O Brilho da Honra
20 Clamores do desejo
Notas iniciais
Irrompendo ruidosamente pelo apartamento 605, Milo ainda bufava injuriado pela gozação dos amigos que ficaram no Santuário. Camus entrou logo em seguida, sua postura fleumática destoando da irritadiça do namorado.
— Aqueles... aaargh, eu SABIA que isso iria acontecer, mas NÃO que fossem me zoar perante a Deusa! Porra, ATÉ ELA riu... o Dohko não me surpreende, mas Atena!!!
— Ela não riu de você, riu da situação...
— QUE ENVOLVE QUEM, CAMUS?
O aquariano suspirou, considerando aquela reação um exagero. Mas... era Milo. Exagero era seu sobrenome...
— Pare com isso.
— Fácil pra você falar assim. Aliás... a culpa é TODA SUA, ouviu, senhor Camus de Aquário? – voltou-se para ele, com o dedo indicador em riste.
— Certo, Milo, não deveria ter te salvado então, não é? Antes a morte que algumas gozações de pessoas tão imaturas quanto você.
— O quê? Tá me chamando de IMATURO?
— Parabéns por ter entendido – semicerrou os olhos, mirando-o com indiferença – Se me dá licença, vou me recolher.
— NÃO FOGE DA NOSSA CONVERSA NÃO!
— Que conversa, Milo? Você só está choramingando. Não preciso ficar ouvindo isso.
— Além do mais, eu... eu disse que você iria me PAGAR pelo que fez.
— Hunf. Devia ter deixado você morrer, então.
— E QUEM DISSE que eu iria morrer?!?
— Boa noite, Milo – disse o francês, virando-lhe as costas, como a não dar mais importância àquela cena.
— Eu estou falando com VOCÊ, Camus!!!
— Você não está falando, está delirando.
O aquariano dirigiu-se para o quarto, disposto a pegar suas coisas e se mudar para outro aposento. Se o grego iria continuar com aquela tolice, preferia ficar longe dele. Não tinha a menor paciência para tais rompantes, ainda mais que não tinha feito nada errado, MUITO PELO CONTRÁRIO.
Foi só entrar, porém, que sentiu um peso pelas costas a atirá-lo na cama. Pego de surpresa, caiu pesadamente sobre o colchão macio. Milo o agarrava com força tal que quase o sufocava.
— MILO! SAI DE CIMA DE MIM!
— Que parte de “você vai me pagar” não entendeu, Camus? Não pode simplesmente me dar as costas e sair andando... – disse, com voz rouca, ao ouvido do aquariano.
— Hunf... eu tenho que “pagar” por ter te tirado daquele inferno?
— Precisava ser daquela maneira? Deixou claro para todos que me ama… — mordiscou-lhe o lóbulo ao completar, em tom sensual — ...Camus...
— Oh. PERDÃO por isso – ironizou. E logo prendeu o ar ao sentir a mão tépida do amado insinuando-se por debaixo da camiseta branca.
— Você me ama mesmo, Camus? – indagou, manhoso, esfregando o nariz no contorno da face gelada.
— E isso importa? Pois pelo visto, sua “reputação” é mais importante do que o fato de que você foi resgatado pela pessoa que te ama... – mordeu o lábio, arrependendo-se da resposta passional, disparada sem pensar.
Exultante com aquela fala, e pela maneira com que foi proferida, Milo ergueu-se um pouco e virou o namorado de maneira que ficassem de frente um para o outro. Fitaram-se longamente.
— É claro que não. Nada é mais importante para mim do que o seu amor, Camus.
— Não é o que parece – retrucou o outro, sem tirar a máscara de frieza. O que era bem difícil, com o escorpiano depositando beijos por seu pescoço, queixo, rosto... e aquele corpo imprensado sobre o seu... sentir-lhe cada parte, junto a cada parte sua...
— Claro que sou muito agradecido por ter me salvado. Você leva tudo muito a sério.
— A impressão que me deu é de que VOCÊ estava fazendo isso.
Camus tentava continuar parecendo duro, mas a cada beijo, lambida e mordiscada de Milo, seu esforço tinha que ser redobrado. Foi abraçado pelo amante, que sussurrou-lhe ao ouvido, já úmido por suas investidas:
— Eu te amo.
— ......
— Eu te amo – e mordiscou-lhe o lábio inferior.
— ...
— Eu te amo – e lambeu-lhe o lábio superior.
— ...
— Eu te amo – e fechou seus lábios sobre os dele, pressionando-os gentilmente e, ainda assim, apenas com isso, drenando o ar dos pulmões do aquariano, que cerrou os olhos.
