O Brilho da Honra

5 "Eu quero você"


Notas iniciais
E eis que a primeira fornada de treta fica pronta... *__* Muito obrigada a todos que estão acompanhando, favoritando, e principalmente aos que estão comentando, colocando mais fermento na massa das tretas, hehehehe Amando de verdade o apoio lindo de vocês... bem, vamos que vamos! Boa leitura!!! :)

A tensão instaurada no imponente hall do Cape Town International Palace Hotel não passou despercebida pelos funcionários da recepção. Os cinco jovens entreolharam-se brevemente diante do balcão de nácar.

— Guerreiros Deuses – murmurou Milo; ergueu a voz apenas o suficiente para ser ouvido – O que fazem aqui?

— Olá, Escorpião – Frodi cumprimentou, sério – O mesmo que vocês, Cavaleiros de Atena. Somos a comitiva de Asgard nesta Conferência.

— Fomos enviados por Lyfia, representante honorária do Grande Odin, pois a senhorita Hilda segue doente. Assim como vocês foram enviados por Atena – disse Sigmund, um pouco mais simpático que o amigo.

O terceiro Guerreiro Deus limitava-se a fitar Camus, em silêncio. Este fazia o mesmo. Milo não gostou nada daquilo. Teve que se controlar para não ser descortês. Os Santos de Atena e os Guerreiros Deuses não eram mais inimigos. Ainda que quisesse MUITO partir a cara de um deles...

— Não sabia que Asgard tinha interesses por questões como as que serão tratadas pela Conferência – o grego comentou, encarando Surtr. Este sorriu levemente, o que fez o sangue do escorpiano ferver.

— Asgard é um país pequeno e isolado mas ainda assim, faz parte deste mundo – observou Frodi, estendendo a mão para Milo, que prontamente correspondeu; ambos apertaram as mãos.

— É bom ver que Odin também se importa com os problemas desta Terra – disse, desviando o olhar do ruivo.

— O sofrimento dos povos nunca foi questão menor para nosso Grande Pai. Ele apenas tinha o seu próprio povo, já bastante sofrido, para cuidar – esclareceu Sigmund, fazendo o mesmo que o companheiro. Cumprimentou Milo e depois Camus, ainda amuado.

— Isso é ótimo. Eu não esperaria menos do grande Odin. Afinal, não estaríamos aqui se não fosse por sua suprema graça – disse o grego; diante de si, o único asgardiano a quem não havia cumprimentado.

Como a ignorá-lo, Surtr cravou os olhos magentas no aquariano calado.

— Como vai, Camus? – saudou-o, encarando-o enigmático – faz muito tempo, não?

— Muito bem, Surtr – respondeu o francês, um tanto seco –É bom ver todos vocês bem.

— Nem fale. Chegamos agora porque nosso avião quase caiu! Tivemos que fazer um pouso forçado em Vladivostok, e esperar a nevasca passar – Frodi explicou o atraso.

— Ainda bem que chegaram em segurança – atalhou Milo, sincero.

Ao ouvi-lo enunciar aquilo, Surtr tornou para ele seu olhar, agora sarcástico. Estendeu a mão para ele, sorrindo.

— É bom vê-lo bem, Milo – cumprimentou. De alguma forma, o Cavaleiro SABIA que aquela amabilidade não era legítima.

— Como vai, Surtr? – não teria como dizer o mesmo. Optou por uma saudação mais neutra. Aquela mão gelada causou-lhe estremecimento de puro asco.

— Bem, bem, melhor ainda que encontrei meu querido e saudoso amigo, sabe...

Camus quase não respirava. Parecia um pesadelo, vê-los frente a frente novamente. Imagens dolorosas voltaram à sua mente, e um verdadeiro mal estar se apossou dele. Esforçou-se para disfarçar.

Frodi e Sigmund perceberam o estranho clima entre os três e acharam por bem subirem logo para seus apartamentos.

— Bom, nos encontramos amanhã então. Tenham uma boa noite – o loiro se despediu, afastando-se. Foi seguido pelo companheiro de cabelos azuis.

— Até amanhã, Milo. Camus.

— Até amanhã – o francês respondeu, sem vontade alguma.

— Até amanhã. Boa noite pra vocês, descansem bem – disse o grego, amistoso. Eles não lhe eram desagradáveis como o amigo de infância de Camus. Passavam algo de nobre e honrado, ao contrário do que continuara ali.

