Notas iniciais
Segredinho: um pouco menos da metade do capítulo estava pronto, faria parte do anterior, mas preferi seccionar. Não terminei de responder os comentários, mas fá-lo-ei (aah, o português vetusto... acho formoso *.*) em breve! Não deixe de comentar por isso, hein hein... E atenção... CONTÉM LEMON!!! Boa leitura :)

A água desceu abundantemente, correndo pelos corpos incandescentes dos dois amantes. Beijavam-se com urgência desmedida, gemendo pelo contato de suas peles, de seus abdomens, de suas virilhas, de suas pernas entrelaçadas. Milo imprensou Camus contra os azulejos molhados e parecia querer devorar seu queixo, seu maxilar, seu pescoço, suas omoplatas. O francês respirava pesadamente, deliciando-se com aquelas sensações, e querendo retribuí-las com carícias contínuas pelas costas e pelos quadris do escorpiano. Deteve-se provocadoramente nas nádegas rijas do amado, que tremeu ante aquele toque mais ousado. Colou novamente seus lábios nos lábios do aquariano, sugando-lhe a tenra polpa molhada e terminando por morder de leve o lábio inferior. Camus jogou a cabeça para trás e aquele gesto tentador levou Milo a atacar-lhe o pomo de adão, chupando-o ao mesmo tempo em que suas mãos alisavam o torso esculpido do namorado. Não demorou muito para que encostasse no órgão que já despontava para cima, tão excitado encontrava-se o francês.

Não que ele estivesse muito diferente, oh, não.

Pôs-se a massagear o membro duro e inchado do aquariano, muito devagar, tão somente para sondar o terreno. O jovem estremeceu com os movimentos constantes que por vezes deixava a glande avermelhada totalmente exposta. Ao olhar aquilo, o grego não pôde resistir; percebeu que lambia insistentemente os próprios lábios, na sanha de colocá-los ALI, na cabeça brilhante do pênis que manipulava quase que sadicamente. Fincou o indicador ali na fendinha, roçando.

— Aaaah... Milo... – gemeu, sem se preocupar, enfim, se fazia barulho ou não.

O escorpiano desceu, sempre deslizando sua língua por onde quer que passasse, causando arrepios no mais velho, mesmo com a água morna. Chegando aonde queria, pôs-se então a deslizar a língua pela extensão do pênis de Camus, que puxou o ar em agonia. Este abriu mais as pernas, sem conseguir disfarçar a ansiedade de que Milo o abocanhasse logo de vez. Entretanto, o grego desceu sua boca até a base do falo, pressionando levemente os dentes ali, terminando por chupar ruidosamente, o que causou mais um gemido desesperado do outro.

— Hunng!! Aahh...

Os sons angustiosos do francês, bem como o contrair de suas grossas coxas molhadas, e tudo aquilo por causa de sua boca, fez com que as fisgadas que Milo sentia em sua masculinidade aumentassem de frequência. Uma mais forte levou-o a suspirar, espalmando as mãos na carne rígida e molhada das pernas musculosas do amado. Após dar demoradas lambidas nos testículos, o grego abrigou-os em sua boca, efetuando sempre uma tentadora aspiração ao fazê-lo. Até ele se espantou com o volume das vocalizações de Camus:

— AAAHH!! HUUUM... Mi.. Mi...lo...

Não estava mais acostumado a ouvi-lo assim. No hospital não fora possível... fazia... fazia quanto tempo??

Dava até medo de pensar.

Distraído com esses pensamentos, demorou-se muito numa sucção com os testículos ainda no interior de sua boca, e o francês contraiu mais as pernas, em uma prazerosa angústia. Gemeu alto, ecoando pelo banheiro já enevoado.

— Mi... Milooo... eu... aahh! Eu...

— É isso que você quer, não é? – disse, com voz rouca, uma das mãos deixando a coxa e escorregando por entre as pernas abertas do amante. Seu dedo médio acariciou-lhe períneo, o que aumentou o tremor nos músculos bem definidos do francês. Milo sentia o baixo ventre fervilhar vendo as sensações que causava no sempre austero Camus.

Quase sempre...

Deixou a bolsa escrotal umidificada muito intumescida e partiu para o falo endurecido, que latejava a ponto de deixar Camus quase sem razão. Milo deliciava-se com a textura encharcada; chupava, lambia-lhe a cabeça, descia chupando pelos lados, subia novamente, sugava a cabeça, enfiava tudo na boca... ficava assim alternando os movimentos e enlouquecendo o amante, que estava a ponto de gritar.

Milo estava louco por isso. Por ouvi-lo gritar. Só de imaginar isso, sua ereção tornou-se dolorida.