Os braços de Camus deixaram o colchão e enlaçaram o escorpiano. Suspendeu o contato labial para murmurar, com o rosto afundado no amante:
— Eu também... te amo, Milo.
Estreitaram ainda mais seus corpos, sentindo bem um ao outro durante um longo e apaixonado beijo que acendeu de vez seus anseios. Quase sem ar, buscavam-no por apenas alguns segundos para novamente mergulharem naquele momento de paixão e luxúria.
Foi quando o grego apartou-se e se levantou da cama. Começou a tirar a roupa. O francês decidiu fazer o mesmo: tirou a camiseta branca, já toda amarfanhada e preparava-se para se desfazer das roupas de baixo... Milo, de peito nu, não apenas abriu o cinto de couro preto da calça jeans, como o retirou totalmente da vestimenta. Camus só percebeu isso quando o outro brandiu o acessório no ar, como se fosse bater nele.
— O que é isso? – indagou, e, em seguida, desviou de uma cintada que quase o pegou.
— MILO! ESTÁ MALUCO?
O escorpiano riu e tentou, mais uma vez, acertá-lo. Camus desviou, deslocando-se para o outro lado da cama; o cinto bateu forte no colchão.
— O que está tentando fazer?! – inquiriu, estupefato.
— Punir você, oras.
— Não gosto dessas brincadeiras, Milo.
— Vai gostar desta...
Tentou de novo acertar uma cintada no aquariano, que desta vez rolou pelo colchão para escapar, até chegar ao outro lado e pôr-se de pé. Ao fazê-lo, brandiu sua mão e usou sua telecinésia para atirar o namorado contra a cômoda; bateu com certa violência, derrubando alguns enfeites que a ornavam.
— Ouch... alguém aqui não sabe mesmo brincar... – analisou, rindo.
— Eu já disse que não gosto dessas brincadeiras.
— E eu já disse que você ia me pagar.
— Isso não tem graça, achei que já tivéssemos resolvido essa besteira.
Rápido como um raio, Milo praticamente materializou-se atrás dele, e desta vez, acertou-o com o cinto de couro, bem nas nádegas. O jeans protegeu-o de maiores danos, mas a força imprimida não impediu que o francês sentisse certa dor. Agindo sobre reflexo, ele tentou acertar uma cotovelada no grego, que se esquivou com presteza.
Camus cerrou os dentes, agora irado. O que o amante pretendia? Será que não entendi que ele não era afeito a tais jogos?
— Por que não pode simplesmente ser um bom menino, Camus? – perguntou, malicioso, enrolando o cinto na mão, como a preparar nova investida.
— Se não parar com isso, não vou me segurar mais, Milo, estou avisando – avisou, tentando manter-se frio.
— Não quero que se segure, Camus... não mesmo.
Deu um salto sobre a cama, que rangiu sonoramente. O aquariano já havia saltado para outro lado, escapando de novo impacto, e, furioso com aquela “brincadeira”, tentou acertar o grego com um chute. Rapidamente, Milo desviou, e o pé de Camus acertou a linda luminária “art noveau”, pulverizando-a, praticamente.
O escorpiano riu, e antes que pudesse tentar acertar o namorado, teve que se desviar de outro chute. Agora estava realmente irritando o francês.
— PARE JÁ COM ISSO! – ordenou ele.
Sem responder, desferiu uma cintada certeira nas costas do francês, que mal viu o outro saltar para o seu lado.
— Aaah!!! – aquilo doeu. E a dor impeliu-o a não mais se conter. Quando Milo tentou ir para cima dele, que caíra deitado na cama por causa do golpe, virou-se para cima e, fincando o pé em seu peito, arremessou-o contra um espelho na parede.
— AAHH! – gritou Milo, sentindo as costas baterem com força ali, espatifando a superfície vítrea. Caiu no chão de bruços.
— PARE AGORA MESMO, MILO!
Erguendo-se com dificuldade, o grego olhou-o, sorridente. Ainda tinha o cinto na mão. Disfarçando o desconforto, o francês recuou um pouco. Preparava-se para se levantar do leito quando Milo atirou-se sobre ele, em uma velocidade da qual simplesmente não dava para se desvencilhar. Ajoelhado sobre ele, prendendo-o por entre suas pernas vigorosas, agarrou-o pelos pulsos, circundando neles o cinto.
— O que está... – o aquariano mal podia acreditar.
Fechou-o, apertando bem, prendendo os pulsos do francês.
— Assim está bem melhor – disse o escorpiano, consciente de que o namorado poderia se livrar daqui sem o menor esforço, mas mesmo assim, querendo ver se ele “topava” enfim a brincadeira.
