Notas iniciais
Olá a todos! Peço desculpas por estar atualizando antes de responder os comentários, mas como vou viajar amanhã e só volto no final de semana - e com certeza estarei cansada para fazer isso - resolvi abrir logo as comportas das tretas, senão esta semana ficaria sem capítulo novo. Mas podem deixar que responderei, sabem que sempre respondo, porque é um grande presente para mim cada uma de suas demonstrações de reconhecimento, e porque adoro falar com vocês também, claro. Muito obrigada pela força que estão dando à fic, de verdade. Bom, o clima hoje vai esquentar, e NÃO é no bom sentido (ainda... rs)

“Ainda não temos notícias de sobreviventes.”

Aquelas palavras pareciam um mantra maligno, ecoando sem trégua, enfraquecendo os sentidos de Camus. Ele estremeceu, balbuciando algo ininteligível.

— Camus? O que você tem? – Surtr perguntou, estranhando seu comportamento.

— Mi... Milo...

— Por Odin, você está pálido! Sente-se mal?

“É a boate para onde foram Milo e Aioria”, pensou, lutando para recobrar o ar que lhe faltava. Pelo salão, muitas exclamações, lamentos e falatório extenso. A mulher que gritara em pânico, após saber que o atentado havia sido onde seus filhos se encontravam, desmaiara. Houve um princípio de confusão, o segundo ataque terrorista do dia! E por certo, devido à realização da Conferência da ONU!

— Camus! Está me assustando! Por que essa notícia te deixou assim? – falava o ruivo, nervosamente – OK, é uma coisa horrível, mas...

“Saga!” foi tudo que o aquariano enunciou, através de seu cosmo, elevado de tal forma que ele foi envolvido pela luz dourada.

Desnecessário dizer como aquilo chamou a atenção.

Em segundos, o Cavaleiro de Gêmeos surgiu perante eles.

— Camus! Ouvi seu grito de desespero! O que houve? – indagou o grego que, ao ver o olhar esgazeado do amigo, segurou-o pelos ombros duros.

O francês apontou para a TV, trêmulo. As imagens e as legendas, aliadas à comoção ambiente, traduziram por alto o que ocorrera.

— Saga... Milo e Aioria... estão naquele lugar ! – conseguiu por fim dizer.

— O quê? – espantou-se o mais velho. Frodi e Sigmund apareceram também, já inquirindo:

— Aconteceu alguma coisa?

— Eu vou até lá – anunciou Camus, sem responder aos asgardianos.

— Espera! Pra quê? Você disse que Milo e Aioria estão lá. Eles são Cavaleiros de Ouro, oras. Não tem por que ficar preocupado – interveio Surtr, gesticulando.

— Não podemos ter certeza – retrucou o aquariano. Saga pôs a mão em seu ombro, e Camus virou-se para ele, disposto a brigar, se fosse preciso, caso ele também quisesse impedi-lo.

— Sei que eles estão bem – Gêmeos começou, com voz firme e tranquila – mas sei também que você TEM que ir. Vá.

O menor suavizou sua expressão, agradecendo internamente a compreensão do amigo:

— Seguirei os cosmos deles – falou.

Assentindo com a cabeça, o grego saiu da frente do mais novo.

— Ainda acho desnecessário – insistiu Surtr, sorrindo e dando de ombros – como dois guerreiros da guarda de elite do Santuário morreriam num incêndio, por Odin!

— Eu SEI que eles não morreram! – replicou o aquariano, irritado.

— Mas... nunca se sabe... – continuou o ruivo, cinicamente — se bem que se eles tivessem morrido de forma tão estúpida seria até bom, porque se livrar de Santos de Atena que sucumbem assim seria como se livrar de lixo inútil...

Chegou a bater com as costas contra o balcão do bar com o forte tapa que Camus lhe deu no rosto. Pôs a mão no local esbofeteado, olhando o francês, atônito.

— Ca... Camus?

Este apenas o encarou friamente por uns segundos antes de praticamente desaparecer diante deles. O ruivo fez menção de ir atrás do amigo:

—Ca…

À sua frente, porém, o geminiano postou-se, mirando-o muito altivo.

— Não vou deixar que vá atrás dele – sentenciou, autoritário como só ele lograva ser. Uma autoridade plácida, indiscutível. O ruivo piscou umas três vezes antes de vociferar:

— Quem você pensa que é para mandar em mim?!?