Camus, por sua vez, temia derreter na boca de Milo, desvanecer, fenecer. Sentia sua entrada ser acariciada por fora pelos dedos que brevemente estariam dentro dele a fim de prepará-lo... então um deles iniciou a invasão. Gemeu levemente com aquela pressão, projetando inconscientemente sua pélvis para a boca do escorpiano.

Percebendo que não era mais apenas água o líquido que sorvia, o grego ousou introduzir um segundo dedo dentro de seu francês, fazendo-o exclamar alto. Não se fez de rogado e, prosseguindo com a primorosa felação, rodava os dedos naquele interior cálido e estreito, que se resistia a ele unicamente por razões anatômicas...

— Aaahh!! Milo... não... eu não...

— Você não O QUÊ, Camus?

— ...

— Não quer o meu pau enterrado bem fundo nessa sua bundinha, hã? Claro que quer... é pra isso que estou fazendo isso – e estocou mais firmemente os dedos no canal do namorado, expandindo-o aos poucos.

— Unng... ah... – gemeu, agora apoiando-se nos ombros largos do amante. Seu equilíbrio parecia abandoná-lo.

A visão do amado cedendo ao descontrole, seus cabelos escurecidos pela água grudados na pele clara, em um lindo contraste, a boca úmida e vermelha entreaberta entre ofegos lúbricos... o grego torcia muito para que conseguisse logo o que queria, deixá-lo pronto para recebê-lo. Ou ele mesmo iria gozar ali, naquele instante.

— Você é muito gostoso, Camus... muito mesmo...

— Então por... por que n-não me... não me... aaahh!

Um terceiro dedo inseria-se nele.

— Sempre impaciente... nestes momentos você é tão impulsivo quanto eu, “mon amour” – disse Milo, sorrindo sarcasticamente. Rodopiou os dedos, massageando os músculos internos do amado, que enfim gritou, ao ter a próstata pressionada pelas pontas dos dedos desbravadores. Não fosse o autocontrole notável do grego, ele teria atingido o orgasmo com aquilo. Sentiu todo o tremor em sua mão, em sua boca, que voltara a devorar o falo dolorosamente pulsante de Camus. Estimulou por mais alguns minutos a glândula do deleite ao mesmo tempo que aumentara vertiginosamente a sucção no pênis batia-lhe na garganta, fazendo-o quase se engasgar...

— Ah!! Ahh, Milo... eu... huumm... AAAAAAHHH!

Não aguentando mais, Camus gritou, explodiu em prazer na boca de seu escorpiano, sacudido pelos espasmos que adviram daquele potente orgasmo. Milo sorveu com imenso júbilo o esperma quente e abundante, procurando não desperdiçar uma gota sequer; a pressão daquela ação ainda durante o clímax prolongou o prazer e os gemidos do aquariano. Seus dedos eram comprimidos com incrível força pelo interior pulsante. Engoliu, deliciado, o néctar de seu grande amor, olhando diretamente no rosto afogueado do francês cujo peito arquejava devido à respiração dificultada. Camus tinha os olhos fechados, e lentamente os abriu para mirar os mais claros, muito atentos às suas reações.

Sem nenhum aviso, o grego retirou seus dedos da entrada do namorado, sabendo-o pronto. Grunhindo em protesto, o aquariano voltou a cerrar os olhos e erguer o rosto para cima. Preparou-se para o que vinha a seguir.

Erguendo até ele, Milo beijou-o, imprimindo nos lábios do amante o salobro gosto do prazer. Então com uma das mãos ergueu a perna direita do francês, que apoiou o pé na parte externa da coxa musculosa no escorpiano. Com a outra mão conduziu seu pênis enrijecido até a entrada do namorado. Mesmo após tão cuidadoso preparo, houve resistência a ponto de fazer Camus gemer de dor. Ele, contudo, bravamente, abraçou o amado pelos ombros e projetou com ímpeto desmedido seus quadris para frente, chocando-se com fúria contra a virilha de Milo.

— Aaaahh!! – ele sentiu dolorosamente por aquela atitude imprudente.

— Uhhg!! C-calma... Ca... Camus... – balbuciou o grego, sentindo-se crescer ainda mais dentro do outro.

— Não... temos m-muito tempo...

Milo sorriu, malicioso, e forçou mais a penetração, sempre observando o rosto em doce agonia à sua frente.

— P-por que não admite... – e estocou, de uma só vez, abruptamente — ... que quer que eu te foda logo, hum?

— Ung... t-também... m-mas... não temos mesmo... muito... aahh... tempo...

Ninguém podia negar o quanto Camus era assustadoramente prático para os padrões normais.

— Você que pediu. Eu ia ser gentil e pegar leve contigo, mas... – disse o escorpiano, passando a língua em seu pescoço e ombro.