Alisou seu rosto, no qual ainda residia uma expressão de pretensa apatia, e desceu a mão pelo peito imberbe. Acariciou de leve os mamilos, terminando por apertá-los com o polegar e o indicador. Roçava, provocante, sua pélvis na do francês, que, ainda vestindo a máscara da fleuma, indagou:
— O que o faz pensar que eu gosto deste jogo?
— Sua ereção, que começo a sentir bater no meu pau.
Corando, Camus engoliu em seco. Virou o rosto para o lado, as mãos sobre o peito, “imobilizadas” pelo cinto apertado. Permitiu-se o silêncio, enquanto Milo explorava as partes descobertas de seu corpo, que já se aquecia ante aqueles toques inspiradores. Seu pescoço foi atacado por uma boca ávida, recebendo beijos e lambidas. Em determinado momento, foi sugado com força na junção com o ombro, exigindo que segurasse um gemido. Não queria dar esse gostinho tão cedo para o grego... seu queixo foi, um tanto ríspidamente, agarrado pela mão forte do escorpiano, que o forçou a encará-lo.
— Eu quero você, Camus... mais que tudo nesta vida.
Um “hunf” desdenhoso foi a resposta de Aquário. E um beijo abrupto, invasor, foi a contra-resposta. Os dedos de Milo seguravam-no firmemente pelo queixo, como se forçasse aquele beijo, mas a verdade é que, ainda que não demonstrasse, Camus JÁ havia embarcado naquele jogo. Saboreava o peso do corpo firme e rijo acima de si, controlando-se para não se mostrar receptivo... sua vontade era arreganhar logo as pernas e gritar que Milo entrasse logo fundo nele. Contudo, temeu por ainda estar um tanto dolorido pelas últimas vezes. Ainda que variassem as posições entre si, na maioria das vezes Milo era o ativo durante as relações, e esta não parecia que fugiria a essa tendência. Isso fez o aquariano travar um pouco.
Percebendo aquela hesitação, demonstrada em um súbito controle, Milo intensificou suas provocações, acariciando-o de maneira mais íntima. Chupou-lhe os mamilos, mordiscando-os até arrancar um gemido baixo do outro. Arranhava-lhe os flancos com as unhas, sentindo na pele fria os arrepio que se distribuíam e anunciavam que o francês não estava assim tão insensível como tencionava fazer acreditar. Camus arqueou as costas quando a boca de Milo passeou, aspirando e umedecendo a superfície com sua língua habilidosa, sua barriga, seu abdômen, por fim, mordendo-o na cintura.
— Aahhn... Milo...
Ao primeiro latejar de seu membro enrijecido, o grego desafivelou o cinto, abriu o zíper e sondou a intimidade ansiosa do francês. Meramente por aquela abertura, deixou seus dedos escorregarem ali para dentro, constatando a excitação do amante. Este, ao ser tocado, arqueou novamente a coluna, traindo seu intuito de manter-se impassível.
— Não quer se soltar, meu anjo? Parece preocupado com algo...
— Eu... eu não sei se quero fazer isso hoje... – confessou, o rosto afogueado confirmando que tratava-se de receio, e não falta de vontade.
A boca do grego foi até onde a calça jeans estava aberta. Aspirou a região antes de aspergir ali sua língua, umedecendo o tecido da boxer branca. Os dedos de Camus se fecharam mais nas mãos presas pelo cinto.
— Eu sei que seu CORPO quer... – começou a descer a vestimenta – logo você vai querer também.
Despiu o amante, primeiro tirando a calça jeans escura, e em seguida, a cueca branca. O pênis quase ereto parecia desmentir Camus, muito embora a preocupação em seu rosto fosse legítima.
— Milo... é que...
— Shhh. Eu sei exatamente o que é – falou, acariciando suas pernas torneadas, enfim livres de tanta cobertura – por isso, desta vez estou preparado.
Levantou-se e foi até a segunda gaveta da cômoda rachada de cima a baixo. Retirou de lá um tubo, voltando para o leito com ele. Enquanto Camus dirigia àquela bisnaga um olhar interrogativo, o escorpiano livrou-se de suas últimas vestes, revelando estar pronto para o que viria a seguir.
— O que é isso?
— Abra as pernas e saberá.
— Não vou fazer isso sem saber o que...
— Confie em mim – pediu, em voz baixa.
Hesitando brevemente, o francês fez conforme foi pedido e abriu as pernas. Milo pôs suas mãos por baixo dos joelhos do amando, fazendo-os flexionar. De pernas separadas e dobradas, o grego posicionou-se entre elas, ainda ajoelhado. Abriu o tubo e despejou uma substância gelatinosa nas mãos, esfregando um pouco. O coração de Camus disparou, vendo aquele ritual.
