O Bando

7 A caçada (capítulo 7)


Pensamento de Helene

Ouvi a campainha tocar, quase cai da cadeira sai correndo, desci as escadas quase tropecei no degrau e abri a porta esperando algum “milagre” acontecer e quando de repente quem eu vejo na minha porta? Era ela a Juli, com a maior cara de felicidade, pensei ela deve estar aqui pra esfregar na minha cara que está muito feliz com ele.

-Juli: “Boa noite, Helene tudo bem?”

Eu engoli seco e respondi “Oi Juli, o que faz aqui?”

-Juli: “então eu vim aqui pra dizer que tudo bem se você está com ele, não guardo rancor disso, a gente já não estava dando certo e ele encontrou realmente o que ele mais queria e fico feliz que seja você, você me parece uma menina legal e é, não é?”

Senti meio que uma ironia embutida ali, mas meio que fiquei feliz em saber que ele não tinha voltado com ela e que não tinha dito nada sobre o nosso término

-Eu: “sério?” meio incrédula, esqueci ate de mencionar o fato de não estar mais com ele... mentira não esqueci só não queria falar pra ela isso.

Juli: “é, é sim...até vim aqui te chamar para tomar vinho com os meninos...vamos? estamos todos La na mata, numa clareira...todos estão esperando por você inclusive o Arthus”

Meu coração quase saiu pela boca quando ela falou o nome dele e quando falou que ele estava esperando por mim... olhei para cima e não vi sinal da minha mãe acordada, eu tinha que ir não podia perder de ver ele de novo nem que fosse a ultima vez.

-Eu: “sério? Então tá me espera me trocar?”

-Juli: “que nada menina vem assim mesmo” ela me puxou tão forte que não tive nem como dizer não...e fui

Chegando lá estavam todos sentados ao redor de uma fogueira que já tinha sido apagada, o Akila estava com uma menina loirinha que era da minha escola, não lembro bem o nome dela, só sei que ela já estava bebada, havia outro rapaz mais velho que o chamavam de Mark ele estava com outra garota que eu nunca tinha visto. A irmã do Arthus estava com outro rapaz que eu também não conhecia, todos pareciam embriagados, menos o Akila, sua irmã e o Mark, olhei pra um lado e pra outro e não achei o Arthus e pensei “mas onde é que ele está? Porque ele não está aqui?”

A Juli perguntou “Mark cadê o Arthus? A presa...quer dizer a primeira dama dele está aqui”

Não entendi o que ela havia me chamado, presa? Eu ein agora sou comida? Mas ignorei e fiquei atenta a resposta do Mark

-Mark: “Juli a ultima vez que tinha visto, ele tava lá na parte do fundo da mata com aquela outra menina lá, aquela morena qual o nome dela?”

-Juli: “qual? a Jheniffer?”

-Mark: “ aham, acho que era isso mesmo”

Aquilo atravessou meu coração como um bastão, eu senti um buraco se abrir dentro do meu peito, ele simplesmente tinha arranjado outra menina, eu tinha sido só um briquedo, ele me usou e me colocou de lado. Eu queria chorar, mas me segurava diante de todo mundo, todos felizes, bêbados, rindo, se pegando e eu estava ali como uma palhaça esperando algo que não iria nunca mais voltar a ser meu.

Então a Juli veio ate a mim e falou “eu sei como você tá se sentindo, eu também fui trocada, ele sempre faz isso”

Antes de ela terminar de falar ouvimos um barulho que se assemelhava um trator, algo muito grande que roncava não sabia identificar o que era aquilo.

