O Amor É Uma Farsa
10 Terceira Chance
- Ele fez o que? – Megan estava dando pulos e alegria, com um sorriso enorme no rosto, fazendo com que sua alegria passasse por qualquer pessoa que chegasse perto de nós naquele momento, e não, não era um exagero meu.
— Disse que me ama. – Suspirei. – E eu não esperava por isso. — É claro que não esperava. – Ela pulou em cima de mim me abraçando. – Que lindo. — Não foi lindo Meg, eu não sabia o que fazer, já disse que não amo ele. — Eu já não entendia porque você não o amava, agora é que não entendo mesmo. — Não se pode conversar com você. – Falei tentando ser séria, mas quando se trata da Megan é impossível, então acabei rindo. Eu havia acabado de chegar ao colégio, um dia após um dos acontecimentos que com certeza irá marcar a minha segunda vida, sem ter importância no quanto ela vá durar, eu sempre me lembrarei daquilo. Não que tenha sido algo que eu tenha adorado, não que tenha despertado algo dentro de mim, mas foi algo que eu nem me lembrava mais do quanto era bom, eu não me lembrava mais como era um beijo apaixonado, nem mesmo que fosse apenas de uma pessoa; não me lembrava de um olhar penetrante como o do Nohan, um olhar capaz de enxergar quem eu realmente era; não me lembrava da sensação que era ouvir aquelas três palavras de forma verdadeira. E talvez eu nunca tenha a escutado de verdade, talvez eu só tenha escutado um ‘’eu te amo’’ falso, que por mais falso que fosse provocou sensações muito verdadeiras. E esse de Nohan foi mais um, ele não era falso, não chegava nem perto de ser falso, e por isso, me provocou uma sensação diferente, não foi a mesma que com Victor, foi melhor, ou apenas diferente. Depois daquele momento sincero que Nohan me proporcionou, eu voltei para casa, fiquei a noite inteira pensando no que havia acontecido, pensei no quanto eu amei Victor, e no quanto isso me machucou, me machucou ao ponto de eu me fechar completamente, eu me fechei ao ponto de não acreditar mais na mágica do amor, ao ponto de julgar o amor como algo terrível. Não, não era algo terrível, e Nohan havia acabado de me provar isso, o ‘’eu te amo’’ dele foi tão verdadeiro que provocou um sentimento diferente dentro de mim, me fazendo perceber que algo em mim tinha mudado, me fez perceber que algo em Nohan havia me mudado, não sei explicar o que era, mas ele me fez enxergar que por mais morta que eu estava, eu devia continuar viva. Estranho não é? Mas é isso, eu fui morta, mas ele fez com que eu me sentisse viva novamente, mesmo sendo por uns segundos, eu vivi novamente, e eu adorei isso. — Cadê a sua irmã? – Megan perguntou após o término de nossas aulas, no dia seguinte ao meu momento com Nohan, logo após eu ter contado tudo a ela. — Não sei. – Falei fechando a cara. – Ela está muito estranha com esse Arthur, não sei mais por onde ela anda. — Deixa a menina viver. – Ela sorriu. – Ela está apaixonada pelo Arthur. — Você sabe como o Arthur é, tenho medo que ela se machuque. — O amor muda as pessoas Anna. — Como eu queria que isso fosse verdade. – Respondi me lembrando de Nohan. É errado querer proteger a irmã? É errado querer evitar o sofrimento dela? É errado querer evitar que ela passe o mesmo que você? Por mais que eu ouça dizer, deixe-a quebrar a cara ou o coração para aprender, deixe-a ver como a vida funciona, deixe que ela se machuque para aprender como é a dor, deixe-a viver, a dor é uma lição. Mas é errado querer que ela não aprenda essa lição? Não quero que ela chegue em casa após uma briga com esse tal de Arthur chorando, se jogue na cama, tranque a porta e não deixe ninguém entrar, eu não quero isso pra ela, nem para mim, eu não suportaria vê-la assim, não só por ter um sentimento de proteção por minha nova irmã, mas também por me lembrar o quanto isso é doloroso, o quanto isso doeu, e o quanto deve estar doendo nela. Não, não é errado. — Espere, tem alguém me ligando. – Falei para Megan sentindo meu celular tremer no meu bolso. – Numero desconhecido. — Desligou? — Sim. – Falei olhando a tela do celular, revirando na memória de Stella se eu conhecia aquele numero, mas nada. – Deixou uma mensagem. — O que está escrito? — Irei ver. – Falei apertando as mensagens do celular, e logo comecei a ler. – É de Rachel, o celular dela descarregou e ela teve que usar o de um amigo, ela quer que eu vá a seu encontro. — Aonde? — Na rua atrás da nossa casa, é mais um beco. – Falei analisando o endereço deixado por ela. – Mas o que ela faz nesse lugar? É um péssimo lugar para ela. — Por quê? — Pessoas usam drogas abertamente, não é ambiente para a Rachel. — Então vá logo. — Ela vai levar uma bronca quando eu chegar, ela não deveria estar lá. – Falei aborrecida com Rachel. — Quer que eu vá com você? — Não precisa, quero ver o que ela está fazendo lá, e dependendo do que for, estarmos sozinha é o melhor. — Tudo bem, a gente se fala amiga. – Megan se despediu de mim com um beijo no rosto. Aquele definitivamente não era um lugar para adolescentes, e muito menos para a minha irmã. Apesar de ser perto de nossa casa, era um lugar perigoso, com muitos casos de violência, assalto e estrupo, tirando os usuários de drogas, e as pessoas alcoolizadas, e até mesmo uns momentos desertos em que a rua se encontrava de vez em quando, e esse era o meu medo, que estivesse deserto e Rachel estivesse em perigo, ou fazendo coisas piores. Esse pensamento atormentou minha mente durante todo o caminho até o beco, e eu tentava afasta-lo, não poderia nem sequer imaginar como Rachel estaria lá, ou o que ela estaria fazendo. — Rachel? – Gritei assim que entrei no beco, e vi que acertei em uma das opções, estava deserto, muito deserto. – Droga Rachel, aparece. — Sabia que sua irmã era seu ponto fraco. – Sua voz era a mesma de sempre, grossa e assustadora, o que me causava calafrios. – Você deveria tentar reprimir esses sentimentos da sua nova vida sabia?
