Notas iniciais
Genteeeee, me desculpem pela demora, mas pela segunda vez a minha conta aqui no Nyah foi hackeada, eu tive que entrar em contato com o site para conseguir confirmar que a dona da conta sou eu! Por conta disso, os dois últimos capítulos tiveram de ser parcialmente reescritos, mudei várias coisas, já que eu já tinha programado a postagem deles para hoje as 16:00hrs. Eu espero que entendam, e assim que eu terminar os ajustes no último capítulo postarei, o mais rápido possível, prometo. Espero que os poucos que ainda comentam, compreendam. Sugiro que ouçam "Everything I Own" Bread; Enjoy!

"Ela mantinha o rosto numa expressão carrancuda, mas ele viu que seus lábios pregavam-lhe uma peça, querendo fazer brotar um sorriso travesso.

Ele tinha consciência das outras pessoas ao redor deles, não só porque Dona Tê se destacava com o rosto tão vermelho como um pimentão que parecia pescar para ela todo o foco. O mesmo para Juliana que tentava conter-se nos pulinhos de alegria, ele sabia que a amiga sempre o ajudaria, e as vezes ela parecia até mais animada que Gina quanto a ele. Mas sim o que mais o fazia perceber as pessoas ao redor, era Seu Pedro, esse que estava também a poucos centímetros dos dois, como se estivesse preparado para segurar Gina caso ela tentasse estrangula-lo.

Porém nada disso importava quando fixou novamente seus olhos nos dela.

"Sabe quando eu vi você

O meu tempo quis parar

Nos teus olhos encontrei

A razão pra não

Deixar mais de sonhar"

Parecia sempre como a primeira vez, a primeira vez que a via, a primeira vez que tocará seus lábios, a primeira vez que sentiu seu corpo, e a primeira batida de seu coração que parecia fazer apenas para lembra-lo de que nasceu para ama-la."

Um mês, um mês. Um mês que mudou sua vida pensava Ferdinando, a tempos atrás não tinha vontade de levantar-se pela manhã, tamanha dor que sentia no peito ao imaginar mais um dia vivido naquela angustia de estar longe da mulher que amava, sem ao menos saber o real motivo para isto.

Agora acordava pela manhã o mais rápido que podia, tamanha excitação pelo dia que nascia, pelos pássaros que cantavam em coro ao lado de sua janela, pelas flores que desabrochavam no jardim, pelo sol que nascia quentinho, aquecendo o restinho de inverno que ainda existia. Tudo era magnificamente esplendoroso na opinião de Nando, o mundo parecia outra vez colorido, a exato um mês. Um mês de amor.

Ele terminou de vestir seus trajes que o acompanhariam a sua visita diária até a casa da menina que agora poderia chamar de noiva, desde ontem onde Gina estivera em sua casa em frente sua família sendo apresentada como a mais futura Sra. Napoleão, tudo saiu como ele esperava afinal.

Contudo, estava demasiado angustiado com certos poréns a vista, além de sua sogra Dona Tê insistir em trata-lo com os piores modos que conseguisse, sua preocupação ultrapassava o nível da perversão.

A um mês desde que Gina aceitara ser sua namorada — depois é claro de muita briga e relutância — as coisas iam de bem a melhor, e era estranho mais isso o preocupava, assim como tinha certeza ser a mesma preocupação de Dona Tê.

Prometerá a si mesmo não "por as mãos" em Gina até o casamento, porém os beijos estavam lhe tirando do sério, principalmente porque a ruiva parecia lhe por a prova todos os dias, quanto mais ele tentava controlar o impulso de toma-la para si e acabar de vez com aquela vontade, mais ela lhe tentava. Se pegara por vezes pondo almofadas ou qualquer coisa que visse pela frente quando seu Pedro, Dona Tê ou Juliana chegavam a sala e os pegava depois de uma sessão de tortura, sim, os beijos de Gina acabaram se tornando uma tortura, o problema estava no fato de ser uma tortura que Ferdinando podia jurar morrer feliz por ela.

