Segunda feira pela manhã recebi uma ligação da secretária do meu pai avisando que ele precisava me ver urgentemente. Tentei me desvencilhar do compromisso até porque já sabia do que se tratava, mas foi em vão.

Outro motivo pelo qual não queria aparecer na empresa era Olavo. Eu realmente não queria encontra-lo. Porém, como não consegui marcar com meu pai em outro lugar que não a empresa, cheguei à conclusão que eu deveria ir bem arrumada. Se encontrasse o Olavo ele iria se lamentar por ter sido um grosso e estúpido.

Às 14:00 eu chegava à empresa do meu pai dentro de um jeans skinny, scarpin, camisa e casaco. Passei pela secretária dando um ‘’boa tarde’’ e entrei na sala do meu pai sem ser anunciada.

Eu realmente tinha que parar com essa mania porque ao adentrar na sala Olavo estava sentado conversando com meu pai. Ao lado dele estava uma mulher loira que provavelmente se encaixava nos padrões de beleza atuais, mas só.

— Boa tarde minha filha, vejo que de onde você vem não se usa bater na porta antes de entrar! – Meu pai disse com sarcasmo.

— Talvez isso seja um baque pra você pai, mas nós viemos do mesmo lugar! – Respondi caminhando para me sentar em um sofá próximo a mesa onde os três estavam reunidos.

— Você se lembra do Olavo, um dos engenheiros aqui da empresa? – Meu pai me perguntou apontando para o homem sentado a sua frente.

Olhei para o Olavo e cerrei os olhos fingindo sacrifício para me lembrar.

— Me desculpe, Otávio! Não me lembro de você, fomos apresentados? – Estendi a mão para Olavo que inicialmente hesitou, mas depois me cumprimentou. Ele não seria mal educado com a filha do chefe.

— Acho que não, também não me lembro de você por aqui. – Ele respondeu sério.

— Então podemos chegar à conclusão de que não fomos apresentados, eu não sou uma pessoa fácil de esquecer. – Respondi caminhando para o bar e me servindo de um copo de whisky. Eu não gosto de whisky, porém eu não poderia perder a oportunidade de irritar Olavo.

Ofereci a todos da sala, ninguém aceitou.

— Úrsula, ainda é segunda feira! Você podia esperar até quarta para começar a beber, não acha? –Meu pai me repreendeu.

— Sabe como é pai, eu sou uma garota mimada viciada em álcool e festas. Não posso começar a semana sóbria. – Respondi meu pai dando um gole no meu copo e sorrindo ironicamente para Olavo enquanto meu pai fazia uma cara confusa ao ouvir minha declaração. — Mas como vocês são insensíveis! Faz um tempo que entrei nessa sala e eu não fui apresentada à pessoa sentada ao lado do Otávio!

— Olavo! – Os três disseram juntos. Eu ri.

— Essa é Carolina, minha esposa. – Olavo nos apresentou. Então essa era a famosa Carolina?! Apertei a mão delicada da mulher lhe dando um sorriso.

— Vocês formam um casal bonito, se não estivermos falando de química, não é mesmo?! – Falei dando um sorriso inocente.

— Chega Úrsula, acho melhor você esperar minha reunião acabar lá fora! – Meu pai disse firme

— Claro pai! Foi um prazer conhecer vocês. – falei caminhando para a porta e a fechando atrás de mim.

Após alguns minutos o casal saiu se despedindo do meu pai e passaram por mim fingindo não notar minha presença. Mas é claro que depois de andarem uma boa distância Olavo virou para trás para me olhar. Eu já esperava isso então sorri e deu um tchauzinho para ele que ficou sem graça e virou para frente rapidamente.

— Entre Úrsula! – Meu pai me chamou de dentro da sala.

Entrei e sentei na cadeira de frente para ele e percebi que sua cara não estava das melhores. Talvez eu tenha passado dos limites.

— Que comportamento foi esse? O engenheiro mais importante da empresa trouxe a esposa para que eu a conhecesse e você faz essa cena? Eu sei que você se lembra muito bem dele, sua memória é ótima! –Meu pai disse me censurando.

Suspirei e disse:

— Acho que nós dois concordamos que segunda feira é um dia difícil para todos! – Respondi com sarcasmo- Mas sobre o que você queria conversar comigo mesmo?

— Eu exijo que você trate o Olavo bem, ele tem um futuro promissor aqui na empresa e preciso de vocês se dando bem. – Ele disse e eu dei de ombros. – Mas eu te chamei aqui não foi pra falar sobre o futuro do Olavo, foi pra falar sobre o SEU futuro. Eu sei que você gosta de moda, descobri isso da pior forma pagando a fatura do seu cartão! Então falei com meus contatos e consegui pra você um estágio na Elle de Londres.

— Você tinha me dado o prazo de 3 meses, ainda não se passou nem um! – Disse indignada.

— Eu fiz isso porque sei que daqui 3 meses você não vai ter tomado decisão nenhuma e vai conseguir me convencer a estender o prazo. Vai ser bom pra você, são apenas 3 meses e que vão te ajudar a adquirir experiência na área. – Meu pai disse animado.

— Eu já fiz a faculdade pra te agradar, o próximo passo é um estágio em Londres. Depois disso eu posso esperar um casamento arranjado? – Perguntei com irônia.

— Use o prazo que eu te dei pra se organizar, quando estiver pronta me avise. – Meu pai disse fingindo não ouvir o que eu tinha acabado de falar- Ah! Sexta feira darei um jantar de boas vindas pra uma pessoa que eu conheci há um tempo e seria muito importante para mim que você comparecesse!

— Que reunião cheia de notícias maravilhosas essa ein?! –Eu disse suspirando- O papo ta bom, mas tenho que ir. Até mais!

— Até sexta! – Ouvi meu pai falando enquanto eu caminhava para a porta e ia embora.

Em uma hora eu tinha conhecido a esposa do Olavo, mudado meus planos futuros e ganhado uma madrasta. Que segunda gloriosa!