Notas iniciais
Caríssimas, conversa hoje vai ser curta. Passei o dia no hospital, estou com infecção em uma glândula safada perto do ouvido, se não melhorar até segunda, serei internada... mas... só de ter tido essa chance (nunca fiquei internada e NÃO gostaria de quebrar a invencibilidade) que quis comemorar com vocês LIBERANDO LOGO ESSA LIMONADA que vocês SABEM que vai rolar! Capítulo mais empatado EVER, não pelo tempo ou bloqueios, mas por obstáculos - primeiro problema com servidor e depois minha doença. Vou curtir meu repouso absoluto este final de semana respondendo os comentários do capítulo anterior e deste, ok? Não me vejo muito em condições de fazer isso agora... e quero logo distribuir esses limões de uma vez, até eu quero ver esses dois se resolvendo de vez, POR ATENA! Muito obrigada pelo carinho e apoio de vocês, é tão essencial pra mim, muito, muitão... desculpem os erros que VÃO me escapar, tô meio lesada ainda, muito cansada. Amanhã vejo melhor... boa leitura... e O MAIS ESPERADO! >>>>>>> CONTÉM LEMON < (foi curta coisa nenhuma, rs)

Sábado, 11:35 da manhã.

Sob uma forte dor de cabeça, Surtr acordou. Parecia que estavam martelando seu crânio sem dó nem piedade. Um gosto horrível tomava-lhe a boca seca. A luminosidade feriu-lhe os olhos sensíveis, mesmo as cortinas estando fechadas. Uma pequena fresta entre elas havia sido suficiente para o sol vir incomodá-lo.

Percebeu que estava no sofá da sala de estar... mas por quê?

Oh, sim... chegara bêbado demais ao apartamento e sequer conseguira chegar ao quarto. Não fora isso?

Tentou ajustar a mente para se situar no tempo... para lembrar do que acontecera... lembrava-se de que naquele dia não haveria sessão no Centro de Convenções, e nem no dia seguinte. Menos mal: sair daquele jeito seria deveras complicado. Ele se sentia como se tivesse sido jogado em um moedor de carne. Remexeu-se levemente e deu de cara com uma garrafinha d`água e um papel dobrado nela apoiado. Havia também uma caixa de remédios. Tudo em cima da mesa de centro, disposta no meio do aposento. Franzindo a testa, fez uma careta só de se erguer um pouco para alcançar o papel. Curioso, desdobrou a folha e leu:

Senhor Surtr, espero que esteja melhor ao acordar. Caso sinta algum mal estar, por favor, tome um desses comprimidos que lhe deixei, respeitando o intervalo de 6/6 horas. Não deixe de se hidratar bastante, é o mais importante.

Estimo-lhe as melhoras.

Respeitosamente, Derrick Sirham.

Derrick?

O recepcionista? A quem mandara vigiar a movimentação de Camus pelo hotel?

Surtr ficou muito intrigado. O que significava aquilo?

O jovem sul-africano estivera em SEU quarto? Mas como?

Confuso, começou a puxar da memória; não, não tivera um famoso caso de “amnésia alcoólica”, pelo menos, só precisava se concentrar um pouco... ainda que sua cabeça doesse mais por aquele esforço...

—---

Sábado, 04:12 da manhã

Cerca de três horas depois que Camus partira, ele ainda se encontrava no piano bar, completamente embriagado, já naquele estado de prostração. Malgrado o barman sugerisse polidamente que retornasse para seu quarto, por já não estar muito bem, ele continuava ali; apoiava debilmente o queixo com as mãos, por vezes deixando-o escorregar, por vezes abaixando mesmo a cabeça. Mirava fixamente a TV, agora desligada. Havia poucos hóspedes ali, e àquela alta hora da madrugada, nem se incomodavam mais com qualquer postura menos elegante.

Seu coração doía... uma dor insistente e injusta.

Fora agredido pela pessoa que amava.

Pela pessoa que mais amava.

Podia parecer inacreditável que apenas um ano de convívio com Camus na infância deixara Surtr preso a ele para o resto da vida. A verdade é que desde o primeiro dia amara o francês que fora treinar para ser cavaleiro de Atena. Por quê? Como? Não sabia. Nunca havia tido amigos, era um garoto frio e distante, sendo sua irmã Sinmone a única companheira de que se lembrava. E então, Camus surgiu... também era um menino frio e reservado, porém doce e gentil, que conquistou logo o ruivo. As conversas, os treinos, as brincadeiras, a cumplicidade... sabia que ele iria embora em um ano, mas faziam planos infantis de se encontrarem no futuro, planos esses que foram o único alento após a morte de Sinmone, o único alento que Surtr tinha numa vida vazia. Tornara-se mais que frio, calculista, dissimulado e mascarava a esterilidade de sua alma com sarcasmo e fingida superioridade.

E, maldição... Camus, que já era um belo menino aos dez anos... ficara tão lindo... uma beleza exótica, dura até, provocante sem ser explicitamente sexy... sua sensualidade residia no ar de distância, de reserva, no olhar desviado, nos lábios finos contraídos, no semblante sério e austero.

Como o queria. Reencontrá-lo em Asgard fizera reviver tudo.

Infelizmente... havia o maldito Milo de Escorpião em seu caminho.

