Notas iniciais
Bom pessoal, eu sinto muito em dizer isso. Este capítulo como sabem demorou a sair pois queria que fosse grande e completo. O motivo é que infelizmente, eu não tenho certeza sobre continuar com a fanfic, não porque não tenho ideias, continuação ou amor pelos personagens, mas porque como vocês sabem, me esforço o máximo para escrever algo que vocês gostem, e percebi que várias pessoas que acompanhavam desde o inicio, acabaram sumindo. Algumas que me recordo muito bem de ter comentários a cada capítulo. E outra coisa que vem me deixando chateada, é o fato de eu fazer o possível para postar todos os dias, mesmo tendo uma vida, trabalho, escola. E tenho recebido cobranças, quando demoro a postar, ou cobranças de que o capítulo esta muito pequeno. Vocês tem de entender que eu não posto uma vez por semana para escrever um capítulo de dez mil palavras, eu tenho coisas a fazer e mesmo assim fico madrugada a dentro preparando cada capítulo a ser postado no dia, para não deixar vocês na mão. E ver esse tipo de cobrança me chateia, e pior, ver que muitos deixaram a fic me desanima. Então é isso, estou deixando na mão de vocês, só depende disso. Vocês que decidem. Sugiro que ouçam nas partes Ginando: "Somebody Like You" Keith Urban ou na versão do Tate Stevens (acho que combina com eles, uma música mais country) E nas partes Zeliana ouçam: "Patience" Guns N' Roses (minha banda favorita, meus amores que me fizeram a acreditar em mim mesma, me salvaram de ser uma completa idiota). Enjoy!

Gina estava sentada no sofá logo atrás de Ferdinando, esperando para que aquilo tudo acabasse rápido e fossem logo embora, toda vez que ouvia uma frase feita do prefeito dava uma risadinha, não tão baixa para que o próprio ouvisse, era claro para todos sua antipatia para com ele.

Em nenhum momento ele havia se dirigido a ela, a conversa estava concentrada ali entre ele e Ferdinando, e ela se perguntava como o moço conseguia ter o sangue tão frio pra engolir todas as falsas promessas e sorrisos que o prefeito o lançava. Mas não podia dizer nada, como Juliana havia lhe alertado, ficaria quieta a não ser que fosse chamada para entrar na conversa, o que não demorou muito a ser feito.

Agora doutor. Ferdinando, ieu posso sabe do sinhor o que esta..- deu uma olhada de cima a baixo em Gina– moça..faz aqui com o sinhor? — Ferdinando virou para trás dirigindo aquele lindo sorriso a ela, mas isso não fazia diferença agora, viu a maneira com que aquele prefeitinho havia lhe olhado. Ia dar uma bela de uma resposta, mas Ferdinando foi mais rápido.

Ora prefeito, a Gina está aqui como o senhor pode bem ver, me acompanhando. — ele disse por fim, antes que falasse mais do que devia. Viu Gina fungar atrás de si como que confirmando.

Assim, ieu num pude nem reconhecer, nem parece a filha do amigo Pedro Falcão — ele dizia a analisando, o que deixou Ferdinando bem desconfortável. — Ieu bem que me lembro como fui expurso da sua casa mocinha — ele dizia agora dirigindo-se a ela — a base de tiros, ié um milagre ieu ta vivo agora para conversar com o doutor. — ele disse voltando-se a Nando, que estava vermelho, segurando-se para não rir.

Ara! Mai o sinho bem que mereceu — Gina se pronunciou pela primeira vez, puxando os olhares de todos pra ela, inclusive de um nervoso Ferdinando — e lhe digo mais, se o sinho ofende meu pai de novo, dessa veiz ieu num vo erra. — Ela disse levantando-se.

Ah..bem..isso são águas passadas — Ferdinando começou vendo o rosto do prefeito passar por todas as cores diante da valentia de Gina. — Mai acho que nossa conversa se encerra aqui não é mesmo? — Disse virando o rosto para uma irritada Gina, ela penas confirmou, o prefeito também o fez, parecia que não teria mais condições para mais prosa. — Bom, acho que estamos entendidos, vamos fazer uma campanha limpa. — ele disse estendendo a mão para o prefeito, que meio contrariado aceitou — Inté.