Dito e feito: começou a meter com cada vez mais energia, socando o membro avantajado bem fundo naquela cavidade quente. O francês agarrou-se mais a ele, tanto por tesão quanto por temer escorregar, o que nunca aconteceria, dada a força com que Milo o segurava. Ambos gemiam alto debaixo da água do potente chuveiro, completamente alucinados. Camus tomou a boca de Milo, mais se esfregando do que propriamente beijando, sua coordenação tornou-se falha ao se sentir totalmente preenchido pelo falo que passou a pulsar vivamente dentro de si.

— Milo... aaah... Milo... – murmurava, para o delírio do amado. Sentindo-o assim mais relaxado, o grego aumentou a velocidade das estocadas, ao que Camus pôs-se a rebolar, tencionando sentir até as extremidades mais impossíveis de seu interior. O escorpiano dizia frases picantes em seu ouvido, de teor normalmente reprovado pelo aquariano, mas que naquele momento o deixava inflamável. Só conseguia responder com suspiros e gemidos. Quando sentiu o pênis de Milo latejar mais intensamente em seu canal, soube que não aguentaria mais por muito tempo. Como que adivinhando-lhe os pensamentos, o grego pôs-se a masturbar vagarosamente o namorado. Suas partes baixas se batiam, fazendo ruídos sob a água, o ritmo frenético das investidas de Milo acelerando os movimentos para cima e para baixo que sua mão imprimiam no membro inchado do amante. Quanto mais fundo ia o grego, mais o francês gemia, até que a pressão em ambos locais estimulados tornou-se insuportável. Chegou a causar dor em Milo, tão forte se agarrou a ele na hora em que as contrações ritmadas que sentia em seu ânus entraram em choque com as sensações da manipulação frontal, o que resultou em um orgasmo ainda mais inacreditável que o primeiro. Desta vez chegou a se debater em desespero quando gritou, despudoradamente:

— AAAAHHHNN!!!

Vários produtos de higiene foram ao chão com aquele ataque.

Milo cerrou os dentes e gemeu alto, sentindo a mesma eletricidade correr por sua intimidade e conduzi-lo a um frenesi quase temível.

— CAMUS!!! OOOOHHHH...AAAH!

Gozou com fúria, apoiando seu rosto no ombro molhado do amante, seu rosto contorcendo em um êxtase que parecia não ser deste mundo. Ejaculou dentro do aquariano, ainda arremetendo-se para ele, ainda bombeando seu sexo, de onde o esperma jorrava grosso, sendo diluído pela corrente constante da ducha. Gemeram alto ainda por alguns instantes, abraçados, unidos como se jamais fossem se separar, e se pudessem escolher, jamais o fariam...

Beijaram-se mais uma vez, por longos minutos sob a água, ainda acoplados. Por fim, Milo retirou-se de dentro de Camus, por entre cujas pernas escorreu leitoso e morno o gozo do amado. Ele suspirou fundo, como que fatigado, apoiado no escorpiano. Sorriram docemente um para o outro, um ajudando o outro a se limpar devidamente após o amor.

Foi um longo, longo banho.

Que lhes custou uma bela bagunça de produtos derramados no box, uma rachadura misteriosa no blindex, e um pequeno atraso no jantar com os amigos.

Nada que não fosse ninharia perto das delícias que partilharam.

*************

O casal de amantes chegou ao restaurante onde os amigos o aguardava, um tanto esbaforidos.

— Estão atrasados – acusou Saga, prontamente, encarando-os com certa severidade. Tudo fingimento...

— Sabemos disso, nos desculpe – Camus respondeu, sem jeito.

— Ah, relaxem vocês dois – soltou Milo, com um sorriso de orelha a orelha, sentando-se à mesa sem cerimônia – nem pediram ainda.

— Estávamos esperando vocês.

— Ô Saga, não estressa, falou? A gente tava ocupado – retrucou o escorpiano, pegando a carta de bebidas.

Aioria riu:

—“Ocupados”... claro, os cabelos molhados são a prova disso – brincou. Milo deu com a carta de bebidas na cabeça do amigo:

— Ô bichano pulguento, cuida da tua vida!

Frodi e Sigmund, sentados com eles, riram com a cena, ausente entre os Guerreiros Deuses...

Um pouco constrangido, o aquariano tomou seu lugar e cumprimentou os asgardianos. Seu namorado fez o mesmo.

Pediram as entradas e bebidas. Não demoraram a chegar, e nesse meio tempo, fizeram a escolha dos pratos principais. Enquanto isso, conversavam entre si.

— Frodi, quero parabenizá-lo pelo discurso, foi muito bom – elogiou o francês, brandindo discretamente sua taça de vinho tinto.

— Verdade, cara, mandou muito bem – ajuntou Milo, fazendo o mesmo gesto com o sua bebida, a mesma do amante.