Ouvi uma voz falando: “agora a festa vai começar”

Não entendi o que isso significava só percebia que o barulho ficava cada vez mais forte e mais perto, de repente vi os arbustos se mexerem... E naquela hora pensei “caramba, isso deve ser um bicho gigantesco” eu não sabia o que fazer, se eu corria ou ficava ali parada. Todos estavam parados esperando alguma reação, mas quando eu percebi, todos haviam sumido, exceto os bêbados e eu, na hora eu pensei “desgraçados correram e me deixaram aqui com 3 bêbados” eu queria sair correndo mas minhas pernas não saiam do lugar, eu só via aquelas três pessoinhas olhando desesperadas esperando a mesma coisa: o que iria sair daquele arbusto e não demorou alguns segundos até vermos, dali saiu um lobo, ele não era tão grande comparado ao som que ele fazia ao rosnar, tinha uma pelagem branca era simplesmente lindo e simplesmente assustador, ele estava na defensiva ainda não caminhava para o ataque, mas eu ouvi um estralar de galho nas minhas laterais e imaginei “é, ele não tá sozinho”

Eu até teria saído correndo se pudesse, mas eu simplesmente não conseguia sair, me dava vontade de gritar ,correr, chorar, morrer mas nada disso acontecia meu sistema reflexo bloqueou totalmente...eram aproximadamente 5 lobos, todos mais ou menos do mesmo tamanho só que de pelagem diferente, um ficava mais na frente, os outros na laterais e provavelmente um estava atrás e mim eu nem conseguia pensar em olhar pra trás...algo fez minhas pernas saírem do chão e eu finalmente corri, o lobo branco que parecia ser o líder atacou a menina loirinha na minha frente, aquilo foi o tiro de disparada pra mim eu nem quis pensar se tinha algum lobo atrás de mim, virei e sai correndo enquanto ouvia os gritos, eu sabia que eles me seguiam mas eu não queria saber o lado da sobrevivência falou mais alto...eu corria sem olhar pra trás passava por árvores ao meu redor e adentrava cada vez mais na floresta fechada. Quando eu senti o meu corpo ser lançado para frente e logo após senti a terra molhada no meu rosto é eu tinha caído e havia dois lobos atrás de mim, apesar de ouvir a respiração forte perto de mim não senti nenhum ataque, fiquei sem entender por quê eles não me atacaram? Por um momento fiquei ali no chão, pensei vou fingir que morri e eles vão me comer viva, legal, inteligente da minha parte. Percebi um rosnado forte no meu ouvido, quase fiquei surda e percebi que eles estavam bem próximos de mim e não queriam que eu ficasse deitada ali queriam que eu me levantasse, tá legal eles querem que eu corra pra eles correrem atrás de mim, deve ser divertido pra eles. Não consegui levantar... até o lobo uivar, daí eu pensei “ferrou, vão vir mais lobos pra cá, é melhor eu correr mesmo” levantei e sai em disparada nem sentia a dor no meu pé e os dois continuavam atrás de mim só que não me alcançavam, eu sabia que estava correndo rápido, mas tenho certeza que se eles quisessem ter me alcançado, eles teriam, eu não entendia porque estavam fazendo isso era como se eles quisessem me direcionar pra algum lugar da mata e era realmente isso, eles me direcionaram até uma parte mais a fundo da mata onde havia outro lobo me esperando, ele devorava uma menina, ele era ainda maior que os outros...sua pelagem era cinza com branca, seus olhos eram de um amarelo vivo e eu entendi que eu tava sendo guardada pra esse lobo mais esfomeado..

