O Brilho da Honra

7 "Para proteger você"


Notas iniciais
É, chegando mais cedo capítulo novo, graças à greve no funcionalismo estadual deste Hell de Janeiro... parada no trabalho e no mestrado... então... vamos a ele! A partir de agora, mais alusões às condições no continente africano que motivaram a Conferência da ONU na qual se encontram Aioria, Camus, Milo, Saga e também os Guerreiros Deuses Frodi, Sigmund e Surtr. Os fatos aqui mencionados são provenientes de pesquisas em reportagens e sites relacionados aos assuntos. Sou leiga no assunto, então peço perdão se incorrer em algum equívoco, e peço, desde já, para considerarem a "licença poética" nestas questões que não domino. Pelo menos, estou estudando bastante ^^' Gostaria de agradecer do fundo do meu coração a esse apoio lindo que vocês estão me dando, seja lendo, lendo e favoritando e, principalmente, lendo e comentando... obrigada mesmo *.* Tá, "fechei a boca". Boa leitura!!!

Ao contrário do que aparentava nas primeiras horas da manhã, o dia tornara-se nublado, ainda que não ameaçasse chuva. As comitivas hospedadas no Cape Town International Palace Hotel mais uma vez embarcaram nos luxuosos ônibus; em algumas horas, seria, efetivamente, o primeiro dia de debates e propostas na Conferência pela Paz na África.

Milo e Aioria aguardavam por Saga e Camus; viram primeiro os três Guerreiros Deuses, vindo atrás de um grupo de chineses.

— Bom dia, Aioria. Bom dia, Milo – eles cumprimentaram.

— Bom dia. Frodi. Sigmund. Surtr – apenas Aiora respondeu. Só depois de uma breve encarada deste, Milo disse:

— Bom dia, Frodi, bom dia, Sigmund.

— Bom dia, Milo – falou Surtr, sorridente.

— Eu já falei com você mais cedo – cuspiu. Não estava mais com paciência para aquele inconveniente. E que ninguém o obrigasse a aturá-lo!

O leonino balançou a cabeça de leve, demonstrando disfarçadamente sua reprovação. Milo deu de ombros.

— Com sua licença – anunciou Frodi, fazendo menção de embarcar. Sigmund virou-se para Surtr.

— Vamos, Surtr.

— Pelo visto, Saga e Camus ainda não chegaram, hã? Já que vocês estão aqui fora ainda – observou o ruivo, ignorando o loiro.

— Devem estar chegando – respondeu Aioria, não gostando muito daquela permanência do asgardiano. Tampouco Sigmund pareceu gostar.

— Venha, Surtr, precisamos entrar.

— Que eu saiba, os lugares são reservados – observou ele, sem nem ao menos olhar para Sigmund. De fato, fitava Milo tão direta quanto provocadoramente – Vai você, eu quero cumprimentar meu amigo e dar-lhe “boa sorte” para o dia de hoje. Vou esperar Camus chegar.

Fez questão de frisar o nome do aquariano. Sigmund demonstrou certa irritação.

— Você pode fazer isso quando chegarmos ao Centro de Convenções, creio eu. Não há necessidade de fazer aglomeração aqui.

— Mas que desagradável você é, hein – reclamou Surtr, fazendo um muxoxo. E em seguida abriu um sorriso mirando na direção de Saga e Camus, que se aproximavam – Viu, eles chegaram. Vai, pode entrar, eu já vou.

Sigmund trocou um olhar cúmplice com Milo. O escorpiano fingiu não se importar, contudo, o loiro mesmo já havia percebido o jogo do compatriota. Apenas esperava que aquilo não causasse problemas à missão deles... suspirou, e, com uma breve reverência para os Santos de Atena recém chegados, após ser correspondido ele entrou no veículo.

— Bom dia, Saga. Bom dia, Camus – cumprimentou o ruivo, animadamente.

— Bom dia, Surtr – o geminiano respondeu, muito sério.

— Bom dia, Surtr – Camus não foi menos distante.

— Como vocês estão? Estávamos ficando preocupados – disse Aioria, atencioso.