Saga respondeu-lhe, branda contudo firmemente:

— Esse assunto não lhe diz respeito, Surtr de Eikthyrnir.

— Como “não me diz respeito”? Camus é MEU amigo, e eu...

— Terá que passar por mim para ir até eles.

Surtr rangeu os dentes, possesso. Como ele poderia? Nunca que admitiria isso, mas temia Saga. O geminiano não havia rechaçado facilmente seu ataque em Asgard? Aliás, “seu” apenas não... seu, de Sigmund e de Camus, EM CONJUNTO. O próprio Loki se referira a ele como “o guerreiro mais forte de Atena”. Sim, ele SABIA que o miserável era.

Entretanto... seria capaz de TUDO por Camus.

Não mentira para ele. Amava-o! E estava agora irremediavelmente perdido após provar de seus lábios, de sua pele, de seu calor... sim, havia calor naquela carne, contradizendo a fama de frio inerente a um cavaleiro do gelo.

Reencontrá-lo depois de tantos anos... desfalecido na neve como um anjo caído, como um sonho perdido que ele julgara nunca mais ver novamente... foi-lhe custoso mesmo deixar que seus subordinados recolhessem o homem encontrado nas imediações da base; sua vontade era de ele mesmo tomá-lo nos braços. E nunca mais, nunca mais separar-se dele outra vez.

Odin lhe mandara Camus de volta. Era SUA dádiva.

E agora... queriam tomá-lo de si... mais uma vez?

Não.

Tocou abaixo da boca, sentindo o sangue que vertia.

Não.

Nem Saga nem NINGUÉM iria impedi-lo...

Ousou avançar dois passos; Frodi e Sigmund se interpuseram entre ele e o geminiano, que permanecia imperturbável.

— Vocês... vão ficar do lado desse... Cavaleiro de Ouro? – bufou, indignado.

— Surtr. Já chega. Não ouviu o que Saga disse? Isso é assunto dos Santos de Atena, não nosso. Não se intrometa! – Frodi não teve a mesma paciência de Gêmeos.

— Se insistir, poderemos incorrer em um problema diplomático aqui... – ajuntou Sigmund, apertando os olhos azuis.

Após hesitar um pouco, o ruivo estalou a língua e voltou a se sentar no balcão. O barman os olhava assustado. Levantou o copo que havia caído com o impacto do corpo do asgardiano e balbuciou:

— O... o senhor... está sangrando um pouc...

— É, me traz gelo. Pra isto e pra mais um uísque, vai – ordenou, num resmungo impaciente.

************

“Eles estão vivos”, rejubilava-se, ao “materializar-se” diante do prédio que ardia. Sabia-o pelos cosmos que sentia claramente. Um cordão de isolamento separava os curiosos e os que clamavam por notícias de entes queridos que lá dentro ainda se encontravam. A noite era iluminada pelas chamas muito altas, incontroláveis. Um helicóptero se posicionara acima do que havia sido a discoteca, agora parecia apenas uma imensa caixa flamejante. Camus se preparou para saltar rumo à cobertura e usar seu poder para ajudar os bombeiros que sobrevoavam o lugar quando viu o fogo no térreo rodopiar e se convergir numa espécie de espiral. Sorriu, animado.

“São eles!”

— Afastem-se, cuidado!!! – gritavam os policiais, forçando a multidão a ir mais para trás, o que foi difícil por causa daquele fenômeno incompreensível para todos, menos para o recém chegado: o fogaréu convertera-se num verdadeiro vórtice, alastrando-se para os lados e permitindo que de seu âmago surgissem vultos. A princípio o horror tomou conta: acharam que fossem pessoas queimando, perecendo entre as chamas. Camus desvencilhou-se do isolamento sem a menor dificuldade e foi até lá, brandindo a mão e ajudando a resfriar o caminho pelo qual os frequentadores da boate saíam, completamente ilesos, para assombro das testemunhas na calçada.

Eles corriam pelo túnel formado pelo poder de dois cosmos dourados. O Santo recém chegado ergueu a mão e conjurou seu poder: uma rajada gelada varreu as estruturas externas, apagando as chamas que ainda poderiam ameaçar as pessoas. Entretanto, enquanto fazia isso... sentiu o cosmo de Milo enfraquecer. Arregalou os olhos.

Não podia intensificar em demasia seu poder sob risco de congelar tanto as pessoas que saíam atabalhoadamente, tropeçando umas nas outras, quanto as que ainda estavam no interior da boate.

