O Arco Perdido

17 MARINA – The best kind of promises


Notas iniciais
Desculpem a demora! Espero que gostem desse capítulo ;)

Tio Popo é o cara.

Na verdade, meu pai é o cara. O tio Popo é o outro cara.

É tipo daquela vez, quando me disseram que eu não sairia do acampamento porque era perigoso e eles me prometeram que não seriamos atacados contanto que continuássemos ali. Existem promessas impossíveis de cumprir.

Hello, Peter Parker! O que? Não vai me dizer que não viu o filme??? Ahhh.

Flashback on

Kath percebeu na hora. Não que eu me importe. Nesse instante queria que os ventos me afoitassem, o Estige me afogasse, Ártemis me enchesse de flechas e Hermes me desse um sermão DAQUELES. Tudo que eu quero é Will, Will, Will e Will.

Droga!

Não devo pensar nele assim. Ele pareceu aceitar tudo numa boa.

Mas eu o quero tanto e... Hermes tá falando comigo?

Ops.

— Marina?!

Ele sacode meu ombro.

— Anhhhh me desculpe, pai. Não estou conseguindo focar em nada. É simplesmente...

— Frustrante — ele completa

— SIM.

— Esse tipo de promessa não vai ajudá-los. Com essa, er, esse negócio de vocês.

— Mas Ártemis...

— Ela enviou um monstro híbrido para que os dois parassem com toda aquela história de romance cafona. Chegava a arder os olhos, querida.

Ao perceber que fiquei chateada, ele completa:

— Não se sinta mal. Ela não sabe demonstrar sentimentos.

— Tá — respondo lacônica.

— E ela não é a única. — ele diz gesticulando para Will com a cabeça. E depois para mim. — Filha, o que eu quero dizer, é que separados vocês não serão úteis para está missão e juntos podem honrá-la (ou destruí-la, mas isso não vem ao caso).

— Quer dizer, que devemos canalizar nossos sentimentos em nossos poderes? Esse tipo de coisa, não é... Mito?

— Até aí os deuses gregos também são.

— Mas como se faz isso? Você sabe, canalizar sentimentos. E porque isso soa tããããão estranho?

— Poseidon pode te ajudar nisso. Ele enviou uma carta... Ainda não a leu? Ela vai ajudá-la.

— Que carta?

— Ele a entregou à Kath. — ele franze as sobrancelhas.

— Aquela... AHHH.

Fecho a cara.

— Marina? — ele diz —Você sabe que eu a amo?

— Acho que sim, pai.

Ele segura meu queixo.

— Tenha certeza disso. Por favor.

— Tá bom, pai. Eu também te amo.

— E sabe de uma coisa? Veremos-nos no fim de tudo isso. E, que eu saiba, o Canadá é bem frio.

— Canadá?

Flasback off

Estou puxando a camiseta de Will, tentando convencê-lo a me escutar.

— Mari. Vai conversar com a Kath ou sei lá.

— Você está sendo um idiota. Escute-me, por favor.

— Não estou. — ele diz me afastando delicadamente.

— Por favor...

— Marina...

— Melhores amigos não se conversam?

— Conversam, mas não a sós.

— Você definitivamente não quer que eu fale isso na frente do Travis.

— Anh.

Arqueio as sobrancelhas.

— Pois é.

— Hm...

— Vem comigo.

— Hm... Tá.

Eu o puxo pelo pulso até meu quarto.

— Senta aí.

Ele revira os olhos e senta na borda da minha cama.

— Meu pai me falou umas coisas muito... Interessantes. Ele disse que precisamos trocar de roupa. Para alguma coisa bem quente, mas, AHHH, não era isso que eu queria falar. Tá vendo isso aqui? — pergunto mostrando meu novo pingente — É feito para guardar sentimentos. As sereias usavam nos marinheiros que iam matar, guardavam o medo deles e depois transformavam em poder. Eles não deixavam de gritar nem nada,mas toda a força no medo deles ficava com elas. E com quem elas quisessem compartilhar, claro.

— E o que exatamente você está fazendo com um amuleto de sereias? — ele pergunta.

— Poseidon me deu.

— Mari, isso é sério, você não pode roubar sereias... Elas são perigosas. — ele diz, preocupado.

— Foi mesmo Poseidon que me deu, Will. Veio naquela carta que tava com a Kath. Não seria idiota a ponto de roubar uma sereia... Talvez. E elas estão no Brooklin, de qualquer forma.

— Mari!— ele ri, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto.

— ENFIM. Hermes me disse que nossa promessa é inútil. Não é isso que querem de nós. Querem que usemos o amuleto das sereias para coletar nossos sentimento e ficar superpoderosos.

— Hm, mas e o juramento de sangue? E toda aquela história dos ventos e do Estige?

— Os deuses estavam brincando conosco. Acho que Afrodite não vai muito com a minha cara desde aquela vez que nós fomos ao olimpo.

— Você colocou mosquitos cristalizados no trono dela inteiro. E colou tudo com piche. — ele pontua, sorrindo.

Sento do lado dele e apoio minha cabeça em seu ombro.

— Ia ser um saco ficar sem você. — digo.

— Ia ser péssimo ficar sem você. Seria uma punição diária. — ele replica, com um suspiro.

— Sabe de uma coisa? A gente devia voltar a fazer loucuras. Meu pai sugeriu que pulássemos a fase melada de uma vez por todas.

— O que você sugere?

— Teremos um loooooooooongo caminho até nosso destino. Tempo não nos faltará.

Ele beijou minha bochecha.

—E como a gente guarda sentimentos?

— Hmmm, na carta falava que eu só precisava soprar dentro disso aqui e pedir pra você soprar também, e continuar usando até o fim da missão. — digo tirando o colar.

Entrego o pingente para ele.

— Só assoprar?

— Acho que sim.

Ele faz, mas antes de me devolver, puxa minha cintura.

— Achei que precisaria fazer isso. — diz, pouco antes de começar a me beijar.

Eu beijo de volta, é claro.

...

Saímos do quarto alguns minutos depois. Ok, muitos minutos depois. Estou toda descabelada.

Ajeito a saia do vestido e me sento à mesa.

— A pizza já está chegando, filha. — minha mãe diz.

Will senta do meu lado e puxa o pingente.

—Olha só... Ele está vermelho.

...

Minha mãe nos deu as coordenadas em um papel cor-de-rosa logo depois de nos entupirmos com pizza.

Sendo filha do deus dos viajantes, meu cérebro funciona como um Google maps particular.

— Vamos para Toronto! — gritei.

— O que? — Kath pergunta, confusa.

— O arco está em Toronto, ora!

— Mas ela só te deu números...

— Meu pai é Hermes, o deus dos...

— Ah, esquece. — ela diz me cortando — Você é cheia de surpresas, baixinha.

— É melhor você se trocarem, então... — minha mãe diz. — Lá faz muito frio. Temos algumas roupas masculinas da época em que... Bom, você sabe. Estão no quarto de hóspedes.

Notas finais
Willri is back in town u.u