O Brilho da Honra

27 Livres do Mal?...


Notas iniciais
Peço desculpas pelos erros que porventura encontrarem, NÃO betei o capítulo: digitei de teimosa, após passar o dia presa ao trabalho, e tomando um vinho para relaxar desta pauleira que estão sendo estas últimas semanas. À medida que eu for olhando, vou corrigindo as bobeiras que sei que vou encontrar xD Capítulo curto, era isso ou só Deus sabe quando. A capa do capítulo é uma obra da fanartista Kaokki. Boa leitura!!!

— Já havia visto um céu tão estrelado assim?

— Já. Diversas vezes, no próprio Santuário...

— Não seja desmancha- prazeres, Camus!

O aquariano riu de leve, aninhado no peito do amante, ambos estendidos na chaise long da varanda, que dava para o mar, na paz e tranquilidade do flat que voltaram a dividir. De quando em quando, Milo beijava os ombros, o pescoço, a nuca do namorado, que se arrepiava todo. Em resposta, Camus acariciava os braços a enlaçarem seu tórax nu.

— Acha que finalmente teremos paz?

— Eu tenho certeza. Pelo que Saga disse, Surtr será levado de volta a Asgard, tão logo tenha condições de viajar – respondeu o escorpiano, afagando os cabelos macios do francês – parece que vai ser julgado lá.

— Eu não lamento por ele – disse Camus, em tom rascante.

— Bom... também não gostaria que houvesse ódio no seu coração...

Camus virou-se para ele, com ar de irônica surpresa.

— Aquela bala causou algum dano não diagnosticado na sua cabeça. O Milo que conheço jamais diria isso!

— Quer parar? Não é porque sou “o Escorpião” que sou um vingativo passional e sanguinário.

— Milo, você ACABOU DE SE DESCREVER – o aquariano riu, acariciando a face do amado, no qual se via um cômico muxoxo.

— É SÉRIO! Essa sua cabeça de pinguim também deve ter sido afetada de alguma forma. O Camus que eu conheço não fica fazendo PIADINHA quando falam sério com ele.

Ajeitando o cabelo bagunçado pelo outro, o francês parou de sorrir e indagou, curioso:

— Verdade? Não quer que eu o odeie?

— Não peço isso por ele, mas por VOCÊ. Não quero que fique se envenenando por rancor. Eu sou a prova viva de que isso prejudica mais quem sente do que quem é o alvo.

O coração do aquariano se enterneceu, tanto com a fala quanto com a expressão de preocupação abnegada estampada no belo rosto à sua frente. Tocou suas mãos, apertando-as suavemente.

— Entendo o que quer dizer. Não se preocupe. A felicidade de estar com você é maior do que tudo. Eu não vou odiar Surtr. Apenas quero esquecer da existência dele.

— Eu vou te ajudar, pode estar certo disso – e deu um beijo demorado no pescoço do namorado, que suspirou:

— Uhn... Milo...

— Mas hoje vamos pegar leve, tá? Vamos ficar só aqui, namorando, de mansinho, bem calmamente...

— Por quê? – quis saber o aquariano, em meio aos beijos que recebia sem trégua.

— Porque você ainda precisa descansar – sussurrou-lhe ao ouvido, com voz quente e sexy. Camus chegou a morder o lábio inferior.

— Eu estou ótimo...

— Você mal chegou do hospital, e passou por um procedimento não muito simples. Temos que preservar este seu corpinho gostoso um pouco.

Emocionado por aquele cuidado a ele dispensado, Camus beijou-o com carinho, afundando suas mãos nos volumosos cabelos arroxeados. Recuperando o fôlego, Milo avisou, maroto:

—Mas não fica se sentindo muito aliviado não, ouviu? Quando eu puder te pegar de jeito, vou compensar pelos dias que te deixei “em paz”...

— “Dias”? – o francês ergueu uma sobrancelha, malicioso.

— O que, acha que não tenho autocontrole não? Que sou algum tarado insaciável? – mordiscou de leve o lábio inferior do amante, umedecendo-o, provocante.

— Qual será a opinião de Saga sobre isso? – riu o aquariano, ao que o outro adquiriu uma feição apreensiva.

— Nem me lembre. Ele tá furioso pelo que fizemos aqui...

— “Fizemos”? VOCÊ que não tem limites...

