O Aroma do Gelo : Entre Contratos e Cicatrizes
7 Capítulo 7: O Preço da Entrega
Capítulo 7: O Preço da Entrega
A manhã seguinte trouxe a realidade de forma brutal. No pequeno apartamento no Brooklyn, o médico da tia de Claire guardava o estetoscópio com uma expressão sombria.
— O quadro se estabilizou, Claire, mas a medicação atual não está mais fazendo efeito. Existe um tratamento novo, importado, mas o custo... — Ele balançou a cabeça. — É proibitivo para a maioria das pessoas. Sem isso, ela não terá mais do que alguns meses de qualidade de vida.
Claire sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela olhou para a tia, que sorria fracamente da cama, sem saber da sentença que acabara de ser proferida. Naquele momento, a dúvida que a atormentara na noite anterior evaporou. Se o preço da vida da mulher que a criou era a sua própria liberdade — ou seu próprio corpo — ela pagaria.
O Retorno ao Palácio de Vidro
Ethan estava em sua sala, revisando planilhas, quando a porta se abriu sem aviso. Ele não precisou levantar os olhos para saber que era ela; o perfume de flores brancas o avisou antes mesmo que ela desse o primeiro passo.
Ele fechou o laptop e se recostou na cadeira, observando-a com uma expectativa fria.
— Você parece pálida, Mackenzie. O peso da decisão tirou seu sono?
Claire caminhou até a mesa dele. Ela não chorava. Havia uma determinação gélida em seus olhos azuis que Ethan nunca vira antes. Ela pegou a caneta de cima da mesa dele e, sem dizer uma palavra, assinou a nova cláusula no contrato que ele deixara preparado.
— Está feito — disse ela, a voz firme, embora suas mãos tremessem levemente sob a mesa. — O dinheiro para o tratamento da minha tia deve ser transferido hoje.
Ethan sentiu uma pontada estranha no peito. Ele deveria se sentir vitorioso; ele conseguira o que queria. Mas vê-la aceitar de forma tão mecânica, motivada por uma necessidade tão desesperada, fez com que sua vitória parecesse cinzas na boca.
— Você aceitou rápido demais — ele comentou, levantando-se e caminhando até ela. — Ontem você falava em dignidade.
— Minha dignidade não compra os remédios dela, Ethan. Você queria me comprar? Parabéns. Você conseguiu.
A Primeira Noite
Naquela noite, Claire não voltou para o Brooklyn. O motorista a levou diretamente para a cobertura. O jantar foi silencioso, carregado de uma tensão que podia ser cortada com uma faca. Ethan tentou ser o homem duro de sempre, mas cada vez que olhava para Claire — sentada do outro lado da mesa, comendo pouco e olhando para o nada — ele sentia uma vontade avassaladora de abraçá-la e dizer que ela não precisava fazer aquilo.
Mas ele não sabia como dizer isso. O gelo era sua única linguagem.
Após o jantar, ele a guiou até o quarto principal. A iluminação era baixa, e a vista de Nova York brilhava lá fora, indiferente ao drama que ocorria dentro daquelas paredes.
— Claire... — ele começou, a voz rouca, parando atrás dela.
Ele colocou as mãos nos ombros dela. Ela ficou rígida, fechando os olhos. Ethan sentiu o tremor que percorria o corpo dela e, pela primeira vez na vida, a confusão o atingiu com força total. Ele a queria na sua cama, sim. Ele queria possuí-la para silenciar o que sentia. Mas ele a queria vontade, não como um sacrifício.
Ele a virou para si. O rosto de Claire estava banhado por uma lágrima silenciosa que ela não conseguiu conter.
— Eu não sou um monstro, Claire — sussurrou ele, a dureza na voz vacilando. — Eu disse que a queria na minha cama, mas não disse que seria um carrasco.
Ele a puxou para um abraço, mas não foi um abraço de desejo. Foi um abraço carinhoso, protetor, o tipo de abraço que Claire daria em alguém que ama. Ele acomodou a cabeça dela em seu peito, deixando-a chorar.
— Deite-se — ele disse, com uma suavidade que o assustou. — Apenas durma. Amanhã cuidaremos de tudo.
— E a cláusula? — ela perguntou, soluçando contra a camisa de seda dele.
Ethan apertou o maxilar, a confusão em seu coração atingindo o ápice. Ele a queria, mas vê-la sofrer o desarmava completamente.
— A cláusula diz que você deve estar na minha cama. Não diz o que faremos nela. Hoje... hoje nós só vamos dormir.
Ele a ajudou a se deitar e, contra todos os seus instintos de afastamento, ele se deitou ao lado dela, mantendo-a protegida em seus braços durante toda a noite. Ethan D'Strass, o homem que não acreditava no amor, passou a noite em claro, observando o sono da mulher que ele comprara, mas que, sem perceber, já era a dona de sua alma.
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