O Bando
15 Herança (Capítulo 15)
Notas iniciais
Pensamento de Helene
Acordei de um pesadelo e me deparei com o Arthus, que me olhava emocionado, como se me ver tivesse dado a ele um alívio tremendo, no pescoço dele havia um corte profundo, o sangue escorria pelo seu peito e eu me assustei perguntando:
“Arthus? ? O que você está fazendo aqui? Onde eu estou?” e ele sem responder ainda me olhava e agora as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Algo se movia atrás dele, era um enorme lobo e junto com aquela imagem me veio um Déjà vu na cabeça, eu já tinha estado naquele lugar, já tinha visto este lobo antes, e aos poucos um clarão surgiu na minha cabeça, me lembrei da Juli vir a minha casa me convidando a ir a floresta, me lembrei dos lobos que correram atrás de mim e finalmente me lembrei do que tinha visto, o Arthus se transformar em um lobo e ao lembrar disso me perguntei se eu estava ficando louca, quando ouvi o Arthus, que agora encarava o lobo na nossa frente falar:
““Por favor Juli, não faça isso, não tire ela de mim novamente!”
E aquilo me bateu como um caminhão a 200 km/h, minha cabeça simplesmente girou, ele chamou o lobo de Juli? Então aquilo tudo era real? Eles eram lobos? Como em filmes de terror? Eu simplesmente me negava a acreditar no que eu via e então vi o lobo se aproximar ainda mais do Arthus, ele mostrava os dentes o que indicava que ele iria atacá-lo, essa imagem fez um arrepio percorrer por toda a minha espinha, meu corpo começava a tremer, talvez eu estivesse com frio, de repente minha vista ficou turva e agora eu só via vultos, uma raiva tomava conta de mim e meu corpo se mexia por conta própria, me vi em cima do lobo que agora gemia de dor e vi também refletido nos olhos daquele lobo, um outro lobo, um lobo negro de olhos vermelhos, naquele momento eu entendi o que havia acontecido aquela noite em que fui atacada por lobos, eu tinha me tornado um também, mas ainda queria acreditar que aquilo tudo era um sonho daqueles que eu costumava ter, o lobo em baixo de mim fazia força para se livrar as minhas garras e eu continuava a afundá-las ainda mais dentro do corpo dele, até sentir sua respiração fraca que aos poucos parava e aquele grande lobo agora se transformava em uma garota era a Juli e aí eu vi que aquilo era real, tudo era real, o Arthus também era um lobo e eu tinha me tornado um. Me virei pro Arthus que agora estava desacordado, cheguei o focinho perto de seu rosto e sua respiração estava muito fraca, me desesperei, corria pra um lado e pro outro tentando me livrar daquele corpo de lobo, me sentia aprisionada dentro dele, não sabia como sair, queria ajudar o Arthus, mas eu não conseguiria naquela forma, então vi pessoas chegarem, o Akila , a irmã e o cunhado do Arthus chegaram e tentavam arrasta-lo eu me distanciei, com medo de assustá-los, porém a irmã do Arthus se aproximou de mim e falou:
“ eu sei que você está confusa, mas eu te explicarei quando tiver tempo, agora temos que levar o Arthus para vila, você me entende?” eu não sabia como responder aquilo, nem sabia que som sairia da minha boca eu simplesmente baixei a cabeça e a segui.
Passamos pela clareira que agora estava cheia de sangue e corpos, vi a mãe do Arthus de um lado, a garota que era minha vizinha do outro e cada vez minha mente processava os fatos ocorridos naquela semana, o ataque que tinha acontecido a Sarah, tinha sido eu, aquilo me soava assustador demais pra mim. Ao chegar na vila os primeiros raios de sol brilharam no céu e eu senti meu corpo desfalecer e quando acordei eu estava deitada em uma cama e na cama ao lado estava o Arthus, todo enfaixado, seu rosto suado por conta da febre alta mostrava uma expressão de dor , eu me aproximei dele tentando o acalmar, porém Anna( a irmã de Arthus) me pegou pelo braço e me tirou dali dizendo.