Pelo grego, Camus abandonara Surtr, pois que simplesmente parou de lhe responder as cartas que o asgardiano tão religiosamente enviava.

Pelo grego, Camus estava ignorando Surtr, tratando-o com indiferença.

Pelo grego, Camus esbofeteara Surtr.

Ele contraiu os punhos, sentindo os olhos umedecerem. Sorveu mais uísque, em goles cada vez mais sôfregos. Não foi um bom momento para ouvir:

—Surtr... imaginei que ainda estaria aqui. Deveria voltar para seu apartamento, daqui a pouco vai amanhecer.

Ergueu a cabeça do balcão, olhando bem desinteressado para o compatriota:

— Sigmund... e você, por que não tá dormindo...? – sua voz saiu trôpega, pastosa.

— Porque eu temo que você faça alguma bobagem que manche o nome dos Guerreiros Deuses, só por isso!

— Ah... vai se foder...

— É sério, volte para o seu quarto, veja seu estado lamentável! – insistiu o loiro, de forma branda.

Com um muxôxo, o bêbado voltou a abaixar a cabeça no balcão. O barman lançou um olhar preocupado a eles. Mas que ruivo para causar problemas!, pensava.

— Por Odin, Surtr, você tem um nome a zelar!

— Eu tenho, é? – riu ele, babando sobre o braço.

— Surtr, suba agora mesmo. Já chega de denegrir a imagem dos Guerreiros Deuses. Levante-se já daí – ralhou Frodi, atrás de Sigmund.

— Oh, a minha outra babá tá aí também... – ironizou.

Sigmund virou para Frodi:

—O que faremos? Ele está completamente embriagado. Ainda vai nos pôr em alguma situação complicada aqui...

O guerreiro de cabelos azuis não era tão paciente quanto o amigo. Sem fazer muita força, porém com certa firmeza, fechou a mão no braço de Surtr, agarrando-o.

— Ande logo, volte para o seu quarto antes que arrume mais algum escândalo – ordenou, firmemente.

Dando um violento solavanco, o ruivo falou bem alto:

— TIRA A MÃO DE MIM!

— Surtr...

E abaixou a cabeça de novo.

Só queria ficar só.

Só queria morrer.

Não. Não queria morrer.

Queria que MORRESSEM ELES.

TODOS.

— Tomara... tomara que morram TODOS no incêndio... malditos... malditos, TODOS... – murmurou, num tom embargado.

Os outros dois ficaram olhando para ele, desmanchado ali sobre o balcão, pensando em que medida tomar. Nesse momento, um jovem negro, trajando calça jeans escura e camiseta pólo verde clara adentrou o recinto. Dirigiu-se para o barman, que estava mais perto da extremidade do bar, arrumando os copos.

— Que é isso, Sam, você ainda tá em serviço? Eu ia te oferecer uma carona pra voltar pra casa, mas se vai demorar...

— Ah, oi, Derrick, já largou seu turno? É que eu me atrapalhei aqui com... – e discretamente, apontou com o polegar os três homens na outra extremidade do balcão. Dois em pé e um literalmente desfeito, nitidamente bêbado.

O rapaz prontamente reconheceu o homem abaixado. Parecia bem mal.

— Senhor Surtr? – aproximou-se; Sigmund e Frodi deram passagem ao jovem, sem entender quem era.

— Senhor Surtr, o senhor está bem? – insistiu, sacudindo-o de leve.

Os olhos magentas surgiram por baixo das pálpebras renitentes.

— Quem... oh. É você – balbuciou, sem interesse.

— Senhor Surtr, levante a cabeça, por favor, vai se sentir pior se continuar assim.

Os dois asgardianos acompanharam a cena com mudo interesse: o recém chegado segurou-o com delicadeza, para que fizesse conforme o orientado. E o ruivo não o afastou, como fez com Frodi. Julgaram-no estar quase desmaiado.

— Sam, me dá uma água tônica com gelo – pediu Derrick.

— Quem te convidou pra beber, hein? – o ruivo perguntou, com arrogância, mas completamente desorientado.

— Não sou eu que vai beber isso, é o senhor...

— Está maluco se pensa que vou beber essa água suja, tire as mãos de mim!

— Tudo bem, eu tiro – concordou, pacientemente – Mas o senhor tem que manter a cabeça levantada, está bem? Vai se sentir melhor. Tome, beba um pouco disto, limpa o organismo.

— Além de recepcionista é médico? – tomou um gole e fez uma careta – Com mil caralhos, isto é horrível!

— Mas o senhor é forte e vai beber mais – riu o sul-africano, ajudando-o com o copo.

Frodi e Sigmund não conseguiam acreditar. O que estava acontecendo ali? Surtr, que quase nunca acatava orientação deles, agora tinha a cabeça erguida e bebia vagarosamente a bebida ofertada por aquele desconhecido!

— Por favor, permita que eu o ajude a ir para suas acomodações, vai descansar melhor lá do que nesse balcão duro, senhor Surtr – o jovem ofereceu, amistoso e, ao mesmo tempo, extremamente respeitoso.

Surpreendentemente, o ruivo se ergueu e aceitou o apoio de Derrick. Encarou os compatriotas e soltou, bem debochado:

—Hunf. Pelo menos ALGUÉM AQUI tem um pouco de EDUCAÇÃO e sabe tratar as pessoas.