Surtr parou de frente para Camus, buscando desvendá-lo com olhar oblíquo. O aquariano mantinha-se indiferente. Milo, por sua vez, trazia estampado vivamente no rosto o fulgor de seu ciúme. Aquilo só alargou mais o sorriso do ruivo.

Um sorriso odioso, na opinião do grego.

— Camus, pelo que vi na programação, você vai discursar amanhã. Precisa de alguma coisa? Posso ajudar em…

— Não.

O asgardiano sequer se perturbou ante aquela resposta lacônica.

— É bom te ver de novo, Camus. Fico muito feliz mesmo em encontrá-lo aqui. Boa sorte amanhã. Sei que fará um bom trabalho...

E, aproximando-se mais, deu-lhe um beijo no rosto impassível. Milo quase bufou ao ver os lábios do ruivo pousando suave e demoradamente na face do francês, ainda que este conservasse a indiferença.

— Nos falamos depois. Tenha uma boa noite... – falou, com voz macia.

Camus quis dizer-lhe que não, que NÃO se falariam depois. Que não queria sequer VÊ-LO depois. Que tudo que queria era Milo. E que odiava o asgardiano por aparecer ali e colocar em risco as já diminutas de reaproximação com o ex-namorado. As palavras, entretanto, mantiveram-se presas em sua garganta. Não teve a menor reação àquele beijo. Será que aquilo não era suficiente para que Milo percebesse que o amava? Que não deveria temer a presença de Surtr? Contudo, a expressão do grego lhe dizia que NÃO. Que não adiantava ignorar o ruivo.

— Boa noite, Surtr – um murmúrio, mais que uma despedida.

O asgardiano considerou-o longamente.

— Você está lindo – declarou.

Sem perceber, Milo o fuzilava com o olhar. Consciente daquilo, o amigo de Camus continuou:

— Fico feliz em saber que o verei vestido novamente assim amanhã. Não imagina como fica bem. Uma visão deveras interessante – virou-se para Milo, sem tirar o sorriso do rosto – Boa noite, Escorpião.

Desta vez o grego não conseguiu articular resposta. Já fazia esforço suficiente para manter-se controlado, vendo e recebendo aquela provocação. Limitou-se a engolir a raiva ao vê-lo indo na direção dos companheiros, rumo aos elevadores do outro lado. Tomou o caminho oposto, sendo seguido pelo aquariano. Apertou, impaciente, o botão do elevador. Entraram. Milo apertou o botão do sexto andar. Por ficar em área de proteção ambiental, aquele era o andar mais alto, sendo a cobertura. Nele ficavam os apartamentos ocupados pelos Cavaleiros de Ouro.

— Milo. Eu não sabia que ele viria...

— E o que eu tenho a ver com isso? – cortou, duramente.

— Eu... – Camus não sabia o que dizer.

Chegaram ao andar. Saíram do elevador e caminharam em silêncio pelo corredor acarpetado. O escorpiano parou de frente ao apartamento; o do francês era mais adiante, no entanto, ele parou ali também. Virando-se para ele ao tirar a chave do bolso, o grego falou, em tom impessoal:

— Boa noite, Camus.

— Milo... por favor, me escute.

Aquilo fez a mão do grego parar no ar, bem quando ia passar o cartão-chave na porta.

Não.

Não deveria escutar.

Não deveria!

— Eu não sabia que Surtr viria à Conferência. Não sabia nem mesmo que Asgard participaria. Eu fiquei tão surpreso quanto você – esclareceu o aquariano.

— Fico feliz por você. Agora tem seu amigo de volta.

— Sabe que não é NESSE sentido que fiquei surpreso! – retrucou, um tanto irritado. Milo arqueou uma sobrancelha. Não era comum aquele tipo de reação vinda do frio ex-amante.

— Eu sei?

— Sabe, sim.

Suspirando como que enfadado, o escorpiano tentou encerrar aquela conversa:

— Camus. Se me dá licença... tô muito cansado. Você também deve estar. Melhor ir pro seu...

— Milo – disse, ao pôr as duas mãos na parede, mantendo entre elas seu interlocutor, como a prendê-lo. O grego não pareceu nem um pouco impressionado.

— O que você quer, Camus? – indagou, com genuíno cansaço na voz.