O ressabiamento era tanto, que por vezes ao voltar para casa, Nando jurava que demoraria pelo menos dois dias a voltar, mas não cumprira a promessa uma vez sequer, era acordar pela manhã e já não aguentava mais de saudades. Tanta tentação o fizeram tomar uma decisão acertada, iria chegar a um consenso com Gina e seus pais, o mais rápido possível queria se casar.

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Gina estava sentada a mesa do café da manhã com seus pais e Juliana, mas seus pensamentos estavam longe, aliás ultimamente era assim que vivia, num mundo só dela, absorta em pensamentos que viajavam dos olhos azuis de Nando, até sua boca tentadoramente deliciosa. Ela sabia que provavelmente deveria estar corada com o pensamento, mas não se importava, não mais. Já não reprimia seus sentimentos, não era mais novidade alguma que estava completamente apaixonada.

Desde que aceitara namorar com Ferdinando a um mês, seus suspiros e vontades eram todas dele, tinha de admitir que na hora que aceitara, foi puro impulso. Estava confusa, chateada mais acima de tudo com saudades de Nando, mas depois do primeiro dia que ele viera lhe visitar já com compromisso certo, teve certeza que fez a escolha certa, e cada dia que se passava certificava-se mais ainda disso.

Decidiu por fim a desconfiança que tinha com o moço, e esquecer o tempo de afastamento onde só fazia odiá-lo. Ele tentou descobrir dela o porque daquela revolta e ela descobriu enfim que ele não fizera de propósito, e que afinal, se quisesse apenas se aproveitar dela, jamais lhe pediria em namoro. A certeza só aumentou depois da noite anterior, onde ele lhe levou a mansão da família Napoleão onde apresentou-a a todos e principalmente ao Coronel Epa. como sua futura esposa.

Tudo estava mais que divertido, apesar de que Dona Tê ainda tinha uma certa implicância com o namoro dos dois. Fora isso, todos os dias, ganhava beijos e carícias de Nando, adorava o provocar já que ele prometera não passar dos limites até estarem casados, mas sempre acabava um tanto quanto 'rígido' e vermelho ao final de uma sessão de beijos em que ela fazia questão de arranha-lo nas costas e no pescoço enquanto puxava e lambia seus lábios o olhando descaradamente para ver sua reação. Ele tentava a todo custo não transparecer sua excitação com os gestos, mas era visível, no final, apenas dava gargalhadas enquanto se rendia aos beijos.

Sorriu com a lembrança de uma dessas visitas, adorava ver Nando sorrir, ele tinha o sorriso mais lindo que ela já tinha visto, podia apostar ser o mais lindo do mundo. Com um fim ao transe, lembrou-se de não estar sozinha a mesa, e agora estar sendo observada por todos, mais essa agora. Não esperou por perguntas, correu escada acima, iria se arrumar para mais uma das visitas de seu noivo.

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E ocê deixo pai?– perguntava Dona Tê incrédula, sem acreditar no que acabará de ouvir.

Ara mãe, inheles são noivo agora, ieu num vo fica botando rédia, e alinhais, ieu tenho ca pra ieu que todo mundo ah de fica mai do que feliz com a notícia que esses dois hão de traze quando vorta lá dos trigal, ocê pode escrevinha isso mãe.– Seu Pedro dizia feliz tentando acalmar a mulher que estava desesperada com a possibilidade de algo ruim acontecer, ele só não sabia o que;

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Quem estivesse dando umas voltinhas pelos campos da família Falcão, ia no mínimo ficar 'assustado' com a visão. Era o único pensamento racional que passava pela cabeça de Nando enquanto sentia o corpo de Gina por cima do seu, prendendo sua cintura com as coxas enquanto lhe beijava de uma maneira que ele não sabia ser possível até então.