— Por acaso, senhor Aquário, quebrei o box do banheiro e fiz todo aquele estrago no quarto tocando punheta?!?

— Milo!!!

— NÃO, né? VOCÊ tava comigo, senhor certinho! – e voltou a distribuir beijos estalados num sorridente Camus, enquanto falava – Você estava lá participando de tudo... e gostando, senhor “pudico”.

— Milo.

— Que é agora?

— Eu te amo.

O grego parou tudo que fazia e ficou a mirar o namorado, incerto do que ouvira.

— O que você disse?

— Ficou surdo, Escorpião? Disse que te amo – repetiu, de maneira quase jocosa.

— Há quantos anos não ouço isso... – murmurou Milo, abraçando-o delicadamente. Camus achegou-se mais a ele, passeando suas mãos por aquelas costas largas, cerrando os olhos enquanto sussurrava:

— Eu também não ouço isso há muito tempo...

— Não seja por isso – segurou-o pelo queixo, fascinado – eu te amo, Camus.

Trocaram um olhar profundamente cúmplice antes de se entregarem a um beijo tépido e apaixonado.

— Milo... – gemeu Camus em meio ao êxtase que era levado – não saia mais da minha vida.

— Eu te digo o mesmo. Não suportaria me separar de você de novo, Camus. Eu te peço per...

Um dedo frio em riste sobre seus lábios o calou. Com um doce sorriso, o francês enunciou, em voz baixa:

— Chega de desculpas. Já ouvimos desculpas demais. Já pedimos desculpas demais. Podemos apenas olhar para o futuro, Milo? Podemos?

Segurando-lhe a mão gelada com a sua morna, o grego respondeu, docemente:

— Eu não quero outra coisa, meu amor.

*************

Iniciava-se a terceira e última semana da Cúpula da ONU. A sessão fora aberta naquela manhã cinzenta com vários informes e notificações acerca de acordos e alianças. A bem dizer, para Milo estava tudo bem sonolento, ele, porém, esforçava-se por parecer atento. Na verdade, e disso se envergonhava um pouco como cavaleiro, sua atenção estava mesmo voltada para Camus, sentado ao lado de Frodi nos lugares dos palestrantes, logo atrás do púlpito, onde discursava o secretário geral da organização. Perguntava-se se o francês estava mesmo pálido além do normal ou se era aquele terno escuro que contrastava com seu belo rosto alvejado pela intensa iluminação. Contudo, podia distinguir as sombras violáceas abaixo de seus olhos anis.

Percebendo-se alvo daquela constante mirada, o aquariano não resistiu a um discreto puxar de seus finos lábios, simulando um sorriso que não considerava conveniente dar, não ali, num lugar sério e formal como aquele.

O dia transcorria sem maiores problemas ou novidades, salvo o anúncio público da participação dos conferencistas na cerimônia de encontro anual das escolas primárias do país, a ser realizado no maior estádio de futebol da Cidade do Cabo. Havia na programação até uma homenagem aos “Anjos de Ouro” — para o horror dos Santos de Atena, a alcunha dada pela imprensa fora amplamente adotada no país. O fato não agradava aos Santos: não cumpriam seus deveres a troco de “holofotes”. Serviam a Atena e aos ideais de paz e justiça no mundo. No entanto, a solenidade envolveria milhares de crianças que já os tinham como heróis, e eles não poderiam declinar da honraria, sob o risco de decepcionar aquelas pessoas. Em dois dias deveriam comparecer ao tal evento, e dois dias depois, as atividades na Cúpula enfim seriam encerradas.

Enquanto isso, Surtr continuava internado no Cape Medical Center, acompanhado por Sigmund. No final da tarde, o loiro fora informado que agentes de Asgard já chegavam à África do Sul, com a missão de levar o insurgente hospitalizado, tão logo houvesse condições de transportá-lo. Por mais que se julgasse um idiota por isso, Sigmund não conseguia evitar de sentir certa pena do companheiro sedado e enfaixado sobre um leito hospitalar; encontrava-se naquela situação por não encontrar limites entre amor e possessividade, amizade e ressentimento... lembrava-se da paixão que um dia nutrira por Saga, felizmente abafada pelo calor amoroso oferecido por Frodi. Reconhecia que o caso do ruivo diferia do seu pela prévia existência de laços com Camus... mas será que não seria caso de um novo amor substituir aquele, mais que estéril, nocivo?

