O Bosque
2 Encontro com uma Ondina pode mudar o rumo da vida.
Eu não entendo o que ele quis dizer com o aviso, assim que cruzei a ponte pude ouvir a voz clama e feminina; estava cantando, me chamando, buscando um modo de me puxar para dentro... dentro do lago.
“Hoje o dia esta fora do comum,
Há algo de novo no bosque,
Venha ate nós, e nos mostre suas habilidades,
Não tenha medo,
Eu te darei o que mais desejas,
Apenas venha ate mim,
Seja meu,
E eu serei sua proteção,
Eu me sinto tão sozinha,
Será que você pode estar ao meu lado,
E sob as estrelas e a lua, lhe darei tudo que anseias.”
A voz tão hipnotizante me fazia querer pular na água, fui chegando perto da borda da ponte e olhei para dentro do rio; pude ver de onde vinha a voz, minha pequena cantora era uma seria, não pude acreditar que estava olhando para uma seria, ela tinha os cabelos azuis claros, a pele branca e a cauda de um tom de esmeralda, que quando batia a luz do sol, parecia um punhado de rubis engasgado na extensão da cauda.
Ela era divina, tinha os olhos verdes mais lindo que eu já vi, e sua voz era como estivesse ouvindo os sons mais belos da natureza cantando para o meu deleite.
-Mas que bela criatura é você?
-Estás fascinado por minha beleza?- confirmei com um aceno de cabeça.- Venha tocar-me, vem provar se és real, estou querendo seu toque.
-Doce criatura, tocar-lhe seria como roubar-lhe a pureza, deves permanecer assim.
-Venha meu pequeno jovem,
Que tao pouco sabe do mundo,
Que antes o levem,
Para um lugar tao imundo,
Deves ficar,
Fique comigo, conhecerá outras,
Deixe sua vida ante esta nova para trás.”
Novamente ela começou a cantar, e com isso a me seduzir com seu canto e sua beleza. A voz da sereia era tentadora, eu teria de ser forte para agüentar a tentação, havia muito mais há explorar.
“Não confie no que vem da água”. De repente as palavras da placa fizeram sentido, era isso que ela estava querendo me alertar, não deveria me entregar aquela seria, teria de ser mais forte do que o desejo de ter-la.
Pude sentir suas mãos puxando meu corpo para dentro da agua, eu já estava sentado a beira do lago. Suas mãos eram leves, com pequenas partes que pareciam serem feitas de escamas.
-Não.- Eu gritei me desvencilhando das mãos molhadas.
-Porque? Voce não quer?- Realmente sua voz era hipnotizante.
-Não vou-lhe enganar, eu quero, mas de uma coisa eu sei, que querer nem sempre e o caminho mais certo. Não devo ir com voce, mesmo que essa proposta seja tentadora.
Comecei a levantar, virei-me uma ultima vez, olhei para a seria, ela estava com um olhar de tristeza, sua cauda estava num tom de vermelho.
-Sinto muito.- Virei-me e comecei a me afastar, mais ainda pude ouvir a seria cantando:
“Espero que sua jornada, viajante
Seja repleta de bênçãos,
Que voce tenha mais sorte
Do que aqueles que caíram no caos.”
-Acho que devo agradecer o aviso.- Quanto mais eu me afastava da ponte, eu ia tendo apenas um certeza. Eu não poderia voltar atrás.
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