— Obrigado, é muita gentileza de vocês, eu estava tão nervoso... aposto que minha voz saiu tremida...

— Saiu nada, nem dava para perceber que estava nervoso – Aioria replicou, simpático.

Sigmund sorriu, amistoso.

— Eu te disse, Frodi, você foi perfeito.

— Mas por que diz que estava nervoso, por causa do que fazia ou... por causa de Surtr? – indagou o geminiano, que preferiu não tomar vinho antes de comer, servindo-se unicamente de água.

O asgardiano fechou o sorriso, tentando, contudo, não estragar aquela atmosfera cordial.

— Você é observador, Saga. A falta de Surtr realmente me irritou bastante. Desta vez ele foi longe demais – respondeu, tomando um pouco de vinho branco.

— Talvez devessem tê-lo chamado para vir jantar conosco – o leonino opinou, levando um olhar atravessado de Milo – quem sabe ele não se explicasse e...

— Isso iria apenas estragar nosso jantar – interrompeu Sigmund. Dando-se conta disso, atinou – Desculpe, Aioria, é que o Frodi está bem bravo com ele... já não é de hoje. Digamos que Surtr não tem se comportado como um Guerreiro Deus, e ainda mais em missão. Melhor que conversem depois, a sós.

— Tem razão – Gêmeos assentiu – se quer saber, Camus, eu acho que você também deveria conversar com Surtr.

— Eu? – surpreendeu-se o aquariano.

— Sim. Acho que é desnecessário eu explicar a razão, não?

Fez-se um breve silêncio. Camus se sentiu bastante desconfortável, e todos perceberam isso.

— Os problemas entre vocês três começaram a atrapalhar efetivamente a missão na conferência, a começar por Asgard – o irmão de Aioros completou, calmo porém assertivo.

Sem conseguir disfarçar sua irritação, Milo reagiu:

— Fala como se eu e o Camus fôssemos culpados!

— Mas de certa forma são – disparou, implacável.

Se Frodi queria evitar que o clima pesasse ali, foi em vão, pois aconteceu mesmo assim.

— Saga, também não é assim, né – tentou Leão.

— Claro que é. Responsabilidades têm de ser tomadas. Camus é amigo de Surtr, só por isso já deveria ter ido falar com ele de maneira adequada. Certamente não o faz por conta de Milo. Por isso Surtr fica agindo assim, a ponto de prejudicar seus companheiros. Não é segredo algum que as atitudes inadequadas que vem tomando nos últimos dias têm a ver com questões não resolvidas entre ele e Camus.

— Será que daria para continuarmos nosso jantar sem que minha intimidade fosse dele a atração principal? – questionou o francês, gélido.

Todos emudeceram. Milo fervia de raiva; teve ganas de sair dali e levar o namorado consigo. Conteve-se, contudo, sabendo que o outro não aprovaria esse rompante.

— Claro, me desculpe, não foi a intenção.

— Mas foi exatamente o que fez, Saga – acusou o escorpiano.

— Por favor – Frodi ousou se intrometer – estão quase brigando por causa de Surtr. Não permitam isso.

Os Santos se entreolharam, perturbados.

— Tem razão. Mais uma vez peço desculpas pela forma com que me expressei – o geminiano voltou-se novamente para Camus — mas eu sustento minha opinião.

O aquariano sustentou o contato visual, até abaixar o olhar, ao responder:

— Eu entendo. Também peço desculpas pela minha falta de ação. Vou remediar isso.

Milo não gostou nada do que ouviu, contudo preferiu não mais se manifestar. Tampouco pedir desculpas. Não se achava culpado de coisa alguma.

— Oh, nossos pedidos chegaram – observou Sigmund, apenas para quebrar o silêncio instaurado.

Por um tempo, mantiveram-se assim, e aproveitaram para comer. Depois voltaram a conversar amenidades, e aos poucos, aquele pesar foi se dissipando. Eram bons amigos, afinal.

— Achei incrível o oferecimento de Asgard em oferecer abrigo a 10.000 refugiados, Frodi! Como isso será possível? É muita gente – quis saber o escorpiano, com genuíno interesse.

— Asgard é uma terra pouco povoada. Além disso, há muita oferta de trabalho pelas condições duras de nosso país. Sei que os rigores climáticos serão um desafio, mas o importante é que lá estarão a salvo e bem assistidos pelos soberanos.

— Isso é ótimo – disse Aioria, animado.

— Ainda estou impressionado com o que a presidente de Angola disse, a respeito da organização que quer formar um país.

— Ao que parece, já conseguiram formá-lo, Camus, só não foi reconhecido oficialmente pelas demais nações – observou Saga.

— Quanto sofrimento isso não deve ter custado às populações dos quatro países absorvidos – Sigmund lamentou, pesaroso.