— Estávamos falando com uns palestrantes de amanhã. Desculpe a demora – respondeu Saga.

A Milo não passou despercebido o semblante fechado de Camus. Sentiu um certo desconforto ao notar os olhos avermelhados do francês.

Por ter dormido pouco?

Por ter chorado?

Engoliu em eco, ao constatar: SABIA que era por ambas coisas.

— Você parece ter dormido mal, Camus – comentou o asgardiano, tentando sondar a reação do amigo.

— Impressão sua, Surtr. Dormi muito bem – retrucou, absolutamente frio.

— Bom, deve ser impressão mesmo. Por que você não teria dormido bem, não é mesmo? – e olhou de relance para Milo, voltando a fitar o aquariano em seguida — Estou certo de que sabe que fará um ótimo trabalho, meu amigo.

— Agradeço suas palavras, Surtr. Farei meu melhor – respondeu, o tom desinteressado como seu olhar.

O ruivo sorriu e virou-se para embarcar. Milo rangeu os dentes.

— Que cara chato, cacete – rosnou, baixo.

— Milo. Hoje devemos começar a assumir as posições para as quais fomos designados. Você entende o que quero dizer? – murmurou Aioria, quase no ouvido do companheiro.

— Sim. Que vou sentado ao lado do Saga.

— Porra, Milo...

— O quê? – fez-se de desentendido.

Como se flutuasse sobre o chão, Camus passou por eles e embarcou no ônibus, sendo seguido por Saga.

— Vai com o Camus... – sugeriu o leonino.

— Aioria. Para. Isso não vai funcionar.

— Cara, você é realmente inacreditável – o outro balançou a cabeça, desanimado. Entrou, e logo depois foi o amigo.

Só que Aioria se adiantou e SENTOU ao lado de Saga.

Milo franziu o cenho. O safado fizera de propósito! Sabia que ele não faria uma cena ali, batendo o pé por não querer ir ao lado do ex-namorado. Eram Cavaleiros de Ouro em missão, não adolescentes birrentos numa excursão escolar!

Por mais que fosse EXATAMENTE assim que ele se sentisse. Pois que Aioria estava constantemente “armando” daquelas para ele! E Saga ajudando, CLARO. Esforçou-se por parecer natural, quando na verdade queria bufar de raiva.

Deixou-se cair sem muita delicadeza no banco estofado, ao lado de Camus, que olhava para a tela de seu tablet. O grego não fez caso daquilo. Infelizmente, a partir de então, ele não poderia fazer o mesmo; nem se distrair com seu celular, muito menos ouvir música em fones de ouvido. Precisava estar 100% alerta para cumprir seu dever de zelar pela segurança de Camus, assim como Aioria o faria pela de Saga. Assim fora a ordem dada pelo Patriarca Dohko.

Não que Camus e Saga não fossem capazes de se garantirem, de jeito algum. No entanto, a atenção destes deveria estar permanentemente em seus papeis de diplomatas, e não de guerreiros, salvo alguma emergência. A isso cabia a presença de Leão e Escorpião.

O ônibus deu a partida, silenciosamente. Em alguns minutos, cortava uma surpreendente vista repleta de vinícolas. Por vezes o sol ameaçava sair de trás das nuvens escuras, banhando com seus raios dourados as extensas montanhas que guardavam as planícies verdejantes.

Admirando a paisagem exuberante, de quando em quando os olhos claros de Milo passavam rapidamente pelo rosto de seu acompanhante, que permanecia absorto na leitura de seu tablet. Ficou pensando se ele não estava se preparando incessantemente para a apresentação que faria em breve por não tê-lo feito com propriedade durante a noite... já que, segundo Saga, tivera uma crise nervosa... e, segundo Saga, por causa DELE.

Bom, Gêmeos se retratara. Não fora, realmente, por culpa do escorpiano. Não obstante...além da rejeição, esta sim, inevitável... ele havia sido um tanto duro com certas palavras.

Isso, sim, havia sido BEM dispensável.

Sentiu-se um pouco... sim, como não dizer? Sentia-se um pouco culpado.