— Camus! – chamou Aioria, aparecendo no centro do vórtice flamejante. Mais e mais pessoas saíam, o francês agora espalhando seu ar gelado e aplacando o fogo, ao mesmo tempo que protegia aquelas vidas recém salvas por seus companheiros de ouro.

— Você está bem, Aioria?

— Estou sim, ainda tem mais gente pra sair. Mantenha seu ar gelado nesta direção, por favor! – comandou o leonino, controlando a corrente de cosmo que afastava o fogo do raio de movimentação.

— Certo – apenas concordou, preocupado em salvar aqueles cidadãos. Porém... não sentiu o cosmo de Milo... mas... não podia parar agora!

“Milo! Milo, sei que está com raiva de mim”, tentou se comunicar pelo cosmo, “mas me responda... onde está você? Por que não te vejo? Por que SEQUER SINTO SEU COSMO?”

Nenhuma resposta. Não resistiu e gritou para Aioria:

— E Milo, onde está?

— Ele estava comigo criando o vórtice, mas voltou para resgatar uma pessoa.

— Resgatar uma pessoa?

— Sim, a minha amiga! – respondeu uma jovem em prantos, amparada pelos policiais, ao ouvir o diálogo dos “dois super heróis”.

Camus virou-se para ela, sem deixar de direcionar o ar úmido para a abertura criada pelos amigos.

— Ela ...ela tava com um cara... disse que ia pro darkroom (*) com ele... não voltou de lá... eu falei com o amigo de vocês e ele... e ele foi atrás dela – revelou, chorando desesperadamente. (* nota — para quem não sabe, é como a expressão em inglês nomeia, "sala escura", local de que algumas casas noturnas dispõem pra galera ficar "se pegando" lá... fazendo safadezas e tal)

“Mas por que não sinto seu cosmo?”

“Eu também não sinto, Camus!”

“Deve ter acontecido alguma coisa, Aioria, eu vou entrar!”

“Acho melhor, Camus, porque nem Milo nem essas duas pessoas voltaram”

O francês assentiu. Seu cosmo brilhou mais um pouco e uma grande de ar frio varreu as chamas que devoravam a fachada da casa noturna. A população, abismada, a tudo assistia, vibrando muito. Câmeras filmavam o fabuloso homem que controlava o frio e o gelo, exterminando com facilidade as chamas que nem os bombeiros de todo o centro da cidade lograram exterminar.

“Eu acho que já saiu quase todo mundo que... que tava vivo, Camus” opinou o leonino, sustentando o caminho protegido pelo cosmo.

Engolindo em seco, o aquariano não quis demonstrar o quanto aquela frase lhe amendrontara. Tinha que permanecer firme e sereno a fim de controlar suas rajadas da maneira adequada, bem como manter seu cosmo instável. Era assim que funcionava com eles... muitos poderiam achar que os Santos de Ouro eram semideuses ou super seres de poder infinito. Na verdade, tudo era questão de controle do cosmo. Eles o desenvolviam sim, muito, infinitamente além do que os seres humanos comuns... mas CONTINUAVAM sendo seres humanos comuns, com fraquezas e vulnerabilidades, as quais lhes ameaçavam mediante a perda do autodomínio. E tudo, assim como dissera certa vez Mu, não era questão de quem detivesse o maior cosmo e sim de quem conseguisse manipulá-lo da maneira mais eficiente. E isso demandava esforço e concentração. Claro que com a experiência esse processo tendia a ser mais rápido, por vezes quase imediato, mas ainda assim... concentração.

O que estava sendo ameaçada pelo temor que assaltava o coração de Camus.

“Milo... Milo, POR FAVOR! Se não quer me responder, responda Aioria!!!”

“É inútil, ele não me responde também!”

— Moça, onde sua amiga estava com o tal rapaz? – o francês gritou para a jovem amparada por paramédicos.

— Eles...tavam no último andar... n-nu-numa darkroom!... – respondeu, desesperada.

“Certo, vou entrar”, anunciou para Leão.

“Boa sorte!”

O Cavaleiro do Gelo abaixou as mãos, e, para surpresa dos espectadores embasbacados, caminhou por entre a fumaça negra para dentro da estrutura em chamas. O outro guerreiro permaneceu do lado de fora, assessorando os sobreviventes e atento a outros focos de incêndio.