______

Ferdinando estava hipnotizado. Quando sugeriu a ruiva que fossem até a sorveteria, tinha como um passei inocente, porém agora, percebia o quão redondamente enganado estava. Aquilo de gelado não tinha nada, era o inferno, e todo seu corpo concordava com tal definição.

Seu sorvete derretia na taça, não estava preocupado com ele. Seu olhar estava todo voltado a moça. Ela parecia não notar o quão perigosamente todos seus gestos a partir da primeira colherada eram extremamente excitantes. Ela parecia calcular cada movimento, desde o sorvete que não era depositado inteiramente na boca, apenas a maior parte, pois o pouco que sobrava na colher, ela fazia questão de lamber como se sua vida dependesse daquilo. Até a parte em que deixava escorrer um pouco para os lábios, onde passava com a língua para não deixar que nada escapasse, ela tinha um sorriso no rosto enquanto fazia isso. Não tinha notado os olhos pouco inocentes de Ferdinando para ela, pelo menos, não até agora.

Ferdinando mantinha as duas mãos embaixo da mesa, sobrepostas em cima da parte mais sensível de seu corpo, parte essa que estava sendo covardemente provocada. Ninguém poderia vê-las naquele local, principalmente Gina, ela parecia nem se importar, seus olhos estavam inteiramente focados no sorvete. Ele mordia os lábios toda vez que ela fazia movimentos circulares com a língua na colher, sua imaginação ia longe ao pensar onde aquela boquinha poderia estar trabalhando.. Ora essa, o que estava pensando? Estava tornando-se um pervertido, e a culpa era toda dela que só fazia provoca-lo. Foi tirado de tais pensamentos quando ela chamou sua atenção, passando as mãos em frente seus olhos.

Ocê ta bem Ferdinando? — ela dizia sem entender a cara de tapado que provavelmente ele deveria estar.

Ieu..ieu to — ele respondeu tentando focar em qualquer outra coisa que não fosse a boca dela, mas seus instintos não o permitiram ir tão longe, prendendo seus olhos ali, pouco a baixo dos lábios da ruiva, onde um pouco de sorvete estava, certamente ela não tinha percebido. Ele não conteve sua mão que dirigiu-se direto ao queixo da ruiva, limpando com o dedo o local onde estava a gota de sorvete, Gina se retraiu um pouco na cadeira, sem entender nada.

Ara, mai o que é isso? — ela perguntou tentando parecer furiosa, na verdade, tentando esconder o arrepio que transpassou seu corpo ao sentir o leve toque.

Se acalme Gina, ieu só limpei um pouco de sorvete que a senhorita deixou escorrer — ele respondeu para logo depois lamber o dedo, saboreando não só aquela gotinha doce, como também o gosto de Gina.

Ieu, ieu acho que é mió nóis ir simbora, a mãe e o pai já devem de ta preocupado com nóis. — Ela disse tentando disfarçar a vontade que sentiu naquele momento de beijar os lábios de Nando, lábios esses que agora se encontravam vermelhos e molhados após uma boa colherada do sorvete. Seu corpo todo tremeu com a ideia, ficou observando por uns dois minutos enquanto ele comia apressado o sorvete que parecia até então intocado.

Vamo, vamo simbora — ele disse ao se levantar, colocando o colete e a cartola — Mai ocê vai ter que andar de braços dados comigo Gina — Ele falou estendendo o braço para ela.

Ta bão, ta bão, mai vamo logo — ela falou, já estava sem desculpas a serem inventadas, não adiantava dizer não, Nando não engolia e continuava insistir até que ela cedesse, pois bem, era mais fácil dizer sim logo de cara. Esse sim que o deixou com um sorriso de orelha a orelha, ela adorava ver aquele sorriso, perguntava-se se não era por isso que estava fazendo todas suas vontades, apenas para ver aquele sorriso.

