O Belo, e a Fera
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Ara mai venha que ieu te arrebento — Ela falou colocando o punho fechado entre eles, e ouviu Ferdinando grunir com o enfrentamento dela, mas não tinha mais volta, sabia o que vinha a seguir, sabia que ele lhe beijaria, ela apenas esperava. Porém não estavam mais sozinhos, quem os pararia dessa vez mudaria completamente o rumo das coisas.
Ieu posso sabe que diabos o amigo ta fazendo com minha fia? — Era Pedro Falcão, Ferdinando só teve tempo de soltar Gina e se virar para o amigo. Ele soltava fumaça pelas ventas. Deu uma ultima olhada para Gina e ela estava tão ou mais em choque como ele, ele esperava receber uma ajuda dela, mas pela maneira como ela o olhava, também pedia ajuda silenciosamente. Logo atrás de seu Pedro vinham Dona Tê.
Pronto, estava morto.
Ocê não acha rapaz, cocê me deve argum tipo de explicação?– Pedro insistiu.
Ferdinando viu que Pedro Falcão carregava uma arma consigo, uma nota mental o fez lembrar que a arma de seu pai estava ali com ele, e sua mão por instinto se postou em cima dela.
Gina sem perceber a movimentação dos dois, foi para o lado de seu pai e sem pensar muito..
Esse um ai pai, esse um me agarro a força, ieu não tive como fugi.– Ela disse indo para perto da mãe. Viu que Ferdinando lhe lançou um olhar de "depois ocê me paga"
O amigo Pedro pode falar, mas me deixe explicar e não se atreva a por a mão nessa arma.– Ele falou já armando um plano em sua mente, seu pai o coronel Epa, e seu Pedro estavam a todas para que ele se elegesse prefeito das Antas, pois então, era o único recurso que poderia usar como desculpa. Ele olhou para Gina e ela parecia arrependida, mas agora não havia mais o que fazer, o jeito era admitir. — Eu beijei sua filha sim amigo Pedro.
Araaaaa! Mai isso é um deboche, ieu pensei que ocê fosse meu amiguinho Ferdinando. Agora o sinho me deve uma sastisfação. Se é que ocê é o homi que eu sempre achei que fosse.– Seu Pedro disse, e parecia mais magoado com Ferdinando, do que realmente bravo.
Era agora, Ferdinando iria ter que contornar a situação, mesmo porque não queria inimizade com seu Pedro Falcão, alias ele foi o único que o acolheu quando ele precisou.
Seu Pedro, antes de tudo, o sinhor abaixe essa arma, que o que tenho pra lhe dizer não sera preciso usa-la. Bom, o que quero lhe falar, é que graças ao tal beijo que sua filha comentou, graças a esse beijo eu tomei uma decisão definitiva. — Ele disse vendo a confusão estampada nos olhos de Gina, Dona Tê e até seu Pedro.
E qualé a decisão, ocê vai casá com inhela?– Seu Pedro quis saber.
Ninguém ta falando em casamento seu Pedro– Ferdinando disse e viu que Gina atrás do pai o fuzilava com os olhos. — Mai ieu queria que o sinho soubesse que ieu tomei uma decisão de vez. Ieu vô enfrenta o prefeitinho de meia pataca nas próximas eleições, eu sou o candidato.– Terminou esperando que aquilo fosse o suficiente para não levar um tiro agora mesmo.
Por causa do beijo?– Seu Pedro disse virando pra dar uma olhada na filha que estava sem entender nada.
Agora eu to desarmado seu Pedro, o sinho atire se quiser.– Ferdinando disse fechando os olhos e rezando pra que não acontecesse.
Ieu num vô faze isso.– Pedro disse baixando a arma. Ouviu-se Dona Tê rir aliviada, e Gina bufando como um touro. — O amigo me convenceu.
Gina tinha acabado de sair do banho, estava pronta para dormir, mas a professora Juliana era insistente.
Me diga Gina, você gostou do beijo? — A professora perguntava sem cerimônia alguma.
Óia professora, mai ocê largue de fala bestage sô. - Ela foi para perto da janela, não queria encarar a professora e ser descoberta.
Posso até estar falando besteiras Gina, mas sabe de uma coisa? Agora que seus pais já sabem, principalmente sua mãe, ela não vai mais ficar com aquela história que dizem por ai que você é "mulher-homem". E até porque uma mulher-homem, não iria gostar de ser beijada não é? — De certa forma, a professora estava certa.
Mai é craro que num ia gosta, onde já se viu. De jeito manera, inté ia fica furiosa.- Ela respondeu rápido.
Como você? — A professora não estava dando espaço para Gina pensar, isso fez com que ela se entregasse.
Não, que nem eu não, caso de que ieu gostei — Ela respondeu sem pensar. Virou pra trás e viu a professora dando pulinhos de alegria.
Ahh eu sabia, eu sabia Gina. Vou escrever nas paredes "Gina e Ferdinando". — A professora gargalhava, mas agora a atenção de Gina estava voltada pra outra coisa, ela ainda ouviu a professora dizer novamente que sabia. Mas algo estava errado.
Quinheta professora, ocê deite ai e fique quieta. - Gina disse deixando a professora sem entender nada.
Ai Gina, você tem que levar as coisas com mais humor, ora essas. Bom, eu estou cansada, vou me deitar, você não vem? — A professora perguntou, mas Gina parecia estar em outro mundo, olhando fixo pela janela, o que poderia de ter tão interessante lá fora? no escuro.
A sinhora pode inse deitando, que ieu vo na cozinha pegar um pouca de água que to com muita sede. Pode apaga a luz, ieu já vorto.– Gina saiu voando do quarto, deixando Juliana a ver navios.
Gina desceu as escadas cuidando o máximo pra não fazer nenhum barulho que pudesse acordar seus pais. Chegando a sala foi direto ao ponto onde iria resolver toda a situação, caso estivesse acontecendo o que ela achava que estava. Pegou sua arma pendurada numa pratilheira do lugar. Seguiu a passos leves até os fundos da casa, pela porta da cozinha. Por ali chegaria por trás do ponto em que viu uma movimentação pela janela. Acertaria o alvo em cheio.
Seguiu até a parte de baixo da janela de seu quarto, foi ali que tinha visto, não podia negar, estava com medo, mas sabia o que fazer. Foi com cuidado se escondendo em cada fenda que encontrava, e lá estava, ela só precisava chegar mais perto, ele estava escondido entre as árvores, estava muito escuro, não tinha certeza se conseguiria acertar quem quer que fosse daquela distância, mas se chegasse mais perto seria vista, e ai daria a chance da criatura seja ela quem for, sair viva.
Mas não precisou se arriscar, suas preces foram atendidas. O homem que viu pela janela vigiando sua casa, melhor seu quarto, saiu por detrás das árvores, ele estava caminhando para perto da única chama de luz que por ali tinha. Gina estava rezando para acertar, e não ser pega.
Ergue as mão e fica parado se num quinser tomar um tiro. — Gina disse saindo do esconderijo e se posicionando em frente ao homem, ele não teria como fugir, pelo menos não sem levar uns tiros. Porém a fenda de luz estava entre eles, iluminando o pequeno pedaço de chão que os separava. E antes que Gina pudesse tomar uma decisão. O homem se revelou, ficando em baixo da luz, Gina podia ver claramente a cara do safado.
E ocê vai ter mesmo coragem de atirar em mim?
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