Os olhos avermelhados, o rosto pálido. Não reparara se tinha olheiras, não ousara olhar para ele a ponto de perceber isso. Decidiu fazê-lo agora.

— Você dormiu bem, Camus? – indagou, muito sem jeito.

— Sim, e você? – foi a pronta resposta, sem que desviasse o olhar da tela.

— Hum... sim, sim. E... o que você... o que você tanto lê? É o seu discurso?

— Não. Apenas uns apontamentos.

— Ah... – como se ele tivesse entendido. Então não era o que iria falar? Seria possível que tivesse decorado tudo?

Após distrair-se um pouco mais com a vista, agora permeada pelo baía reluzente, o escorpiano encheu-se de coragem e ousou perguntar:

— E... você está preparado? Digo, sente-se pronto para o que vai fazer?

Neste momento, pela primeira vez o aquariano desviou o olhar do aparelho e cravou-o no seu interlocutor; um olhar tão frio como há muito Milo não via, NÃO PARA ELE, pelo menos!...

— O que acha, Milo? Acha que eu não estaria preparado para cumprir uma missão à qual fui incumbido?

Atônito, o grego respondeu, depois de manter a boca aberta, em surpresa, por alguns segundos:

— Claro que não! Eu só... só... queria saber se... depois de...

— Se não se importa, gostaria de continuar a ler – cortou, tão gélido quanto as correntes que manipulava.

— Como quiser – respondeu o escorpiano, o peito queimando pelo descaso. Sentiu-se ultrajado! “Pois bem, não lhe dirijo mais a palavra NEM QUE O MUNDO VENHA ABAIXO!”, pensou, torcendo para não enrubescer.

Por sua vez, Camus voltou à sua leitura, torcendo para que Milo não desistisse dele.

Não queria que se sentisse culpado por nada.

Ele era o único culpado.

Achou que aquela resposta atravessada despertaria sua teimosia. Que fosse se irritar com ele. Que quisesse retratação.

No entanto, Milo fez o que, antigamente, era a especialidade apenas do francês: se fechou.

Camus ainda se confundia com aquele novo Milo.

Aquele Milo que ELE moldara... nas montanhas de Asgard...

Milo... você realmente desistiu de mim...”, pensou, entristecido. Cerrou os olhos, por um momento... não! Deveria se concentrar. Sua missão.

Nada mais deveria importar.

De mais a mais... se ele não tinha Milo... REALMENTE, NADA MAIS IMPORTAVA.

— Olha só aqueles dois – Saga sussurrou para Aioria, apontando com o queixo a direção dos outros dois Santos de Ouro – sabe o que estão fazendo agora, não?

— Sim. Batendo a cabeça de um no outro, que nem dois cabritos desorientados.

— Sim – Saga sorriu – mas eu bem que vi algumas expressões interessantes ali...

— Eu só os vi falando algo entre eles, depois ficaram com aquelas caras de bunda ali.

— Você não é muito observador, cunhadinho...

A viagem transcorreu sem mais conversas entre os dois ex-amantes. A paisagem agreste deu lugar à urbana, e eles souberam que já se aproximavam do local

Contudo, ao cabo de alguns minutos, viram que algo que havia algo de diferente nas ruas.

Muitas pessoas. Muito mais que no dia anterior.

E a quantidade de gente foi aumentando, aumentando, até que perceberam que algo estava, de fato, fora do comum. Assomavam-se, não apenas nas calçadas, agitados. A multidão era em sua quase totalidade de negros, ao contrário do que haviam visto nas ruas daquele elegante bairro no dia anterior. Os passageiros observavam, murmurando, interrogativos.

— Saga, tá acontecendo alguma coisa séria lá fora – disse Aioria, erguendo-se para ver melhor pela janela.

— Eu também acho.

À medida que o veículo se aproximava do South Star, mais densa parecia a massa humana, muitos segurando cartazes, placas, brandindo os braços no ar, eufóricos e nitidamente insatisfeitos.

— Uma manifestação – falou alguém, em inglês.

