voltou a olhar para o Dite, desceu o olhar para os seus lábios e se aproximando o beijou, um beijo suave, queria saborear o doce sabor daqueles lábios. O beijou até ambos ficarem sem fôlego. Lune sussurrou sorrindo.

(Lune) – Seus lábios são viciantes, Dite!

(Afrodite) – Os seus também.

Lune o olhou mais uma vez.

(Lune) – Perto de você eu perco o controle de mim... isso é maravilhoso e também assustador porque nunca tinha passado por nada assim antes.

Dite concordou.

(Afrodite) – Igualmente me sinto assim.

Lune sorriu.

(Lune) – Que bom saber que somos muito parecidos.

Lune saiu em direção ao carrinho.

(Lune) – Vista-se, vamos tomar café da manhã juntos.

(Afrodite) – Sim, claro.

*

Depois do café da manhã, saíram do hotel.

(Lune) – Espero que não se importe de sairmos deste hotel.

(Afrodite) – Não, de forma alguma. Eu não tinha um lugar em especial para passar esses dias.

(Lune) – Que bom, eles tinham um serviço de quarto de baixa qualidade, mas antes de irmos para outro hotel eu gostaria de passear com você pela cidade, tudo bem?

Dite sorriu timidamente.

(Afrodite) – Por mim, tudo bem.

* * *

Notas finais
Continua...