— Meu Deus, ele ENTROU!! – gritavam alguns, apavorados, pois que o interior ardia intensamente.

— Ele vai morrer!

— Ele é louco!

— Vocês não viram, ele faz gelo com as mãos!! Vai salvar mais gente!

— Por favor, AFASTEM-SE, ainda há riscos de explosão – gritou Aioria, sentindo o peso das próprias palavras. Virou-se para trás, sem mais ver o francês. Sabia que ele poderia lidar com o fogo. Contudo não ficava seguro com a possibilidade remanescente de explosões. Não mesmo. Ainda mais que sabia que a mente do outro estava tomada pela preocupação com o ex-namorado.

“Camus, toma cuidado, cara, por favor”, e rezou a Atena ao mesmo tempo.

*************

Protegendo-se com sua barreira de ar congelado, o aquariano adentrou o tenebroso inferno. Olhou ao redor: era difícil distinguir alguma coisa, o local ardia intensa e ruidosamente. Mesmo que tivesse alguém gritando, não conseguiria ouvir, a não ser que fosse pelo cosmo. Por isso, ativou-o nesse sentido, perscrutando por entre as ameaçadoras colunas e línguas de fogo. Pôs-se a irradiar o resfriamento e aplacar o incêndio no andar térreo. Poderia assim, simultaneamente, prosseguir em busca de Milo e possibilitar salvação a quem porventura estivesse vivo ali.

O que infelizmente parecia fora de cogitação.

— Que meu ar gelado extinga essas chamas ameaçadoras! – e assim, sem mais empecilhos, seu poder explodiu de forma a acabar com o fogo. Ruídos e estalos agora se faziam ouvir. Pôde finalmente ver alguns cadáveres carbonizados, o que o amendrontou terrivelmente.

E se... e se algum deles fosse de Milo?

Não. O escorpiano se dirigira para o terceiro andar. Ele não teria sucumbido no caminho ou na volta dele. Haveria de estar lá. Talvez ferido sim... talvez...

Tentou chamá-lo pelo cosmo mais algumas vezes, entretanto continuava sem resposta. Avançou pelos destroços agora molhados e congelados, por sobre uma verdadeira lama negra de fuligem e gelo. Percorreu a área até chegar a um corredor que ainda queimava. Repetiu o processo a fim de poder passar. A casa era realmente grande, aquilo haveria de ter sido a primeira pista de dança, e talvez ele estivesse passando pelo bar ou uma área mais social. Distinguiu um balcão, calcinado...mais e mais corpos surgiam... Camus aproximou-se deles e percebeu que estavam baleados.

Aquelas pessoas... haviam sido METRALHADAS! Antes que os terroristas provocassem as explosões, causando o incêndio... haviam atirado nos frequentadores!

— Ei! Tem alguém aqui? Pode me ouvir? – bradou, sua voz ecoando sinistramente abafada.

Nenhuma resposta ecoou.

Em muitos anos como guerreiro não lembrava de ter visto tamanho horror. Jovens como ele, alguns mais jovens que ele, agora jaziam ali, amontoados... um ataque repentino, por certo... pelo menos, Aioria e Milo haviam conseguido salvar a maioria das pessoas, ao que parecia.

Passou por uma porta larga, sempre aplacando outros focos de incêndio: seu cosmo gelado irradiara-se por todo térreo, e por ali a passagem estava quase 100% livre. Do teto pendiam fios, estruturas derretidas, concreto, estopas que ainda caíam. Enfim, achou a escada. Direcionou uma forte rajada para ela, acabando com as chamas que lhe impediriam a passagem. Pôs-se a subir, em meio a espessa fumaça que o rodeava. Chegou a tossir um pouco: havia material tóxico ali, e ele manipulou as moléculas ao seu redor para purificar o ar que respirava.

Segundo andar. Paredes roxas nas quais se viam marcas de sangue. Fora um massacre. Ele não se deteve para apagar o fogo que existia no interior das duas portas de umbrais negros; a jovem dissera que Milo havia ido para o terceiro andar... contudo, sentiu-se egoísta e virando-se para aquele ambiente, desferiu mais uma vez seu poder, perguntando mais uma vez se havia alguém ali. Gritou mais uma vez, duas... até que ouviu:

—Socorro!!! Estamos aqui na escada! Nos ajude!!!

— AAAhhh! Aqui em cima! O... o fogo!