Eu tentei recuar, mas os outros dois lobos não me deixaram fugir, eu teria que esperar até a hora de ser comida...nesse meio tempo eu pensei “ARTHUS” ele estava com a menina no fundo da floresta, exatamente o lugar que eu me encontrava, eu pensei “meu deus, ele morreu...certeza essa menina estava com ele, meu deus aquele lobo devorou ele” Meus olhos começaram a encher de lágrimas ao pensar que ele tinha morrido que eu não o veria nunca mais, enquanto eu via aquele lobo enorme comer aquela menina, meu corpo tremia eu não tinha mais forças eu não queria correr nem queria sair dali...foi quando eu senti uma dor tremenda no meu tornozelo direito, um dos lobos que estava atrás de mim me mordeu, eu podia sentir o sangue escorrer pelo meu pé, nesse momento o lobo maior se virou para mim algo tinha chamado a atenção dele e eu sabia bem o que era... O ferimento na minha perna, eu não sentia mais os dentes do lobo no meu tornozelo, não havia mais ninguém me mordendo, só eu e aquele lobo gigante. Mesmo com toda dor eu precisava me salvar meu instinto de sobrevivência era maior do que eu virei e corri no sentido da terra molhada eu sabia que tinha um riacho por ali, eu me lembro de ouvir o barulho da água naquela noite em que eu estava bem com ele...eu podia me salvar me jogando na água era mais fácil pra mim do que pra um lobo. Eu corria e sabia que o lobo estava bem próximo eu podia sentir a sua respiração perto e foi então que senti o meu corpo cair na ribanceira que levava até o riacho, não era tão grande, cambaleei e cai no rio. Pela primeira vez me senti feliz de novo, eu podia ver o borrão da sombra do lobo em cima da ribanceira e deixei a correnteza me levar até a margem do outro lado do rio. Foi quando eu olhei para a ribanceira e não havia visto mais o lobo ou ele daria a volta pra me pegar ou ele teria pulado no rio, eu só sabia que tinha que sair dali, corri mancando pra dentro da mata que já estava menos densa, foi quando ouvi um barulho na água e pensei: “é o lobo” me escondi atrás da arvore, que tola achando que isso iria me livrar dele, meu coração acelerava ,cada barulho que eu ouvia chegar perto e foi quando eu ouvi aquela voz, a voz que tantas vezes fez meu coração bater tão forte, era o Arthus sem dúvida. Eu sai de onde estava e vi ele todo rasgado, a calça toda rasgada, não estava muito machucado mas parecia morto de cansaço, eu não pensei em nada que ele tinha feito, só pensei em correr até ele que estava vivo, tinha conseguido escapar do lobo. Ele se espantou ao me ver e perguntou ofegante: “O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? VOCÊ TEM QUE SAIR DAQUI, SAIA DAQUI! CORRA!VÁ DEPRESSA”

-Eu: “eu não posso sair daqui sem você...vem, vamos comigo”

-Arthus: “eu não tenho tempo pra isso...os outros já estão chegando você tem que ir...vá, fuja!”

-Eu: “outros? Onde estão a juli, o akila e sua Irmã?”

-Arthus: “eles são os outros...corra por favor corra”

-Eu: “como assim? São os outros?”

-Arthus: “lembra dos seus sonhos? Eu sou um deles, eu sou um monstro”

Eu pensei “como ele poderia saber dos meus sonhos? Eu nunca falei a ele sobre isto”

-Eu: “meu, para com isso , você não é um monstro, vem comigo”

Ele me abraçou, me beijou e falou: “me perdoa por ter te colocado nessa? Eu te amo, sempre vou te amar...me perdoe”

Um uivo alto soou na floresta, eles estavam por perto e eu não sabia o que tava acontecendo, estava confusa...sonho ou realidade eu não entendia o que era aquilo, não entendia porque ele falou que era um monstro, eu não queria sair dali sem ele, foi quando vi os outros lobos vindo na nossa direção. Arthus se colocou na minha frente para me proteger, ouvi um rosnar muito alto e quando percebi o Arthus não estava mais ali no lugar dele estava um lobo enorme e cinza...Aquele que vi devorar a menina, minha cabeça simplesmente explodiu de confusão, o que aconteceu? Eu vi o que vi mesmo? O Arthus era o lobo? O lobo mostrava seus dentes afiados para os outros e tentava me defender, foi quando dois desses lobos voaram em cima dele e eu entendi que ele tinha dado sua vida por mim e eu teria que fazer valer a pena, eu corri o mais rápido que podia, ouvia a respiração dos lobos tão perto de mim, mas corria sem desistir. Eu não sabia o que tinha visto, eu não sabia se aquele lobo era um lobo real ou se era o Arthus, se aquilo foi uma ilusão eu só entendia que eu teria que fazer o sofrimento dele valer a pena, eu corria, mas não encontrava mais ar pra oxigenar meu corpo me sentia cada vez mais perto dos lobos, quando senti um golpe que me derrubou e me fez rolar por alguns metros...eu não sentia meu corpo, só ouvia a respiração deles em mim...não adiantava, já estava feito, eu era a presa aquela noite a última coisa que pensei foi que eu vi o Arthus e essa foi realmente a ultima vez.