Milo abaixou-se, tomando na boca o órgão ereto com volúpia. Camus cerrou os olhos, deixando escapar um gemido alto. Sentir-se dentro da boca de Milo era sempre um acontecimento arrebatador, o amante sabia exatamente como fazê-lo delirar, parecia que iria engolir tudo de uma só vez. E então a pressão enlouquecedora se juntava àquele estímulo da habilidosa língua do grego.
— Huumm... ahh...
Sua masculinidade era sugada com inacreditável potência, desanuviando sua mente por completo. Foi quando sentiu o indicador deslizando-se pelo períneo, espalhando ali uma substância gelatinosa e fria. O dedo de Milo cerceou-lhe o ânus exposto pela posição em que se encontrava. Sua membrana foi atingida por uma sensação gelada. Os movimentos circulares em sua porta espalhavam aquela sensação, e inconscientemente, ele abriu mais as pernas, ansiando por mais. Era deveras delicioso.
— Ahhn... Milo, o que é isso?
— Ah, é uma coisinha que comprei...
— O-onde...?
— Lembra de quando depois do almoço fomos ao shopping perto do Centro de Convenções? Enquanto você estava com Saga naquela livraria, eu fui a uma lojinha muito interessante que descobri na Internet... – dizia, começando a inserir no orifício seu indicador melado com o tal produto. Tratava-se de um gel lubrificante anestésico e com propriedades estimulantes: causava uma sensação de resfriamento local muito agradável, logo passando para um ardor. O esquenta- esfria dentro de si fez com que Camus gemesse querendo mais daquilo. Sequer sentia dor, tão somente um mero desconforto, facilmente contornado pela distração da felação, pelo efeito dormente do lubrificante, e pela própria ansiedade em sentir. O esfíncter se contraiu prontamente, absorvendo ainda mais a substância gelatinosa. Camus suspirou, saboreando os efeitos por ela oferecidos.
Milo introduziu outro dedo no canal apertado, a massagem efetuada potencializada por misteriosas vibrações que lembravam pequenos choques. Camus se contorceu, gemendo alto, um tanto assustado com aquilo.
— AAAHH! M-Milo! O que... ahhn!
— Gosta disso, meu anjo? – estocava-o cada vez mais fundo, buscando o ponto específico.
— Eu... aah!!
— Diz que vai gozar na minha boca, diz...
O tal gel possuía em sua composição micro esferas que, com o contato do corpo após algum tempo – e neste exato momento estava no interior do francês – se expandiam, aumentando em muito as sensações de esquenta-esfria na região ; em seguida, causava as tais vibrações que simulavam choques elétricos. Todo ele tremeu com aquilo, por dentro e por fora. Camus quase explodiu de prazer quando Milo pressionou-lhe a próstata. O efeito alucinante triplicou-se e ele jogou a cabeça para trás em êxtase.
— Aaahh! Milo... eu vou gozar na sua boca... ahh...
Ao ouvir aquilo, o membro do grego latejou mais forte, o que resultou em uma aspiração mais potente no pênis inchado, que pulsou em sua boca. Socou os dedos no canal eletrizado, sentindo ele mesmo eletrizado de tesão por seu francês. Agoniado por não “poder” agarrá-lo imobilizado daquela maneira, Camus virou a cabeça de um lado a outro, à beira de um ataque. Uma gigantesca onda de prazer pareceu vibrar dentro dele, desde a cabeça, descendo pelo peito, pelo ventre, pelo baixo ventre, estacionando e expandindo-se ali até que ele gozou enlouquecidamente, desmanchando-se na boca do amado. Gritou, os espasmos sacudindo seu corpo suado:
—MILO!!! AAAHHH!!
O grego engoliu quase tudo, algumas gotas escapando devido aos movimentos convulsos do outro. Sabendo-o pronto, retirou de dentro dele seus dedos e preparou-se para penetrá-lo. Esfregou no próprio pênis um pouco daquele gel durante uma breve masturbação perante o jovem que ofegava sofregamente. Quase estourando de excitação, posicionou o falo na entrada úmida e em um único movimento entrou com tudo. Camus mordeu o lábio para não gritar novamente; mesmo sob o efeito analgésico, uma investida como aquela nunca era totalmente destituída de dor. Mas Milo parecia querer ouvi-lo gritar mais uma vez, então assim o fez.