A moça parecia estar muito satisfeita com o que ele presumia que ela estivesse sentindo no meio de suas pernas, pois sim, era um estado de calamidade. Ele esquecera seu nome, de onde vinha, e finalmente o que viera fazer ali, Gina mordiscava seus lábios de uma maneira selvagem, ele podia jurar que a qualquer momento ela iria arranca-los, mas ele não se importava, era tudo deliciosamente perigoso. Mesmo com a promessa em mente, não continha suas mãos que insistiam em passear pelas costas da moça indo de encontro a suas coxas que apertava o mais rente possível se sua cintura, queria a mais perto que pudesse. Revirou os olhos para o céu cinzento de inverno que estava por cima deles, a ruiva agora mordia seu pescoço enquanto arranhava com a outra mão toda a extensão de seu abdômen já parcialmente nu. Ele queria continuar com aquilo, queria realmente, mas agora com um fleche em sua mente, lembrara-se o porque da visita mais que cedo, segurou a cintura da moça, firma o suficiente para inverter as posições e ter o minimo de controle possível.

Ara! Ocê qué me matar menininha. - Ele disse colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, e arrancando uma daquelas gargalhadas gostosa da ruiva. — Ieu vim aqui hoje especialmente para combina cocê a data do nosso casamento Gina — disse enfim se recompondo, no mesmo instante em que a moça sorriu mais ainda, sentia-se imensamente feliz por ver que a ruiva queria aquilo tanto quanto ele.

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Foi lindo mermo o casamento desses dois num foi Juliana? – A professora escutou Gina que estava grudada a Ferdinando enquanto voltavam para casa. Ela apenas confirmou com um aceno, o casamento de Milita e Viramundo foi sim muito bonito, e Juliana agora tinha certeza de que Vira gostava de Gina apenas como uma irmã, tanto que convidou a ela e Ferdinando para serem seus padrinhos. Agora os noivos já deviam estar a milhas de distância dali, viajaram assim que a cerimônia acabou. Ela caminha ao lado do casal que dava um beijinho a cada passo, não podia reclamar, torcia para os dois desde o primeiro momento que viu a forma como demonstravam se odiar ao mesmo tempo que estavam a ponto de se agarrar. Porém, triste era a palavra que a definia, por mais que tudo estivesse indo muito bem para todos e para si própria, alguma coisa ainda faltava. Depois de seu rápido romance com Zelão, esse que agora fazia questão de ignora-la, ela tentou dar mais uma chance ao Dr. Renato, mas era visível para todos que nunca daria certo, ela só se imaginava casando como Milita fizera com Viramundo, e como Gina estava prestes a fazer com Ferdinando, apenas com Zelão.

Lembrou-se de a briga que fizera com que os dois se separassem, era em parte por sua antipatia pela Mãe Benta, por sua vez a mãe de Zelão, essa que agora mudara completamente para uma simpatia imensa, tivera conversas longa com Mãe Benta desde que a mulher havia começado a trabalhar no posto do Dr. Renato, a senhora mostrava agora como Juliana o quão triste também estava pelo rompimento, dissera varias vezes desde então que aprovaria o casamento caso eles se acertassem. Mas isso não aconteceria pois Zelão a ignorava totalmente, e quando lhe dirigia a palavra era extremamente vago, como se não gostasse nem de sua presença, e apesar daquilo estar lhe matando, não daria o braço a torcer, era orgulhosa demais para isso. Contudo, a falta que sentia do capanga era corrosiva, e a cada dia lhe tirava um pouco mais a vontade de sorrir para a vida.

Como se seus pensamentos puxassem o capanga para perto, enquanto estava ponderando tudo em sua mente, ela e o casal tiveram o caminho bloqueado por uma figura de capa negra, onde aparecia apenas a pele alva e branquinha por debaixo do chapéu, não precisaria olhar seu rosto para saber que era Zelão. Segurou o impulso de ir até ele quando Gina pôs a mão em seu ombro como de alerta, e Ferdinando adiantou-se até o homem para impedir alguma briga que imaginava que os dois esperavam.

Porém não tardou para Ferdinando estar novamente com elas e dirigindo-lhe um pequeno aceno para o lado do capanga, sussurrou: "Ele quer fala cocê"; Ela não esperou um segundo para seguir o capanga que já se adiantava floresta adentro, sentiu um alivio, se ele fosse lhe tratar mal, teria o feito na frente de Nando e Gina.