De qualquer forma... agora não adiantava mais.

Não haveria volta para Surtr; seria levado a julgamento por ter rompido o acordo de paz entre Asgard e o Santuário de Atena e por ter atentado contra a vida de um dos Cavaleiros da Deusa. Pesariam sobre ele ainda relatórios sobre sua negligência na Conferência. Quanto a Milo, muito embora corresse o risco de também ter de responder sobre seus atos perante a Deusa das Batalhas, contava com a ajuda de um relatório redigido por Frodi, justificando sua ação intempestiva , alegando “defesa de um companheiro vulnerável, pelo condenado gravemente prejudicado”, afinal, Milo fez o que fez por Surtr ter tentado invadir o quarto onde o homem que quase matara estava hospitalizado.

Ouviu um suave “clique” na porta e se virou para ver quem era: uma enfermeira adentrou o quarto. Negra, em seus 30 anos, um coque rígido a destacar-lhe a testa alta e lisa. Cumprimentou o asgardiano:

—Sou a enfermeira Zarina. O senhor é...?

— Meu nome é Sigmund.

— Boa noite, senhor Sigmund. Vim verificar o senhor Surtr...

— Oh, sim, por favor. Obrigado.

Assentindo, ela foi até o paciente adormecido. Checou seus braços e mãos, o soro e a medicação. Voltou-se para o loiro e perguntou:

—Ele não acordou nenhuma vez ainda?

— Não – a resposta saíra timidamente.

— Estranho, o sedativo já acabou. O normal seria ele ter despertado.

— Verdade? Bom… eu não saí daqui em nenhum momento, e ele sequer abriu os olhos – ajuntou Sigmund, apreensivo.

Zarina ajeitou os óculos sobre o nariz. Falou, em tom frio:

—Tem gente que demora um pouco mais, mesmo. Por favor, assim que ele acordar, me chame por este controle – e entregou ao asgardiano um pequeno dispositivo – basta apertar o botão.

— Este aqui? – quis confirmar e achou-se tolo em fazê-lo; afinal, só havia um botão branco no aparelho.

— Exatamente. Com a sua licença.

Saiu, deixando-o só, com o companheiro desacordado.

Suspirando, Sigmund voltou a se sentar no sofá marrom claro. Seria mais uma noite naquela noite? Estava cansado, não negava. Queria tanto retornar ao hotel, tomar um bom banho, fazer uma bela recepção junto com seu namorado e com ele descansar propriamente! Sentia saudades dele, aliás... mas Frodi havia de estar muito ocupado para ir até o hospital. Bom, ele tinha prometido aparecer mais tarde à noite, para saber como tudo andava. Eram 19:14 ainda. Talvez pudesse cochilar um pouco, para ficar com uma aparência mais descansada quando o amante chegasse...

Acabou adormecendo. Acordou num sobressalto. O relógio marcava 20:23.

Foi então que percebeu que Surtr se movera. Dirigiu-se até o leito, para constatar se não fora mera impressão.

— Surtr?

As pálpebras tremeram vigorosamente antes de revelarem as íris fúcsia do ruivo.

— Si... Sigmund? – balbuciou, depois de ficar vários segundos olhando o outro.

— Sim, sou eu. Enfim acordou. Como se sente?

— Não sei... com sono... e-eu estou no...?

— No hospital. Você passou por uma cirurgia e está aqui desde ontem à...

— Cirurgia? O que aconteceu comigo?...

— Bem... foi necessária uma... uma reparação plástica no seu rosto depois que Milo... bom, não sei se lembra...

Parecendo refletir, o olhar vago de Surtr se tornava sombrio a cada lembrança revisitada.

— Milo – rosnou, entre dentes – sim, eu me lembro.

Sigmund esperou que ele dissesse mais alguma coisa. Deu tempo para que o ruivo assimilasse a situação em que se encontrava.

— Meu rosto... o que ele fez? E-eu vou ficar deformado? – o temor naquela dúvida causou compaixão em Sigmund.

— Não! A operação foi justamente para que isso NÃO acontecesse. E, pelo que os médicos disseram, foi bem sucedida... ah! A enfermeira!

Foi até a mesa, próxima ao sofá, pegar o controle entregue pela mulher. Ouviu Surtr perguntar, aflito:

—MEU CORDÃO! Onde ele está? Me roubaram?!?