As explosões elétricas em seu canal retal faziam Camus sentir à beira de um colapso, e o pênis grosso de Milo expandindo-se em seu interior ia e voltava, procurando tanto alargar mais o caminho quanto espalhar mais o estimulante. Ao cabo de alguns minutos, pôs-se a estocar sem trégua, espalhando mais e mais as incríveis sensações. O grego arremetia-se seguindo um ritmo constante, nem lento nem rápido demais, porém cada vez mais profundo. Quando fazia que ia tirar, conduzia o amante a um doloroso delírio. E então invadia-o de uma só vez. Ambos gemiam, ora baixo, ora alto, sequer se davam conta, o importante era que se entregassem àquele deleite que parecia tragá-los para a insanidade.
— Mi... Milo... aaahh...
— Camus... Ca... eu... eu adoro ficar assim dentro de você, meu francês, meu anjo... eu te amo tanto...
— Hummm...
Ergueu um pouco mais as pernas do aquariano, e bombeou mais rapidamente; sentia que o gel ajudava mesmo a dilatar o canal que estocava, por isso aumentou a velocidade e a força de suas arremetidas, suas virilhas e coxas chocando-se sonoramente, por elas correndo já liquefeito o gel agora quente. Também o escorpiano era agraciado com as fantásticas alternância de temperaturas e vibrações elétricas em seu órgão inflado e pulsante. Aquilo estava enlouquecendo-o, bem como as reações extasiantes do amado.
As contrações com que os músculos anais do francês passaram a praticamente mastigar o órgão de Milo sinalizaram o segundo orgasmo do aquariano, e, simultaneamente, conduziram ao do escorpiano. Bem que ele tentou conter, mas um grito rouco escapou dos lábios finos de Camus quando de seu pênis jorrou novamente o gozo, espargindo-se entre seus abdomens perfeitos; neste exato momento, o falo de Milo foi violentamente apertado no interior do namorado, e ele não mais pôde suportar, inundando o interior do amado enquanto gemia quase sufocado. Foi um orgasmo longo e partilhado, que os exauriu totalmente...
Milo tombou no colchão, a muito custo buscando retomar o ritmo normal de sua respiração. Da mesma forma, Camus, ainda com as mãos unidas pelo cinto, permanecia de olhos fechados, arquejante. Achegando-se a ele, o grego tomou seus lábios carinhosamente, enquanto desafivelava o cinto. Considerou os pulsos avermelhados, ainda respirando pesado, e beijou-os. Enfim, Camus pôde tocar seu rosto e puxá-lo para si, reiniciando o beijo amoroso e cúmplice.
— Milo... isso foi... incrível – era raro o aquariano declarar tal coisa, mesmo após o comprovadamente maravilhoso sexo que faziam.
— Eu disse que você não perdia por esperar – sorriu, encantando o outro. O sorriso de Milo definitivamente era o que de mais lindo havia neste mundo para o francês.
— É, você sabe bem como me “castigar”... – reconheceu, dando um leve sorriso. Ainda que tímido, da mesma forma, ao grego era o que de mais belo havia nesta Terra.
Parecia que, de fato, a felicidade dos dois não teria mais fim...
Adormeceram um nos braços do outro, entorpecidos pelo que viveram... horas depois, porém, acordaram e se assustaram com o estado do quarto.
Um espelho quebrado, uma luminária em pedaços, uma cômoda partida, rachaduras pelas paredes, enfeites caídos e alguns estilhaçados no chão...
— Por Atena! – exclamou Camus, tapando a boca com a mão, abismado com tal destruição.
— Espero que o dinheiro que recebemos da Fundação para nossos custos dê pra pagar isso aí – disse Milo, coçando o queixo.
— Ainda tem o box no banheiro – lembrou o francês, preocupado.
— Você paga TUDO. A culpa foi toda sua mesmo.
— MINHA! Você insiste nisso!
— Sim. Seu castigo começou desde aquela hora – concluiu o grego, despreocupadamente, voltando a deitar, de bruços, afundando o rosto no travesseiro.
— Hunf... me lembre de NUNCA MAIS salvar a sua vida.
Rindo, o escorpiano o puxou pelo braço, forçando-o a ficar bem junto a si. Depositou beijos pelo rosto dramaticamente contrariado do amado.
— Agora que te castiguei posso começar a te AGRADECER propriamente...
— Agradecer?!?
— Sim. Acha que sou algum mal agradecido? – retrucou, a voz quente e macia ao ouvido, enquanto a mão insinuante descia pelas costas do francês rumo ao final delas...
— MILO. NEM OUSE.
— Huumm...
— Milo! Não posso... ahhnn... não... humm...
Pelo visto, logo logo haveria mais estragos pelo aposento...
*************
A garrafa de vodca jazia no chão da varanda, praticamente vazia, assim como um devastado Surtr.
