O Bando
14 O confronto (Capítulo 14)
Notas iniciais
Pensamento do Arthus
Chegamos na margem da floresta, eu mandei que Mark e Akila entrassem na mata na forma de lobos a procura da Juli e das duas garotas, em pouco tempo o Akila chega puxando uma menina pelo braço, era a mesma garota que tinha sido raptada, perguntei seu nome e ela hesitou em responder, perguntei de forma bem clara: “ QUAL É O SEU NOME?” em voz alta para que ela se assustasse e finalmente ela me respondeu: “ Bia”.
Arthus: “ Muito bem Bia, onde está a Juli e o seu bando?”
Bia: “ Não sei do que você está falando”
Arthus: “ Muito bem Bia, só irei te perguntar mais uma vez...ONDE ESTÁ A JULI E O SEU BANDO?”
Bia: “ você é um deles né? Quer dizer vocês todos são?”
Arthus: “ um deles garota? O que você acha que é agora?” eu puxei o seu cabelo do ombro mostrando a marca que ela tinha no pescoço
Arthus: “ Não, Você é um de nós! Vamos desembucha onde está a Juli!”
Bia: “está no fundo da floresta com a Rachel, caçando!”
Arthus: “ Akila, você fica com a nossa refém e eu e o bando vamos atrás delas!”
Akila: “ e como encontro vocês depois?”
Arthus: “ eu te darei um sinal!”
Chegamos mais a fundo da floresta e a encontrei devorando restos do que seria um humano, voltei àforma humana e comecei a aplaudir.
Arthus: “ Parabéns Juli, acho que você achou o bando certo para fazer parte ein? Sem nenhuma regra, sem nenhuma organização, estou surpreso, não foi você mesmo que disse que iria me ensinar a ter um bando?”
Ela virou em minha direção na forma de lobo, deu um pulo e voltou à forma humana, limpou a boca ainda suja de sangue e falou: “ Ah Rá Arthus, a que devo a honra da sua presença? Veio aprender a ter um bando de verdade? E não esse grupinho de merda que você tem?”
Arthus: “ Que eu me lembre Juli, você não queria sair desse “grupinho de merda” e fui eu quem te mandei embora garota! Me responde uma coisa, cadê o lobo que vai me fazer aprender a ter um bando? Não estou vendo ele por aqui!”
Neste momento ouvi um barulho no alto da floresta, e vi uma grande sombra, um lobo negro, enorme surgiu dos arbustos, o seu tamanho era o dobro de qualquer um de nós, ao seu lado havia outro lobo cor avermelhada. Por um momento me arrepiei e temi, pois era o lobo que tinha me atacado naquela noite em que perdi Helene, os mesmos olhos vermelhos, a ultima coisa que vi antes de cair desacordado, mas havia um detalhe que eu não tinha percebido, era uma fêmea e não um macho como eu pensava. Olhei pro meu bando todos me olhavam com caras assustadas.
Juli: “ O Lobo que organiza isso? Acho que a resposta vai vir até você, Arthus! Adeus Arthus!”
Naquele momento voltei à forma de lobo rapidamente, pois seria arriscado ficar na forma humana, meu bando me seguiu se transformando também, soltei um uivo alto para chamar o Akila para perto, e todos se posicionaram ao meu lado, eu avancei um pouco a frente para mostrar para o lobo negro que aquele era meu território e rosnei para que ele soubesse que se ultrapassasse aquela linha entre nós, aquilo iria virar uma guerra. O lobo não se importou com o meu aviso seguiu na minha direção sem se quer hesitar então eu rosnei ainda mais alto para tentar intimidar e o que eu ouvi de volta foi um estrondo que parecia mais um trovão, mas na verdade era o rosnado do lobo negro e então o bando dele se posicionou na frente do meu, a Juli ainda estava na forma humana e gritou: “ Ela quer a Bia, Arthus, solte-a”
Eu rosnei negando o seu pedido e então o lobo negro se virou em direção ao Akila para atacá-lo com intenção de pegar a garota e eu avancei para cima dele e em questão de segundos eu estava no chão, não foi um golpe pra me machucar, mas para me tirar do caminho só que isso provocou no meu bando uma reação e então em questão de minutos todos estavam se enfrentando, Minha mãe enfrentava o lobo que estava com Juli (Rachel), Minha irmã, Anna estava lutando com o lobo avermelhado ( Sarah), Mark lutava com a matriarca do bando tentando defender o Akila. E então senti uma mordida em uma das patas, era a Juli se ela queria brincar, então eu iria brincar com ela, mas dessa vez ela não ia sair viva da brincadeira. Ela correu para que eu fosse atrás dela e então a segui, até uma parte mais densa da floresta porém não a achei, virei para os lados e nada dela, então senti um ataque nas minhas costas, típico da Juli, atacar por atrás, a derrubei e quando vi, uma surpresa não era a Juli quem havia me atacado, era o lobo que estava lutando com a minha mãe (Rachel) e então percebi que aquilo era uma emboscada, a Juli não queria me atacar, ela queria a matriarca do meu bando! Eu queria recuar , voltar para o meu bando, mas aquele lobo não deixava e a cada segundo que eu passava preso ali poderia ser definitivo para perder a matriarca. Então eu decidi, eu tinha que matar aquele lobo, não havia nada que eu pudesse fazer, tinha que matar um semelhante mas eu não podia perder a matriarca, avancei até o pescoço do lobo e o torci com uma mordida, o lobo caiu gemendo de dor e aos poucos se transformava em uma garota, seus cabelos estavam encharcados de sangue e sua respiração cada vez mais fraca mostrava que ela estava morrendo, o seu coração agora já parava de bater, aquilo me doeu, nunca precisei matar nenhum semelhante, aquilo era uma guerra e eu tinha que salvar o meu bando.
