O Belo, e a Fera
6 Capítulo 6
Notas iniciais
E ocê vai ter mesmo coragem de atirar em mim?
Então, ocê vai ter coragem de atirar em mim? ein minha..fera.
Araaa! Ocê num se contenta em quase morrer uma vez por dia? só que ieu num so meu pai, comigo ocê num se cria. Ocê me explique o que ta fazendo aqui, ou lhe passo o fogo Ferdinando.– Gina não podia acreditar, que diabos aquele um tava fazendo ali. Espreitando noite adentro, em baixo de sua janela.
Gina, abaixa essa arma que eu vim em paz– Ferdinando disse se aproximando, ele notou que a moça estava com roupa de dormir, por mais que fosse bem larga, ele podia ver as curvas dela, e por Deus, como ele queria toca-lá, mas por hora, teria que afastar esses pensamentos.
Ocê num dê mais um passo que ieu atiro.– ela falou fazendo o rapaz parar onde estava — Mai ocê ta achanu o que? que ieu so besta é? Ocê acha que eu enguli aquele história que nem o pai e a mãe enguliram? Com ieu ocê num se cria.– Era a vez dela se aproximar, até que o cano da arma estivesse colado ao peito de Ferdinando, ela viu o rapaz respirar fundo e fechar os olhos, ela poderia até rir se não estivesse com tanta raiva.
Ieu não menti Gina, aquele beijo me convenceu mesmo a ter coragem de enfrentar aquele prefeitinho nas próximas eleições– Ele colocou as duas mãos no cano da arma, o que fez com que Gina segurasse ainda mais firma a arma contra ele. — E digo mais, aquele beijo me convenceu de outra coisa sabe..
Ara, mai convenceu de que?– Ela estava curiosa.
Aquele beijo Gina, me fez ter certeza de uma coisa– Ele abaixou o cano da arma, Gina até iria relutar, porém ele estava próximo novamente, e agora sem a arma o impedindo, ela não entendia porque, mas cada vez que Nando chegava perto dela, era como se uma força maior tomasse conta dela, ela não controlava mais seu corpo e as sensações que ele despertava nela. — Aquele beijo... Araaaa!
Gina sentiu-se sendo puxada pela mão, e de repente ouviu-se o pequeno estrondo da arma caindo ao chão, o que diabos Ferdinando estava fazendo?
Mai ocê enloqueceu de vez? Pra ondé que ocê ta me arrastando? Ieu vo grita Ferdinando– ela dizia sem conseguir se livrar da mão dele em volta de seu punho, ele a mantinha firma atrás de si.
Gina não estava entendendo nada. Estava muito escuro e ela não tinha certeza do caminho que estavam tomando, ela conseguiu por vezes faze-lo parar quando conseguia se segurar com a outra mão em qualquer coisa que encontrava pelo caminho, mas Ferdinando era mais forte, e a determinação que tinha fazia com que ele ficasse ainda mais. Isso se desenrolou por mais alguns minutos, ela não fazia ideia de onde estavam, ele deu voltas para deixa-la confusa só podia.
Gina não queria acordar ninguém, alias nem sabia se estava perto da vila pra poder ser salva por alguém, mas era sua única opção, Ferdinando não estava lhe dando escolha.
SOCORROOOOOOO...ARGUÉM ME AJUDA– ela conseguiu gritar, mas antes que pudesse iniciar uma nova rodada, sentiu suas costas baterem contra uma parede, suas costelas estralaram. Sua boca foi coberta pela mão de Ferdinando que a prendia ali.
Para de gritar Gina, ieu não vô faze nada cocê, eu só quero conversar.– Ele dizia, seus olhos eram insanos, e Gina poderia sentir medo, se não estivesse tendo arrepios por todo o corpo, ela fechou os olhos por um instante e relaxou o corpo, isso não passaria despercebido.
Ieu vou lhe soltar Gina, mas ocê num grite mais ta bão?– Ele perguntou e ela apenas consentiu com a cabeça.
Quando ele o fez, ela olhou para os lados e finalmente sabia onde estava, Ferdinando já tinha se adiantado e abria a porta da escola, ela não sabia como e por um momento chegou a pensar que isso tudo fosse armado pela professora Juliana, caso contrário, como ele teria a chave da escola?
Ele abriu a porta e fez sinal para que ela passasse, a ruiva exitou por um instante mas achou melhor concordar, quem sabe se fizesse o que ele queria conseguisse sair mais cedo do que esperava dali.
Ela entrou e se escorou em uma das paredas da pequena sala, estava ainda mais escuro ali dentro, apenas alguns raios de luz entravam pelas frestas das paredes feitas de madeira.
