Já era sábado e eu estava me sentindo a pessoa mais idiota esperando a ligação de Olavo. Meu orgulho não me deixava ligar para ele e eu já estava começando a achar que tinha falado algo que o tinha aborrecido. Meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do meu celular, corri para atender.

Não era Olavo.

— Alô – Disse sem animação

— Oi Úrsula, aqui é o Augusto, lembra de mim?- Ouvi a voz do primo de Bruno no outro lado da linha.

— Oi Augusto! Claro que lembro! Como você está? — disse

— Eu tô bem e você? Estava pensando se você estaria animada pra ir em um evento hoje comigo. É sobre futebol, do meu antigo clube e achei que você estaria familiarizada com essas ocasiões e poderia me fazer companhia, o que acha? – Ele disse sem pausas.

— Evento sobre futebol? Acho que não seria sacrifício nenhum, você é uma ótima companhia! Me manda as informações de onde é por mensagem! — Eu disse animada.

— Fica tranquila, eu passo para te buscar às 20:00, ok?! – Ele disse

— Tudo bem então, se você insiste! Beijos e até mais tarde! — Desliguei o telefone e comecei a olhar os detalhes do meu look para mais tarde.

Às 20:15 eu já estava pronta esperando Augusto me buscar. Para a ocasião tinha escolhido um vestido branco de renda no comprimento midi de Dolce & Gabanna e um scarpin bico fino Louboutin nude. Tinha feito um coque alto nos cabelos e na maquiagem um delineador gatinho e batom vermelho. Para finalizar uma clutch dourada e acessórios em esmeralda.

20:20 Augusto avisou que já estava me esperando. Desci e entrei no seu carro esportivo, formávamos um casal que no mínimo estava ostentando alguns milhares de reais.

— Você está incrível Úrsula! – Augusto disse com um sorriso nos lábios e olhar de cobiça.

— Muito obrigada, você também está lindo! – Respondi, ele realmente estava estonteante.

Chegamos ao evento e tiramos algumas fotos antes do Augusto me apresentar para praticamente a festa inteira. Depois de fazermos um social ele saiu para pegar nossas bebidas e eu fiquei esperando e observando as pessoas ao redor.

— Se você não estivesse acompanhada eu teria certeza que está me seguindo –Ouvi uma voz rouca, inconfundível: Olavo. Me virei depressa, um pouco desconcertada. O que ele estava fazendo naquele evento?

— Eu tenho que dizer que isso seria muita auto estima da sua parte. – Falei sorrindo- Eu não achei que te encontraria nesse evento, não vai me dizer que antes de engenheiro jogava futebol?!

— Achei que você soubesse que sua empresa é um dos patrocinadores do time que está fazendo aniversário hoje! –Ele disse fazendo cara de confuso.

— Eu nem sabia que isso aqui era um aniversário, quanto mais que a empresa do meu pai patrocinava times de futebol. -Respondi rindo.

— Aqui sua bebida Ursula – Augusto apareceu me entregando uma taça. ‘’Que situação incrível’’ imaginei.

— Então a herdeira Úrsula está investindo em jogadores de futebol? – Olavo disse com sarcasmo. Idiota!

— Ah! Quase me esqueci! Augusto, esse é Olavo. Engenheiro e pau mandado do meu pai. – Falei dando um gole na minha bebida.

— Muito prazer Olavo. – Augusto disse sem entender muito bem o que se passava.

— Eu adoro essa música! Dança comigo Augusto? – Perguntei fingindo não perceber a presença de Olavo. Augusto aceitou meu convite e fomos para a pista onde dançamos o resto da noite.

Quando chegamos na porta do meu prédio foi inevitável que um beijo não acontecesse. Augusto me beijou de forma carinhosa e aconchegante. Quando nos faltou folego nos separamos e eu me despedi dele.

Passei pela portaria e o porteiro me avisou que alguém me esperava no hall. E adivinha quem era? SIM! Olavo!

— Está esperando pra ver se Augusto entraria comigo? – Disse me aproximando dele.

— Eu sinceramente não acharia estranho, já que você faz o que bem quer sem se importar com os outros! – Ele respondeu de forma ríspida.

— Nossa! Eu não estou entendendo porque tanta revolta! – Disse rindo e apertando o botão para chamar o elevador.

— Não está entendendo? Você deve estar brincando comigo, não é?! – Ele me disse indignado.

— Meu elevador chegou, se quiser conversar comigo vamos subir, se não quiser boa noite! — Disse entrando no elevador. Olavo hesitou por alguns segundos mas entrou também.

Abri a porta do meu apartamento e fui me servir de uma taça de vinho. Ofereci para Olavo, ele apenas negou com a cabeça.

— Agora pode por favor explicar esse surto? – Disse me sentando ao lado dele.

— É claro que você não teria essa conversa sóbria, não é mesmo? – Ele disse e eu apenas suspirei – Você sempre está bêbada, em festas, falando um monte de coisas sem se importar nas consequências, ficando com meio mundo e brincando com todo mundo. Eu tenho certeza que você faz isso tudo para chamar atenção! Só o que eu fiz foi pensar em você desde que te conheci e o que você faz? Fica comigo e com um jogador de futebol ao mesmo tempo! E não venha negar por que eu vi vocês se beijando quando ele veio te trazer agora pouco. Eu me abri sobre meu casamento pra você e você faz piada e retribui dessa forma, você não passa de uma garota mimada que sempre tem tudo e todos aos seus pés.

— É verdade! – Falei com toda a calma do mundo

— Então é isso? Você vai continuar se comportando dessa maneira como se eu não fosse nada?! — Ele disse com raiva.

— Não pense que só porque transamos você tem controle sobre minha vida, não é a primeira vez que eu tenho que lidar com esse tipo de discurso e provavelmente não será a última. Primeiramente Olavo, eu realmente bebo, vou a festas e sabe porque? Porque eu faço o que eu quero da minha vida e se isso não agrada a você eu não posso fazer nada, eu não vou mudar. Segundo: eu realmente me envolvo com quem eu quero, simplesmente porque eu sou solteira ao contrário de você. Agora sobre o beijo do Augusto, eu nunca negaria que aconteceu simplesmente porque eu não devo nada a você e se você quer ter uma crise de ciúmes por causa disso, tenha na sua casa porque eu sinceramente acho muito moralismo da sua parte, um homem casado que diz que faz tudo para esposa depressiva, vir até minha casa jogar um monte de coisas na minha cara! – Disse me levantando – Era só isso que você tinha pra me falar?

Olavo me olhou por alguns segundos sério e em silencio.

— Você não sabe como eu me arrependo de ter cedido aos seus caprichos. – Ele disse se levantando.

— Ah, mas você bem que gostou não é mesmo?! Você só lamenta por eu não ser boba igual sua esposa e me tornar dependente de você! – Disse com ironia.

— COMO VOCÊ PODE SER TÃO CINICA? – Olavo gritou. Eu caminhei até a porta de entrada e a abri.

— É melhor você ir embora – Eu disse apontando para fora do meu apartamento.

Olavo saiu andando rapidamente e passou por mim sem sequer olhar na minha cara. Bati a porta com todas as minhas forças e sentei no sofá.

Quem ele pensava que era para gritar no meu apartamento e falar aquele monte de coisas? Eu jamais aceitaria isso e tive total certeza de que eu e Olavo nunca mais teríamos nada.