Notas iniciais
Gente escrevi em 20 minutos, me desculpem se não for dos melhores, mas hoje o dia foi corrido. Sugiro que ouçam "I Remember You" by Skid Row. (Uma das minhas bandas favoritas, até a saída do Sebastian, alias..Sebastian, te amo coisa gostosa). Parei. Enjoy!

Você que tem que me dizer Gina, você estava com o Ferdinando ontem a noite?

Então Gina, estava ou não estava?– A professora insistia.

Ara! Mai a sinhora ta mais é besta?– Ela ameaçou sair do quarto.


Não, eu não estou besta, e muito menos sou burra. Você não estava desmaiada como fez que seus pais pensassem, e ai o Zelão me conta que viu o Ferdinando chegar no meio da noite, é de se pensar não concorda?– A professora dizia para uma furiosa Gina.


Não, ieu num concordo caso de que ieu to brigada com o Ferdinando, o que ieu ia ta fazeno com ele? Ara! Mai a sinhora tem cada história.– Ela dizia aos risos tentando passar por cima de qualquer suspeita.


Esta bem, eu vou acreditar em você, por mais que ache que esta história está muito da mal contada, mesmo assim, prefiro acreditar em você - Juliana dizia se encaminhando para a porta. — Mas você sabe que pode confiar em mim, qualquer coisa que queira contar, eu estou aqui.– ela disse fazendo o coração de Gina ficar apertadinho com o sentimento de traição. Logo depois ouviu os passos da professora descendo a escada. Deitou-se na cama suspirando longamente, como havia se metido em tamanha encrenca?


Gina acordou antes mesmo do sol nascer, hoje iria até a cidade das Antas com Ferdinando, e Juliana insistiu para que ela usasse o vestido, ela estava nervosa, ele nunca tinha a visto arrumada, começou a questionar-se pela primeira vez o que um homem como ele poderia ter visto nela? afinal, não tinha nada demais, não era como a professora Juliana por exemplo, que arrancava suspiros de todos.

Lembrou-se de quando eram crianças e Ferdinando vivia na fazenda do pai, várias vezes brincaram juntos, não pode conter um sorriso ao lembrar como ele era metidinho, desde criança. Quando ele voltou a vila, viu seu olhar para a professora, achou que acabariam namorando, mas o doutor Renato chegou e nada aconteceu realmente, pelo menos era o que achava.


Não sabia o porque dele dizer aquelas coisas a ela, que lhe queria bem, que gostava dela. O que afinal o rapaz queria?

Levantou-se da cama para acordar a professora que ainda dormia, precisava se arrumar, ele viria logo cedo, e queria estar pronta, por mais que não ligasse pra essas coisas, gostava de pensar que Ferdinando pudesse talvez acha-la tão bonita como sabia que ele achava a Professora, como todos achavam. Deu uns tapinhas no rosto da professora quando viu que não tinha jeito de acorda-la sendo delicada, e então ela despertou num pulo, assustando Gina.

Ara professora, precisava me assusta assim sô? - ela dizia com a mão no coração.


Eu te assustar? Você que me assustou Gina– ela olhou para os lados parecendo procurar algo — ora essa, porque me acordou, olhe– ela apontou para janela — ainda nem clareou o dia. Deixe-me dormir Gina.– ela terminou deitando-se novamente.


Professora, a sinhora levanta causo de que ieu preciso da sua ajuda– ela falou indo até o armário e de lá tirando o vestido. Juliana levantou os olhos encontrando nas mãos de Gina aquele vestido que a ruiva tinha ganhado de Ferdinando, demorou a compreender o que se passava, mas a moça resolveu explicar. — Ara Juliana, hoje ieu vô pra Anta com o Nando, a sinhora vai me arrumar.– ela disse como se fosse a coisa mais normal do mundo, seria, se a ruiva fosse uma mulher normal.


Deixa-me ver se entendi– Juliana disso levantando ao encontro da ruiva. — Você quer minha ajuda para arruma-la? - meio a contra-gosto, Gina confirmou — Veja só, parece que o nosso querido Ferdinando anda balançando esse coraçãozinho..


Ocê repete isso e ieu num vo mais - Gina disse jogando o vestido em cima da cama e andando de um lado para o outro.


Acalme-se minha amiga, venha, sente aqui– a professora pediu fazendo sinal para cadeira, iria maquia-la. — Eu vou arrumar você, quero só ver a cara do Ferdinando quando te ver.

Ferdinando acordou assim que o dia estava claro, e o sol impunha-se janela a dentro, fazendo com que seus olhos ardessem, era hora de levantar.


