O Bailar de Asas Douradas
24 Minha estrela guia
Notas iniciais
— Eu sou o capitão! — Max e Geanna gritaram, em conjunto, enquanto giravam e sapateavam pela cozinha, rindo sem parar.
— O navio vou navegar, as sereias encontrar, os nove mares dominar! — Lázaro cantava, batendo os pés no chão. — Ahoy, aha, ahoy!
As crianças sentaram nas cadeiras de madeira, arfando.
— Mamãe! — Geanna gritou, levantando-se, assim que Yaha passou pelo batente da porta da cozinha. — Tens que dançar conosco.
— Dançar? — Yaha falou, arqueando as sobrancelhas. — Eram isso que estavam fazendo, então.
Lázaro gargalhou, limpando as mãos no avental.
— Ora, dança comigo — ele disse, mordendo os lábios. — És séria demais. Tens que se divertir. — Apertou-lhe as bochechas.
Yaha levantou-se, assentindo; um teimoso e tímido sorriso escondido nos lábios. Lázaro sorriu.
— Canta para nós, Ge — pediu.
— Sopesa tua mão na minha, minha estrelinha — Geanna começou. Lázaro e Yaha deram um passo à frente, outro atrás. Os braços cruzando-se e descruzando-se conforme a música serena chegava-lhes aos ouvidos. Rodopiaram, o vestido dourado esvoaçando e dançando junto com o par. Os olhos postos um sob o outro, as respirações galgando em seus pulmões. O coração batendo, como era-lhe de costume, em um ritmo frenético; até o último verso ser entoado: — Não apague não, minha estrela guia.
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