— O que eu quero... – sem saber o que responder, de seus lábios trêmulos saiu o único anseio que consumia seu coração — ...Milo, eu quero você.

Todas as fibras do ser de Milo vibraram com aquela declaração. Engoliu em seco, sem conseguir articular uma réplica. Aproveitando-se daquela hesitação, o aquariano projetou seu rosto em direção ao do outro, que imediatamente se esquivou.

— Você não se contenta com apenas UM beijo de boa noite não? – indagou, friamente.

Foi como um soco, e bem dado, no francês, que paralisou, os olhos vidrados fixos no amado.

— Boa noite, Camus – dito isto, abriu a fechadura, entrando, e fechando a porta na cara de um atônito Aquário.

Este permaneceu diante do quarto 603, completamente em choque. Só depois de uns três minutos, seguiu rumo ao quarto 605.

Saga encontrava-se de roupão branco, cabelos recém lavados, estirado no sofá, à vontade; nas mãos o tablet, através do qual conversava com Aioros. Viu o companheiro de acomodações adentrar a sala de estar.

— Oi, Camus, você demorou. Por acaso... Camus?

Percebeu os olhos úmidos do amigo, bem como sua expressão devastada.

“Oros, amor, daqui a pouco volto para falar contigo. Camus chegou e parece estar bem mal... vou ver o que houve com ele”, digitou, rapidamente. Ergueu-se e foi até ele, preocupado.

— O que aconteceu?

— Sa… Saga! – balbuciou, irrompendo em pranto. O geminiano o amparou. Nunca havia visto o aquariano daquele jeito! O francês apenas soluçava, desesperado, sem nada conseguir falar.

— Vem cá, senta aqui – conduziu o amigo ao sofá. Sentou-se ao lado dele e deixou que chorasse, abraçando-o.

— Saga... ele... ele está aqui!

— “Ele” quem? Não me diga que…

— Surtr!

— Mas o quê? Por Zeus, tinha que ser justamente neste hotel… calma, espere aqui que vou pedir um chá pra você se...

— Não, não, Saga!... Eles... se encontraram... Milo e ele... e... – as lágrimas desciam, abundantes como nunca. Estava a ponto de se sufocar.

— Espere. Camus... você não contou ao Milo que Surtr estava vindo para a Conferência?

Envergonhado, o francês assentiu:

-Não, eu... não contei.

O geminiano não pôde evitar um olhar de reprovação.

— Você deveria ter contado. Muito desse mal estar poderia ter sido evitado... bom, agora não adianta se ressentir do que não fez. Vai tomar um banho que vou pedir um chá de camomila para você, está bem?

Nesse meio tempo, um irado grego derrubava enfeites de uma mesa, e em seguida, estapeava esculturas de bronze que adornavam um buffet de mogno lustroso. Buscava apaziguar a vontade que tinha de esmurrar as paredes. Aquele barulho fez Aioria correr para a sala, assustado.

— MILO! Que é isso, cara? Ficou doido?

— Aioria – tornou para ele o rosto afogueado – ELE TÁ AQUI!!!

— Espera, ele QUEM?

— Quem mais poderia ser?!? SURTR!!!

— Como é que é?!?

— Isso mesmo que ouviu, Surtr, o miserável! AQUI no hotel!!!

— Mas... como?

— A comitiva de Asgard são ele e dois Guerreiros Deuses, Frodi e Sigmund.

O leonino coçou a cabeça, confuso.

— Nem sabia que Asgard viria participar da Cúpula! Estranho, por que não enviaram o Andreas? Assim como Saga é assessor direto de Atena, Andreas é da Hilda...

— Ele teve que ficar cuidando dela, que ainda está muito doente. Então tiveram a BRILHANTE ideia de mandar esse maldito e...

— Mas você viu ele?

— Se eu o VI? – o escorpiano riu, nervosamente. Foi até o bar; pegou uma garrafa de uísque e se serviu de um copo.

— OK, acho que também vou precisar de um pra ouvir tua história – disse Aioria, juntando-se a ele.

Ambos sorveram alguns drinks, enquanto o relato se desenrolava. Milo acalmava-se aos poucos, pelo efeito da bebida, e por estar contando o que havia acontecido. Enfim, murmurou desolado:

-Ele… beijou Camus… beijou ele NA MINHA FRENTE!