— Eram povos já sofridos, por causa de seus governantes corruptos e omissos – lembrou Frodi.

— E justamente por causa disso, esses governantes foram sobrepujados. Não contavam com mais praticamente apoio nenhum em seus próprios países, pelo que disse Urbi – lembrou o geminiano.

— Mas certamente a situação do povo piorou, e muito.

— Concordo, Milo – disse Aioria – Afinal, como mostrou a presidente, virou uma “terra de ninguém”.

— E eles não devem querer parar... estão conquistando as nações vizinhas com sucesso, através dos anos. O poderio bélico deles não cessa de crescer, agora que não há fiscalização alguma de fora aos diamantes produzidos por lá, diamantes estes que os sustentam, enriquecem e reforçam seu poderio de guerrilha – continuou o escorpiano, franzindo o cenho.

— Espero que recebamos ordens futuras de fazer algo por isso. Não estamos em nenhuma Guerra Santa, ou contra nenhum deus maluco querendo conquistar a Terra, ou manipulando alguém para nos combater... ops, desculpe – Aioria se dirigiu aos asgardianos, que levaram aquela última frase “na esportiva”.

Prosseguiram com a refeição, até que terminaram e decidiram se recolher. Separados dos asgardianos, os Cavaleiros de Ouro dirigiram-se ao apartamento de Saga, que manifestara desejo de se reunir com eles lá.

— OK, qualé o assunto, Saga? Mais bronca?

— Milo…! – Camus deu-lhe uma leve cotovelada.

Ignorando aquilo, o geminiano pegou seu notebook e pôs sobre a mesa da sala. Ligou-o.

— Uma vídeoconferência com a Deusa.

— Hã? Atena vai falar com a gente pelo computador? Heh... tempos modernos mesmo – brincou Aioria.

— Ela ia se reunir com os demais Cavaleiros de Ouro para tal – falou o geminiano, mexendo no aparelho.

Os outro três se entreolharam, interrogativamente, quando a imagem de Saori Kido surgiu na tela do monitor. Eles se inclinaram, respeitosamente. A Deusa encontrava-se em uma mesa de ouro maciço, aparentemente no Grande Salão de Seu Templo, em Star Hill. Estava sentada entre seus mais poderosos guerreiros, de um lado Mu, Aldebaran, Máscara da Morte e Shaka, e do outro, Dohko – atual Patriarca do Santuário — Aioros, Shura e Afrodite.

— Saudações, meus nobres Cavaleiros – começou a jovem, o belo semblante plácido.

— Atena. É uma grande honra poder vê-La – saudou Saga. Comumente, era ele uma espécie de porta-voz entre os Santos.

— Como vão, rapazes? Espero que bem – foi a vez de Libra saudá-los. Não perdera o jeito jovial e alegre mesmo na posição mais importante depois de Atena.

— Estamos sim, Grande Mestre, muito obrigado.

— Gostaria de parabenizá-los pela excelente atuação até agora nessa importante Conferência. Vocês estão se saindo muito bem, e honrando o nome de nosso Santuário – a Deusa disse, as mãos unidas sobre a superfície dourada.

— Saga, Camus, acompanhamos os pronunciamentos de vocês dois. Foram muito bem sucedidos, parabéns.

Meneando a cabeça, o aquariano agradeceu gestualmente.

— Obrigado, Grande Mestre. Apenas cumprimos nosso dever. Não merecemos tamanha deferência...

— Merecem sim, deixe de modéstia sem cabimento – riu o Patriarca.

— E Milo... Aioria...

— Sim, minha Senhora – disseram os dois, a uma só voz.

— Quero parabenizá-los pelo salvamento dos civis do terrível atentado terrorista na boate. Foi um ato realmente louvável, e como não poderia deixar de ser, executado com primor por vocês. Muito obrigada por honrarem o nome do Santuário e por salvarem aquelas vidas.

— Ora, aquilo não foi nada de mais – o leonino coçou a cabeça, muito sem jeito.

— Verdade. Não fizemos mais que nossa obrigação como Santos que estavam ali presentes.

— Foram para a esbórnia e fizeram uma boa ação – caçoou Máscara da Morte, provocando risos entre alguns deles.

— Qual foi, Carlo?!? – resmungou Aioria, indignado com a brincadeira.

— Estou orgulhoso de você, meu irmão. E de você também, Saga – anunciou Aioros, cujo sorriso encheu o irmão mais novo de igualmente orgulhosa alegria... e o coração de Saga de amorosa saudade.

— Valeu, irmãozão. Ouvir isso de você por si só é um prêmio!

— Obrigado, Aioros. Espero continuar sendo merecedor de seu orgulho – respondeu o geminiano, entre tímido e feliz.