Ferdinando viu que Gina arranjou o lugar mais longe dele para ficar, mais isso não o abalou, ele encostou-se na mesa da professora. Podia ouvir Gina respirar fundo logo ali, ele fazia o mesmo, por mais que quisesse que fosse uma longa e séria conversa, só de estar no mesmo lugar que a ruiva, e sozinhos, fazia com que cada parte de seu corpo se arrepiasse como se estivesse descoberto em uma noite fria de inverno. Ele não sabia ao certo como começar, nem o que realmente queria dizer, toda vez que encontrava com a ruiva, as palavras escapavam e ele só conseguia se concentrar no aroma que emanava do corpo dela, Gina tinha um perfume próprio, algo que algum dia a ciência deveria explicar pra ele, isso o intrigava. Ele se lembrou do dia no lago "Era completamente absurdo como mesmo com o corpo molhado pela água do rio, a moça continuava com aquele perfume, era algo tão único, estava nela, e era só dela". Um vento fresco passou por ali, e certamente passou pelos cabelos dela, porque nem a milhas de distância Ferdinando esqueceria o cheiro daqueles cachos avermelhados, era como ser agraciado pela visão de uma deusa, não havia explicação racional para aquilo, não havia explicação racional para todos as sensações e sentimentos que a ruiva causava em seu corpo, e por pior que seja admitir, em seu coração.
Gina.. — ele começou incerto, e viu que ela mudou de posição onde estava — ieu não quero ficar brigado cocê, sabe que eu lhe quero muito bem..– ele não se conteve, caminhou até onde ela estava, nem no mais escuro dos mundos ele erraria, onde Gina estivesse, ele sabia encontra-la, e foi assim tateando na escuridão que encontrou seu rosto, ela recuou um pouco, mas não tirou sua mão dali. Ele fechou os olhos, lembrou-se do começo, quando a moça nem deixava-o chegar perto, e agora já haviam até se beijado, então estava perto novamente e a tocando. Ele perguntava-se se de alguma forma, tinha o mesmo efeito sobre a ruiva, porque ela brigava sim, esperneava sim, mas parecia vivenciar a mesma espécie de transe que ele assim que chegavam perto um do outro.
Por quê ocê ta dizendo isso Ferdinando?– ela perguntou quase gaguejando, a mão dele em seu rosto estava deixando-a desconcertada. Ela não enchergava muito naquela escuridão, mas podia talvez por pura vontade, enchergar os olhos azuis dele, e eles estavam olhando diretamente nos seus, e pareciam tão sinceros, ela viu-se perder naqueles olhos.
Por quê?..Porque eu estou desconfiando, veja bem, desconfiando que to começando a gostar docê.– ele respondeu vendo que o rosto de Gina começou a ficar quente em sua mão. — Mas eu to só começando. — ele terminou, e sabia que não ouviria o mesmo, por mais que esperasse.
Gina não acreditava que estava ouvindo aquilo de Ferdinando, ao mesmo tempo que queria sorrir, a parte teimosa de si sussurrava em sua mente "não seja boba, ele quer só se aproveita docê, só isso e só".
Ela empurrou a mão dele para longe, passou por ele para se postar onde antes ele estava, virou de costas pra o rapaz, não poderia deixa-lo ver um minimo sorriso em seu rosto, mas que bobagem, ele nem poderia ver mesmo.
Ara! Ocê ta dizeno isso, só pra ieu não conta pro pai que ocê me arrasto até aqui– a velha Gina voltou. — Escurte aqui Ferdinando– ela virou-se de frente para ele, e se assustou ao ver que ele estava a centímetros de si novamente, ele parecia um lobo a espreitando. Ela levantou o dedo para mostrar que era sério. - Ieu num vô dize nada pro pai causo de que ieu sei que ele lhe tem como um fio, mais é minhó que ocê pare de vir atrás deu, e pare de falar essas besteirage toda sô.
Ferdinando a ouviu falar, mas só conseguia prestar atenção naquele biquinho que ela fazia, tentando parecer brava, ou mesmo que realmente estivesse, ele não ligava. Ela estava parada em baixo de uma das luzes que adentravam o lugar, ele podia ve-la melhor, e ela parecia querer mostrar todo seu indignamento para com ele, porém ele via ali olhinhos brilhantes, e podia estar louco, mas aquela boquinha esperava por um beijo.
Ele não sabia ao certo o que estava prestes a fazer agora, e nem sabia sobre as coisas que já havia feito, se algum dia fosse réu em uma corte sobre o julgamento de "abuso", sua defesa, que iria parecer imprópria para muitos, mas que para ele fazia o maior sentido, seria que a culpa era mesmo de Gina, inteiramente dela e dela por inteiro, o corpo da ruiva o chamava, parecia pedir que por ali percorresse, por ali cavalgasse, por ali a fizesse mulher e sua, somente sua.
Ocê perdeu a língua Ferdinando? Me respon...– não havia espaço para terminar a frase, Nando a levou de volta a um mundo que era só deles ao selar seus lábios num toque delicado. Foi apenas um toque, de alguns segundos, que para os dois pareciam anos.
Ferdinando soltou os lábios da ruiva voltando a observa-la, ela ainda mantinha o dedo em riste e os olhos fechados. Ele viu com um sorriso de orelha a orelha a moça passar a língua pelos lábios, como se estivesse saboreando e absorvendo tudo daquele minimo toque.
Naquele momento o rapaz de olhos azuis não teve mais duvidas, aquela fera era sua.
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