O Anjo

1 Achados


Notas iniciais
Oiee! Ok, lá vamos nós então!
Boa leitura cupcakes ;D

Davi estava começando a ficar preocupado. Havia muitas coisas no lugar, destruindo tudo. Seus braços começavam a reclamar de dor, ele não havia parado desde que Taylor havia desaparecido. Somente alguns minutos haviam passado, mas a horda de demônios e monstros estava muito grande. E isso era algo que ele nunca achou que iria existir: monstros. Criaturas gregas. Aliás havia pessoas que seus pais eram deuses gregos. Não havia sentido.

Mas o que ele tinha que fazer agora era salvar sua vida. O garoto já estivera em várias batalhas antes, mas não algo como agora. Com os sentidos amortecidos, fez o que haviam lhe ensinado. Ataque. Atacar, defender, girar, cravar a espada em criaturas, sem nunca perguntar. Só fazer. Sem pensar. E, mesmo assim, não adiantaria pensar muito. Davi estava confuso. Seus olhos estavam distantes, mais do que geralmente eram. Pelo menos, continuava lutando.

Não sabia-se quanto tempo havia passado. Davi olhou para os lados, após matar uma espécie de cobra humana com a espada grega. Mas não havia mais nenhum monstro a atacar. Os poucos que restavam estavam sendo aniquilados brutalmente pelos Nelphilins e Semideuses. E a negra cratera de onde eles surgiam havia desaparecido.

Isso é outro assunto, pensou Davi, correndo para socorrer os feridos. Muitos corpos estavam jogados no chão.

Essa era a melhor parte dele. Ser altruísta. Não levou mais de cinco segundos para esquecer dele mesmo e correr para salvar os outros feridos. Por causa disso, as vezes diziam que ele era um Anjo.

Mas, para variar, Davi não os escutava.

-Curativos, aqui! — Ele gritou, carregando uma garota de cabelos negros. Seus braços estavam fumegando com o veneno de demônios, mas Davi não podia fazer nenhuma marca. Ela era uma semideusa.

Ele entrou correndo no Empire State, e a colocou no chão, longe dos estilhaços e qualquer resquício de batalha.

-Com licença — olhando rápido para trás, ele viu que era outro semideus. Cabelos loiros e olhos azuis, ele carregava uma espécie de manteiga nas mãos. Davi deu lugar ao garoto quando tal colocava um pequeno pedaço da comida na boca da menina. Segundos depois ela começou a abrir os olhos e murmurar algo.

-Ambrosia — o garoto loiro disse. — Agora, traga os outros semideuses para cá.

Sem hesitar, Davi obedeceu. Em questão de minutos, e com a ajuda de todos os outros em melhores condições, eles cuidaram dos feridos.

Algumas pessoas continuavam do lado de fora, cuidando dos corpos. Em alguns minutos eles irriam queimá-los. Era uma quantidade grande, não havia como transportá-los para outro lugar ou conseguir um funeral melhor. Os mudanos poderiam acordar a qualquer momento.

-Isso foi horrível — comentou a garota de que Davi fazia o curativo. Era uma semideusa. Pele escura, com os olhos e cabelos negros. Seus braços estavam enfaixados e Davi havia posto alguns pequenos curativos em cortes no rosto.

O garoto parou de enrolar a faixa no braço dela e encarou-a.

-Sempre é — disse, com a voz fraca. E voltou a cuidar dela.

Não que fosse fraco. Davi realmente odiava guerras, luta. Não tinha medo de brigar com ninguém, só não gostava de violência. Estavam destruíndo uns aos outros. Pessoas estavam morrendo. Tudo estava sumindo, sendo aniquilado.

Era esse fato de as coisas acabarem que deixava Davi furioso.

Quando enfim terminou de cuidar de todos os feridos, ele seguiu para o banheiro. Haviam muitas pessoas se lavando, e o local já começava a ser tingido de vermelho. O garoto achou uma pia vazia, e lavou as mãos. Respirando devagar, tentando acalmar-se, ele observou o reflexo de si mesmo no espelho manchado, então lavou o rosto. Depois, passou as mãos úmidas no cabelo claro, tentando tirar qualquer vestígio de sujeira, sangue, gosma ou qualquer outra coisa que ele poderia carregar. Então encarou novamente seu reflexo. Apesar de não estar tão mais sujo, seu rosto continuava pálido, e até mesmo um pouco assustado. Ele se virou e saiu do local. Sem aguentar, pegou um elevador para um lugar mais alto. Havia pouco barulho no saguão, mas Davi estava à flor da pele. Apertou um número aleatório e esperou ao som de uma música antiga, mas sem reconhecê-la. O mundo dos Caçadores de Sombras privava-o de muitas coisas simples a qualquer um.

Depois do que pareceu uma eternidade, o elevador finalmente se abriu. Mas ele continuou parado dentro da caixa, olhando a cena à sua frente. Piscou forte, para ver se era a realidade que enxergava. Mas, ao invés do momento se dissipar, eles continuaram lá.

Antes de o elevador se fechar, Davi foi para mais perto deles, com passos curtos, tomando cuidado. A garota encarava-o com medo. Mas suas mãos eram firmes ao segurar um corpo de um garoto.

O Nelphilim se aproximou dos dois e se ajoelhou. Analisando bem a garota, Davi pensou que ela foi e voltou do Inferno. Parecia que ambos fizeram isso.

-Eu preciso de vossa ajuda — ela sussurrou.

Davi esticou a mão para pegar a estela, reconhecendo pelas Marcas nas mãos que ambos eram Caçadores das Sombras.

-Não, não com isso — ela balaçou a cabeça, fazendo que o cabelo loiro e negro mal preso se soltasse mais. — Eu preciso que você nos leve a um lugar seguro. Um lugar que eu possa cuidar dele sem que ninguém nos atrapalhe.

-Por quê? — Davi perguntou, franzindo a testa com desconfiança.

A garota o encarou firmemente.

- Ele é a peça. E logo os demônios e monstros vão perceber que não estão com a alma de John. Ele é o mestiço.

Notas finais
Desculpe por ser um capítulo pequeno. É um pouco difícil organizar tudo, mas vou tentar escrever maiores, prometo. :)