______

Zelão estava na porta da venda de seu Giácomo, conversava sobre a tal candidatura de Ferdinando a prefeito, o italiano parecia bem animado, dizia que todos estavam na verdade, viam finalmente o progresso a chegar na pequena vila. Ele não entendia praticamente nada sobre aquilo, suas preocupações não eram essas, na verdade seus pensamentos estavam todos voltados para alguém dentro daquela escolinha, ouvia seu Giáco falar ao fundo, quase sem ouvir propriamente.

Sabia que faltava pouco para a aula acabar, afinal quase se aproximava da hora do almoço, a hora em que a professora liberava os alunos e partia para casa de Seu Pedro Falcão. Esperava ali na esperança de que ela deixasse-o acompanha-la.

Olhava fixo para a porta da escola, contando os segundos para ver a professora sair, seu pensamento corria solto por entre aquele pequeno corpo que guardava aquele grande coração.

"Garota, eu penso em você todo dia agora

Houve um tempo em que eu não tinha certeza

Mas você acalmou minha mente

Não há dúvida, você está no meu coração agora"

Zelão não era inteligente, não sabia muito, quase nada. Mas não precisava conhecer o mundo para saber que a definição de perfeição e ela estava ali, a professora era a perfeição em forma de gente. Desde seu jeito com todos e especialmente com as crianças, até as curvas de seu corpo.

Essas com que Zelão via-se sonhando desde que ela havia chegado, não tinha passado uma noite sem imaginar como era toca-lá, apesar de seus 'envolvimentos' com mulheres não terem passado de noites com as espevitadas moças do Saloon. Conseguia entender seus desejos, porém acima deles estava o mais puro sentimento, sabia que os dois andavam juntos, mas seu respeito para com a professora fazia com que ele deixasse para observar aquele pequeno corpo apenas de longe, não se atrevia a olha-lo com outros pensamentos quando estavam perto, não saberia o que fazer se a assustasse.

"Se eu não posso te ter agora, eu esperarei, querida

As vezes fico tão tenso

Mas eu não posso acelerar o tempo"

Porém seu desejo pela professorinha só fazia aumentar, e cada vez que chegava perto, sentia aquele cheiro que emanava dos cabelos e do corpo dela, só conseguia pensar o quão delicioso seria te-la em seus braços, para que pudesse concretizar os mais loucos desejos que deixava seus sonhos tomarem conta, sendo assim a única maneira de aliviar-se.

Se alguém lhe perguntasse, poderia descreve-la parte por parte, já tinha gravado tudo em sua memória, dos pés a cabeça, poderia dizer também todos seus gestos, estavam decorados, cada um, cada movimento delicado, cada olhar singelo. Principalmente os que eram dirigidos a ele, no começo sentia-se inseguro, e teria de concordar com todos que dizem que ela jamais o olharia, mas agora, não poderia estar ficando louco, via seus olhares, a maneira com que ela o analisava que o deixavam vermelho, aquilo não era olhar de pena como todos diziam que ela sentia por ele. Ela o olhava da mesma maneira que ele a olhava, maneira essa que o fazia suspirar ao pensar que talvez existisse amor ali.

Voltou-se novamente para a porta da escola, a tempo de ver uma criança saindo atras da outra, finalmente a aula tinha terminado. Viu quando ela parou na porta dando adeus a algumas das crianças que demoravam-se um pouco mais ali, permitiu-se lembrar da conversa que tiveram mais cedo, quando perguntou a ela se gostava do Dr. Renato, não conteve um sorriso ao lembrar-se que ela havia deixado claro que não tinha sido tocada pelo amor ainda. Ele mudaria isso, poderia apostar com quem quisesse que mudaria isso. Mal sabia ele que não precisava de muto para mudar isso.

Esperou ansioso a professora chegar até eles, pois sim, seu Giáco estava ao seu lado, ela vinha em passos curtos, parecia na verdade flutuar, como um anjo.

Buongiorno Maestrina - Seu Giácomo disse assim que Juliana parou a frente dos dois. — Non avevo visto la signora qui in precedenza. Eu não tinha visto a senhora aqui mais cedo. — ele dizia.