Pode falar Zelão — ela disse depois de um minuto onde o capanga parecia indeciso em abrir a boca ou fechar, estavam parados debaixo da velha árvore que a semanas atrás era testemunha de seus beijos.

Prefessora..– ele começou exitante, o que a deixava ainda mais nervosa. — Ieu tive uma prosa com minha mãe..e inhela me abriu o zóio. — Juliana não teve muito tempo para processar a informação, Zelão se adiantara para ela, pegando uma de suas mãos e depositando em cima do peito, da mesma forma que havia feito da primeira vez que se beijaram. Ela viu uma lágrima escorrer dos olhos negros marcados a kajal, sentiu uma vontade imensa de abraça-lo na mesma hora, mas seu próprio peito subia e descia de ansiedade, e seus olhos encontravam-se marejados, como se soubesse o que viria a seguir. — O que ieu tenho pra lhe dizer Juliana, é muito do sério, ieu quero que ocê escurte bem caso de quê ieu só digo uma vez — Ele se aproximou mais ainda, agora estava a centímetros de seu rosto, ela podia sentia sua respiração e seu hálito fresco quando ele voltou a falar — Ieu tentei, ieu juro que ieu tentei lhe esquecer, mai nada do que ieu fiz resorveu, isso porque eu lhe amo prefessora — As lágrimas agora desciam copiosas pelo rosto da moça, esperara ouvir isso desde o momento que havia deixado o capanga partir, e agora ele estava ali, em sua frente dizendo com a voz embargada tudo que precisava escutar. — E ieu sei que num sõ grande coisa, mai o amor que eu lhe tenho é maió do que esse mundo todo, tão grande que já num cabe nas caixa do coração. Entonse ocê senti assim — ele levou dois dedos a cima fazendo um gesto de medição — um tiquinho só desse amor por ieu, ocê por favor me perdoa, que ieu num posso mai imaginar viver sem ocê minha princesa.

Quando Zelão terminou de falar, Juliana tinha várias coisas que poderia dizer, mas teria tempo pra isso, apesar de seus olhos já serem um rio de lágrimas diante da declaração do capanga, ver ele chorando como um menino em sua frente, praticamente implorando por algo que já era dele, era demais pra ela. Sua única reação naquela hora foi de pular nos braços do homem que amava, e demonstrar com seu beijo o tamanho do amor que sentia por ele, esse que também não cabia "nas caixa do coração"

Eu também te amo meu príncipe – a única coisa que foi capaz de dizer no meio dos beijos que se seguiram, finalmente estava onde deveria estar. Nos braços do único homem que era capaz de faze-la feliz.

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Nem sinar do noivo, óia, ieu falei procê fia, ieu disse pra num confiar..ele é bem capaz de te deixa no arta. — Dona Tê dizia espiando pela janela do quarto enquanto Juliana ajudava a arrumar o vestido de noiva da ruiva. Foi a amiga que se pronunciou, já que ela mesmo já estava desesperada com a possibilidade, será que Nando iria deixa-la?

Dona Tê, com todo respeito que lhe tenho, mais convenhamos — Juliana começou chamando então a atenção da mulher para si — Isso lá é coisa que se diga? Parece até que a senhora está torcendo para que isso aconteça. — Gina viu a mão passar pelas cores do arco-íris e fechar e abrir a boca como se ponderasse algo a dizer, no fim optou por se calar. — Minha amiga, o Ferdinando lhe ama, você acha que ele armaria esse circo todo só para desistir faltando tão pouco? – ela dizia arrumando o véu — Nem pense em comprar essa história de sua mãe, vamos lá, sorria — ela falou pegando em seu queixo — Hoje é o dia do seu casamento, com o homem que ama, você tem que estar feliz. — Gina pensou por um instante e finalmente abriu um sorriso, não tinha realmente o porque acreditar nas coisas que a mãe estava insinuando, Ferdinando não ganharia nada armando tudo aquilo para fugir no ultimo minuto. — Isso, agora eu vou descer na frente encontrar o Zelão já que somos padrinhos, para ficarmos no altar — ela viu a amiga indo até a janela e voltando com um sorriso de orelha a orelha para dizer — Ao lado de seu noivo, que pelo que acabei de ver, parece tão ou mais ansioso que a senhorita. — Ela saiu correndo do quarto as gargalhadas diante do susto de Dona Tê, então finalmente Ferdinando estava a esperando, seu estômago revirou de nervosismo, era a hora.