Ele arrumou-se rapidamente com fazia todos os dias, caprichou mais hoje pois além de uma tensa conversa que teria com o prefeito das Antas, Gina iria junto, e ele tinha que estar no minimo apresentável, adorava ver quando a moça lhe olhava de forma desejosa, da mesma forma que a olhava.


Então Ferdinando, já vai lá pra cidade das Anta?– Era sua madrasta perguntando assim que sentou-se a mesa do café.


Vou sim Catarina, aliás tenho que me apressar para não chegar atrasado já que tenho parada antes de seguir direto pra lá.– Ele falou enquanto tomava seu suco.


Ocê ainda num desistiu daquele mardita história de levar a diaba da fia dos Falcão?– Era seu pai. — Mai ocê ta com a cabeça donde Nandinho?


Não meu pai, ieu não desisti, e ocê fique sabendo que minha cabeça esta na boquinha doce daquela diaba– Ele disse fazendo com que seu pai quase desse um pulo da cadeira, e recebeu olhares severos de sua madrasta, sabia que seu pai não gostava da ideia de ter a ruiva com ele pois achava que Gina não era mulher pra ele. Porém não entendia o porque de sua madrasta ser contra. Mas isso não era problema a ser resolvido agora. Pegou um pedaço de bolo enquanto via seu pai quase engasgar-se com o suco. — Agora ocês me dão licença que ieu já to atrasado. Inté.– ele disse saindo sem esperar resposta.

Bom dia Zelão– ele disse ao capanga que já lhe esperava do lado do carro, era estranho mais gostava do homem, ele parecia ser honesto, e admirava seu amor pela professora, tanto que estava disposto a ajuda-lo.


Bons dias patrãozinho– riu da forma que ele lhe chamava, mas estava curioso.


Então, como foi ontem com a dona Juliana?– Perguntou contornando o carro para fazer carinho no cavalo do capanga.


Ara patrãozinho, ieu num sei o que acontece com ieu, toda vez que to perto dela, ieu sinto meu coração ficar pequenininho– ele dizia colocando a mão em cima do peito — e aquele fedor de cheiro bom que inhela tem, ara, mai ieu tenho tanto amor naquela mulher– Ferdinando sentia-se sensibilizado pela forma que aquele homem bruto visto por muitos, tinha o coração derretido pela professora. Ele torcia para que ela enxergasse isso de uma vez por todas, gostava muito de seu amigo Renato, mas conhecia o amigo, e os sentimentos dele pela professora, não se igualavam nem uma lasca perto dos que o capanga tinha no peito. — Sabe douto, ieu sinto que inhela ta gostando deu, ieu sei que vou te ela preu.– ele terminou, assustando um pouco Ferdinando pela forma como tinha dito.


Sabe Zelão, eu acho que você tem um belo coração, e que a professora não faria jus ao cargo dela "professora" alguém que sabe de praticamente tudo, acho que ela faria um papel ao contrário se não perceber o bom homem que a ama tanto como ocê mermo diz.– Ele falou sinceramente — Mai, ieu também acho que ocê tem que ser mais controlado, da maneira que fala pode acabar assustando a dona Juliana, e isso não seria bom concorda?– ele disse tentando alertar o capanga.


Ieu sei patrão, o vo tenta, ieu morria se aquela prefessorinha ficasse com medo deu.– ele dizia pensativo.


Ora, não diga bobagens homem, ocê tem que ta bem vivo pra conquista-la como quer, não é verdade?– viu Zelão concordar com um aceno — Pois bem, agora vamos, nós dois temos um encontro com nossas "amadas" num é mermo?– ele dizia aos risos entrando no carro enquanto o capanga subia em seu cavalo.


Simbora patrãozinho– Zelão disse.

Ferdinando não acreditou no que seus olhos viam, ele sempre soube da beleza da moça, mas mesmo assim sentia como se tivesse a vendo pela primeira vez.


"Apresento a vocês, a princesa Gina" foi como a professora tinha dito antes da ruiva aparecer no topo da escada, ele não continha o sorriso radiante em seu rosto, se tivesse de guardar na memória uma imagem pelo resto de sua vida seria essa, a de Gina descendo lentamente as escadas ao seu encontro, sim pois havia metido-se na frente dos pais dela, ficando degraus a cima, tamanha ansiedade de te-la perto.


Já tinha visto o vestido, mas nem de longe parecia aquela simplória peça que tinha lhe dado, no corpo da ruiva tinha virado algo sobrenatural, tinha certeza que se o visse no corpo de qualquer outra mulher não teria significado algum, mas no corpo de Gina era como um tesouro, algo que precisava ser preservado, ele observou cada detalhe, decorou cara parte do tecido que colava-se a ela como uma segunda pele.