— O QUÊ? – o leonino estranhou muito aquilo. Sabia dos sentimentos do francês para com Milo. Não acreditava que tivesse beijado outro homem, bem na frente do homem a quem tanto pediu uma chance de reconciliação. Por mais que Camus tivesse cometido erros... esse simplesmente NÃO fazia sentido algum.

— É, beijou... e Camus NEM REAGIU!

— E isso te incomodou? Achei que não ligasse mais pra ele – Leão ousou provocar.

— Vai à merda, Aioria!!!

— Ei, ei, ei! Eu tô tentando entender as coisas aqui, OK? Vamos lá, você disse que Camus nem reagiu. Explica isso melhor.

O escorpiano levantou-se bruscamente do banco do bar, andando em círculos ainda com o copo na mão.

— É, porra! Nem reagiu! Ficou ali, que nem uma boneca, imóvel, recebendo aquele beijo...

— Na boca?

— ……….

— Fala, foi beijo NA BOCA? Porque, porra Milo, nem quando vocês dois namoravam, o Camus permitia que você beijasse ele em público, então não tô entendendo como ele fez isso, logo num saguão de hotel...

— Foi um... beijo no rosto.

— ..........

— MAS TU TINHA QUE VER O BEIJO!

— Agora sou eu quem vai te mandar à merda, Milo. Não sabe que na Rússia os homens se cumprimentam com beijo no rosto?

— Desde quando Asgard é Rússia?

— Bom, não é... mas vai que têm costumes semelhantes... tem lugar no mundo em que os homens se cumprimentam até com beijo na boca, pelo que já ouvi dizer...

— Nada a ver, Aioria, mas boa tentativa de livrar a cara do filho da puta.

— Não tô tentando livrar a cara de ninguém, seu venenoso! Tô tentando te mostrar que esse beijo no rosto aí não teve nada de mais. E se você tá dizendo que o Camus nem reagiu, por que tá tão furioso?

— Não reagiu... mas aceitou – resmungou, franzindo o cenho – bom, quer saber? Não me importa.

Foi para a área externa, contemplar a visão noturna. O leonino acompanhou-o, e perguntou:

— Milo, se está assim... por que não aceitou que ele te beijasse na praia?

— Porque não há mais chances para nós. Eu NÃO vou passar por tudo de novo. Por uma QUARTA vez.

— Você é muito radical. Não coloca no meio dessa história de Asgard as outras duas... vocês já tinham resolvido isso. Seguiram em frente. E agora você desenterra tudo, só pra justificar essa sua teimosia em aceitá-lo de volta? Uma hora ele vai cansar e...

— Hah, ele tentou me beijar de novo – interrompeu o escorpiano, rindo, cinicamente.

— Camus? O frio e arredio Camus tentou te beijar duas vezes numa só noite?

— Exatamente.

— E você... o rejeitou...? Duas vezes?!?

— Exatamente.

Engolindo rapidamente o uísque que restava no copo, Aioria ponderou o que ouvira e teorizou:

— Deve ter acontecido alguma alteração nas constelações. Um aquariano insistir e se entregar dessa forma tão emocional, e um escorpiano “negar fogo”...

— EI, eu não “neguei fogo”! Falando assim, parece até que fiquei broxa!!! – indignou-se Milo.

Rindo, o leonino não sabia se ficava feliz com aquela clara manifestação de paixão remanescente... ou se ficava preocupado com a chegada daquele que ocasionara a ruptura definitiva do já conturbado relacionamento de Aquário e Escorpião.

Percebeu que os dois sentimentos conseguiam ocupar o mesmo espaço... ao mesmo tempo. Em algumas horas, amanheceria... e os três se encontrariam novamente.

Precisava de outra dose.

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Notas finais
Pelo visto, os temores de Camus não eram nada infundados... a chegada de Surtr, além de não ser NEM UM POUCO bem recebida por Milo, contribuiu para que o escorpiano se mostrasse ainda mais arredio... Urgh... que enjoo me deu na hora de escrever essa cena do beijo do ruivo no meu francês lindo, aaaargh, cusp, cusp, alguém me traz um sal de frutas... E como será esse "day after"? Até Aioria precisou de uma outra dose ao pensar nisso!!! XD Muito obrigada por lerem... e até o próximo capítulo! Beijo grande, e uma excelente semana a todos :)