Bom dia seu Giácomo– Ela respondeu com aquele sorriso tão doce, aquele que fazia seu coração aquecer. — Eu estava um pouco atrasada está manhã, por isso passei tão rápido. — Ela terminou a explicação, olhando de canto para Zelão.

Ah sì, questo explicado. — Seu Giácomo estava começando a irritar Zelão com toda aquela prosa, queria poder puxar a professora dali.

Você veio me acompanhar Zelão? — Ela disse dirigindo-se a ele pela primeira, fazendo com que quase saltasse de onde estava.

Se a sinhora quinsé, ieu ia se o homi mais feliz desse mundo — Ele respondeu a todo sorrisos.

Não exagere Zelão, venha, vamos que eu estou morta de fome. — Ela disse estendendo a mão para ele, o deixando vermelho com um gesto nunca antes feito, ele não sabia o que fazer, ela foi mais rápido, ao capturar uma de suas mãos estendidas ao lado do corpo, sentiu formigamentos por todo seu corpo ao ser tocado por ela, ainda mais quando sentiu aquele pequenos dedinhos entrelaçarem aos seus, era um sonho, só podia ser um sonho. — Até mais seu Giácomo.

Juliana segurou a mão de Zelão num gesto que nem ela mesma sabia de onde vinha coragem para faze-lo, mas não tinha tempo para pensar, pois sabia que se caso o fizesse, seu lado racional diria para larga-lo. Despediu-se de seu Giácomo, puxando de leve a mão de Zelão, para que ele começasse a acompanha-la, já que o pobre parecia petrificado, parado com cara de besta sem entender nada.

Com seu puxão ele resolveu começar a andar, ela levou as mãos entrelaçadas para perto do corpo, fazendo assim com que o moço ficasse ainda mais perto, seu coração estava acelerado, e sua respiração alterada com a proximidade, queria negar, mas sabia que cada vez mais sentia-se atraída por ele.

Não sabia ao certo o que era, mais sentia que ao lado de Zelão, nada de ruim poderia lhe acontecer, mesmo que todos diziam que o maior perigo em si era ele. Porém ela tinha certeza, e colocaria a mão no fogo por ele, o amor que ele dizia que sentia por ela a fazia querer que ele estivesse sempre mais perto. Tudo sobre Zelão era genuinamente provocante, desde seu corpo que ela como mulher não poderia deixar de reparar, esse sendo demasiado forte e grande, mãos grandes, braços grandes, ora essa poderia descreve-lo.

Porém, o que mais chamava sua atenção era o olhar, acima de tudo o olhar que ele lhe dirigia, aquele que parecia ser tão puro e sincero, e ao mesmo tempo instigador e desejoso. Fazia com que o ar sumisse, sentia-se sufocada, entretanto não queria fugir, queria ficar ali, sempre, sentindo aqueles olhos marcados a kajal sobre si, explorando-a e fazendo com que se sentisse desejada e acima de tudo amada.

______

Pai, já não era hora da dona Juliana chega? O almoço já ta até pronto, ieu num sei se nóis espera. E despois, acho que a Gina e o douto Nando, num vão chega a tempo também, ocê num acha? — Dona Tê dizia enquanto terminava de arrumar a mesa.

Ieu também num sei mãe, entonse é mió ocê servi de uma vez, causo de quê ieu to morrendo das fome. — Seu Pedro respondeu, se achegando por trás da mulher, era raro os momentos que tinham sozinhos. — E a despois, nóis pode subir um bucadinho pro quarto, ocê num acha? — Disse dando um cheiro no pescoço da mulher, fazendo com que ela corasse na hora.

Ara pai, ocê num tem jeito mermo — Dona Tê respondeu virando-se para o marido, mas o barulho de alguém chegando na varanda os interrompeu. — Senta pai, deve de ser a dona Juliana, coitada, tenho uma dó dessa moça, acorda tão cedo pra da aula pra essas criança, nem toma café direito ela toma.

Ieu sei, mai ela num ta passando fome num é mermo? - Seu Pedro dizia colocando o guardanapo no pescoço — Alinhais, o amigo Giáco já falo que se inhela quinsé, inhela pode toma café por lá. Entonse ocê fica sossegada que a dona Juliana tem donde come.