— Parecem bem agressivos – comentou uma voz feminina.

Não podiam entender o que falavam; gritavam palavras de ordem, de protesto… o ônibus começou a diminuir a marcha.

— Por favor, senhoras e senhores, mantenham-se calmos. É apenas uma manifestação popular, o que já era esperado quando do início da Conferência da ONU. Por gentileza, afastem-se das janelas, apenas por precaução – anunciou uma voz ao alto-falante interno. Houve um burburinho nervoso, e os participantes fizeram conforme o solicitado.

As placas e cartazes estavam escritos em inglês, a língua oficial da África do Sul, e em africâner: nos dizeres em inglês, puderam distinguir frases como “O apartheid não acabou!”, “Fora estrangeiros sanguessugas”, “A África já sangrou demais”, “Chega de matar nossos filhos!”, dentre outros.

— Eu não entendo... estão protestando contra uma Conferência da ONU? – indagou Milo, confuso.

— É o que parece – disse Aioria, do outro lado do corredor.

— Não é bem isso – Camus falou, analítico.

— Como assim? – seu acompanhante quis saber.

— Eles querem chamar a atenção da comunidade internacional, acima de tudo.

O escorpiano pareceu não entender.

— Quer dizer que não estão querendo atacar as comitivas que vieram para a Cúpula? Por que é isso que está me parecendo – alegou, ante a visão de dezenas e dezenas de manifestantes, marchando e gritando pelas ruas, aparentemente em clima de guerra.

— Não creio. Provavelmente são provenientes das favelas afastadas desta zona rica e urbana. Penso que muitos vieram de outras regiões para participarem deste protesto.

— Tomara que esteja certo, eu não quero ter que usar de força com essas pessoas...

— E por que faria isso? – o aquariano se espantou com aquela fala.

— Ora, para proteger você... – calou-se, subitamente — digo...pra... você chegar em segurança ao local.

Embora se condenasse por aquilo, Camus sentiu um calor gostoso dentro de si...

— Não se preocupe, vê aquilo? – apontou para a rua, onde agora se via inúmeros policiais fazendo um cordão de isolamento. Os manifestantes iam se aglomerando nas imediações do Centro de Convenções, sendo, no entanto, contidos pelos homens da lei. Com truculência, observaram.

— Como podem ver, senhoras e senhores, os baderneiros estão sendo contidos pelas forças policiais, em prol da segurança deles mesmos. Já se encontram a uma distância segura do Centro de Convenções — a mensagem procurava tranquilizar os passageiros do ônibus.

Milo olhava a cena um tanto aterrado. Camus não parecia muito impressionado. Será que ele era TÃO frio assim?

-Achei que a cidade fosse rica – declarou o escorpiano, ainda chocado em ver um cenário tão diferente na véspera, quando o Centro da cidade lhe parecera moderno e suntuoso.

— A zona bem central, aos pés daquela montanha... vê?, a Table Mountain, de fato é. Estamos na área turística, no centro nervoso, econômico e comercial da Cidade do Cabo. Mas em seu entorno, para o lado das rodovias, há imensas áreas ocupadas pela maioria negra e pobre do lugar.

— Eles ficam fora das áreas mais conhecidas?

— Sim, em lugares chamados townships, grandes favelas, extremamente carentes. Foram formadas principalmente durante o apartheid, um regime de segregação racial que durou quase 50 anos neste país.

— Nunca iria imaginar – surpreendeu-se o grego, boquiaberto – o lugar parecia tão desenvolvido, tão próspero!

— Isso é comum em toda África, em maior ou menor grau. Muitas riquezas para poucos... muita miséria para muitos.

Já não ouviam os gritos e os brados ensandecidos da população, que ficara para trás.

— Você... como sempre... – balbuciou Milo, pensativo, olhando para frente.

— O quê?

— Tão... inteligente. Eu não sabia nada disso – confessou, envergonhado.

O aquariano sorriu, enternecido.

— Nem eu, tampouco. Tive que estudar os aspectos geopolíticos para compor o que Atena queria transmitir.

