Milo se sentia realmente traído, não conseguia suportar pensar no que seus pais lhe fizeram passar. Psiquiatra todas as quintas. Argh. Ele realmente não conseguia suportar o fato de que iria perder suas quintas conversando com alguém que ele mal conhece. Mas esse era o preço por dizer a verdade – todos achavam que ele era louco, e talvez ele fosse, porém ele nunca podia imaginar que seus pais iriam ficar do lado do resto da população da pacata Saint Rain.

Depois de tudo o que aconteceu no parque, Milo se sente estranho, de alguma forma ele se sente finalmente livre, para fazer o que quisesse. Só havia um problema em sua vida agora, o colégio.

Hoje é o primeiro dia de aula do 9º ano de Milo, e ele mal pode esperar para que o ano acabe novamente para poder ficar até tarde na cama todos os dias.

Como sempre ele mal conseguia suportar o clima de volta as aulas que todo ano dentro do colégio. A escola Rexon proporciona uma grande chance a seus alunos, chance essa que os pais de Milo não iriam deixa-lo desperdiçar. Mas o garoto queria sim desperdiçar essa chance, não queria entrar na faculdade e fazer engenharia eletrônica por ser forçado.

O clima estava como sempre em Sant Rain, ameno, e isso irrita o garoto. Milo não se acostumava nunca com aquela cidade, ela era totalmente calma, e não era o melhor local para se passar férias, apesar dele nunca ter saído daqui nas férias, o que o deixava realmente muito frustrado.

A Rexon estava como sempre à mesma, o antigo prédio da II Guerra Mundial funcionava como a escola, e nunca fora reformado, o estado atual era deprimente, e desde seu primeiro dia nessa escola ele nunca se acostumou. Paredes com tintas já descascando, teto já frágil, faltando poucos anos para finalmente desabar e, o chão de madeira que rangia de forma extremamente irritante. Isso para Milo era pior do que o horror que ele havia passado no parque multiplicado cem vezes.

Assim como o resto do prédio as salas estavam exatamente às mesmas. Eram amplas, com várias janelas quadrangulares, uma lousa de giz, a mesa do professor de madeira já podre, assim como as carteiras que os alunos se sentavam. Aquilo era o inferno na Saint Rain.

As salas já estavam quase que completamente cheias quando o sinal tocou dando início ao ano letivo. Milo sentira uma angustia enorme ao ver seu “querido” professor de história, Sr. Tonner, entra na sala com sua antiga pasta de couro preto. Atrás dele entrara vagarosamente uma garota loira, alta. Todos pararam para olhar a garota enquanto ela entrava, inclusive Milo. Quem seria idiota o suficiente para vir parar nesse inferno? Perguntava-se Milo.

A garota pôs sua pasta escura de tecido na cadeira atrás de Milo, e sentou-se, calada.

– Bom dia alunos. – disse o Sr. Tonner. – Hoje começa novamente o ano letivo, e esse ano como em todos os outros pedirei a vocês apenas duas coisas. – Milo sabia o que Sr. Tonner iria falar muito antes dele dizer. – Dedicação e, trabalho em equipe. – o homem abriu sua pasta e pôs algumas folhas na mesa de madeira podre. – E para começarmos com o trabalho em equipe eu irei sortear dois nomes para fazer um trabalho sobre a II Guerra Mundial.

Ótimo! Pensara Milo. Mas um trabalho sobre a II Guerra Mundial.

Sr. Tonner pegou uma única folha de sua pasta e começou a escrever os nomes de todos os 13 alunos de sua sala, depois ele rasgou as folhas e juntou todos os pedacinhos com os nomes dos alunos na mão e começou a balançar.

– Vamos lá! – disse ele. – O primeiro grupo será formado por Olivia e Sarah. – Milo olhou de soslaio para as garotas que se abraçavam, contentes por fazer trabalho juntas. – O segundo grupo é Milo e Aileen.

Milo interrompeu sua respiração bruscamente, e olhou para a garota atrás dele que desenhava algo em uma folha de papel de cabeça baixa. Ela? A garota ainda não havia se apresentado, porém ele sabia o nome de todos os alunos da Rexon, e nenhum deles chama-se Aileen.Milo não conseguia acreditar, porque teria caído logo com a novata no primeiro dia de aula? Sim, aquilo era o inferno na Saint Rain para Milo.

Depois que o sinal tocou, Milo fora atrás de Aileen, porém a garota não estava em lugar nenhum, simplesmente tinha sumida depois do fim do primeiro horário. Milo precisava falar com ela, conhece-la um pouco antes de deixa-la entrar em sua casa – ou ele entrar na casa dela. – para fazer o trabalho.

– Vocês viram à novata? – perguntou Milo para um grupo de garotas que fofocavam no corredor.

– Não. – disseram elas quase em uníssono.

Milo estava quase perdendo as esperanças, mas então finalmente ele a viu. Um cabelo loiro tênue, um rosto pálido, porém os lábios eram realmente vermelhos, de uma forma extremamente sexy. Ela andava tentando não esbarrar com ninguém. Milo correu atrás dela.

– Aileen. – gritou ele enquanto acenava.

A garota olhou por cima do ombro para ele, mas não parou, ao contrário, acelerou ainda mais os passos de tal forma que Milo teve que correr ainda mais para alcança-la.

– Ei! – disse Milo enquanto virava a garota violentamente.

– Me solta! – disse Aileen enquanto empurrava Milo que segurava seus ombros fortemente.

– Relaxa, só vim falar com você sobre o trabalho.

Aileen revirou os olhos, desinteressada.

– Quando você estará livre?

– Não sei, quando estiver te avisou tá legal? – dizia ela enquanto saia de perto de Milo.

O garoto ficou ali, parado, olhando Aileen enquanto ela sumia no meio daquela multidão de pessoas.

Afinal, quem era Aileen? Milo queria de uma forma quase que psicopata saber.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.