Inhé, ocê ta certo..- ela disse sentando-se – Vamo come.

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Juliana subiu quatro degraus da varanda da casa dos Falcão, assim como havia feito no dia anterior, ficando assim na altura de Zelão. Tinha soltado a mão dele assim que chegaram em frente a casa, mas já sentia falta, eles vieram o caminho conversando sobre as famosas flores do campo, como ele sempre dizia.

Juliana sentia-se estupida pois nunca antes tinha feito isso, mas na verdade não ouvia o que o moço lhe dizia, estava mais preocupada prestando atenção em seus lábios, esses que faziam com que ela ofegasse em contentamento, queria senti-los, isso era fato, mas fato também era que jamais poderia dizer. Ele estava agora ali, parado a sua frente esperando que ela lhe dissesse algo, já que o assunto havia acabado e o silêncio penetrava entre eles, porém ela não sabia o que dizer, já que não havia escutado praticamente nada sobre o assunto.

Eu admiro seu conhecimento, nem todos sabem sobre as flores tudo o que você sabe Zelão — ela resolveu improvisar, porém o elogio era verdadeiro, sentia um delicioso mistério que envolvia o homem, coisas que ela jamais sonhara saber, ele dominava com seus conhecimentos. Escutou as vozes de Seu Pedro e Dona Tê dentro da casa, certamente Gina e Ferdinando não haviam chegado da cidade das Antas ainda, isso fazia com que ela se apressasse, não poderia deixar com que eles almoçassem sozinhos, seria desfeita. — Mas agora, eu preciso entrar, Seu Pedro e Dona Tê devem estar me esperando.. — ela dizia vendo o sorriso dele se estreitar até por fim reduzir-se a nada. Sentia a falta daquele sorriso assim que ele desaparecia, mas precisava se despedir. — Não faça essa cara Zelão, sua mãe também deve estar lhe esperando para almoçar. – Ela falou tomando coragem para levantar com os pequenos dedos o rosto do homem a sua frente, o sorriso voltará, e seu coração batia rápido novamente. — Amanhã nos vemos está bem? — Ela falou sem realmente esperar por uma resposta.

Zelão não pode acreditar quando a professora começou a aproximar seus rostos, ele estava saltando de felicidade por dentro, estavam a centímetros agora. Não sabia ao certo o que esperar, não sabia o que ela pretendia, mas não ficou na escuridão do desconhecimento por um tempo muito longo. Sentiu os lábios doces de Juliana beijarem de leve o canto de sua boca, ele fechou os olhos para senti-los, foi apenas um toque, não propriamente um beijo, um toque de canto, porém o suficiente para despertar nele aquele desejo gritante que sentia por ela.

Quando ela se afastou, apenas alguns centímetros, olhando ainda tão de perto em seus olhos, seu coração parecia querer saltar pela boca, ele ordenou mentalmente para que isso não acontecesse. Ela mantinha os olhos em sua boca, e parecia pedir para que ele tomasse alguma atitude. Porém nem tudo que entendia, era completamente compreendido.

Quando por si tomou coragem para aproximar os lábios novamente, agora daria uma beijo de verdade e por inteiro naquele mulher, ela foi firme em afastar-se largando seu rosto.

Espere — ela disse assim colocando seus dedos sobre os lábios de Zelão, impedindo-o de fazer o que estava pretendendo. — "Tudo que precisamos é de um pouco de paciência" — ela disse o olhando nos olhos antes de se dirigir até a porta, sem quebrar o contato. Olhou para ele uma ultima vez antes de dizer como eles mesmo diziam — Inté — E entrou pra dentro da casa, deixando sem ao menos saber, um homem mais apaixonado do que poderia sequer imaginar.

______

Gina estava sentado no banco ao lado de Ferdinando no carro, o caminho todo até ali ele estava calado, o que era estranho, ela apenas o ouvia assoviar cantarolando algo que não conhecia.

Olhava para ele disfarçadamente, mas mesmo que estivesse escancarado, ele não notaria, parecia estar em um outro mundo.