“O casal!”, pensou o francês, pisando no primeiro degrau rumo ao terceiro andar. Entretanto, o chão sob seus pés cedeu num pedaço, e ele quase caiu. Segurou-se no corrimão de metal, que, partido em uma parte, feriu-o, rasgando-lhe a pele.

— Unhh!! – gemeu, mais pela surpresa do que pela dor. O sangue desceu aos borbotões.

— SOCORROOO!! – a voz dos dois se mesclava, ecoando na penumbra.

— Já estou chegando – respondeu, saindo de vez do buraco e considerando o estrago: por sorte, a escadaria era larga. Ainda daria para os sobreviventes passarem. Retomou o caminho, vendo a razão de eles não conseguirem passar: mais focos de incêndio. Com o braço são, Camus apagou as chamas que bloqueavam a passagem tanto dele quanto do casal, abaixado, alguns degraus acima. O homem e a mulher agarravam-se um ao outros, os rostos desfigurados de pavor.

— Estão feridos? – indagou, chegando a eles.

Balançaram as cabeças em negativa. Encontravam-se obviamente em choque. O francês fez com que se erguessem.

— O incêndio já foi controlado, vocês podem descer. Apenas tomem o cuidado de pisar nos cantos da escada. E passem um de cada vez. Não se afobem – orientou o Santo, tentando passar confiança aos jovens, que choravam e gemiam.

— Oh... oh... Deus... obri...

— O...obrigado...

— Antes me digam: estavam numa sala chamada darkroom? Apareceu um homem de cabelos compridos para salvar alguém, vocês viram ele? – Camus perguntou aos dois que enfiam conseguiram se mover, tentando controlar a urgência na fala.

A mulher soluçou alto; o rapaz a segurou, encarando-o com os olhos arregalados.

— Digam logo, por favor!

— Ele... foi ele que nos salvou... nos salvou do fogo... – balbuciou a garota – mas... mas!...

O francês teve que usar de todo seu autocontrole para não sacudir os dois para que desembuchassem.

— ONDE ELE ESTÁ?

— Lá... lá em ci...cima – gaguejou o rapaz – mas ele... ele tá morto...

Camus apenas os fitou como quem ouve a maior sandice do mundo.

— Como assim, "morto"? Aquele homem NÃO morreria num incêndio – rebateu, sentindo a boca amargar.

— Não no incêndio... ele apagou o fogo... com um vento... só de erguer as mãos!!

O homem amparou a mulher e completou por ela, que estava à beira de um ataque:

— Quando ele nos tirava de lá e nos protegia... surgiu um cara... ele... ele atirou no rapaz que nos salvou...

— Isso não faz sentido – sem perceber, Camus até sorriu de nervoso, os olhos ardendo como o inferno – aquele homem não iria morrer por causa de...

— O bandido surgiu do banheiro... ele deu um tiro no seu amigo... um TIRO NA CABEÇA.

— E esse... bandido, onde está?

— Morreu também... antes de cair, seu amigo “atirou” nele de volta, só não vimos com o quê...

Resistindo ao tremor que sacudiu subitamente seu corpo, Camus largou os dois jovens e ordenou:

— Desçam agora, vão! Não há mais perigo.

Vendo que ele iria subir, a mulher ainda tentou:

— Moço, não vai mais lá! A gente viu, ele LEVOU UM TIRO NA...

— Para, Jessica. Vamos – o jovem a cortou. Virou-se para Camus, já de costas para eles e disse, com voz alquebrada – Eu sinto muito por seu amigo... obrigado...

E desceram, deixando ali o que parecia ser uma estátua.

Camus permaneceu de pé, estático. Não ouviu mais o crepitar... Milo havia apagado o fogo do terceiro andar ao subir para salvar aquele casal. Mas teria escutado direito?

Milo… havia levado um tiro na cabeça?!?

Mesmo um Cavaleiro... desprevenido... um tiro na cabeça... ele estava distraído salvando pessoas. Assim como se ferira salvando ele na manhã do dia anterior...

“Ele tá morto.”

Que absurdo! Mas... e o cosmo... onde?

De fato, não conseguira se comunicar com ele pelo cosmo. Nem Aioria conseguira.

“Milo...”

Voltou-se para cima e gritou:

— MILOOOO!!!!

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Notas finais
Bem, amigos da tia Melinda... é isso! Ou não é isso? Enfim, obrigada por lerem :) Até semana que vem... beijo grande :x