— Claro que NÃO, está aqui na mesa. Tiraram de você para realizar os procedimentos porque...

— Me dê.

O loiro entregou o colar ao colega, ironizando:

— Dizer “por favor” não faz mal, sabia?

— Quando vou sair daqui? – inquiriu, ignorando a fala do companheiro. Alisava o vistoso medalhão escuro.

Um tanto desconfortável, Sigmund revelou:

— Assim que estiver liberado para que os agentes de Asgard, que estão vindo para cá, possam te levar de volta.

— Como assim “me levar de volta”? – assustou-se.

— Você será levado a julgamento, Surtr.

— O QUÊ? Está brincando com a minha cara, não é?

Instintivamente, Sigmund dele se afastou. Ressentia-se de ter de ser a pessoa a dar aquela notícia... que papel desagradável!

— Não estou brincando... você será levado a julgamento por ter abandonado seu posto nesta missão... por conduta inapropriada no cumprimento do dever, e por ter violado o acordo de paz entre Asgard e o Santuário da Grécia.

Arregalando os olhos, o ruivo fez uma expressão surpresa:

— Do que está falando? Quando foi que violei o acordo de paz entre…

— Quando tentou MATAR um Santo de Atena.

— Eu? Fala de Milo? O DESGRAÇADO que me atacou e me deixou assim!

— Sabe que me refiro a Camus.

A perplexidade de Surtr só fazia aumentar. Deu um riso nervoso e retrucou, trêmulo:

— C-Camus? O que houve com…

— Pare com isso – Sigmund fitou-o com desprezo – Você foi LONGE demais desta vez, Surtr. Ao que parece, o único jeito de te parar é te tirando do nosso meio!

— Você está louco – tenso, apertava o medalhão em seu colar – Como eu poderia tentar matar Camus?

— O seu comparsa confessou tudo. Já chega.

— M-meu... comparsa...

— Milo e Aiolia pegaram ele e fizeram ele abrir a boca. Contou tudo que fizeram, e como fizeram...

Um tremor apoderou-se do corpo ferido do paciente.

— Eles... e-eles machucaram Derrick? – perguntou, em um murmúrio aterrorizado.

Aquela súbita preocupação estampada na expressão do companheiro surpreendeu Sigmund.

Seria autêntica?

Surtr… se PREOCUPAVA com o rapaz?

— Não – respondeu, perturbado – Ele já estava meio machucado e...

— Estava? Oh – lembrou-se de que for a ELE que empurrara o africano com violência desmedida contra a parede do quarto do hospital, ao escapar de lá – Derrick...

A porta se abriu, e surgiu novamente a enfermeira, que horas antes entregara o dispositivo a Sigmund, a fim de que fosse chamada tão logo despertasse o paciente.

— Com licença. Então ele despertou.

— Sim, obrigado por vir – respondeu o loiro, dando passagem a Zarina; ela parou em frente a Surtr, com semblante fechado, ao que ele ergueu uma sobrancelha.

Parecia olhar para ele com ar de pouco caso!...

— Quem é...

— Abra a boca.

— Hum?

Ela fechou a mão no queixo do rapaz, sem maiores cerimônias e pôs-se a examiná-lo, assim que ele fez conforme ordenado. Não lhe agradara o tom ríspido, porém, era a enfermeira, então...

— Agora abra bem os seus olhos, senhor Surtr.

— Já estão abertos, não? – rebateu, mal humorado.

Segurando-o pelo rosto, examinou as pupilas do paciente.

— Isso não é bom – a profissional deixou escapar, balançando a cabeça.

— Algum problema?

Virando-se para responder Sigmund, ela anunciou:

— Terei que levá-lo para fazer uma tomografia agora mesmo – e caminhou até a mesa, apertando o dispositivo que dera ao loiro para ser chamada.

— Quê? Tem alguma coisa errada comigo, além deste rosto de múmia? – vociferou Surtr, irritado.

— É o que vamos averiguar, senhor Surtr. Para começar, o senhor está com febre. Com toda a medicação que tomou, isso não deveria estar acontecido.

— Estou morrendo, é isso?

— Não seja idiota, Surtr – ralhou Sigmund.

— Se eu morrer por causa daquele maldito escorpião, eu...

— Senhor Surtr, acalme-se. Qualquer agitação pode prejudicá-lo ainda mais. Deite-se direito, já vão removê-lo para a sala de exames.