Ela se permitiu lembrar mais uma vez dos momentos que tiveram a sós, parecia agora fazer um século desde tudo aquilo. Lembrou-se do gosto dos lábios dele, ele tinha gosto de menta, mas ele vinha acompanhado de chocolate, era uma mistura perfeita, e perigosa para quem provasse, pois seria impossível não querer repetir a dose.

Conseguia visualizar como se estivesse acontecendo agora, os beijos intensos que haviam dado, as mãos dele a apertando, os corpos colados, as intimidades colidindo fazendo com que o lugar inteiro parecesse o inferno, o fogo que os rodeava e que estava ali neles, era imenso, mas nenhum dos dois tinha medo de se queimar.

Na manhã anterior, quando ele havia lhe pedido para acompanha-lo, tinha decido que jamais aconteceria novamente, nem um beijo sequer. Mas agora, desejava com todas suas forças aqueles lábios sugando os seus, queria aquelas mãos percorrendo por todo seu corpo novamente, loucura ou não, queria que desta vez chegassem até o fim.

Porém já estava irritada, Ferdinando nem a olhava direito, parecia que ela nem estava ali, será que tinha feito algo de errado? Não, o que estava pensando, era melhor assim, não sabia o que poderia fazer se ele resolvesse parar o carro e beijá-la daquela forma que só ele sabia. Não, com certeza era melhor assim, não queria inventar mais desculpas aos seus pais.

Não soube exatamente qual foi a expressão que estava em seu rosto quando para sua surpresa o carro parou de repente, e agora pela primeira vez Ferdinando parecia prestar atenção nela.

Ferdinando estava controlando-se para não 'atacar' Gina, depois daquela provocação toda com o sorvete, sabia que ela não fez por mal, afinal, ela não poderia saber a reação que isso poderia causar em um homem. O caminho todo até agora sua cabeça trabalhava sem saber ao certo o que pensar, queria formular alguma frase, algo a se dizer para quebrar aquele silêncio desconfortável. Mas o que vinha a sua mente o assustava, se dissesse isso estava perdido, por outro lado, talvez amolecesse o coração da fera. Sua cabeça estava completamente embaralhada, confusão a definia agora.

Não conteve seus pés que pisaram no freio antes mesmo que tivesse tomado conta de tal ação, controlou muito menos sua boca que deixou as palavras saírem assim que virou-se para Gina, palavras essas que poderiam por tudo a perder.

Gina..- começou incerto, trazendo para si toda a atenção da ruiva, que parecia estranhamente ansiosa para saber o resto da frase — O que ocê faria..- respirou fundo antes de terminar — se eu dissesse que lhe amo?

Ferdinando viu que ela estava perdida, e temeu que a moça pulasse para fora do carro, tamanha confusão estampada em seus olhos. Não poderia deixar que isso acontecesse, não antes de prova-la novamente. Sabia que depois se arrependeria caso ela resolvesse não responde-lo, mas era sua chance.

Gina não sabia onde sua voz estava, ela havia se escondido e ela não fazia ideia onde procurar. Ela não sabia também onde estava sua braveza, aquela que a fazia tomar conta da situação, outra que a traia se juntando a voz sumida. Aliás todo seu corpo parecia estar unido em um motim contra o único ponto de sua cabeça que gritava que aquilo era errado, que a aproximação de Ferdinando era errada. Sim, pois ele estava novamente fazendo aquele caminho já decorado até seus lábios, desta vez porém, ia lentamente, com os olhos abertos a mirando, como se estivesse a testando, esperando talvez alguma reação. Essa que entretanto não vinha, pois estava paralisada, seu próprio corpo estava contra ela, não ajudava, apenas ficava ali, parado, esperando o que viria a seguir.

Viu a determinação nos olhos de Nando assim que nenhuma reação contrária da parte dela se impôs. Descobriu naquele segundo o que na verdade já sabia, sentiu os lábios dele colarem aos seus, tinha vontade de bater em si mesma por gostar tanto daquilo.

A cada beijo a sensação era diferente, mais gostosa definia, ele se afastou um pouco antes de voltar para prender entre os dentes o lábio inferior dela, fazendo com que a ruiva soltasse um gemido de dor e prazer, aqueles costumeiros a andar juntos. Não tinha mais o que fazer, a não ser rende-se aos beijos.