— Tenho certeza de que vai sim... Saga.

Alguns soltaram risinhos ante o “clima” que se percebeu entre os dois. Dohko pigarreou para dissipar aquilo, e prosseguiu:

—Camus, você também merece nossos parabéns por ter ido ajudá-los. E por ter resgatado Escorpião do lugar.

O escorpiano bufou levemente; seu namorado apenas assentiu:

— Agradeço suas palavras, Grande Patriarca — respondeu o francês.

Percebendo Aldebaran, Máscara da Morte e Afrodite cobrirem as mãos com as bocas para conter seus risinhos, Milo bufou outra vez, menos contido.

“Os cretinos tão rindo de mim!”, pensou, cruzando os braços, injuriado. Aioria fez o mesmo que seus colegas no vídeo.

— Eu senti a perturbação de vocês quatro acerca das notícias dadas pela presidente Urbi Kuarashí – revelou Atena, sua expressão tornando-se mais séria.

Os jovens ficaram um pouco apreensivos. Não queriam parecer impacientes ou rebeldes.

— Compreendo perfeitamente seus sentimentos, porque são guerreiros poderosos e de bons corações. No entanto, peço que os mantenham serenos, e que continuem focados na Conferência. Há muitos outros lugares na Terra com problemas similares ao que se verifica na região dominada pela Unidade Revolucionária Brilho da Honra, e tenho a intenção de a partir de agora, zelar por cada um deles também de maneira mais direta e incisiva. Não podemos, contudo, nos intrometer de forma leviana e arbitrária – elucidou Saori, de forma branda – e principalmente, não se pode abandonar uma missão para cuidar de outra. Esta é a primeira vez em milênios em que eu participo de maneira direta em questões concernentes aos mortais e aos seus governos. Tenho esperança de que muitas conquistas advirão de suas atuações na Cúpula de que participam, intermediando a minha pessoa e os governantes aí presentes. Peço que por hora atenham-se aos seus deveres atuais.

Eles se sentiram um desconfortáveis, ainda que soubessem que a Deusa estava certa: malgrado suas feições e voz suaves, podiam perceber uma clara reprimenda ali.

— Nós entendemos, Atena. Peço perdões se demos a entender que cogitamos tomar alguma atitude não ordenada pela Senhora ou pelo nosso Patriarca – Saga fez uma reverência, no que foi seguido pelos demais.

— Não, eu não entendi isso, Saga, não se preocupe. Mesmo assim, achei que era necessário reforçar meus desígnios a vocês.

— Evidente, minha Senhora – murmuram os três mais novos.

— Há algo que queiram perguntar, rapazes? – quis saber Dohko.

— De minha parte não, Grande Mestre... – respondeu o geminiano, virando-se para os demais, que balançaram a cabeça e negativa.

— Perfeito. Sendo assim, eu e Atena encerramos nossa comunicação com vocês – e olhou para os Santos sentados à mesa com ele e com a Deusa – e quanto a vocês, meus amigos, alguma coisa que queiram dizer aos nossos companheiros?

— Há, sim, senhor Papa – falou Aldebaran, muito sorridente – Se nos permite...

— Fiquem à vontade, meus jovens.

— Ei, Milo, você estava ótimo na TV, viu? – soltou Câncer, em tom de mofa.

— Hã? – fez o escorpiano, erguendo uma sobrancelha.

— Sempre teve jeito de galã, agora pode estrear o próprio filme como “O Belo Adormecido” – gracejou Afrodite, piscando um olho.

Eles riram ruidosamente; até o Patriarca e Atena riram levemente. Mu parecia compadecido, Shaka e Shura aborrecidos, e Aioros balançava a cabeça, condescendente.

— Ora, seus... – rosnou Milo; ao perceber Aioria rindo, virou-se para ele – ATÉ VOCÊ tá rindo de mim?

— Eu? Não... eu... tô lembrando de outra coisa aqui – mentiu o leonino, achando a maior graça daquilo.

— Você estava tão à vontade carregado como uma donzela em perigo, hahahahahahaha! – gargalhou o taurino.

Virgem balançou a cabeça como Aioros, só que em franca reprovação:

— Como podem brincar com uma coisa dessas? Nosso companheiro poderia ter morrido...

— Ei, qualé, Shaka, eu não sou nenhum fracote não, tá? – Milo vociferou, fazendo o amigo a seu lado rir mais. Saga e Camus a tudo assistiam, sem ação.

— Parecia uma noiva em lua de mel, HAUHAUHAUHAUHA – foi a vez de Máscara da Morte irritar o escorpiano.

— É verdade! Precisamos comprar os presentes, HAHAHAHAHAHA – Afrodite se divertia.

