O Belo, e a Fera
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O dia nem havia nascido direito na pequena Vila de Santa Fé, mas a professorinha Juliana já estava de pé, devidamente arrumada para suas aulas. Porém hoje seria diferente, Gina tinha tirado o dia de folga da lida, e ia acompanha-la, estava adorando a ideia de ter sua amiga consigo. E melhor, adorando o fato de que mesmo a contra-gosto quando ficasse sabendo, Gina iria ter um encontro daqueles com Ferdinando, a professora estava apreensiva com a reação da amiga assim que visse o engenheiro as aguardando na escolinha.
Vamo simbora dona Juliana?– Gina não estava no seu melhor humor.
Vamos sim Gina, vou pegar meus livros, só um instante– Juliana subiu as escadas deixando a ruiva soltando fogo pelas ventas. Gina estava furiosa com sua mãe, e pior, com seu pai. Porque diabos eles queriam tanto que ela fosse com a professora pra escola? Ela tinha que ta na lida uma hora dessas. Passos na escada, bom pelo menos a professora foi rápida.
Ieu posso saber dondé que o cê vai Nandinho?– O coronel perguntou antes que Ferdinando pudesse por os pés pra fora de casa.
Tanto póde como vo lhe dize, seu filho ta de partida pra cidade das Antas, vou inté o correio ca professora Juliana, ela anda necessitada de manda umas carta pra capital, ieu vo com ela como bom amigo que sô. Mas alguma coisa?– Ferdinando não estava com paciencia e estava atrasado, tinha prometido a professora que iria com ela até as Antas, não poderia deixar sua amiga na mão.
Tá entendidu, ma ocê vorta pra armoça?– Epa quis saber.
Acredito que sim, ma agora o senhor deixe que eu me vá que to atrasado. Bons dias coronel.– Nando desceu as escadas da varanda e encontrou Izidoro o esperando dentro do altomóvel.
Ara Izidoro, posso sabe o que o senhor faz ai?– Ferdinando quis saber.
O pensei que o patrão ia de querer que o levasse ocê até as Antas.– Izidoro respondeu ingênuo.
Pois pensou errado meu caro, ieu vo sozinho, e ocê pode caçá otra coisa pra se oculpar.– Disse já com o altomóvel ligado.
Juliana, ieu posso sabe porque ocê, o pai mais a mãe, insistiram tanto preu vir pra cá cocê?– A ruiva perguntou enquanto Juliana abria a porta da escola.
Ora Gina, nada demais, seu pai me disse que hoje vocês não iriam trabalhar, então pedi que você viesse me acompanhar por hoje.– Gina não se convenceu muito com a resposta, mas preferiu não discutir.
Ela se sentou numa das carteiras no fim da sala enquanto via a professorinha arrumar o material para os alunos. Estava tudo bem..até agora.
Olá professora, ocê me desculpe, acho que me atrasei um bucadinho.– Ferdinando disse entrando na escola sem notar a presença de uma certa ruiva.
Professora!– Gina falou chamando a atenção dos demais pra si — O quê esse um faz por cá?
Se acalme Gina. Olá meu amigo, atrasado ou não, não muda em nada, eu tive alguns contra-tempos e infelizmente não vou poder ir até a cidade das Antas com você!– Juliana disse para o amigo, notando que ele não tirava os olhos de Gina — Porém, eu preciso muito que estas cartas cheguem até o correio, seria abusar demais se pedisse para lever as cartas pra mim?– Nando estava prestando atenção agora. — Pra não lhe fazer desfeita, a nossa Gina vai com você, não vai Gina?
Ferdinando se encheu de esperanças com a ideia de passar uma manhã inteira ao lado da ruiva. Mas ela não parecia muito alegre com a proposta.
Levarei suas cartas com maior gosto professora, ieu ia adorar que a Gina me acompanhasse– Ferdinando foi se aproximando da moça, que agora já estava de pé.
Pois ieu num vo de jeito manera– Ela respondeu
A senhorita vai sim, ora Gina, eu preciso que alguém leve minhas cartas, Ferdinando já está fazendo muito se dispondo a ajudar, será que você sendo minha amiga não é capaz de fazer este pequeno favor por mim?– Juliana disse tentando convencer a ruiva.
É Gina, o que tem demais em ocê me acompanhar?– Nando ressaltou
Ara! Ieu vô, mas ocê Ferdinando, ocê não me amole as paciência.– A moça disse, e no seu intimo, estava agitada só de pensar em ficar sozinha com Nando.
O caminho até a cidade das Antas, ficava mais perto indo de carro, e Gina podia observar melhor os campos, e como ela adora aquele cheiro de mato. Mas ao mesmo tempo, se misturava com o cheiro do moço ao seu lado. E céus, que cheiro bom, tudo em Ferdinando era extremamente atraente, mas ela não podia deixar que ele soubesse disso, por causa disso o tratava tão mal, queria que ele ficasse longe pois a próximidade daquele homem a confundia, a assustava. Mas parecia que quanto mais tentava o afastar, mais ele ficava perto.