E observaram-nos saindo do piano bar, Surtr com o passo cambaleante, a mão do rapaz negro nas costas do ruivo, sem encostar, apenas para o caso de o jovem embriagado vacilar.

— Sigmund... você entendeu isso?

— Não, e você?

— Nem eu....

A fim de não expor demais o hóspede, Derrick levou-o pelo elevador de funcionários. Ele não estava em condições de reparar mesmo... chegando ao quarto andar, conduziu-o até o apartamento e fez com que o ruivo abrisse a porta. Surtr prontamente se atirou no sofá de couro negro, tão logo o viu. Derrick tirou-lhe os sapatos e ajeitou as pernas do asgardiano. Observou-o se acomodar no sofá, sem deixar de lhe reparar os traços bonitos. Tirou a caixa de medicamentos da mochila que carregava e pôs por cima da mesinha de centro da sala. Foi até a cozinha e trouxe um copo de água. Abriu a caixa, tirou um comprimida de uma das cartelas e abaixou-se até o asgardiano, oferecendo o remédio e a água.

— Que é isso? – indagou o asgardiano, com muito sono.

— Um remédio para ressaca. O senhor vai precisar.

— E se for um “boa noite, Cinderela”? Acha que eu nasci ontem, garoto?

— Então tome depois que eu for embora. Deixarei aqui em frente ao senhor – respondeu, sem se perturbar com a desconfiança de que fora alvo.

— Você... você – balbuciou debilmente o ruivo. Viu Derrick escrever algo num papel e colocar apoiado na garrafinha.

— Eu... eu vou lá confiar em alguém...? – cuspiu, quase sucumbindo.

— Bom descanso, senhor Surtr – e dirigiu-se para a porta.

— Eu não confio em ninguém, tá me ouvindo? – vertigens o tragavam para a inconsciência, pouco a pouco.

Ouviu o som da porta se fechando.

Não.

Ele não confiava em ninguém.

Confiava em Camus.

Em mais ninguém.

Mas Camus...

— Camus... – murmurou, sentindo as pálpebras pesadas de lágrimas.

Não saberia dizer se verteu alguma, pois dormiu instantaneamente.

—---

Sábado, 11:47 da manhã

“Que imprudência, deixar um serviçal entrar no meu apartamento! E logo um aproveitador, como esse rapaz já demonstrou ser”, pensava Surtr, olhando ao redor. Tencionava ir até o quarto verificar se não tivera nada roubado; sempre esperava o pior das pessoas.

Entretanto, apenas escorregou novamente no sofá. Considerou longamente a caixa de remédios, e por fim, pegou-a: jogou um comprimido para dentro da boca e tomou longos goles de água. Voltou a se deitar, fatigado.

Sentiu que iria dormir novamente. Queria saber do francês... teria voltado? Tudo que ouvira era de que estava bem, que ajudara a salvar pessoas, mas ouviu isso de seus companheiros, e sabia que poderiam estar lhe escondendo alguma coisa.

Percebeu um aroma agradável no ambiente...

Era o perfume do recepcionista.

Detendo-se no delicioso perfume, pensou, distraidamente, em como fora cuidado por ele. Claro que era pelo dinheiro que se estabelecera aquele “vínculo”, se é que se poderia chamar de “vínculo”. Mesmo assim, não conseguia sequer se lembrar qual fora a última vez em que alguém se preocupou com ele.

Só vinha Camus à mente.

Só ele.

E só ele ali ficaria.

O perfume estava até em si mesmo.

Adormeceu, por fim.

*************

Sábado, 12:08

— Camus. Posso te pedir uma coisa?

— Sim – respondeu num fio de voz – O que é?

— Um beijo.

O aquariano arregalou os olhos. Sua mão tremeu na mão de Milo, e este a segurou com mais força ainda. Inclinando-se sobre o paciente, Camus pousou seus lábios naqueles lábios saudosos, obedecendo sem pestanejar.

Os lábios de Milo... passeou os seus sobre os dele, entreabertos, pelos quais sequer o ar passava, ao que parecia, prendera até a respiração. Sentiu-lhes a textura, a maciez, o sublime sabor... como sonhou com aquele momento, com aquela... era como a real “volta para casa”.

Seu peito expandia-se a ponto de doer. Tomou por fim os lábios de Milo, sem se deter muito em experimentações; queria senti-lo, e queria senti-lo a fundo. Girava a língua por dentro da boca aveludada do grego, maravilhando-se com aquele sabor jamais esquecido.

Por sua vez, Milo sentiu imediatamente seu corpo formigar, seu coração parecia pressionar a caixa toráxica. Ergueu o queixo para permitir maior acesso à deliciosa boca do ex-namorado.

Ex-namorado...

Pensando nisso, levou os braços acima dos ombros de Camus, trazendo-o mais para perto de si, sem interromper o beijo, ao contrário, aprofundando-o. O francês aceitou ser puxado pelo paciente, explorando sem parar todos os cantos daquela boca saudosa. Percebeu que o grego começava a lutar por dominância... tão típico! Estando ele por cima, contudo, não seria fácil; as bocas de ambos foram ficando mais ávidas, sequiosas, o beijo aumentando a temperatura entre ambos, a urgência, que se traduzia pelo maior contato entre seus corpos. Camus estava praticamente debruçado sobre Milo, suas mãos segurando carinhosamente o rosto do escorpiano, por vezes, acariciando-o, por vezes sondando-o se era real.