— Seus palhaços – disse Milo, entre dentes, contraindo os punhos – Vocês vão ver os PRESENTES que vou dar a cada um quando voltar...

— Certo, já chega, rapazes – pediu Dohko, nitidamente se divertindo com as brincadeiras – Saga, Camus, Aioria... Milo... hehehe...

“Até o Patriarca! Merda, com ele nem posso reclamar!!”, pensou, revoltado.

— ...hehe... aham... tenham um bom descanso. E bom trabalho amanhã.

A transmissão foi encerrada. Saga foi desligar o computador, Camus pôs as mãos nos bolsos mirando o nada, Aioria continuou prendendo o riso, e Milo... bom, Milo parecia uma panela de pressão prestes a explodir.

— Aqueles... aqueles... como ousaram... estavam me zoando NA FRENTE DA DEUSA!

— Na verdade, até Ela riu um pouco.

— CALA A BOCA, AIORIA, SENÃO TE TACO LOGO 15 AGULHAS!

— MILO! Não grite, por Atena...

— E VOCÊ... VOCÊ É O CULPADO DISSO, CAMUS!! NÃO ME MANDA NÃO GRITAR!

— Pare de gritar AGORA, Milo!!!

— Mas Saga, você não entende...

— Não entendo mesmo sua atitude infantil e reprovável. Está fazendo escândalo. Passam das 22 horas.

— Grrrr...

— Pff...heh...pfff...

— Aioria, você também, PARE DE RIR — o geminiano mandou, querendo acabar com aquilo tudo.

— Q-quem... pfff... tá rindo..hehe... aqui...?

— Vamos, Milo – virando-se para sair, o aquariano simplesmente se despediu – Boa noite Saga, Aioria.

Soltando palavrões em voz baixa, o escorpiano o acompanhou, irritadíssimo.

*************

Cerca de meia hora antes, a campainha do 402 tocou e um sonolento Surtr foi atender, já preparado para escutar um belo sermão de Frodi.

Não se enganou acerca do visitante. Este sequer esperou por um convite: entrou intempestivamente pela sala de estar.

— Boa noite para você também, Frodi – falou, em tom de ironia.

— EXPLIQUE-SE AGORA MESMO, SURTR. Por que abandonou sua missão?

O ruivo suspirou e chamou Sigmund para entrar. O loiro o fez, um tanto deslocado.

— Vocês querem um café? – indagou o dono do flat “invadido”.

— Queremos EXPLICAÇÕES, Surtr.

— Acalme seus ânimos. Não tem como conversar com alguém descontrolado assim.

— Não queira me ver descontrolado, Surtr, NÃO QUEIRA!

— Frodi... – murmurou Sigmund, tocando seu braço. O mais velho olhou-o, no afã de se tranquilizar. Estava a ponto de dar na cara de Surtr. Como ocorre com as pessoas francas e sem máscaras, nunca suportara o jeito cínico do outro.

Ele se sentou no sofá de couro escuro. Foi acompanhado pelo namorado. Surtr sentou-se em uma poltrona chumbo, à frente deles.

— Surtr, diga-nos, por que não compareceu à Cúpula? – inquiriu Sigmund, calmo porém firme – Esperamos que fosse depois, nunca imaginaríamos que faltaria ao seu dever, e bem no dia do pronunciamento de Frodi.

— Eu tive alguns problemas...

— Não, Surtr, você não “teve” problemas, você “TEM” problemas! – Frodi cortou, rispidamente.

— Você quer ou não quer saber o que houve? Se vai ficar me interrompendo, não poderei prosseguir – replicou o ruivo, tranquilo. Parecia consciente de que aquela postura irritava ainda mais o líder.

— Pois bem, fale-nos o que houve.

— Bem, eu passei mal... – começou, distorcendo um pouco a verdade e emaranhando-se em seguida em uma completa mentira – Muito mal, para ser sincero. Enxaqueca, mal estar, dores pelo corpo. De madrugada, tomei um remédio... esqueci que ele era muito forte, eu sequer ouvi o despertador. Quando acordei, já passava de meio dia, mas ainda estava sob o forte efeito da medicação, mal conseguia me levantar. Acabei dormindo de novo.

Sem acreditar em nenhuma palavra, Sigmund questionou:

— Por que não nos avisou?

— Como eu te disse, estava praticamente sedado.

— Bom, poderia ter mandado alguma mensagem no momento em que despertou...

— Eu dormi sem perceber... e depois... confesso que estava muito constrangido para procurar vocês – respondeu Surtr, fingindo mal estar.

Frodi analisou friamente o rosto do ruivo. Não sentia sinceridade alguma no que escutara, entretanto, não tinha como comprovar.

— E você ficou o dia todo aqui?

