O Amor, Você e Eu.
43 Distância.
Notas iniciais
Rin chegou ao shiro abaladíssima. Correu diretamente para o quarto de Sesshoumaru onde foi procurar por um ombro amigo. Chorava compulsivamente.
– Sesshoumaru-sama por que ele fez isso comigo? Eu não entendo!
Sesshoumaru já fazia idéia do que havia acontecido, mas esperava que a protegida se acalmasse e se assim quisesse lhe contasse sobre o ocorrido. Ela chorou muito, chorou tanto que sentiu-se até um pouco tonta. Depois de algum tempo, ela conseguiu falar e contou tudo o que havia acontecido.
– Rin, não acha que se preciptou?
– Como assim Sesshoumaru-sama?
– Em nenhum momento você me disse que Takashi a aceitou de volta e se ele foi descuidado a ponto de não escutar suas palavras ratifica a minha conclusão.
– E o senhor acha que ele está certo?
– Iie, apenas acho que ambos foram muito preciptados em suas ações, visto que sentimentos estavam em jogo.
Ela se aconchegou no abraço de Sesshoumaru por mais um tempo, aproveitou para pensar em tudo o que ele falava. Estava certo em dizer que ela não deveria agir como se fosse esposa de Takashi, mas ele também estava errado por tê-la tocado sabendo de seus sentimentos. Todavia, naquele momento nada mais importava. Rin não queria mais ver Takashi, nem que fosse para ouvir dos lábios dele todas as palavras que ela sonhou que ele disesse.
O dia seguinte seria um dia em que Rin colocaria um ponto final definitivo naquela história. Chamaria seu filho para conversar e esclareceria as coisas. Se Takashi não tinha esse posicionamento, ela teria. Pela manhã, no horário do intervalo de treinamento, ela se dirigiu até ele.
– Gostaria de falar com o senhor General Nishimura. com sua licença General Watanabe. — A menina disse delicadamente sorrindo para o youkai que conversava com Takashi.
– Claro Rin-sama. — O youkai se retirou.
Takashi estava de costas para ela conversando com outro general que ali estava. Quando este se reitou ele se virou e encarou os olhos furiosos de Rin. Eles ficaram assim por um momento e ela decidiu falar.
– Quero que traga meu filho todas as tardes até minha casa.
– Por que não continua visitando-o?
– Porque não pisarei mais em sua casa.
– Como sabe Takayuki tem intensos treinamentos...
– Eu sou a mãe dele.
– Eu sou responsável pelo desenvolvimento do meu filho.
– Ele também é meu filho. Ou ele vem as tardes ou ele vem morar comigo.
– Absolutamente.
– Então traga-o aqui hoje, após o almoço. — Ela deu as costas para o youkai e caminhou lentamente, fato que o enfureceu e muito. O tom de voz usado por Rin para com ele não era nada agradável.
Após o almoço, Takayuki foi levado por seu pai até a casa de Rin. Deixou avisado que assim que estivesse liberado de suas funções o hanyo iria para casa juntamente com ele. Rin passou todo o dia com seu filho procurando não mostrar para ele o quanto estava triste ou mesmo magoada com seu pai. Sim, por trás de todo aquele ódio estava escondida uma mágoa profunda. Ela esperou até que Takashi estivesse por perto para falar com seu filho. Queria que o pai estivesse ali para certificar suas palavras.
Foi exatamente o que aconteceu. Quando Takashi foi liberado e entrou no shiro para procurar pelo filho, ela estava sentada com ele no sofá de umas das salas, que era um pouco menor, para que os três conversassem.
– Meu amor, a mamãe não vai mais à sua casa. Você virá aqui, mas não como antes. Você virá todos os dias.
– Mas por que a senhora não vai mais até minha casa haha? — O menino olhou diretamente para Takashi. — Eu fiz alguma coisa Chichiue?
– Não meu filho, sua mãe não irá por outros motivos.