Finalmente eles chegaram até a cidade, Ferdinando parou o automóvel em frente o correio, e Gina já estava com as cartas em mãos para entregar a ele. Ela estava distraída olhando para o casal que estava sentado na sorveteria da cidade, eles pareciam tão felizes.
As cartas Gina– Ferdinando disse tão próximo a seu rosto que ela podia sentir seu hálito fresco. Ele olhava fixamente pra sua boca, aquilo estava a deixando assustado, ela impos as cartas entre eles quebrando o contato.
Ieu volto num minuto– Ferdinando disse dando uma piscadinha para ela.
Perto demais, perto demais pensava Gina na volta pra casa, ela estava tão absorta em seus conflitos internos, que nem notou que o caminho que faziam, não era para sua casa. Quando o fez, já era tarde demais.
Dondé que ocê ta me levando Ferdinando?– ela questionou preocupada. Ferdinando apenas a olhou de canto, sem emetir resposta. Sabia que estava brincando com fogo, mas foi ela mesmo que pediu, assim que o chamou de Covardão!
Nando parou o automóvel perto de um riacho que se estendia por toda a areá afastada de todo a vila. Ele sabia que o que estava prestes a fazer teria consequências futuras, mas ele não ia deixar ser ofendido sem mostrar uma resposta. Ele desceu do carro e foi até o lado em que Gina estava. Ela acompanhava cada movimento dele com um olhar fuminante.
Ocê fassa o favor de desembarcar Gina– Ele disse oferecendo a mão para ajuda-lá.
Porque ocê paro aqui? Me leva pra casa agora, se não eu..– Ela foi interrompida.
Se não o que? Ocê vai me bater? ara essa Gina, só quero te leva pra tomá um banho de rio.
Mai ocê ta mais é besta é? Se ocê não me levar pra casa, ieu vó deapé, e o conto tudo pro pai, ocê vai pagá caro Ferdinando. — Ela disse com o nariz em pé, tentando meter algum medo, mas o moço tinha determinação nos olhos, algo que estava a assustando.
Foi mais rápido do que ela esperava, Ferdinando abriu a porta e a puxou de dentro, e então ela estava sobre seus ombros, começou a se debater mas nada ajudava, ela não conseguia se livrar dos braços do rapaz que a mantinham firma suspensa. Ferdinando começou a caminhar até a beira do riacho, e quanto mais Gina ralhava e se debatia, mais ele ria.
O vô te matá Ferdinando, o vô te matá. Largá eu agora se não lhe meto a piaba– Ai sim o moço começou a gargalhar.
Ta bão, ta bão, ocê pode faze o que quiser comigo Gina, mas antes vai ter que nadá minha cara– Gina não teve tempo nem de processar o que ele havia dito, sentiu-se despencar e de repente estava encharcada. Aquele um jogou-a no riacho, e agora estava rindo como nunca. — Quem é o covardão agora Gina?– Ela odiava ver que ele não tinha medo dela, como todo mundo tinha. Mas ele ia pagar.
Ara..Ferdinando...socorro..ieu não sei nadá, socorro..– Gina gritava como uma louca enquanto fingia se afogar. Ela viu o momento que a diversão perdeu lugar para preocupação nos olhos de Ferdinando. Não demorou um segundo e ele já estava apenas com a camisa de baixo e sem sapatos, Gina não pensou que ele lhe levasse tão a sério, não até o momento que o moço mergulhou ao seu encontro, a tirando de um afogamento falso.
Gina! Gina! ocê ta bem? me descurpa, ieu não pensei que ocê que vive no meio do mato não soubesse nadá, me diz que ocê ta bem?– Ferdinando dizia enquanto segurava a moça pela cintura fora da água, não pensou que fosse tão longe.
Ieu to bem, tão bem que agora ocê vai me pagá– Agora foi a vez de Ferdinando não ter tempo de reagir, quando viu estava debaixo da água impedido de sair porque aquela uma estava o forçando para baixo, ele não conseguia se desvencilhar e quando mais o tentava, mais Gina o empurrava. Até que ele parou.
Exatamente seu Pedro Falcão, a Gina foi no meu lugar com Ferdinando para levar as cartas, eu sabia que não poderia ir por isso a levei junto, tinha certeza que a convenceria, e foi o que fiz. E de qualquer forma, o nosso amigo Ferdinando sabe como domar a fera.– A professora explicava enquanto Dona Tê colocava a mesa do almoço.
Ocê acha mermo que o amigo Ferdinando vai sabe lida com a ela fia?– Pedro disse com suas duvidas.
É dona Juliana, a nossa fia é geniosa que só, acho que o dotor Nando vai passá mars bucado co ela.– Foi a vez de Dona Tê opinar.
Seu Pedro, Dona Tê, eu acho sinceramente que o Ferdinando é o unico capaz de fazer isso.– Juliana disse confiante.
Ara! Mai se a fia diz, tá dito. I agora, simbora come que ieu to com uma fome que só mãe.– Seu Pedro disse, mal sabendo o que estava acontecendo.