“Você precisa sair daqui, você não pode ficar nervosa assim”
E eu disse: “ Como não vou ficar nervosa? Ele está morrendo! Vocês precisam chamar um médico!”
Anna: “ Não podemos Helene, ele vai ficar confuso quando ver como nossa recuperação é rápida e quase impossível de se acontecer com um humano de verdade!”
Helene: “ Mas ele precisa de ajuda Anna, não pode sofrer assim!”
Anna: “ calma chamamos uma curandeira, alguém que sabe quem somos e pode nos ajudar!”
Helene: “ curandeira Anna? Ele não vai ficar bem com ajuda de ervas e de rezas...ele precisa de um médico!”
Anna: “ por favor Helene se acalme, você precisa se acalmar, isso vai fazer mal para o...”
O Akila a interrompeu dizendo “ Helene...até que enfim acordou! Estávamos preocupados! Não é comum um lobo do seu tamanho ficar desmaiando toda hora sem querer acordar, só um lobo no seu estado é claro!”
Não tinha entendido o que ele queria dizer e nem fazia idéia quanto tempo eu passei dormindo.
Helene: “ que estado eu estou?”
Anna: “ Akila, ela ainda não sabe!”
Helene: “ Do que vocês estão falando? eu não sei do que?”
Akila: “ você ta esperando um lobinho!”
Helene: “ O QUE?”
Minha cabeça iria explodir, simplesmente era muita informação pra minha cabeça, uma hora eu descubro que sou um lobisomem e outra hora descubro que estou grávida de um, eu sentei e pus minha cabeça entre as minhas mãos, tentando reorganizar as idéias. Anna imediatamente correu ao meu encontro e tentou me consolar, me explicando tudo que tinha acontecido até aqui, reorganizando os fatos pra mim.
Anna: “ ao chegar aqui você se transformou em humano e desmaiou achamos que tinha sido por conta dos ferimentos que você tinha sofrido, que não eram tão grandes assim, porém a curandeira te examinou e disse que você estava grávida, por um momento ficamos desacreditados, mas o Arthus consentiu o fato quando ele acordou por um certo tempo”
Eu ainda com as mãos na cabeça, fazia força pra entender tudo aquilo, quando ouvir a porta do quarto bater e sair Dali uma senhora pequena, seu rosto não mostrava muita felicidade então Anna falou:
“ E então Noé, qual é o estado do Arthus? Ele acordou?”
Noé: “ Ele não está nada bem Anna, perdeu muito sangue, temo que em um desses “cochilos” que ele dá, ele não volte mais.”
Eu levantei e quase gritei : “ Ele acordou? Ele ta acordado?”
A senhorinha olhou pra mim quase como um insulto ela respondeu “ está sim senhora!”
Eu olhei pra Anna e quase implorei: “ eu preciso entrar, Anna!” ela consentiu com a cabeça.
E eu atravessei aquela porta o mais rápido possível, olhei aquele corpo em cima da cama, tão frágil e machucado , ele me olhava com olhos cansados e então eu disse.
“você não pode me deixar Arthus!!!” por um momento esqueci o que havia dentro do meu ventre.
Ele continuou me olhando, como se quisesse falar mas estivesse fraco demais pra fazê-lo e então eu peguei a sua mão e pus sobre minha barriga e novamente falei:
“ Você não pode nos deixar!”
E então por um momento vi sua expressão de cansaço e dor sumir e aparecer ali um sorriso mesmo que fraco, mas era um sorriso e ouvi sua voz mansa e quase inaudível falar: “ eu te dei..”
E então repetiu de novo” Eu te dei...uma herença!” e abriu um sorriso largo, o que roubou dele todas suas ultimas forças e se foi, para um lugar que eu não iria poder segui-lo.
No meu rosto lágrimas escorriam e eu continuei ali com sua mão na minha barriga e repetia pra mim mesma “ Minha herança, minha herança...minha herança”
Notas finais
Quero dedicar essa história ao meu filhinho de 2 meses (Luiz Felipe) que me deu inspiração pra fazer esse fim.
Obrigado gente! até a próxima fic!
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