O Bailar de Asas Douradas
25 Harmonia dissonante
Notas iniciais
As estrelas brilhavam no céu escuro de luas novas, enquanto o jovem casal enroscava-se como epífitas em meio aos lençóis embranquecidos, buscando o sol um no outro. As respirações arfantes, os corações batendo em um compasso harmônico, ritmado pela pele deste que percorria a pele daquele. Quando só o silêncio foi ouvido, eles se abraçaram e o sono chegou leve.
Às primeiras réstias de luz, Lázaro rolou para cima de Yaha; o sorriso travesso. Ela sorriu junto, como poucas vezes permitia-se fazer, e acariciou as bochechas do rapaz.
— Acorda as crianças, eu vou preparar o desjejum — disse, saindo de baixo dele e enroupando-se com um vestido lilás. Saiu do quarto enquanto Lázaro ainda bocejava, espreguiçado na cama.
Entrou na cozinha e abriu as janelas, deixando o ar matinal entrar, e avistou, vindo por entre as montanhas, um cavalo branco. Yaha, meio estarrecida e desacreditada, observou o homem entrar no pátio da fazenda e desmontar do cavalo. Ele trajava uma roupa pomposa, envolto por uma capa de veludo, que lhe caía como uma mortalha.
Ele entrou na cozinha.
— Reimar — Yaha disse, em um sussurro esganiçado. Ele curvou-se. Olharam-se, a palavra morta na língua, como acordes dissonantes de uma música distorcida. — Voltaste.
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