Ouviram uma discreta batida na porta. O aquariano poderia ter parado no teto, tamanho foi o sobressalto que o acometera! Milo passou rapidamente a mão pelo rosto, pela franja desgrenhada, o outro pelo menos podia só ficar de costas para a funcionária do hospital que trazia o almoço. Quando ela o viu (de costas) comentou:

—Oh, desculpe, não fui avisada de que tinha um acompanhante. Vou já trazer outra refeição...

— Não é preciso, eu não vou almoçar aqui – Camus apressou-se em recusar, sem se virar. Sabia que estava rubro e desfeito pelo longo beijo.

Milo não pôde evitar certo desapontamento com aquela declaração. Então não iria ficar ali com ele? Sentiu-se apagar por dentro. A bandeja foi depositada em uma mesa perto do leito.

— Então tudo bem. Qualquer coisa, é só chamar. Com licença – disse a moça, se retirando. Assim que fechou a porta, Milo pulou da cama. Camus se assustou com aquilo; ele não deveria estar fazendo movimentos bruscos como aqueles!

— MILO! O que está...

— Shhhh – fez o escorpiano, girando a chave na maçaneta, trancando a porta.

— ...fazendo?

— Trancando a porta.

— Isso EU POSSO ver. Mas para que fez isso?

— Que história é essa de que não vai ficar aqui?

— Hã?

— Então você nem pode ser meu acompanhante? Eu só vou embora amanhã de manhã, achei que você fosse passar o dia comigo, mas então você diz que não quer que tragam almoço pra você, porque vai embora e...

— Quem te disse que vou embora?

O grego parou com o dedo no ar e uma expressão confusa:

— Não vai?

— Não.

— Mas você disse que não queria o almoço dos acompanhantes...

— Porque não quero comer comida de hospital. Prefiro ir à cafeteria mais tarde e comprar outras coisas.

— Ótimo! Me traz uma cerveja, então.

— Você é louco...

— Eu sou sim – e avançou para o francês, agarrando-lhe pelos pulsos e empurrando-o até o sofá – LOUCO POR VOCÊ...

— Milo, seu almoço...

— Você sabe QUAL VAI SER meu almoço, Camus Chermont... – falou, malicioso, ao ouvido do outro, a quem praticamente jogou sobre o estofado.

— Você está FERIDO, Milo, deveria descansar para...

Sua boca foi coberta pela boca faminta do grego. Agora que provara seu francês depois de tanto tempo, sua ânsia apenas cresceu. Segurando-o pelos pulsos, posicionou-se entre as pernas dele, beijando-o com intensidade e luxúria; Camus correspondeu à altura, adicionando combustível ao já exigente desejo do amado. Milo mordiscava-lhe o lábio inferior, levando uma das mãos agora para debaixo da camiseta preta. Acariciou-lhe a pele suave dos flancos, arrancando um pequeno suspiro do aquariano. Aquele suspiro dentro de sua boca... Zeus, não estava certo de poder se controlar! Em um momento de empolgação, apertou os braços do amado, esquecendo-se completamente do ferimento recém tratado.

— Uhn!

— AH, Camus, porra... me desculpa!!!

— Tudo bem... mas não acho que você deva... humm... – como continuar, se sua boca era tomada mais uma vez? Se sua nuca era massageada daquela maneira, para que ele, em êxtase, erguesse mais o rosto, se desse mais ao homem que estava disposto a tomá-lo, disso não havia dúvidas. Nada iria parar Milo. Anos de relacionamento lhe fizeram ter essa percepção perpétua, imutável.

— Eu senti tanto a sua falta, Camus... – sussurrou, em seus lábios inchados e úmidos, a voz trêmula de desejo.

— E eu a sua, Milo... – murmurou, acariciando-lhe os macios cachos, mergulhando fundo naqueles olhos magnéticos.

— Uhn!

— AH, Milo!! Me desculpe... por Zeus... – durante a carícia, sem querer roçou o local do ferimento, oculto por baixo de tanto cabelo.

— Tudo bem... a gente tá todo fodido, né – riu o grego. O outro franziu o cenho; não era adepto de tal linguagem.

— É uma imprudência você querer fazer isso – observou o aquariano, arfando enquanto seu pescoço era incessantemente chupado.

A pele ali, já vermelha, foi abandonada pela boca que foi tomar a orelha do francês, para provocá-lo com mordidinhas e lambidas, e também para questionar:

— Por que, Camus? Você não quer?

A mão de Milo já voltara para baixo da camiseta, provocando agora um dos mamilos ao segurá-lo entre os dedos e torcê-lo suavemente.

— Ahn... n-não é isso... é que... uhn...

— Eu posso sentir... entre as suas pernas... que você quer...

Ouvir aquilo em seu ouvido, com aquele tom tão sensual, aquele sopro tão quente, sentindo seu mamilo acariciado, sua pele batizada pela língua do grego aqui e ali, fez o aquariano arquear o corpo, inconscientemente. Cerrou os olhos, entregue àquele prazer, tendo sobre si o corpo totalmente desperto do amante.

— Eu só me preocupo com seu... ahh...

— Não se preocupe com nada... apenas... apenas sinta o nosso momento... sinta isto...