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Ara! Ela ta demorando por demais ocês não acham? — Ferdinando dizia andando de um lado para o outro arrumando a gravata.

Fique calmo meu amigo, as noivas sempre atrasam, é o costume. — Renato disse pondo a mão no ombro de Nando para faze-la parar num lugar só.

O tenho que concordar com esse..dotorzinho. — Foi Zelão que disse vindo ao seu outro lado e depositando também uma mão em seu ombro — Ocê fique carmo, põe os miólo pra funciona. — Ele falou puxando Nando e Renato para um lado — Se ocê conseguiu arranca um beijo dela — continuou puxando os dois para o outro lado — entonse ocê também casa sô.

Ferdinando ponderou o que os amigos haviam lhe dito mas mesmo assim sua mente pregava-lhe peças com imagens de Gina o abandonando no altar, não saberia como agir se tal coisa acontecesse. Foi Juliana que chegou para acalmar seu coração. Ela deu um selinho em Zelão, fazendo Renato torcer o nariz e veio até Nando para dizer em seu ouvido:

Pronto para a fera? — Ela disse se apontando para o final do corredor a sua frente, ele apertou os olhos e finalmente a enxergou.

Sendo trazida a passos curtos por seu Pedro Falcão, ele viu a ruiva em um vestido branco, longo que se estendia um metro até depois dela, subiu os olhos pelo corpo da moça guardando em sua memória cada detalhe, quando enfim encontrou seus olhos, viu neles o mesmo que sabia ser nítido nos seus, Gina estava com os olhos marejados, tinha um sorriso que poderia iluminar a cidade, ele não poderia por em palavras o quão perfeito sua menininha estava, ele só podia dizer que se precisasse ter somente uma lembrança na vida, seria esta, a de Gina caminhando em seu direção, sorrindo para ele. Piscou os olhos algumas vezes para ter certeza de não estar sonhando, mas não estava, era real, estava prestar a declarar como esposa a mulher mais linda que existia.

Com os últimos três passos ela finalmente chegou até ele, seu Pedro Falcão que também tinha os olhos vermelhos de tanto chorar, entregou a ele o braço da filha, com um gesto que Nando entendeu como "Cuide bem dela". Ele segurou a mão tremula de Gina entre as dele e aproximou seu rosto do dela para dizer baixinho: "Ocê ta perfeita menininha", viu ela sorrir ao ouvi-lo, mas Padre Santo já estava chamando suas atenções, agora faltava pouco.

Depois de longos minutos que o Padre fez um discurso falando sobre as "regras" do casamento, em que todos os convidados estavam a ponto de reclamar, ele finalmente chegou ao ponto.

Agora, eu quero que repitam comigo — ele disse mandando Gina e Ferdinando virarem-se um de frente para o outro.

"O amor é sempre paciente e generoso;

E nunca é invejoso;

O amor nunca é prepotente nem orgulhoso;

Não é rude nem egoísta;

Não se ofende nem se recente do mal;

Não se alegra com o pecado alheio;

Mas regojiza-se com a verdade;

Ele tudo perdoa, tudo crê, tudo espera e tudo tolera;

Seja o que vier;"

Ferdinando e Gina repetiram as palavras do Padre enquanto todos os escutavam em silêncio. Para logo em seguida o Padre dizer que eles poderiam falar seus votos. Ferdinando viu o rosto de Gina corar, mas mesmo assim a moça tomou a partida.