Encorajado pela avançada embriaguez, havia se dirigido, cambaleante, até o apartamento 605. Que lhe importava que no dia anterior tivesse sido praticamente escorraçado de lá? Não iria desistir de seu amigo, de sua paixão, do maior objeto de desejo de uma vida desprovida de maiores expectativas.
Tinha, sim, planos bem cruéis para o Santo.
Planos os quais NÃO gostaria de levar adiante.
Oh, Odin, se ao menos... se ao menos Camus falasse com ele... se lhe desse uma oportunidade de expor o quanto precisava dele, o quanto necessitava de sua presença, o quanto ele, Surtr, era tão mais indicado para ficar com ele, para fazê-lo feliz! Estava tão mais à altura do racional e ponderado aquariano do que aquele impulsivo e violento Escorpião!
Nunca teria feito Camus sofrer, menosprezando-o como o grego fez.
Nunca teria rejeitado Camus, como o grego fez.
Nunca teria levantado a mão contra Camus, como o grego fez.
Mordeu o lábio até quase feri-lo, no elevador, envolto em tais pensamentos.
“Por favor, Camus, me aceite. Eu NÃO QUERO ter que fazer o que pretendo fazer com você...
EU NÃO QUERO FERI-LO.”
Chegou ao sexto andar. Caminhou, vendo tudo rodar. Tudo silencioso... devia ser por volta de meia noite, talvez.
“- Camus. Eu não faço objeção. Se quiser falar com ele a sós, eu...
— Não. Eu não quero. Pelo menos hoje. É um dia de descanso. Talvez em outra ocasião."
Bom, era um outro dia, não?
A “outra ocasião” chegara.
O próprio Milo dissera não ver problemas em Camus conversar com ele. Não tinha o que temer. Sabia como convencer as pessoas... havia de fazê-lo. Pelos dois. Pelo BEM ESTAR de Camus.
Ao chegar à porta do apartamento, ficou com a mão suspensa no ar. Respirou fundo, buscando coragem para tocar a campainha.
De repente, ouviu um ruído estranho. Um gemido alto, longo, doloroso. Paralisou, sem distinguir se fora Milo ou Camus. Enquanto tentava entender, novo barulho, algo como um grunhido... uma exclamação. Seria possível que Milo estivesse AGREDINDO O SEU CAMUS, foi o que a mente ébria questionou. Piscando muito, encostou o ouvido na porta, a fim de desvendar o que ocorria. O escorpiano fizera menção de bater em Camus no piano bar de um hotel, o que o impediria de fazê-lo no quarto?!?
Pouco a pouco a preocupação foi esvanecendo do rosto de Surtr, dando lugar a outras expressões.
Primeiro surpresa. Depois... ÓDIO.
Porque aqueles claramente não eram gemidos de dor... bom, pelo menos não de uma dor “ruim”. Sim, ambos gemiam... então o silêncio reinava, e em seguida, um novo gemido elevava-se no calor do tórrido momento que partilhavam. Ouviu Camus gemer chamando por “Milo”, a voz do francês tão lasciva e sensual, que mesmo chamando por outro nome fez o asgardiano engolir em seco e lamber os lábios.
Exatamente como escutara há quase um ano, em Asgard. Quando os delírios de um Camus febril o provocaram a ponto de ele se atirar sobre seu corpo ardente e disponível. Seus lábios percorreram-lhe a pele macia, desembocando nos lábios aveludados, saboreando cada parte daquele sonho antigo... sentia em sua boca os gemidos baixos do aquariano... até que deles brotou o nome amaldiçoado...
Milo.
“Milo...”
Milo. Milo. MILO!!!
Contraiu os punhos na porta, apoiando ali a testa, derrotado.
“- É isso, não é? O nome de quem possui seu coração. Milo. Milo... repetia-o com tanta paixão...”, foi o que dissera.
E ali estava o seu grande amor. Mais uma vez... repetindo-o com a mesma paixão.
A mesma, não.
MUITO MAIS DESENFREADA. Ardorosa. Lúbrica. Imoral.
— Aaahhnn...
“Imoral” franziu grosseiramente as sobrancelhas vermelhas. Pisando pesado, retirou-se, lépido, dali.
Dirigiu-se de volta ao seu flat, a embriaguez sendo aplacada pela ira que queimava suas faces e suas pálpebras úmidas.
Atirou-se ao telefone, apertando a opção “chamadas realizadas”.
O celular de Derrick vibrou no bolso de sua calça de linho. Ele o pegou; surpreendeu-se ao ver o nome na tela. Afastou-se um pouco dos outros três recepcionistas. Era uma noite bem tranquila.
— Alô.