Levou a mão do amado até sua virilha, e Camus pôde verificar o grau de excitação de Milo. Estava muito crescido e muito duro, e o francês tinha certeza, a julgar pelo desconforto dentro da roupa íntima, já bem apertada, que ele não estava em um estado muito diferente.

— Mi...Milo... – balbuciou, sentindo-se tão arrebatado que chegava a experimentar uma vertigem. A língua do grego pôs-se a enroscar-se nos mamilos endurecidos e avermelhados do francês, que jogou a cabeça mais para trás no sofá – Aahhn...

Sua mão trêmula procurou o membro de quem lhe oferecia aquelas sensações, mas foi interceptada com firmeza pelo outro. Ele a segurou pelo pulso, impedindo o amante de tocá-lo. A bem dizer, o grego estava tão excitado que temia não aguentar antes de tomar o corpo de seu ex-amante. Fazia muito, muito tempo! Não podia negar, estava ansioso demais, e quase inseguro, o que era inédito numa situação como aquela. Esse era o efeito de Camus nele; malgrado tivesse sido iniciado sexualmente durante o treinamento, com colegas de treino, depois que começou a se relacionar com Camus, aos 13 anos, nunca mais quis nenhuma outra pessoa, nenhum outro corpo. Só ele o fazia desejar, só ele o fazia querer, só ele o fazia sentir. Queria estar dentro dele, possui-lo como no passado, e selar esse pacto de somente a ele possuir e por ele ser possuído, para todo o sempre.

Enquanto chupava sem parar os mamilos e a pele sensível ao redor deles, ia descendo a outra mão pelo abdômen definido do aquariano, que suspirava sem parar; este controlava o volume dos sons emitidos, não podia esquecer que estava num quarto de hospital! Sua cabeça pesava, seu sangue fluía dolorosamente para seu baixo ventre, avolumando-se ali, e ao sentir as carícias de Milo por cima de sua calça, teve que se segurar para não gemer alto.

Milo abandonou os mamilos já doloridos do amado e desceu sua língua pelo tórax, enquanto para desespero de Camus, descia-lhe o zíper da calça. Seu órgão pulsou vivamente em antecipação.

— Milo... – sussurrou, sem saber ao certo o que dizer. Jogou-se para trás uma vez mais, cerrando os olhos com força, ao sentir os dedos do grego acariciando-lhe a pontinha do pênis por cima da boxer branca de algodão. O indicador fazia movimentos circulares irradiando para aquela fendinha muita energia com a suave porém insistente fricção.

— Que delícia você é, Camy... – murmurou o escorpiano, sem perceber, chamando-o por um apelido dos tempos de juventude — ... adoro te ver assim... entregue... mas ainda assim se controlando... tremendo na minha mão...

— P-pare de me provocar, Milo... eu... hum... – gemeu, inebriado com as carícias sutis por sobre o tecido já úmido.

O grego percebeu e isso apenas o fez queimar mais. Desceu por entre as pernas do francês e arrancou-lhe as calças, e em seguida, colou seus lábios por cima do volume impressionante que se formara ali. Estava muito úmido e já exalava um doce e saudoso aroma. O aroma do prazer daquele que mais amava no mundo. O pênis de Milo latejava num intervalo que aumentava à medida que o outro suspirava, gemia baixinho, tremia em sua boca. Aspirou com força ainda por sobre o tecido, agora bem molhado; Camus queria gritar, implorar para que tirasse logo a maldita peça, mas Milo parecia disposto a torturá-lo. Simulou mesmo mastigá-lo, na extensão, nos testículos, agora maldosamente invadindo com um dedo a vestimenta e insinuando-o por entre as nádegas separadas.

— M-Milo!... por favor...

Milo sabia a que aquela súplica se referia. Podia sentir pelo inchaço no sexo que estimulava com sua boca. No tremor e no calor que irradiava até ele. Ao perceber que a umidade no tecido aumentara consideravelmente, retirou-lhe a cueca sem muita delicadeza, já abocanhando-lhe o sexo intumescido. Camus tampou a boca com a própria mão para não elevar a voz, com a outra apoiando-se no sofá; era uma forma de ele não cometer o erro de agarrar sem querer os cabelos do grego. Isso poderia causar-lhe dor pelo ferimento na cabeça.

— Humm... – o grego gemeu, ao passear a língua por aquela extensão túrgida e fervente, contendo-o com as mãos a agarrarem aquelas coxas grossas e frementes. Saboreou-a com sua língua habilidosa cada parte do pênis de Camus, que quase não podia se conter, contendo à custa de morder os próprios lábios, quaisquer sons mais indiscretos. Divertia-se ao ver que nada mudara no senso de discrição do amado, ainda que ele fosse quente e sexy como talvez nem sequer se desse conta. Lambeu-o pelos lados, pela base, e por cima, enroscando freneticamente a língua e deixando misturar aos fluidos já emanados sua saliva abundante. Ficou nesses movimentos durante algum tempo, até que ele mesmo não suportou e pôs de vez todo aquele volume em sua boca, arrancando enfim um gemido mais descontrolado.

Sugou-o com voracidade, não permitindo que se esquivasse, como, por reflexo, o outro acabara fazendo, em vistas do prazer estar ficando insuportável demais para que se contivesse:

— Hungh! Ahn..nng... M-Milo... pare…me… me – queria pedir para que Milo entrasse logo nele.