Nando, ocê sabe que ieu num so uma moça muito estudada, a única coisa que ieu sei faze meior que ocê é mexer com a terra–Ferdinando não pode deixar de rir assim como todos os outros — Bom, ocê mai do que ninguém sabe que ieu so um pouco rabugenta — a cabana onde estava sendo realizado o casamento se explodiu em gargalhadas, a própria ruiva riu entendendo o recado — Ta bão, ta bão, muito rabugenta. Mai o que ieu quero dize é que mermo com esse meu jeito, ocê nunca desistiu de mim, nem quando eu lhe tratava mal e lhe mandava embora, e ieu só tenho a agradece ocê por isso, caso de que ocê conquistou meu afeto, meu amor desde o inicio, e ieu boba quis te afastar por medo. Mai ocê como a Juliana diz — ela lançou um olhar a amiga e fez uma imitação para falar correto — persistiu até o fim, e com a sua força, acabou com a fraqueza que havia em mim, a única que ieu precisava de ajuda pra resorve. Ieu sempre achei que num fosse boa o suficiente procê — ela disse no mesmo instante que Nando negava com um gesto tamanha bobagem, então ela prosseguiu com a voz já embargada — É verdade, ieu sempre achei isso, mai ocê me ensino com esse seu jeitinho que quando a gente ama alguém, a gente se torna um só. E desde que ieu descobri esse amor que lhe tenho, esse que de tão grande chega a doer, ieu sei que num posso mai viver um dia sem ocê, caso de que agora nóis somos um só. — Desciam lágrimas copiosas dos olhos da moça enquanto ela pegou a aliança em cima do altar e para dizer — Ocê é o homi da minha vida, e ieu lhe amo mai que tudo Ferdinando Napoleão. — Ela disse por fim colocando a aliança no dedo do moço que tremia como ela de emoção, no silencio do momento dava para se escutar algumas mulheres soluçando. Ferdinando respirou fundo alguns segundos para começar a falar seus votos.

Gina, como ocê disse, ieu mais do que ninguém sei o quão difícil foi conseguir lhe domar minha fera- ela deu um tapa de leve em sua mão enquanto ele e todos no lugar riam — Mai como ocê disse também, ieu num desisti nunca, e faria tudo de novo porque até quando ocê mesma num sabia, eu ja tinha certeza de que ocê me amava tanto quanto eu lhe amo. — Ela confirmou com um aceno e ouviu-se mais soluços vindo dos convidados, ele suspirou fundo novamente para voltar a falar sério — Toda vez que ieu olho procê, ieu sinto como se fosse a primeira vez, ocê disse que ieu sou um moço estudado, mai eu num sei se consigo por em palavras tudo que ieu sinto quando estou com ocê Gina. Nós dois sabemos como não precisamos de muito para entender, ieu acho incrível como ocê consegue falar diretamente ao meu coração, sem dizer uma palavra ocê consegue iluminar a escuridão. Todos ocês que tão aqui podem tentar, mais jamais vão conseguir definir assim como eu, o que foi dito entre o seu coração e o meu — Ele disse apontando para o peito de Gina e depois para o seu, a ruiva tinha um sorriso enorme no rosto — O sorriso no seu rosto, me faz saber que ocê precisa de mim, existe uma verdade nos seus olhos dizendo que ocê nunca vai me deixar, quando ocê me toca, ieu sinto que ocê sempre vai estar por perto pra me segurar onde quer que ieu caia. E como ieu disse, a gente se entende, e ieu posso dizer que vejo tudo isso, e entendo tudo isso quando lhe olho, sem que ocê diga nada. — Quando ele terminou essa frase, até os homens no recinto tinham os olhos marejados, e Gina agora chorava descontroladamente, ele até pensou que tivesse dito algo errado, mas ela disse sem emitir som "Eu lhe amo". Então ele pegou a outra aliança em cima do altar e disse — Ocê Gina Falcão, é a mulher da minha vida, e ieu lhe amo hoje muito mais que ontem, e como diria o Zelão — ele acenou para o amigo que estava prestes a chorar também — dentro das caixa do meu coração, vou te amar amanhã muito mais que hoje, e cada dia mais pelo resto da minha vida. — ele finalizou colocando a aliança no dedo da ruiva. Tudo parecia um sonho naquele momento, e todos esperavam ansiosos o padre encerrar.