Eu corri até chegar à parte da floresta em que todos se enfrentavam temendo ver o pior e foi o que eu vi, exatamente como eu tinha pensando, a Juli agora estava em cima da matriarca do meu bando, ela atacava a mulher quem criou e cuidou dela, quem a fez parte da família, quem a ensinou a caçar e a se sentir uma de nós. Aquilo me fez delirar de raiva, a minha raiva era enorme eu só queria matar a Juli, corri até ela e cravei meus dentes em suas costas, puxando-a para longe da matriarca. Olhei para minha mãe ali no chão ainda na forma de lobo, sangrando e virando os olhos, eu tentava reanimá-la, lambia o seu rosto, e seus ferimentos, mas ela já estava se transformando em sua forma humana novamente, eu a empurrava com a minha pata para longe do campo de batalha que aquela clareira tinha se transformado, um gemido alto de dor soou pela floresta, era meu, era a minha dor agora em forma sonora, eu havia perdido a minha mãe, o meu exemplo, quem me fez ser quem eu sou, eu já tinha perdido a Helene e agora a minha mãe, todas essas perdas feitas por uma só pessoa e eu me virava em direção a esta pessoa agora, que estava desmaiada perto de um tronco, com o golpe que eu dei ela bateu nele e caiu, era a oportunidade que eu tinha, eu ia matá-la, dilacerar aquele corpo, eu queria ela em pedaçinhos, literalmente.
Quando eu estava a menos de um metro dela, uma surpresa o lobo negro entrou na minha frente me impedindo de prosseguir com a minha vingança, mas eu não hesitei em prosseguir, eu não queria saber se ele iria me matar ou não, nada importava agora, eu só queria matar a Juli, então continuei e fui atingido por ele, mas levantei e continuei novamente foi aí que ele cravou os dentes em meus ombros e eu revidei mordendo a sua pata, foi então que ele avançou sobre mim e saímos rolando pela floresta, entre mordidas e arranhões, eu saí do confronto e me virei de volta para a Juli que agora já estava acordando, porém o lobo não desistia de defender a Juli aí eu decidi, eu iria matar o lobo primeiro e depois mataria a Juli, eu me virei para o lobo que estava bem a alguns metros na frente e corri até o seu encontro, pulei no ar com intenção de atingi-lo no pescoço, então cravei meus dentes no pescoço dele, porém neste momento ele também se virou pra mim e me mordeu no pescoço e com isso eu senti o sangue escorrer pela minha garganta e senti o meu corpo voltar a forma humana, é o que acontece quando somos seriamente feridos ou morremos. Aquele lobo tinha realmente me ferido, meus olhos procuraram o lobo para ver o que havia acontecido com ele e acharam um corpo seminu no lugar onde estava aquele lobo enorme tinha se tornado uma garota pequena, magrinha, não podia ser! no lugar de um lobo tão grande uma garota tão frágil, ela estava de costas pra mim e eu vi ali uma oportunidade de acabar com aquele bando, matando a matriarca, seria mais fácil matar o resto inclusive a Juli, me virei para o lado e peguei uma pedra grande, lutei pra levantar, ainda estava muito machucado, mas a minha raiva era maior, caminhei até o lado do corpo da menina que antes era um enorme lobo negro, ergui a pedra com minhas mãos , mirando na cabeça que era onde eu tinha de bater, mas a curiosidade me bateu e me fazia querer ver o rosto da garota que comandava esse bando, então com uma das mãos puxei seu ombro virando ela pra mim, meu deus, quando vi aquele rosto, minhas mãos não conseguiram mas sustentar a pedra, eu a joguei longe e me agachei chegando mais perto, para tentar acreditar naquilo que eu estava vendo, aquele rosto eu nunca mais esqueceria, o rosto que me vinha nos sonhos todas as noites desde em que eu tinha perdido ela, era a Helene, a minha Helene, tão frágil, tão humana. Eu fiquei tonto, não sabia mais se aquilo era sonho ou realidade, se era o meu sangue que estava acabando e eu estava morrendo e delirando mas eu queria mais daquilo, meus olhos encheram de lagrimas quando os olhos dela me encararam, um olhar confuso, desconcertado, sem entender o que estava acontecendo, ouvi a sua fraca voz falar: “ Arthus? O que você está fazendo aqui? Onde eu estou?” eu a responderia se eu pudesse, mas nessa hora eu ouvia o rosnado da Juli atrás de mim, eu olhei os olhos de vingança dela, ela iria matar a Helene, assim como tentou matar uma vez, assim como matou a minha mãe. Eu tentei reunir forças para me transformar, para tentar lutar com a Juli, mas o meu corte era profundo demais, para que eu pudesse, então com os restos da minha força eu me levantei e fiquei entre Helene e ela e falei quase sem forças: “Por favor Juli, não faça isso, não tire ela de mim novamente!
Sem chances, ela estava ali para matar, mas eu também ia ficar ali no meio, ela ia ter que me matar primeiro e ela veio, veio com tudo e eu pensei “esse é o meu fim”.
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