Compreendendo-lhe a vontade, e consciente de que ele próprio já estava em seu limite, o grego levou seus dedos até os lábios entreabertos de seu francês e introduziu-os ali, onde foram imediatamente umedecidos pela boca ansiosa. Camus chupava-lhe provocadoramente os dedos, gemendo enquanto não deixava de encarar de forma sensual o grego, que chegava a cerrar os dentes com aquilo.

— Então você também sabe provocar, não, meu francês... – murmurou, a voz rouca de tesão. Respirava pesadamente vendo o outro atormentando-o daquele jeito, ao mesmo tempo em que emitia sons irresistíveis:

— Humm...hum...

— Ah... porra, Camy... depois n-não reclama – praguejou, notando que o pulsar em seu pênis tornara-se mais urgente, quase doloroso. Suas coxas chegavam a se contrair de quando em quando, pela expectativa de entrar naquele homem inebriante.

Como resposta, Camus terminou por forçar seus dentes ali, dando uma dentada nos dedos do escorpiano.

— OUCH! Seu... isso é um desafio?

— Quem sabe? – respondeu o francês, num sorriso arrebatador e irônico, em meio ao rubor que pincelava-lhe as faces.

— Lembre-se disso depois... eu vou... não vou pegar leve, Camy... – prometeu, sorrindo um pouco ameaçador; teve o cuidado de conduzir-lhe as pernas para cima de seus ombros fortes, causando com isso um sobressalto no aquariano, antes de posicionar seus dedos molhados de saliva na entrada do amado. Com o indicador, apenas acariciou a delicada região, circundando-a suavemente, ainda por fora. Camus suspirou languidamente, e um pouco mais pesadamente ao sentir que a boca de Milo voltava para o seu órgão inflado.

— Oh, Zeus – balbuciou, temeroso de não poder se conter. Sentiu o ar expirado por sobre a pontinha de seu pênis, antes de a ponta da língua de Milo ali pressionar. Enquanto isso, os movimentos circulares por fora de seu anel foram se insinuando para o interior, lenta e constantemente. Retesou os quadris, um tanto tenso. Ciente disso, o escorpiano amoleceu ainda mais sua boca sobre o sexo hipersensibilizado, a fim de reter a atenção de Camus ali. Sugou-o com vontade, fazendo-o arquear mais, e nesse arquear, o indicador do escorpiano pôde se infiltrar mais na intimidade de seu francês.

— Aahh! – a dor fez o aquariano gemer de uma forma que, ao mesmo tempo que angariou a preocupação do amante, também o excitou incrivelmente. Chupou-lhe o pênis com extrema perícia, inspirado com o pulsar que sentia em sua cavidade bucal. Camus estava perto, muito perto de gozar... isso deu-lhe coragem de inserir um segundo dedo no ânus incandescente.

— Hungh!

— Relaxe... você está muito tenso, Camus – disse, olhando para ele, impressionando-se com a visão do jovem desfeito e todo aberto para ele, os longos cabelos esparramados pelo sofá, a mão na boca, sendo mordida por ele, quase em desespero.

Sua resposta foi apenas mais um gemido, agora abafado, pelos dedos contraídos entre os dentes. Milo quase teve-lhe pena, mas não, não pensou NEM POR UM SEGUNDO em parar. Começou a estocar-lhe o interior, com cuidado, até conseguir espaço para ali efetuar movimentos circulares. Camus tremeu espasmodicamente com aquilo, puxando para dentro de si aqueles dedos invasores. Imaginando que aconteceria o mesmo com seu pênis dentro de instantes, o escorpiano descontou essa ansiedade numa aspirada mais violenta na felação.

— AHH! – uma única sílaba, porém, bem alta. Lágrimas vieram aos olhos do aquariano, que voltou a morder os lábios. Pôs-se a projetar a pélvis contra a boca famélica do amante, desejando mais que tudo se aliviar. Foi então que tudo se nublou para ele... um terceiro dedo, uma carícia giratória em seu estreito canal, rumo ao ponto que ligaria seu clímax, potencializado pelo eficiente sexo oral que recebia. Tinha muito medo de gritar, ao sentir em suas entranhas o magma que se expandia, e, ao sentir pressionada a glândula, tremeu convulsivamente na boca e nos dedos de seu grego. Camus envergou o corpo e cerrou os dentes, sendo alçado a um orgasmo tão forte que ele achou que iria perder os sentidos.

— UUHHNN!...

Milo não o largaria enquanto não sugasse todo aquele abundante gozo, que se derramava por ele e para ele. Continuou a estimulação interna, até que nenhuma gota mais saísse do sexo do amante, e isso demorou muito, muito mais do que ele se lembrava.

Enfim foi até ele, cingindo-o carinhosamente pela cintura e depositando um beijo profundo e doce nos lábios entreabertos. O francês ofegava muito e mal conseguia abrir os olhos, e quando o fez, cintilaram como se contivessem estrelas. Ficaram assim por um tempo, apenas se olhando, talvez a confirmarem se aquilo estava realmente acontecendo. Fazia tanto tempo, tanto tempo!...

Levando os braços até o grego, Camus o abraçou ternamente, quase caindo sobre ele, tão instável estava por causa do êxtase que experimentara. Beijou o escorpiano com paixão agradecida, e anunciou, com voz baixa e sensual:

— Estou pronto... Milo de Escopião... vem...

