O sol já iluminara toda a cidade de Saint Rain. Toda a família de Milo já estava de pé, preparando-se para o famoso piquenique em família que acontecia todos os anos nessa mesma data. Era 3 de Março, e tudo que Milo queria para o dia era um campo verde para ele e seus pais estenderem a antiga toalha xadrez.

Dez minutos depois que eles saíram de sua cada antiga da Rua Gold eles chegaram ao parque Summer onde vários pais já se divertiam com seus filhos.

Milo ouvia os pássaros interagindo afetuosamente nos galhos da árvore onde seus pais haviam colocado a toalha e puseram a cesta farta de alimentos. Todos estavam sentados ao redor da cesta.

– Vou dar um passeio pelo parque, já volto. – avisara Milo aos pais.

– Não demore muito. – disse sua mãe.

Milo levanta-se e sai rapidamente, andando pelo terra molhada do parque. A brisa suave arrepia os pelos do corpo de Milo ao bater em sua nuca que estava nua. Ele amava aquilo. Sentir o cheiro do sol em sua pele, da terra que ainda estava úmida da chuva da madrugada.

O parque era extenso, e possuía uma colina – que Milo nunca havia ido. – ao longe. Seus pais não permitiam que ele fosse até lá, porém algo lá o chamava, e por algum motivo hoje o chamado estava mais poderoso.

Milo subira rapidamente a colina, e por incrível que pareça, apesar de ainda ser 7h da manhã o sol já estava sob a cabeça de Milo, em cima da colina, o que era muito, muito estranho.

Uma energia estranha tomava conta daquela colina, Milo sentia-se pesado, de uma forma boa. O garoto ainda sentia que o ar o circundava, protegendo-o, ou apenas formando uma barreira invisível e imperceptível aos olhos dos outros. Milo abre as palmas das mãos e olha bem para elas, estavam suadas e de algumas formas manchadas de preto, com formas esquisitas que mais pareciam borrões.

Era seguro estar ali?

Foi então que Milo sentiu. A terra abaixo de si tremeu violentamente, derrubando-o, porém ninguém mais parecia ter sentido, todos continuavam com suas tarefas normalmente. O ar dos pulmões de Milo foi expulso quando ele viu o céu que estava claro se tornar uma única nuvem negra, gigante e espessa, e então a lua aparece.

– Socorro. – balbuciou Milo, porém não havia ar suficiente para conseguir falar algo.

A lua brilhou fortemente acima de Milo, como um holofote em cima de um astro no palco. A gravidade estava contra Milo também, ele a puxava para cima, fazendo o garoto flutuar, ele havia imaginado dias antes como seria voar, planar ou flutuar, mas nunca imaginou que fosse descobrir dessa forma.

A nuvem se transformou em um tornado negro e sombrio, que havia engolido o pobre garoto que agora estava quase chorando, assustado. Um enorme ruído fez o ouvido de Milo tinir, e o garoto fez uma careta de dor. O que é isso? Perguntava Milo a si próprio. A luz da lua se aproximava ainda mais do garoto, e então uma explosão brilhante fez com que tudo sumisse. O garoto caiu violentamente no chão, e logo depois desmaiou.