Ferdinando sentiu a ruiva enfim relaxar os lábios contra os seus, aprofundou o beijo fazendo suas línguas já conhecidas terem um daqueles encontros que tiravam o folego de ambos. Elas brigavam, brincavam, dançavam, faziam de tudo juntas, principalmente uniam-se para causar por birra ao resto do corpo aquela sensação, aquele desejo que os fazia querer dar fim aquilo de vez, entregar-se um ao outro, colar seus corpos, cavalgar sendo preenchida, e cavalgar preenchendo.

"Quero te engolir ;

Deglutir tua língua procurando a minha;

Esquadrinhar tuas papilas;

Mergulhar por tua goela abaixo;

Contar o que brilha no céu da tua boca;

Ficar melhor amigo das tuas bactérias;

Arrancar teus mais biológicos segredos;

Quero mergulhar (sem cueca) por tua goela abaixo;

E me pendurar na tua úvula;

Nadar crawl no teu esôfago;

Te conhecer de cabo ao rabo;

Morder o lado esquerdo da tua bunda;

Gina sentiu as mãos de Ferdinando caçando uma abertura na parte de baixo de seu vestido, ele continuava a beijando, desta vez parecia uma luta entre os lábios, entre as línguas. Ela revirava os olhos de contentamento quando ele sugava sua língua, para logo depois fazer o mesmo com os lábios já inchados e vermelhos, tamanha pressão concentrada a cada beijo que davam, eram vários seguidos, mas não o suficiente, nunca parecia ser o suficiente, queriam mais, sempre mais.

Ferdinando finalmente achou um fresta por onde por sua mão, a vergonha e o puder já o haviam deixado a tempos, sem eles foi fácil caminhar com as mãos por entre as coxas da ruiva, apertando a parte interior delas, ameaçando por vezes finalmente chegar a parte que mais lhe interessava, queria senti-la, queria ter certeza de que causava nela as mesmas reações que ela lhe causava, e sabia muito bem como descobrir isto, só precisava de algum sinal, algum sinal de que ela não lhe mataria se o fizesse.

Gina sentiu as mãos de Ferdinando apertar suas coxas, perto da área mais sensível de seu corpo, aquela que mais a dominava quando ele estava por perto. Era a primeira vez que sentia as mãos dele em suas coxas sem o empecilho de roupas, uma vantagem antes tão desconhecida por ela, que agora a fazia querer usar mais vezes o vestido quando estivesse com ele.

Porém para sua infelicidade, ele parou, continuou com a mão em sua coxa mas agora parada, e seu beijo estava lento, cada vez mais lento, sentiu frio no momento que ele largou lentamente seus lábios, encostando a testa na dela. Ela não sabia como reagir, a falta que ele fazia, mesmo ali tão perto, era tanta que poderia implorar agora mesmo por mais.

Ieu vou lhe tocar Gina - ele disse ainda com a testa colada a dela, e com os olhos fechados, enquanto os da ruiva se arregalaram com tal revelação — ieu preciso sentir ocê.– disse por fim abrindo os olhos a encarando.

Eles continuavam com o contato visual quando Gina sentiu Ferdinando achar por debaixo de todo aquele forro a alça de sua calcinha, deslizando-a para baixo com apenas uma das mãos. Ela quis abaixar o rosto, o olhar dele era demais para ela, mas foi impedida, Ferdinando enfiou a outra mão por entre seus cabelos, segurando-a firme para que ela lhe olhasse. Aproximou os lábios novamente mas não para um próximo beijo, apenas roçando-os um no outro, enquanto juntava novamente suas testas. Ela não conseguia reagir, estava mole, e agora sem nenhuma peça impedindo que Nando a tocasse. E foi o que veio a seguir.

Gina não poderia por em palavras o calor que espalhou-se por seu corpo assim que sentiu os dedos de Ferdinando tocar sua fenda úmida, na verdade, úmida era pouco, ela estava completamente molhada, não era novidade este rebuliço em sua calcinha toda vez que estava com Nando.

