O Bando

8 A caçada (pensamento do Arthus)


Pensamento de Arthus

Eu só me lembro de acordar no riacho, devia ter pulado para procurar minha presa, como nós lobos não somos excelentes nadadores assim, voltamos à forma humana quando entramos na água, por questão de sobrevivência. Lembro-me de sair do rio a procura da minha presa foi quando eu a vi ali parada na minha frente, a presa errada...era a Helene, não fazia sentido, não era pra ela estar ali na minha frente, na minha rota com o meu bando a solta na floresta...minha cabeça estava confusa...não entendia como ela podia ter chegado ate ali, só me vinha uma coisa em mente “ela já sabe quem eu sou e ela não iria sobreviver estando ali” imediatamente eu falei:

“O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? VOCÊ TEM QUE SAIR DAQUI...SAIA DAQUI CORRA..VÁ DEPRESSA”

Mas ela não queria ir, me dizia que não podia sair dali sem mim, mas será que ela não entendia? Que eu era o monstro ali que se ela ficasse não iria sobreviver, mas ela não entendia. Eu a abracei forte, dei meu último beijo e pedi desculpas por te colocado ela nessa história, mas já era tarde demais meu bando já tinha percebido nossa presença ali e quanto mais comida, melhor. Na forma de lobos nós não temos noção do que é certo ou o que é errado, agimos por impulso por instinto, a fome fala mais alto e eu sabia que eles não iriam desistir e por ela eu lutaria até o último minuto da minha vida, fiquei na frente dela pra protegê-la mesmo que ela não fosse entender o que estaria acontecendo e eu esperava que ela entendesse e saísse dali o mais rápido possível. Os dois lobos que vinham na frente era o Akila e a Juli, eu avancei em cima deles, eu sabia que eles seriam os primeiros a perseguir a Helene, me transformei e lutei com eles até o meu último segundo como lobo, mas era 2 contra 1, quando eu senti que estava me transformando em humano novamente já não havia mais ninguém ali...não havia nada que eu pudesse fazer, já estava feito...as feridas no meu corpo ardiam, mas nada doía mais do que a dor no meu peito de saber que eu tinha perdido a Helene, eu tentei correr, procurando vestígios dela para encontrá-la torcendo para não achá-la morta, mas foi em vão, em alguns metros lá estava ela deitada no chão toda machucada, não havia nenhum sinal de vida em seu rosto, seu corpo estava imóvel e eu não conseguia respirar, ver ela ali, morta me deixava em pânico, eu nunca quis a ver assim, mesmo quando eu pensei que ela seria minha presa, algo dentro de mim não permitia que eu a fizesse mal, todo tempo eu a protegi e nesse momento me senti um inútil por ter deixado ela sozinha, eu devia ter enfrentado toda minha família e que fosse excluído do bando eu não me importava só queria ter ela de novo em meus braços, por algumas horas fiquei ali do lado dela, lágrimas caiam do meu rosto e se misturavam com o sangue que cobria todo corpo, eu passava a mão no seu rosto, a beijava, pedia pra ela voltar, mas nada adiantava, nenhuma expressão era feita da parte dela. Já estava amanhecendo eu sabia que tinha que sair dali, mas não podia deixá-la ali, comecei a cavar uma cova para ela, toda dor que eu sentia eu descontava na terra, tirando toda areia possível, coloquei-a lá e cada punhado de terra que ia cobrindo cada parte do seu corpo era uma punhalada no meu peito, até a hora que eu não podia mais vê-la, seu rosto já tinha sido coberto por toda terra e eu tinha que ir embora. Levantei e me arrastei até uma parte da mata quando ouvi um barulho vindo dos arbustos na minha lateral, minha visão periférica identificou um vulto negro, quando olhei ele tinha sumido, pensei que fosse algum lobo do bando querendo brincar comigo daí a pouco ouvi outro barulho vindo do outro arbusto do outro lado quando olhei vi outro vulto negro, me levantei e me preparei para me transformar foi quando senti que ia ser atacado por trás virei e a última coisa que vi foi um lobo negro que nunca tinha visto e seus olhos vermelhos como sangue.

Notas finais
A história não acaba ai, ainda muita água vai rolar! esperem para ler a segunda parte de O bando.