O escorpiano fitou-o, a tempo de se maravilhar com aquele sorriso. O qual, tão logo Camus deu-se por conta, foi desfeito.

— Estamos parando – disse, a fim de disfarçar o constrangimento.

Havia sido a conversa mais longa que tiveram em muito, muito tempo...

— Senhoras e senhores, chegamos ao South Star Center. Queiram por gentileza...

— E é seguro descer com aquelas hordas ali atrás? – gritou um homem do fundo do ônibus.

— Eles parecem bem violentos! Vieram confrontar-nos, por certo! – ajuntou um outro, recebendo exclamações de concordância.

— Não há risco algum, senhores, a manifestação encontra-se fora do alcance do Centro de Convenções, e o entorno está fortemente equiparado para situações similares. Por gentileza, queiram se preparar para o desembarque – insistiu a voz ao alto-falante.

Um tanto hesitantes, os ocupantes se levantaram, acotovelando-se para descerem o quanto antes.

Milo acercou-se de Camus, sentindo um estranho pressentimento. Não saberia dizer por quê... mas sentia saudade de quando podia passar o braço por sobre seu ombro, numa atitude protetora... pois era o que queria fazer agora. MUITO.

Entretanto... isso pertencia ao passado.

Ele estava ali apenas pelo dever. Pela missão.

Ganharam o estacionamento do Pavilhão, onde mais ônibus e limousines estacionaram. Podia-se ouvir ao longe o barulho das manifestações. Parecia muito maior do que haviam percebido de dentro do transporte.

Os conferencistas se apressavam para entrar logo no local. Instintivamente, os Cavaleiros de Ouro e os Guerreiros Deuses atrasaram o passo a fim de observar o tenso panorama e, se preciso, proteger os que ainda vinham pelo pátio.

— Vamos, entrem logo! – comandou Aioria aos retardatários e mais curiosos.

— Tem muita gente... isso não é nada bom – preocupava-se Milo, ante a confusão instaurada.

— Isso não é incomum em cúpulas realizadas pela ONU – Frodi comentou.

— De fato, porém...não sei se perceberam... não são apenas manifestantes locais – disse Saga, sem desviar da cena: centenas de homens fardados, jipes, até alguns tanques de guerra, contendo o que parecia ser um número maior de pessoas que gritavam, pulavam e atiravam objetos na direção dos funcionários governamentais.

— Sim, eu distingui gritos em outras línguas que não as locais – concordou Camus, franzindo o cenho.

— Mas o que isso tem de...

Um estrondoso som de explosão interrompeu Aioria. Eles se abaixaram prontamente, alerta.

— O que foi isso?! – perguntou Frodi, ainda abaixado. Não muito longe, uma espessa fumaça subia ao céu. Gritos se intensificaram, bem como som de sirenes.

— Talvez... uma bomba caseira desses bárbaros? – Surtr palpitou, batendo a poeira de seu terno escuro.

— Saga, Camus, entrem JÁ!! – ordenou Aioria, sob um forte pressentimento.

— E vocês? – o geminiano indagou, hesitante.

Uma grande confusão generalizada avolumava-se. Manifestantes romperam o cordão de isolamento. Tiros foram ouvidos.

— Estão atirando na população!!! – horrorizou-se Sigmund, fazendo menção de ir até lá. Saga o impediu.

— Não são armas letais. Não há necessidade de...

— Há mulheres e crianças lá, você não viu?! – berrou o loiro para seu ex-inimigo.

— Não se esqueça de sua missão, Sigmund. Também você traz a mensagem de um Deus, no caso Odin. Estou errado?

— Mas...

— Não devemos nos meter nas medidas locais. Se estão sendo contidos, são ordens superiores dos que governam esta terra. Temos que respeitar – explicou o geminiano.

O jovem cerrou os punhos. Tinha imenso senso de justiça, e só de saber que pessoas indefesas poderiam estar sofrendo, seria capaz de jogar tudo para o alto. Surtr deu um meio sorriso:

— Ora, vamos, não ouviram o que disseram? Estão preparados para lidar com esses pobres diabos. São apenas uns arruaceiros maltrapilhos, pelos deuses! Vocês estão encarando como se o próprio Hades estivesse atrás de nós – declarou, do jeito despreocupado e cínico de sempre.