Bom, com isso então.. — ele falou fechando a bíblia — Eu vos declaro Marido e Mulher. Ocê pode beijar a noiva;

Ferdinando não precisou pensar duas vezes, Gina já lhe estendia os braços, quando ele a pegou no colo beijando a menininha que agora era sua mulher, em meio a aplausos e gritos de euforia dos convidados.

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Juliana estava ajudando Dona Tê a distribuir pedaços de bolo aos convidados que rodeavam a mesa, ela observou de longe Gina e Ferdinando, a ruiva estava sentando no colo de Nando enquanto se beijavam ternamente. A moça sorriu com a visão, não podia estar mais feliz, sua amiga estava casada com o homem que amava, e dava para ver nos olhos dos dois que não cabiam em si, tamanha alegria em que se encontravam. Todos na vila de Santa Fé pareciam ter sido envolvidos pelo amor dos dois, ela via dali todos os casais juntinhos, e muitos indo cumprimentar os noivos, até seu Giáco parecia ter entrado no clima já que estava com a menina que Juliana conhecia por ser a empregada de Dona Catarina, madrasta de Nando. Ficou feliz pelo italiano, depois que Milita e Viramundo tinham partido, ele se sentia muito só, e agora transbordava felicidade. Até Dona Tê ao seu lado estava com um sorriso de orelha a orelha, parecia enfim ter rendido-se ao amor de Ferdinando por sua filha. Passou os olhos no salão dentro da cabana procurando Zelão, mas ele não estava ali, viu apenas o Coronel Epa e seu Pedro Falcão girando e pulando numa dança que ela nunca antes ouvira falar.

Antes que pudesse ficar preocupada pelo sumiço do capanga, sentiu dois braços envolverem sua cintura por trás, e uma voz rouca que lhe arrepiou todos os pelos do corpo, dizer ao pé do ouvido:

Vem com eu princesa — ela sorriu e não titubeou em sair do meio dos convidados indo em direção a escola que estava esquecida em cima do morro com toda aquela festa, Zelão a segurava pela mão para apressa-la, ela perguntou algumas vezes onde ele estava a levando mas ele nem a olhava, não demorou muito até chegarem a escola e ele ia a sua frente abrir a porta, ela viu pela fresta que tinha algumas velas iluminando a pequena sala, sabia que não havia deixado vela alguma acessa.

Ocê só abre os zóio quando eu mandar — ele disse vindo por trás dela novamente e colocando as mãos em cima de seus olhos, agora sim ela estava em pânico, o que afinal ele queria trazendo-a ali?

Eles deram alguns passos e pelo calor que emanava das velas ela sabia já estar dentro da pequena sala de aula, suas mãos estavam suando, não sabia como lidar com o desconhecido. Mais alguns passos e eles esbarraram em uma carteira, ela ouviu ele murmurar um "descurpe", depois de mais dois passos ele tirou as mãos de seus olhos.

Pode abrir — Juliana estava em frente ao quadro negro, com Zelão parado ao seu lado sorrindo, ela leu as palavras que nele estavam escritas aos garranchos, mas não tinha duvidas, porém levou alguns segundos para processar. Uma lágrima escorregou de seus olhos no instante em que ela olhou sorrindo para Zelão.

Sim, SIM, SIM e SIM– ela disse jogando os braços ao redor do pescoço do capanga, ele a abraçou apertado e agora não se sabia que lugar da vila de Santa Fé estava mais envolto por felicidade, finalmente tudo ficaria bem. Os dois se beijaram apaixonadamente tentando demonstrar tamanha alegria que invadia o peito de ambos. Sem saber que pela janela da escolinha estavam sendo vigiados pelos mais recém-casados Gina e Ferdinando, os dois se olharam sorrindo ao lerem o que estava escrito no quadro negro atrás de Zelão e Juliana.

"Ocê aceita casa com eu..prefessora?"

Notas finais
Ta acabando..usei trechos de duas músicas nos votos de casamentos dos dois. Quem souber me dizer que músicas são essas vai ganhar um jantar com o Johnny Massaro...Não, sacanagem haha. XoXo