— Escute, preciso que venha já aqui – demandou o asgardiano, sem nem ao menos cumprimentar o rapaz. Que não se importou realmente com isso:
— Algum problema em que eu possa…
— Você é surdo? – interrompeu-o, exasperado – Eu mandei vir aqui, não continuar conversando!
O sul-africano virou-se para os demais funcionários; um preenchia uns papeis, outro estava mexendo no celular, o outro permanecia de pé observando a entrada do hall, atento à chegada de algum hóspede. Voltou-se mais para o canto, perto de uma planta ornamental quase de seu tamanho.
— Eu sinto muito, senhor Surtr, mas é que não posso deixar a recepção agora. Estou em meu horário de trabalho e...
— DÊ O SEU JEITO. É coisa rápida.
E bateu o telefone na cara do jovem.
O que ele estava fazendo?
Pôs-se a dar voltas pela sala, tal qual uma fera enjaulada o faz sob tensão. Levou as mãos aos cabelos avermelhados, fechando-as neles, a ponto de arrancá-los. Lágrimas quentes ameaçavam cair, porém ele as segurava com obstinação: não queria que o recepcionista o visse chorando MAIS UMA VEZ!
Mas... por que o chamara mesmo?
Que lhe importava... se MAIS NADA IMPORTAVA!!!
Neste meio tempo, Derrick guardou seu telefone e pensou rapidamente.
— Pessoal, preciso ir ao banheiro, vocês me cobrem aqui?
— Você foi ao banheiro tem nem uma hora, Derrick – observou o colega, que jogava no celular, com o cuidado de deixar no mudo.
— Não sei, Eddie, não me sinto bem... estou assim desde ontem. Vomitei, tive febre... – mentiu.
— Sério? Cara, devia ter ido ao médico, por que veio assim?
— Eu ganhei uma folga adiantada amanhã por ter dobrado no sábado. Achei melhor não atrapalhar isso, sabe... e não achei que fosse continuar assim...
— OK, vai lá, tá tudo meio morto mesmo por aqui – o jovem que preenchia documentos falou, sem deles erguer o rosto macilento.
— Valeu, não demoro – garantiu, apressando o passo como se estivesse, de fato, com pressa de chegar ao toalete.
Aquela pressa, não obstante, era necessária. Só que ao invés de seguir pelo corredor que levava aos banheiros e vestiários dos funcionários, Sirham tomou o elevador de serviço que muito providencialmente já se encontrava ali no térreo. Teve medo pela câmera de segurança; um de seus colegas poderia vê-lo, mas todos pareciam tão ocupados para ficarem observando câmera de elevador de serviço... qualquer coisa, inventaria algo. Eram parceiros, afinal de contas.
Chegou ao quarto andar e foi até o apartamento 402. Tocou a campainha apenas uma vez. A porta não demorou a abrir.
— Entre – ordenou, seco.
Em silêncio, o negro obedeceu.
O ruivo parou em frente a ele, seus grandes olhos magentas faiscando sob alguma emoção que Derrick não conseguiu discernir.
— Senhor Surtr...?
Foi com imensa dificuldade, a ponto de fazer sua voz sair rouca, que o mais velho disparou:
— Não faça pergunta alguma. Apenas... apenas me beije. Me beije daquele jeito que... que você...
Imediatamente, as mãos grandes e escuras fecharam-se em seus braços alvos. Os olhos negros do sul-africano estacionaram nos mais claros, percebendo suas córneas avermelhadas... seu hálito recendia a álcool, ainda que ele parecesse sereno... talvez apático.
E os lábios grossos e extremamente macios do jovem tomaram de assalto a boca do menor, que estremeceu da cabeça aos pés. Suas pernas bambearam durante a exploração de sua cavidade úmida, ansiosa, responsiva. O beijo, tão profundo e voraz, quase exterminara o ar que Surtr respirava. Desvencilhou-se, apenas para reabastecer seus pulmões e ofereceu-se mais uma vez, lânguido. O som de suas respirações aumentava de volume, tornavam-se mais rápidas, e quando as mãos de Derrick, que massageavam a nuca e a cintura do ruivo tencionaram tocar de maneira mais intimista o corpo do estrangeiro, este se separou bruscamente dele. Agora distante, ofegava pesadamente, já com saudade do calor daquele imenso corpo negro.
— Senhor Surt...
— Era... e-era só isso... – procurava se recompor. Passou a mão por uma mecha que caía por seus olhos – Pode retornar ao seu... trabalho.
Diminuindo a distância entre eles, o jovem levou a mão até a mecha rebelde, ajeitando-a. E deslizou seus dedos por entre os cabelos, acariciando-os suavemente. Sem se dar conta disso, o ruivo chegou a fechar os olhos, embevecido com aquela carícia.