Gina estava se divertindo vendo o desespero de Ferdinando se debatendo debaixo d'água, só ia deixa-lo mais um pouquinho ali, claro que não tinha intenção de mata-lo afogado, mas seus planos foram literalmente por água a baixo. Nando simplesmente parou de se mexer, nem mais um puxão, um empurrão, ele parou. A moça o puxou pra cima e ele parecia desacordado, mas que diabos ela havia feito?
Ferdinando?..Ferdinando acorda, para de se besta sô– Nenhuma resposta, nenhum movimento. — Ara Ferdinando, ce ocê morre, eu lhe mato.– Lágrimas vinham aos olhos da ruiva agora, ele não esboçava nenhuma reação, estava mole, e ela mal conseguia segura-lo agora. — Ferdinando, ocê não é covardão, ieu sei que num é, mai agora para cum essa brincadera besta, ocê não pode morre agora.
Tem razão Gina, ieu não posso morrer agora, não antes de te provar que não sou um covardão– Gina arregalou os olhos de surpresa quando o moço dos olhos azuis reagiu, e não se acreditou quando ele lhe segurou firme com uma mão em sua cintura, e a outra em sua nuca, não havia como fugir, mas fugir do que? Ela não sabia o que o moço iria fazer, porém não demorou muito a descobrir.
Ferdinando colou seus lábios aos de Gina, ela então começou a se debater, mais quem disse que ele ligava? O gosto dos lábios dela era tão doce, ele não ia deixar que ela se desgrudasse dele. Ela ainda se debatia quando ele mordiscou o lábio inferior da ruiva, pedindo passagem com a língua para o interior de sua boca, a moça relutou e ele já estava a ponto de desistir quando sentiu os lábios dela relaxarem junto aos seus, em seguida abrir uma fresta para que ele pudesse aprofundar o beijo. E foi o que ele fez, a moça já estava parada, com as mãos devidamente encostadas em seu peito, e parecia esperar que ele continuasse. Nando tinha certeza que esse era o primeiro beijo de Gina, pois a moça não soube o que fazer quando ele lhe invadiu a boca com uma língua muito ansiosa, explorando cada pedacinho, cada canto que podia. Mas a moça aprendeu rapido, em um instante Ferdinando foi agraciado com sua boca sendo acalentada pela língua da moça, tão ansiosa quando a dele. Agora suas bocas estavam trabalhando em ritmo frenético. Gina não poderia descrever o quão bom aquilo era, ela queria para-lo no começo, mas agora não podia nem pensar no moço desgrudando os lábios dela.
O beijo estava ficando cada vez mais intenso, e Ferdinando apertava Gina o máximo possivel contra si, ele não iria deixa-lá escapar de seus braços, e o moço sorriu entre o beijo vendo que Gina não se mostrava mais relutante, ao contrário, estava acompanhando seus movimentos. Mas o que surpreendeu o moço veio a seguir, Gina desgrudou os lábios do dele, e ele jurou que estava morto, a moça iria sem duvida mata-lo pela ousadia. Ele estava preparado pra tudo, menos isso. Gina deu uma olhada rápida em seus olhos, colocou os braços em volta de seu pescoço a fazendo ficar alguns centimetros mais alto que ele, e se achegou até capturar o lábio inferior do rapaz, sugando como se fosse uma fruta a ser degustada. Isso provocou os instintos mais selvagens de Nando, sabia que Gina não era fácil, sabia que ela podia estar deixando ser beijada pra depois mata-lo quando estivesse destraído, mas aquele gesto, não só o surpreendeu pela provocação da ruiva, como fez com que todo seu corpo se arrepiasse, as moças com quem já havia estado eram experientes e sabiam o que fazer pra agrada-lo, mas só com muito esforço realmente o animavam. Mas a ruiva, com esse pequeno gesto, fez com que o moço ficasse extremamente excitado, pior, pensamentos deliciosamente prazerosos, porém indecentes viessem a sua mente. Ele queria para-los, mas infelizmente Gina não parava de beija-lo, e ele não conseguia parar de corresponder. Ele desceu uma das mãos que estavam na cintura, para as pernas de Gina, que agora eram bem contornadas com a roupa colada ao corpo, ele puxou a perna dela para a altura de sua cintura, e a moça instintivamente levou a outra perna, prendendo-as em volta de Nando. Ela parecia querer continuar aquilo tanto quanto ele, afinal não relutava mais, só fazia beijar seus lábios com ferosidade, enquanto ele apertava suas coxas ao redor de si. Nando se forçou a interromper o beijo.
Gina, ocê quer que eu pare?– Ele disse tentando chamar a atenção dela, mas a moça nem parecia se importar, sua resposta veio em forma de beijos que começou a depositar no pescoço de Nando, seguindo uma trilha até o queixo onde mordiscou, fazendo o moço soltar um suspiro de prazer, e parou quando encontrou seus lábios novamente. Não havia mais nada que Ferdinando pudesse fazer. Ele só conseguia pensar: "No que diabos isso vai dar"
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