— Você é um escroto mesmo – disparou, Milo, em tom de desprezo.

— O que foi que você disse?!

E quando um ia para cima do outro, novas explosões se fizeram ouvir, ainda mais fortes.

— Isso não foi...

— CUIDADO!

Dezenas de destroços foram projetados a uma alta velocidade na direção deles. Como guerreiros de poderes sobre-humanos, puderam desviar e pular, escapando facilmente daqueles fragmentos. Eram metal retorcido, canos de ferro, pedaços de concreto, estilhaços. A multidão invadia o pavilhão, sendo duramente reprimida, debaixo de tiros de borracha, de festim, e a golpes de cassetetes. Revidavam com o que trouxessem nas mãos. Novamente estrondos, anunciando perigo iminente.

— POR ZEUS, entrem JÁ! – Milo gritou para Saga e Camus, apontando a entrada. Eles fizeram conforme o ordenado. Foi quando o escorpiano distinguiu o que parecia ser uma imensa chapa de metal, vinda pelos ares, junto com outros artefatos e detritos, indo na direção de...

...Camus!

Sem pensar, Milo jogou-se sobre ele, ao mesmo tempo em que o pesado objeto atingia-o em cheio nas costas. Não pôde sufocar um grito de dor ao receber em si aquilo que atingiria o aquariano. Caiu por cima do francês, ainda sem entender o que acontecia, tão rápido fora.

— Milo!!! – Camus gritou, apavorado, ao perceber o que acontecera. O corpo do ex-namorado... o protegera do impacto daquele destroço!

— Caaamuus!!! – Surtr gritou, temendo o pior; foi empurrado por Sigmund antes que recebesse ele também uma barra de ferro que viera rodopiando, não se sabia de onde. O loiro arrastou-o para dentro.

Frodi e Aioria ergueram uma barreira telecinética, a fim de bloquear os estilhaços que ainda vinham.

O escorpiano ergueu-se, o sangue vivo e abundante descendo de seu ombro. Não tivesse ativado um pouco de seu poderoso cosmo no último milésimo de segundo... com certeza aquilo poderia tê-lo matado.

Mataria Camus, que estava de costas para a ameaça, desprevenido.

— Camus... v-você... está bem? – indagou, os olhos fixos no homem estupefato abaixo de si, que agora virara para ele, quase que em choque.

— Que pergunta é essa, você que...

Não pôde terminar. O grego tomou-o nos braços, carregando-o no colo para dentro do Centro de Convenções.

De tão aturdido, o aquariano nada conseguiu proferir. Pensou em ordenar que o pusesse no chão: era Milo, e não ele, quem se ferira! Contudo, inconscientemente, seus braços enlaçaram o escorpiano, sem se importar com o sangue que o sujava, sem sequer perceber que pressionava-lhe o ferimento... desejo de ser amparado, depois de tanta distância? Dever de permitir que o grego cumprisse sua função de zelar por sua segurança? Sua mente nublou enquanto Milo o carregou até dentro do prédio. Olhou o escorpiano, enquanto ele o carregava, tão cuidadosamente que sequer se acreditaria que estivesse ferido. Antes de depositá-lo no chão, Milo encarou-o tão fundo nos olhos... Camus fez o mesmo, repousando agora os braços no peito forte e largo de seu salvador; ambos perdidos na contemplação um do outro, pouco a pouco restabelecendo-se do medo recém sentido... o medo tão familiar... o medo de algo que eles próprios estavam infligindo a si mesmos:

Perder um ao outro.

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Notas finais
Uau... capítulo TENSO, não? Espero ter conseguido passar o nível de ação que queria... as coisas começam a esquentar MESMO no evento da ONU. E como "COMEÇAM" a esquentar... sabem que é só o começo, né? *Eita, redundância, Melinda...* ^^' Obrigada por prestigiarem. Até o próximo capítulo!