Era de um verde musgo, quase relva, cada vez que olhava tinha certeza que havia acertado, parecia ter sido feito para ela, desde o corte até a cor que contrastando com sua pele, parecia vestir um corpo nu dentro de um carvalho em forma de seda, era simplesmente perfeito, cada parte, e por inteiro.

As pregas que arrastavam-se ao chão fazendo com que a moça parecesse estar flutuando, o corselet que grudava-se ao tronco da ruiva, marcando sua fina cintura e destacando seus seios, aqueles que a poucas horas estavam sendo degustados por sua faminta boca. Ele abria-se e rodava em torno dela de forma tão graciosa, levaria uma vida toda pra definir em palavras o quão deliciosa era aquela visão.


Ocê ta mermo parecendo uma princesa Gina– disse assim que a ruiva estava um degrau acima do seu, tão próxima que o ar havia sido desfeito de seus pulmões, era sempre assim quando ela se aproximava.

Ela o olhava daquela forma singela, tão dela e que só cabia a ela, daquela forma que sabia ser o único dono, aquele olhar que sabia ser só seu, um olhar de desejo enrustido, aquele que nele era demasiado escancarado, a moça tinha todo o auto-controle que a ele faltava, mas não se importava, sabia que ela sentia-se da mesma forma em relação a ele, ou pelo menos preferia acreditar que era assim.

Olá Zelão– Juliana disse assim que viu o capanga a esperando do lado de fora da casa dos Falcão, Gina já havia saído de carro com Ferdinando, e ela estava de partida para a escola.


Ieu posso lhe acompanha, prefessora? - Ele lhe perguntou naquela maneira galante de falar que lhe tirava o ar.


Claro que pode, faço muito gosto.– Ela disse, logo em seguida segurando no braço de Zelão, começando então o caminho até a escola.


Ieu tive uma prosa com o douto Ferdinando hoje, logo cedinho– ele começou — e o tenho cá pra ieu que o patrãozinho é um moço muito bom.– ele disse sorrindo, ah aquele sorriso.


O Ferdinando é mesmo um moço muito bom, eu torço para que ele e a Gina se acertem, ele gosta mesmo dela, e eu acredito que ela também gosta dele.– ela disse sonhadora, focando agora no romance de sua amiga, acreditava mesmo em um namoro entre eles, no começo tinha suas duvidas, mas agora sentia que os dois se gostavam.


Como a sinhora gosta do douto Renato? - a pergunta de Zelão a trouxe de volta, assustando-a.

Além das afirmações de Gina, ninguém havia lhe questionando sobre seus sentimentos para com o doutor. E agora, quem justamente lhe fazia a pergunta? aquele que havia posto uma duvida em sua cabeça, aquele que tirava de si suas noites de sono, deixando seus pensamentos presos a ele. Não poderia responder tal pergunta, não queria dizer a verdade e dar esperanças a Zelão, seus sentimentos por ele eram fortes demais para faze-lo sofrer.


Isso é algo pessoal meu caro, eu não posso lhe responder.– ela disse parando um minuto para olha-lo — Só posso dizer-lhe que o amor de verdade, esse de que todos falam, esse tal nunca tocou meu coração, não ainda.– "Não até agora" ela terminou em pensamento, não poderia deixar que ele soubesse a verdade. Mesmo cortando seu coração vê-lo com os olhos marejados ao receber tal noticia, não poderia maltrata-lo ainda mais, seria cruel. — Mas vamos mudar de assunto– ela enxugou com uma das mãos as lágrimas que escorriam pelo rosto do pobre, sentia seu coração partido ao vê-lo desta forma, as vezes achava que afastando-se dele seria a melhor maneira de resolver tais angustias, mas mesmo sabendo que suas atitudes eram egoístas, não poderia deixar de vê-lo, porém, não poderia também admitir que seu coração batia por ele.

Zelão sentiu as mãozinhas da moça dos cabelos rosas tocar seu rosto, enxugando as lágrimas que insistiam em cair, ela nunca tinha amado, foi isso que acabou de dizer-lhe, ele não sabia ao certo se aquilo era bom ou ruim, não amar ninguém ao mesmo tempo sendo algo ruim, também era bom, já que não era amor o que ela sentia por aquele doutorzinho.


Mal sabia ele que o amor tinha sim tocado aquele coração sutil e delicado, mal sabia que aquele coração já tinha dono. E sabia menos ainda que o dono era o verdadeiro merecedor de tal amor.


Um sino tocou ecoando por toda a vila, Zelão e Juliana seguiam de braços dados para a escola, a coisa mais certa a se fazer. Aquilo era sim um aviso, o amor tinha chegado, só precisava ser reconhecido.

Notas finais
E aí? Como será que essa ida para a cidade das Antas irá se desenrolar? E Juliana? Será que vai admitir para si mesma seu amor por Zelão? XoXo