O Beijo das Estrelas
3 Ele
Notas iniciais
– Sr. Manzzochi, nós já chegamos. – anunciou o piloto.
A viagem tinha durado cerca de quarenta minutos e eu estava ainda um pouco sonolento devido ao cochilo que havia tirado durante o trajeto. Desci do jatinho e vi que as minhas malas já estavam do lado de fora. Avistei de longe o meu motorista que estava chegando para me levar ate em casa.
Cheguei ao meu apartamento e percebi que estava com fome. Liguei para um restaurante chinês e em quanto esperava pela entrega, eu fui tomar banho.
Almocei bem devagar saboreando o que era um dos meus pratos favoritos e lembrei que tinha ficado de ligar para a minha mãe. Terminei a minha refeição e peguei o celular. Sentei no sofá e no primeiro toque ela atendeu.
– Marcus que demora a me ligar, já estava ficando preocupada.
– Calma mãe, eu estou bem. – disse tentando acalma-la.
– Você chegou que horas meu filho? Como foi a viagem? Ocorreu tudo bem? Como está o Henrique? Você vai viajar pra algum lugar? — A mamãe sempre foi assim, ela nunca fazia uma pergunta por vez, eram todas aleatoriamente e tínhamos que responder na ordem em que ela perguntou, já estava acostumado.
– Mãe, uma pergunta de cada vez ok?- disse já zonzo de tanta interrogação.
– Será que dar pra começar a responder?
– Pra começar eu cheguei não deve ter nem três horas. A viagem... Bom, a senhora deve imaginar que foi cansativa como sempre, mas ocorreu tudo bem sim. O Henrique esta bem e vai levar o Chris para a Disney, e eu não sei se vou viajar.
– E porque não?
– Porque estou pensando em passar algum tempo sem arrumar malas, se e que você me entende.
– Entendo. Três meses fora de casa, você deve sentir falta do seu closet. E quando você vira aqui ver a sua família?
– Em breve.
– Hoje à noite. Venha jantar conosco querido, vai ser ótimo para o seu pai saber como é que estão indo os negócios dele. – ‘’ negócios dele’’ será que a mamãe não tinha percebido que eu havia assumido as empresas e que os negócios desde então eram meus?
– Mamãe deixe-me lembrar à senhora que quem administra agora os supermercados sou eu.
– Me desculpe querido, é que eu ainda não me acostumei com a ideia – depois de quase sete anos, pensei. — mas voltando ao assunto, vai vim ou não?
– E eu tenho escolha?
– Ótimo – ela respondeu por meio de um sorriso – esteja aqui as dezoito e trinta, e, por favor, não se atrase. Estou com saudades.
– Tudo bem mãe. Até.
– Até.
Desliguei o celular e encostei a cabeça no sofá pensando se eu realmente estava a fim de jantar com os meus pais, discutir sobre os mesmo assuntos, contar detalhes de como o trabalho estava evoluindo, a sociedade, filhos... Percebi que não seria algo tão ruim assim, pelo menos não iria ter que ligar pra pedir comida e mataria as saudades que a minha mãe estava sentindo de mim.
Deitado no sofá da sala, senti que ainda estava com sono e cansado, pensei em ir para o quarto e dormi a tarde inteira, e só acordaria para ir jantar na casa dos meus pais. Mas antes disso eu me lembrei de ligar para o Henrique e perguntar como o Tio Thomaz estava indo com as consultas no psicólogo. O Sr. Thomaz Becker era irmão do Sr. Willian, e eu o chamava assim porque as famílias eram unidas e eu o considerava muito. Desde que a tia Susan e os três primos do Rique, Jane, Ryan e Jason faleceram no incêndio que aconteceu dentro da própria casa, o tio Thomaz nunca mais foi o mesmo. Ele se sentia responsável por tudo que aconteceu, sentia que poderia ter feito alguma coisa pra salva-los. Infelizmente quando ele chegou do trabalho, a casa já estava em chamas, e ninguém se salvou porque estavam todos dormindo. Tudo aconteceu há um ano, e ele sempre ameaçou que ia se matar e tinha muitos pesadelos. Ele nunca havia pensado em procurar ajuda, mas depois que o Rique implorou foi que ele decidiu fazer as consultas todas as segundas, quartas e sextas com psicólogo.
Disquei o número do Rique e ele atendeu.
– Alô?
– Rique, é o Marcus. Fez boa viagem?
– Ah! Oi Marcus, fiz sim e você?
– Eu também. Chegou que horas?
– Cheguei tem vinte minutos em casa. Eu tive que passar no meu pai antes para ele ver o Chris.
– E como o grande o Seu Willian vai?
– Está tudo bem com ele. Fico feliz de vê-lo saindo para excursões com pessoas da sua idade. – mesmo crescendo praticamente rejeitado pelo pai, Rique sempre o respeitou e nunca se revoltou contra ele. Levava o Chris sempre que podia para ver o avô, porque apesar de tudo, como ele mesmo dizia, pai é pai, e o tio Willian adorava o seu neto. – e a sua família, já falou com a sua mãe?
– Já falei com ela sim, vou jantar na casa deles hoje à noite.
– Mas olha só, vai jantar com os pais, que milagre!- disse ele em tom irônico.
– Será que dar pra parar? — o escutei sorrindo do outro lado da linha- Eu liguei na verdade pra saber como vai o Tio Thomaz?
– Está melhorando a cada dia. As consultas com a doutora Luiza estão ajudando muito.
–Que bom! É uma ótima noticia.
– É mesmo... – ficou um silencio de dez segundos.
– Bom Rique, era só isso. Agora eu vou dormir a tarde inteira porque eu realmente preciso e mereço.
– Tudo bem, até mais meu irmão.
– Até.
Desliguei o celular e caminhei até o quarto. Quase não dava pra acreditar que teria uma tarde inteira só pra dormir sem que ninguém me incomodasse. Desliguei meus dois celulares e programei o relógio para despertar dezesseis horas. Assim daria tempo de passar na praia antes e dar um mergulho, há muito tempo eu não sabia o que era isso e era a coisa que mais gostava de fazer.
Fale com o autor