Ferdinando sentiu pela primeira vez a intimidade de Gina em sua mão, era pouco para o destino que pretendia dar a ela, queria te-la em outro lugar, mas por hora, iria provoca-la até que ela lhe implorasse para ser devidamente preenchida por todo seu membro mais do que rígido no momento.

Ela estava molhada, estava torcendo para encontra-la assim, e não pode controlar um sorriso malicioso a constatar o que esperava. Ele começou a fazer movimentos circulares no ponto que Gina nunca soubera existir, esse que agora arrancava dela gemidos toda vez que era tocado.

Ela não podia acreditar na sensação que transpassava todo seu corpo, os dedos de Ferdinando brincavam com sua intimidade, ora circulando aquele pequeno ponto com os dedos, ora ameaçando entrar dentro dela. Ela sentia medo do que viria se isso se concretizasse, mas a cada segundo que a mão de Nando passava ali, era uma tortura gostosa, e ela só conseguia pensar no que poderia acontecer caso ele a preenchesse ali mesmo.

Enquanto toda essas sensações atingiam-na em cheio, ela mantinha agora os olhos nele, e ele a encarava de volta, com o sorriso mais descarado possível brincando nos lábios, algo como se dissesse "e agora? quer fugir?" e se realmente fosse perguntada, saberia a resposta sem duvidas, não queria, e não poderia fugir, alias queria muito mais, queria senti-lo dentro dela, queria poder ter controle suficiente de seu corpo que parecia desfalecido, tamanha moleza que se encontrava, queria ter esse controle para mostrar a ele que o queria.

Ela desviou por um segundo os olhos dos dele para ver o que já esperava, a calça de Ferdinando parecia mais uma vez apertadíssima, o que a assustaria a tempos atrás, agora com certeza fazia com que ficasse mais molhada ainda, se isso fosse possível. Foi a vez dela de não conter seus instintos, levou incerta, insegura, mas com muita vontade, a pequena mão até encontrar o membro de Ferdinando duro como uma rocha, ainda por dentro da calça, ela viu ele revirar os olhos de prazer e soltar um suspiro profundo. Tateou até encontrar o botão que abriria a calça, queria senti-lo por inteiro.

Ferdinando sentiu a mão de Gina procurar o botão de sua calça, depois de ter tido a sensação mais maluca de sua vida ao sentir que ela tinha o tocado, porém tal sensação o fez ver o quão longe estavam indo. E por mais que seu corpo inteiro clamasse por ela, implorasse para que fizessem amor como já deveriam ter feito, seu lado racional dizia para que parasse. Gina era uma menina, e ele estava prestes a torna-lá mulher. Mas algo o dizia que não podia, ele lutava contra esse pensamento mas não estava adiantando, sabia o que era certo a fazer.

Quando as mãos de Gina enfim acharam um jeito de abrir sua calça, ele retirou a mão de sua intimidade, quebrando todo o contato. Assim que o fez ela também parou, não sabia o que estava acontecendo, isso era nítido. Não sabia nem ao certo o que dizer a ela, só sabia que não podia continuar, não podia deixar que ela lhe tocasse e tirasse de vez toda a inocência de Gina.

Não poderia fazer isso, não sem antes se comprometer com ela, não sem antes fazer o que já tinha certeza a muito tempo, apenas era fraco demais e inseguro demais para poder admitir, porém agora com tudo aquilo que acontecia entre eles, sentia-se corajoso, e faria o que era certo.

Pediria a mão da mulher que amava em casamento.

A mão de Gina em casamento.

Notas finais
Como vocês podem perceber, eu coloquei partes da música indicada para Zelão e Juliana nas cenas, espero que gostem. E a cena de Ferdinando e Gina no carro, se vocês colocarem no youtube "The Libertine Johnny Depp the couch scene", poderão ver de onde tirei a ideia. E se notarem, também usei um trecho de um poema do Johnny Massaro, ai ai ai esse Johnny.. Por fim, o aviso lá em cima está bem grande, espero que tenham gostado do capítulo e como já disse, se quiserem mais, me mostrem que realmente querem. Até mais. XoXo