Ele assentiu, engolindo em seco. Tinha ganas de se jogar com tudo dentro de seu amado. Porém... quatro anos!

Fazia quatro anos que não se amavam!

Claro que “certas coisas” não se esquecem, mas...

— Milo?...

— Camus… — murmurou o escorpiano, quase emocionado ante aquele semblante confuso e suplicante. Abaixou a calça até libertar o grande membro ereto. O francês não pôde deixar de mirá-lo, admirado. Não se lembrava de... de Milo ser TÃO GRANDE. Será possível que crescera depois de sua morte?

Quis tocá-lo, para simultâneos agonia e deleite de Milo.

— Hummm... – gemeu, após puxar o ar, ante o toque da mão fria do aquariano. Ajoelhou-se sobre o outro, permitindo que o masturbasse, ainda que temendo se descontrolar. Não podia, no entanto, resistir àquele olhar de encantamento; Camus parecia enfeitiçado pelo sexo avantajado e inchado do grego.

— Camus... – gemeu, seu corpo todo formigando. Projetou o corpo para frente, e, inesperadamente, o francês arrebentou alguns botões da roupa hospitalar nos dentes!

— Ca... aah!!

O nome morreu em sua garganta quando à deliciosa massagem que já recebia em seu pênis juntou-se o gelo da língua provocativa em seu peito. Beijava-o, lambia-o, numa ânsia insólita, terminando por fechar seus dentes num mamilo durinho.

— Aaah... Ca...Camus... por Zeus...

Pressentindo o perigo, segurou-o bruscamente pelos quadris, fazendo-o virar para o estofado, ficando de costas para ele. O aquariano suou frio... quatro anos depois... e agora receberia...

Verificando a manutenção da preparação anterior com seus dedos, o escorpiano separou bem as nádegas firmes do francês, beijando e lambendo toda a região. Desceu a língua pelo períneo, arrancando um longo gemido do aquariano.

— Milo... já... che-chega... ande logo!! – implorava, empinando-se todo. O outro sorriu, satisfeito com aquele ardor, vindo de alguém tido como “tão frio”. Estocou no buraquinho convulso sua língua habilidosa, fazendo o aquariano morder a mão de novo. Queria gritar, queria gemer, queria se descontrolar como nunca... mas estavam em um quarto de hospital!

Já seria um milagre se saíssem dali sem que ninguém tivesse percebido o que acontecera.

— Sim, meu lindo francês, eu já vou meter bem gostoso em você... é que isto aqui é delicioso, sentir você depois de tanto tempo... – e socou mais ferozmente a língua, penetrando-lhe a entrada ardente.

— AAHH.. MI...LO... por favooor!! – desta vez choramingou, verdadeiramente angustiado. Queria-o dentro de si mais que TUDO no Universo! Que fazer para convencê-lo? Aquilo já durava tanto tempo... uma verdadeira tortura... oh, Milo não mudara nada, ele era dado àquelas provocações, tomando-o apenas quando estivesse à beira do pranto!

Abriu-se mais ainda, afastando bem as pernas, a fim de convencer seu grego a tomá-lo, e funcionou, porque ante aquele movimento, o sexo de Milo pulsou forte e dolorosamente, sinalizando que TINHA que ser naquele instante. TINHA que tomá-lo JÁ.

Posicionou seu falo no orifício já bem umedecido e, segurando o outro pela cintura, começou a se introduzir. Uma pontada varou o interior de Camus, e ele gemeu de dor... queimava... queimava muito! Mas os braços que o prendiam não amoleceram, e ele sentiu mais e mais a invasão, ainda que Milo estivesse sendo cuidadoso.

— Uhhn! – grunhiu, os olhos enchendo-se de lágrimas.

O escorpiano sabia que ele sentia dor. Não obstante, conhecia-o, e sabia que uma vez decidido ser possuído, Camus não arredava de sua decisão; suportava a dor que fosse, consciente do prazer que viria a seguir.

Este era o seu francês. Decidido, forte, estoico... e muito, muito sexy.

Milo ondulou cadencialmente os quadris, penetrando mais e mais no amante, que tentava heroicamente conter seus gemidos. Pôs seus dedos na boca do francês; foram muito bem aceitos, e agora Camus gemia com eles a sufocarem os sons, que, vez ou outra, ainda escapavam-lhe, guturalmente. As estocadas foram aumentando de ritmo, e em pouco tempo o desconforto mesclou-se com uma sensação tão quente e agradável que enfim as lágrimas rolaram pelo rosto do francês. Com o braço livre, o grego prendeu-o pelo peito; inclinou-se para ele e chupou-lhe o pescoço com avidez.

— Aaah!! – deixou escapar, sentindo tudo rodopiar, ainda mais quando a mão que prendia-lhe o peito desceu para seu sexo, já inflado como se não tivesse gozado há tão pouco tempo – Ungh!