O clima estava insuportável, Takashi e Rin sequer trocaram um olhar e o menino sentia isso. Perguntava-se porque seus pais não ficavam juntos como todos os outros. Ele sofria também, por mais que sua mãe tentasse esconder tudo o que se passava, ele sofria com ela. Mesmo sendo uma criança, Takayuki sabia muito bem que algo muito sério aconteceu entre os dois e que eles não se falavam mais.
– Haha, a senhora brigou com Chichiue? — Ela respirou fundo antes de responder.
– Sim meu amor e por isso eu decidi que é melhor continuar aqui no shiro.
– Mas a senhora me disse que amava o papai e que adultos que se ama se beijam e a senhora estava beijando o papai. — Rin sentiu algumas lágrimas invadirem seus olhos.
– Eu sei que eu disse isso, — Ela acaricou o rosto do menino. — mas a mamãe aprendeu que nem sempre isso é verdade, que muitas vezes as pessoas se beijam apenas por beijar.
Takashi já não suportava mais aquela situação, agora que que podia sentir o cheiro das lágrimas de Rin se formando desejava sair dali. Não queria estar mais próximo a ela, já havia permitido proximidade demais.
– Chichiue o senhor não ama a haha? — Takashi apenas olhava para o filho.
– Takayuki mesmo que haja sentimentos as vezes algumas pessoas não devem ficar juntas. Insistir em um erro é estupidez.
– Viu meu amor?! Seu pai não ama a sua mãe e quando não há amor não se deve ficar junto. Quero que você aprenda isso.
– Mas haha eu amo vocês dois.
– E nós também te amamos meu filho. Nunca se esqueça disso. — Takashi o garantiu.
– Meu amor, os problemas que seu pai e eu tivermos nunca irão te separar dele ou de mim. Nós dois sempre te amaremos e faremos qualquer coisa pela sua felicidade. Agora dê um abraço na mamãe. — O menino abraçou a mãe bem apertado e depois abraçou o pai. Takashi começou a caminhar indicando que seu filho também deveria fazer isso. Ele beijou o rosto de sua mãe e correu atrás de seu pai que já tinha tomado uma certa distância.
Dia após dia, a rotina de Takayuki era assim. De manhã treino pesado, almoço com o pai e tarde com a mãe. Com exceção dos seus dias humanos que ele ficava em casa, todos os dias ele visitava o shiro. Criou uma certa proximidade com Jaken e Sesshoumaru, mas mesmo assim ainda achava seu pai o maior youkai de todos. Jaken sempre se irritava com o menino e este sempre brincava com o youkai assim como sua mãe fazia quando pequena.
Takashi sempre passava e seu olhar nunca se cruzava com o de Rin, também não precisava, pois ela não se dava ao trabalho de olhá-lo. Até que em um dia de sol ela resolveu ir para um dos jardins do shiro colher algumas flores. Sesshoumaru estava junto, pois ele estava em uma de suas viagens e quando retornava Rin gostava de sua companhia.
Takashi tinha acabado de anunciar o intervalo do treinamento para seus soldados enquanto o general Kimura o chamou para conversar. Eles acabaram caminhando distraidamente quando se deparam com o senhor daquelas terras em um de seus jardins.
Rin estava um pouco a frente, enquanto ele caminhava observando-a e ao mesmo tempo afogado em seus pensamentos. Ela colhia as flores sorridentemente e mostrava todas a Sesshoumaru. Takashi observava aquela cena sentindo um pouco de ciúme mesmo que inconscientemente. Até que uma leve vento soprou e um cheiro veio de encontro as suas narinas.
– Em breve teremos novidades General Nishimura. — O general Kimura disse se divertindo.
Takashi ainda não acreditava até que o vento soprou mais forte levantando os cabelos de Rin violentamente e mais uma vez o cheiro veio de encontro á ele.
Sesshoumaru, que já havia percebido a presença dos youkais ali, olhou diretamente para Takashi e confirmou aquilo que ele suspeitava.
– Não pode ser... Não é verdade...
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