O Arco Perdido
18 Kathleen - Antes que Zeus te exploda [...]
Notas iniciais
Título original: Antes que Zeus te exploda ou Apolo te jogue do avião.
- Não vou entrar nisso aí – falei indignada – Sabe qual é a facilidade de Zeus me arrancar dos céus? Literalmente! Além do mais, somos três menores desacompanhados... Como acham que vamos entrar no Canadá sem documentos nem nada? Alguma idéia brilhante?
Todos me olharam assombrados. Ok. Eu extrapolei, mas foi só um pouquinho.
- Não temos outra opção – falou Will, meio em dúvida – Kath, pode não fazer isso de novo?
- O quê? – perguntei, sem entender. Travis deixou escapar um sorrisinho. Mari arregalou os olhos.
- Você não sentiu? – perguntou ela – Nadica de nada?
- Do que vocês estão falando? – perguntei irritada. Travis riu abertamente agora.
- Você causou um pequeno terremoto Kath – explicou ele, ainda rindo – Caramba, isso sim é legal. – Mari deu um tabefe nele e Travis pulou pra longe dela com uma cara muito indignada. Will abafou o riso perto de mim, e eu também tive que me segurar um pouquinho.
- Não incentive Kath a ser um desastre natural-e-humano. – falou ela.
- Ei! – protestei. Antes que eu pudesse chamar Mari de alguns nomes bem feios, alguém pigarreou atrás de mim e todos olharam por cima do meu ombro. Quando me virei, lá estava ele: o cara mais bonito que eu já tinha visto. Olhos alegres, cabelos loiro, roupas descoladas... O CARA MAIS BONITO QUE...
- Pai?! – perguntou Will perdendo a cor.
- Apolo? – perguntei.
- Apolo? –murmurou Travis erguendo as sobrancelhas.
- Senhor Apolo? – indagou Mari e a voz dela saiu meio esganiçada.
- Pelo menos uma tem educação – falou Apolo, o deus mais quen... , quero dizer o deus-sol. – Marina De Luca, certo?
Mari ficou vermelha e assentiu.
- Sei muito sobre você – disse ele; os olhos brilhando de malícia. Então, ele encarou Travis. O sorriso se alargou um pouquinho a mais.
- Travis Stoll? – perguntou; Travis assentiu, ficando – se era possível – mais vermelho que Mari. – Filho de Hermes, estou correto? – Travis assentiu novamente. Apolo deu um sorriso travesso e palmadinhas nas costas de Travis. – O que foi, garoto? O gato comeu a sua língua? – riu com gosto e Travis parecia uma beterraba nesse momento. Por fim, ele me olhou. E eu vi que, para a aparência de Apolo – um garotão de 18 anos, aqueles olhos eram velhos demais, antigos demais em um rosto tão jovem.
- Kathleen... Ocean. Estou certo ou errado? – COMO.ELE.SABE.O.MEU.SOBRENOME?! Isso também deve ter passado na cabeça de Will, Travis e Mari, porque todos me olharam surpresos.
-S-sim. Quer dizer, sim senhor. – ele sorriu abertamente, me presenteando com dentes brancos perfeitos que quase me cegaram.
— Belo nome – ele riu – combina com seu pai. Ele anda falando bastante de você, lá no Olimpo. Kathleen pra cá, Kathleen pra lá. Diz que está muito orgulhoso. – ele me deu sorriso mais vacilante – o outro filho dele também o deixava orgulhoso, sabe? Alguém já lhe falou qual era o nome dele?
Fiz que não com a cabeça, o que era uma verdade. Eu não sabia qual era o nome do meu meio-irmão.
- Perseu Jackson – falou o deus e eu absorvi cada sílaba. – Todos o conheciam como...
- Percy – falaram Mari, Travis e Will ao mesmo tempo.
- Um bom garoto. Uma pena o que aconteceu com ele...
- O que aconteceu com ele? – perguntei apreensiva.
- Ah, ele está bem. Não se preocupe. Não está morto, nem nada disso. Está ótimo, com todos os membros no lugar... Se é que me entende – eu não entendia. Apolo suspirou e então se virou para Will. Deu um sorriso bonito ao filho, que parecia meio sem graça.
- Ei, Will, que tal um abraço? – perguntou Apolo, indo até o filho, os braços abertos, o sorriso cativante. Will abraçou Apolo e trocaram um longo olhar com algum significado.
Então – para salvar nosso dia – Mari limpou a garganta, criou coragem e perguntou:
- Senhor Apolo...porque, hum, exatamente, o senhor está aqui?
- Ah, certo. Isso. – ele enfiou a mão no bolso e puxou passaportes. Quatro. Exatamente iguais. Quando viu nossas caras, sorriu triunfante e disse: — Achei que iriam precisar. Acho que estava certo, não? Além disso, precisam de companhia de um adulto para atravessar a fronteira. Então, tecnicamente, sou pai de Will, mas hoje serei de todos, ok?
- Hein? – perguntei.
- Ele disse que para passarmos pelos policiais vamos ter que ser “filhos” dele, entendeu Kath? – explicou Travis e na palavra filhos ele fez aspas no ar.
- Ah, sim. Entendi.
Apolo nos arrebanhou para o terminal de embarque. A mãe de Mari – Rosie – havia nos comprado 4 passagens para Toronto. Disse que era o mínimo que podia fazer por nós depois de termos destruído metade da casa dela, mas acho que estava sendo sarcástica. Apenas acho. (Será?). Quando me vi sendo puxada por Apolo, o deus sol, quase enfartei. EU.NÃO.IA.EMBARCAR.EM.UM.AVIÃO.
-Ah, ah... – engasguei. Um homem chegava as passagens e os passaportes. Ele olhava desconfiado para Apolo e seu sorriso charmoso.
- O seu nome é Apollo Sun? – perguntou à Apolo.
Com um sorriso gentil, Apolo assentiu.
- E esses são seus filhos? – perguntou o homem, ainda desconfiado. Apolo concordou, novamente. Eu me espremi com Travis. Agarrada a ele, como um vício – principalmente antes de entrar no maldito avião.
- Zeus nunca irá me perdoar – falei – Vai explodir o avião assim que sentir minha presença no território dele!
Mari me olhou com censura por estar dizendo essas coisas na frente de um mortal. Ah, certo. Claro. Não é a ela que Zeus vai fazer em mil pedacinhos.
- Pode não falar pro mundo? — sugeriu Mari, irritada. – Ou talvez queira um megafone?
- Aceitaria o megafone, sim, obrigada. – ela me lançou o olhar típico: cala a boca ou eu te mato agora mesmo.
- Kath, Mari tem razão – falou Travis... espera...o quê?! – Não fale esse tipo de coisa perto dos mortais. – o quê?! TRAVIS DISSE QUE MARI TEM RAZÃO EM ALGO.
Olhei pra ele, boquiaberta, e decidi que, finalmente, era hora de ficar quieta.
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