— Fiquei, claro – isso não era mentira. De fato, sofrera com dores atrozes até ter a ideia de tomar os analgésicos deixados por Derrick. Finalmente sem dor, simplesmente passara o dia remoendo suas agruras com um certo aquariano, e desenvolvendo mil planos para acabar com o “paraíso” dele com um certo escorpiano... e pensando em sua “primeira vez” com um homem. Na situação em que se deu, claro.

— Deveria ser uma dor muito intensa para você faltar a um dever como Guerreiro Deus, Surtr.

— Oh, você NEM FAZ IDEIA, Frodi. Nem faz ideia.

"Não faz MESMO", pensou, fazendo uma careta.

— Eu terei que reportar isso a Asgard.

O coração do ruivo tremeu em seu peito.

— Ora... para que isso?

— São as regras de nossa função, você sabe.

— Frodi, isso não tornará a acontecer – ficou preocupado: aquilo poderia lhe custar o DESLIGAMENTO da missão!

— Isso não é relevante, Surtr – cortou-o, tranquilo – Você incorreu numa falta grave, e nossos superiores têm que ser notificados.

— Por Odin, você quer que eu caia em DESGRAÇA por ter PASSADO MAL? Eu não teria deixado de ir com vocês se não estivesse realmente doente, não acha?

Os dois à sua frente calaram-se, parecendo ponderar a situação. Surtr começou a suar frio. Não, afastar-se de Camus agora seria afastar-se dele PARA SEMPRE. E perderia a chance de separar aqueles dois! Isso JAMAIS!

— Frodi, reconsidere, por favor... – chegava a doer a língua ter que implorar àquele insuportável certinho!

— Como, Surtr? Você evita nos acompanhar, tenta se intrometer em assuntos pertinentes aos Cavaleiros de Ouro, fica se embebedando em público, cria problemas e faz escândalos, e tudo isto em apenas três dias! O que podemos esperar de você em doze dias?!?

Temeroso, o ruivo mordeu o lábio inferior, sem saber o que dizer. Por mais dissimulado que fosse, tinha reais dificuldades em se fazer subserviente, ainda mais a Frodi, por quem nutria reais antipatia. O bondoso Sigmund foi a sua salvação:

—Frodi, acho que poderíamos dar mais uma chance a ele... pelo menos agora está avisado. Na verdade, nós mesmos não havíamos vindo até aqui ter uma conversa com Surtr sobre sua maneira de agir nestes últimos dias, não é verdade?

“Isso mesmo, seu otário, continue...”, pensou, fitando o loiro, enquanto caprichava na expressão compungida. Percebeu, com alegria, a dúvida nos olhos azuis escuros do mais velho.

— Mas Sig, já havíamos alertado ele sobre essas atitudes!...

— Sim, mas quando ele estava embriagado... precisávamos ter uma conversa real acerca disso tudo, todos calmos e conscientes.

Surtr não se pronunciou: melhor deixar o loirinho idiota fazê-lo, raciocinou maldosamente.

— Está bem, Sig. Vamos fazer assim. Por enquanto – e frisou bem o “por enquanto” – não reportarei nada a Asgard. Vou te dar uma nova chance, Surtr.

Engolindo o asco que aquela última frase lhe fez sentir, o ruivo assentiu, graciosamente:

— Eu... eu não sei nem como agradecer, Frodi...

— É só agir como um Guerreiro Deus em missão deve agir. Será a melhor maneira de agradecer – admoestou, seco.

— Claro, claro, eu o farei... prometo que assim o farei.

Acompanhou os dois até a porte, e ao fechá-la, não pôde deixar de respirar aliviado, deixando um sopro escapar ao expirar longamente.

— Essa foi por pouco... – falou consigo mesmo – mas valeu a pena...

Caminhou até a varanda, onde uma garrafa de vodca o esperava sobre a mesinha de juta. Serviu-se de um copo, sem nem ao menos pôr-lhe gelo, e sorriu enquanto pensava:

“Valeu a pena este dia de reflexão e de recolhimento sem influência externa de nenhuma espécie... SEI EXATAMENTE O QUE FAZER COM VOCÊ, Camus... aliás... com você e com Milo.”

E permitiu-se brindar à lua que iluminava a imensidão escura como seu coração.

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Notas finais
Finalmente os meninos não precisaram mais "controlar os barulhos". Mas também fizeram a maior zona no banheiro, hehehe. Saga e suas broncas... é duro ser o mais velho e experiente com esses três ^^ (ultimamente até Camus tem sentido uns "puxões de orelha", já notaram?) É... Surtr andou na corda bamba agora... escapou... e ao invés de se emendar, nããão... enfim, está com o "tal plano para separar Milo e Camus" na mente. O que será que esse ser sem luz pretende fazer??? Espero vocês no próximo capítulo. Beijo grande, e tenham todos uma ótima semana!