— Escute. Amanhã estou de folga. Não quer sair comigo à noite? — Sirham indagou, calmamente.
Surtr voltou a abrir os olhos, ao ouvir tal proposta:
— Como é?
— Bem, sei que pareço abusado por convidá-lo assim, mas... acredito que o senhor esteja cansado de ficar enfurnado neste hotel.
Uma risada não de hilaridade mas de acre desdém foi a resposta. No entanto, havia algo forçado nela.
— Essa foi a coisa mais estapafúrdia que ouvi nos últimos tempos – Surtr fazia que perderia o fôlego de tanto rir – Acaso pensa que estamos tendo algum tipo de relacionamento para... para me convidar para sair?!?
— Penso que o senhor talvez precisasse respirar novos ares um pouco, apenas isso – respondeu, como se não se importasse com aquela desfeita — Conheço um restaurante excelente, acho que o senhor iria gostar.
O riso foi cedendo lugar a um ar de curiosidade. Intrigava-o aquela aparente insensibilidade do africano ao pouco caso que lhe era dirigido. Seria real... ou apenas uma máscara? Ou…
Ficou subitamente sério.
— Hum. Um encontro, é o que me propõe? – indagou, simulando indiferença.
— O senhor dê o nome que quiser. Eu estarei de folga, pretendo dar uma volta. O senhor ainda não fez um único passeio pela cidade, ao que tudo indica.
Surtr cruzou os braços, dando alguns passos pela sala.
— Posso vir buscá-lo de carro a que horas, então?
— Quem disse que concordei? – replicou o ruivo, com cara de poucos amigos.
— Poderíamos também conversar acerca dos seus planos de vingança contra o Cavaleiro do gelo.
— Hum – o asgardiano sorriu, maldosamente – Não é que parece até que você sabe que já bolei um plano para acabar com o namorico dos dois?
— Não vi o senhor chegar da Conferência junto com os participantes hospedados aqui, tampouco com seus amigos...
— “Amigos”... – murmurou Surtr, virando o rosto.
— ...como deve ter ficado aqui o dia inteiro, imagino que tenha pensado em alguma coisa para fazer o que pretende.
— Sim, sim, de fato... você é muito perspicaz, garoto, sabia disso? Realmente... – aproximou-se dele, como um gato se aproxima de alguém esperando ser acariciado — ...acertei em cheio na hora de escolher meu “espião”... e meu aliado...
— E seu iniciador sexual – apontou Derrick, acariciando o rosto trocista do ruivo.
— Hum. Não se sinta tanto. Não é como se eu fosse um virgem – rebateu, apreciando aquele carinho, aquela proximidade.
— Mas nunca havia sido possuído – sussurrou o negro, muito junto à sua boca, o que lhe provocou arrepios na base da espinha – então, nesse ponto... sim, o senhor era um virgem.
Um suspiro escapou do pretensamente desinteressado Surtr. Estalos estranhos em seu estômago... fitou o mais novo com gravidade antes de dizer:
— Nove horas. Estarei na entrada do hotel às nove horas. Deixe a janela abaixada para que eu saiba que é você. Eu irei até seu carro.
— Perfeitamente.
— Hunf. Eu só espero – riu, provocante – que seja um automóvel à altura da minha presença.
— Um Lamborghini Gallardo LP 560-4 Spyder está bom para o senhor?
O asgardiano sequer conhecia o carro de 300 mil dólares. Deu de ombros a fim de não entrar naquele assunto: do jeito que o recepcionista se referira à marca do veículo que possuía, não haveria de ser nenhuma carroça.
— Certo. É bom que não se atrase. Cinco minutos de atraso e eu...
Foi calado por um rápido beijo do mais novo. Derrick sorriu, dando um último selinho nos lábios de um atônito Surtr.
— Um atraso está fora de cogitação. Até amanhã, senhor Surtr. E... por favor, não beba mais por hoje. Bom descanso.
O ruivo pensou em perguntar quem aquele insolente pensava que era para lhe dizer o que fazer, entretanto, nada mais pôde preferir, perdido entre a sensação do beijo e a impressão do belo sorriso do jovem. Viu-o se retirar, ainda imóvel. Condenou-se internamente por se mostrar tão suscetível a um reles recepcionista. Todavia... o que mais ele tinha a perder?
Nada. Absolutamente NADA.
Sequer seu cargo de Guerreiro Deus era considerado, uma vez que... caso seu estratagema fosse descoberto... dele seria DESTITUÍDO, sem a menor dúvida.
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