Não demorou muito e dois enfermeiros trazendo uma maca apareceram. Puseram um Surtr bem apavorado ali e empurraram-no para fora do quarto. Quando Sigmund fez menção de segui-los, Zarina se interpôs.

— O senhor não pode ir conosco. Somente o paciente pode entrar onde será feita a tomografia.

— Não posso? Mas…

— Além do mais, o médico já está a caminho para falar com o senhor – verificou se os colegas de trabalho já haviam tirado o outro asgardiano dali. Continuou, como a confidenciar – Não creio que haja boas notícias sobre o estado de saúde do seu amigo...

— Não? Por quê? Ele não vai ficar bem?

— É melhor que o médico explique. Com licença, senhor...

Ela saiu do quarto, deixando um atônito Sigmund. Ele mordeu a unha do polegar, pensativo.

“Se Surtr morrer... nem Frodi conseguirá ‘livrar a barra’ de Milo.”

*************

— Foi muita gentileza de vocês, virem até aqui comigo – comentou Frodi, adentrando o hall do Cape Medical Center, para os dois Santos que o acompanhavam. Tentavam tanto quanto possível ignorar os flashes na direção deles, de celulares tanto de funcionários quanto de outros.

— Que nada, é bom esticar as pernas um pouco. Não estávamos fazendo nada mesmo... ao contrário daqueles outros dois lá – riu Aiolia – Será que vão dar mais prejuízo pra Fundação hoje, hein, Saga?

— Para o bem deles, eu espero que NÃO.

Frodi não entendeu do que falavam, mas achou melhor não perguntar. A julgar pela cara de poucos amigos de Gêmeos...

Após falarem com uma atendente e obterem a permissão de prosseguirem, tomaram o elevador e se dirigiram até o quarto onde estavam Surtr e Sigmund. Os relógios marcavam 21:37. Obviamente não era horário de visitas, mas tinham credenciais especiais do governo e da polícia federal, e puderam ter acesso sem reservas.

Ouvindo uma discreta batida, Sigmund foi atender a porta.

— Vocês – falou, surpreso.

— Eu não falei que vinha? Por que estranhou?

— É que achei que fosse o médico. A enfermeira disse que ele estava vindo falar comigo, mas até agora nada de ele aparecer.

Os três entraram no aposento, prontamente reparando a cama vazia.

— Onde está Surtr? – indagou Frodi, mais surpreso ainda.

— Foi levado para fazer uma tomografia.

— Ah... algum problema, será?

— Não sei, uma enfermeira veio examiná-lo depois de ele ter acordado e parece que viu que havia algo de errado com ele. Estava com febre até e...

— Com licença – o médico adentrou o quarto, franzindo o cenho ao ver tanta gente.

— Boa noite – fizeram os jovens, quase a uma só voz.

— Boa noite, sou o doutor Thomas Akil. Vim ver o senhor Surtr – e franziu ainda mais o cenho ao não vê-lo no leito. Seguindo seu olhar, Sigmund disse:

— Três enfermeiros levaram-no para fazer uma tomografia. Ainda não voltou.

— Tomografia? Não havia nenhuma tomografia marcada para o paciente.

— Como?

— Além do mais, a esta hora da noite só se faz exame desse tipo em caso de emergência. O senhor Surtr já havia passado por uma tomografia antes.

Os quatro se entreolharam, confusos. O doutor Akil parecia igualmente desconcertado, conferindo os papéis presos na prancheta que trazia.

— Mas a enfermeira disse que o senhor iria me explicar... que ele estava com febre... – articulou Sigmund, sem entender.

— EU iria explicar? Quem era essa enfermeira?

— O nome dela era Zarina.

O médico olhou para a cama e para a porta, e em seguida para os guerreiros à sua frente. Revelou, atônito:

—Não trabalha NINGUÉM aqui com esse nome...

*************

Notas finais
"Zarina" quer dizer "mulher de ouro". Não sei em que língua, só vi que era um nome africano, se alguém souber de que PAÍS, me avise... fiquei curiosa, e achei o nome bem bonito. E não é que a muié levou o "bunda de grilo"? Sigmund deu bobeira ou não tinha como imaginar que isso poderia acontecer? Bem, obrigada por prestigiarem. Podem deixar que logo respondo todos comentários anteriores, OK? Até a próxima... beijo grande :x