— C-Camus... – gemeu o escorpiano, perdendo-se na sensação de estar dentro de seu grande e saudoso amor. Deliciava-se ao senti-lo tão quente, apertado, abrigando seu falo que pulsava vigorosamente. Arremeteu-se para frente, para trás, as estocadas incessantes até que parava e simulava retirar-se; o aquariano grunhia em protesto, para então receber com mais força em seu interior aquilo que fatalmente o conduziria ao fastígio. Esse processo foi repetido até que sua próstata fosse novamente atingida, e ele se tremeu todo. Debatia-se, sem contudo se livrar das doces amarras. O choque seguido em seu ponto mágico, a masturbação firme e ritmada, as mordidas e lambidas que recebia ora em seu pescoço ora em sua nuca, tudo foi se avolumando num crescente que ameaçava ensandecê-lo: tentou controlar a respiração, mas aquilo tudo foi demais para ele...

— Milo!... ahn... huumn... – gemeu baixinho e travou os lábios, explodindo em total prazer na mão do amante. O escorpiano, por sua vez, ao ter seu sexo fortemente torcido pelos músculos internos de seu francês no momento do ápice, não demorou a atingir seu orgasmo e despejou dentro do amado todo seu gozo, agarrando-o, enlouquecido:

— OH, ZEUS... Ca...mus... ah!

Sentiu uma pontada aguda na cabeça e fraquejou, ainda abraçando o menor. Cerrou os dentes, sob a dor e o prazer, tudo rodando e escurecendo por uns instantes. O aquariano percebeu e se assustou:

—MILO?

Amparou-o, temendo que caísse do sofá: trouxe-o para si, abrigando-o em seu corpo suado e ainda trêmulo. O grego ficou subitamente pálido, e algo faiscava em seus olhos.

— Milo, o que você tem? MILO! Droga, eu sabia que você iria se sentir mal!! – disse o francês, entre irritado e preocupado. O outro, no entanto, ergueu para ele a face iluminada pelo mais belo sorriso que já vira.

— Mal? Eu tô é... me sentindo muito bem...

— Não minta! Por Atena, eu não deveria ter concordado com essa loucura, você se recuperando de um tiro na cabeça e...

Foi calado por um beijo do escorpiano, bem no canto dos lábios, de forma que podia ainda sentir seu sorriso maroto.

— Não esquenta, Camy... foi só uma dorzinha repentina... já está passando.

— Isso se deve ao afluxo desordenado do sangue. Você ainda está em observação, Milo.

— Tão lindo você se preocupando comigo...

— Eu SEMPRE me preocupo com você, seu idiota – virou o rosto, fingindo mau humor.

— Então vai ficar aqui como meu acompanhante até amanhã, não?

O aquariano fitou-o de um jeito cansado e gentil.

— Claro que vou, Milo de Escorpião. Agora sai de cima de mim. Preciso me vestir.

— Acho que você está perfeitamente bem assim – retrucou, passando os olhos maliciosos pela nudez do Santo. Este se desvencilhou, sem ser muito brusco, e começou a catar as roupas no chão.

Quando se vestiu, fez o grego retornar ao leito; trocaram mais um beijo cúmplice. Encararam-se ternamente. O francês percebeu o semblante cansado do outro. Certo, ELE TAMBÉM estava cansado. Não dormira nada aquela noite, e agora...

— Agora você almoça, certo? – falou Camus, pegando a bandeja, bem dolorido. Disfarçou ao máximo.

Milo fez um bico típico de sua teimosia:

—Zeus me livre! Isso aí deve estar mais frio que os seus cristais de gelo! Odeio comida fria, você sabe...

Entreolharam-se ante aquela declaração.

Era como se...

...se fossem namorados... OUTRA VEZ.

— Não está fria – o francês ficou vermelho – A comida é acondicionada em embalagens térmicas. Ainda deve estar um pouco quente.

E pôs sobre o regaço do outro, sentado, que fez uma careta cômica ao ver o alimento:

— POR ZEUS! Olha isso, esse frango é mais branco que você, Camus! E o que são estas coisas aqui?

— Legumes. Vagem, cenoura e beterraba.

— Eu cometi algum crime, por acaso? Achei que tivesse salvado pessoas! – resmungou, provocando um discreto riso no aquariano.

— Enquanto você vai comendo, eu vou pegar algo na cafeteria, ok?

— Traz uma cerveja pra mim.

— Milo... – fez Camus, estreitando os olhos, num tom de reprovação.

— Brincadeira... amanhã a gente toma umas.

— Nada de bebidas alcóolicas durante um bom tempo para você.

— Nah, e quem vai vigiar isso? – o grego desafiou, remexendo o arroz integral.

Camus aproximou-se e tocou suavemente seus lábios nos dele, pretendendo calá-lo da maneira que havia sido calado há alguns minutos.

— Eu vou, Milo de Escorpião – sentenciou, sério.

— Ca... Camus... quer dizer que... estamos juntos... de novo?

O aquariano se virou para sair, caminhando até a porta. E antes de destrancá-la, olhou-o e jogou uma indagação como resposta:

— O que você acha?

As mãos que seguravam os talheres tremeram de leve.

— Eu... eu acho que sou o homem mais feliz da Terra neste momento...

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Notas finais
Espero que tenha ficado à altura de tanta espera... relevem o fato de ambos estarem feridos e estarem no hospital, hehehehe Urgh, quero nem ouvir falar essa palavra. Foi praga de Surtr, eu sei!!! Aliás... que foi aquela cena dele, hein? Ele e esse Derrick, hein... hum... Muito obrigada por lerem, e até a próxima. Beijos :x