— O que fez com Rachel? – Perguntei me virando para encara-lo. – Se fez algo a ela, eu juro que... — Jura que o que amor? – Ele sorriu maliciosamente. — Eu mato você Victor. – Gritei. — Só se for de beijos né? – Ele riu. – Você não mataria seu grande amor né? Que coisa feia. — Se eu pudesse eu te mataria sim. – Falei bufando de raiva. – Agora me diga onde está Rachel. — Você acha mesmo que eu sei onde sua irmãzinha está? – Ele riu. – Mais uma vez você, ótaria, caiu na minha, mas não te culpo amor... Eu sou irresistível. — Imbecil. – Gritei percebendo que mais uma vez ele estava certo. Como eu pude ser tão burra? Muito suspeito Rachel pedir que eu viesse nesse lugar perigoso e deserto, eu devia ter confiado e visto que não é do tipo da Rachel vir aqui. Mas não, eu fui burra, como sempre, e mais uma vez cai na cilada de Victor, e agora milhares de pensamentos aparecem em minha mente, e me fazem pensar no que pode acontecer comigo estando aqui com um monstro capaz de me matar em segundos se eu não tiver cuidado, e me faz pensar ainda que aqui não tem mais como ter cuidados, um lugar deserto, onde ninguém poderia ver nada, eu e ele, sozinhos. — O que você quer? – Perguntei sentindo desgosto ao ver Victor. — De novo essa pergunta? – Ele fez cara de tédio. – Já disse que quero você. — Eu quero que você morra, mas isso não aconteceu. – Tentei me manter tranquila. — Cuidado com o que fala amor. – Ele disse se aproximando de mim, segurando meu queixo com uma de suas mãos, e como sempre ele abusava de sua força. – Eu não sou mais bonzinho sabia? — Monstros nunca são bons. – Falei sentindo ele apertar cada vez mais, e eu sabia que não poderia fazer nada, estávamos sozinhos, o melhor a fazer era não resistir. — Eu sou gostoso... – Ele riu, dando uma pequena pausa no que diria. – Devo ser bom. — Você é um babaca. — Também te amo. – Ele sorriu. – Mas vamos ao que interessa. — Nunca mais vou te amar. – Falei cuspindo as palavras. — E se eu disser que trouxe um brinquedinho pra gente? – Ele mordeu os lábios. – Um brinquedinho sexual. — Eu enfio ele no... — Xiu, não estrague o clima. – Ele disse soltando meu queixo, tampando minha boca com sua mão em seguida, impedindo que eu falasse. – Mas não esquenta, eu estou brincando. — Me larga. – Falei sussurrando ainda com a mão dele em minha boca, mas logo ele a tirou. – O que você quer Victor? — Quero você. – Ele repetiu, colocando mão na parte de trás de sua calça retirando um objeto da mesma que estava tampado por sua camisa – Mas já que você não me quer por bem, terá que se por mal né? — O que você vai fazer? – Falei olhando-o retirar a pistola de dentro da calça, fiquei parada, com medo do que aconteceria em seguida – Victor? — Fica calma amor, não vai doer nada. – Ele riu. – Eu tinha um plano sabe? Mas depois da ultima vez que nos vimos, algo estranho aconteceu comigo, e resolvi parar de brincar. — Qual era seu plano? – Senti uma vontade enorme de chorar, pois percebi que ele não estava brincando, meu fim estava próximo, meu segundo fim. — Não importa mais, eu o mudei. – Ele pareceu pensativo. – Não sei o que aconteceu comigo, mas percebi que precisava te matar logo, chega de brincar, diga suas ultimas palavras amor, porque agora você morrerá, e eu me tornarei imortal. — O que você teme Victor? Você já é imortal, você só morrerá se nós dois nos amarmos de novo, e isso é impossível. — Eu sei disso. — Então por que quer me matar? – Falei cuspindo as palavras, não conseguindo evitar que as lágrimas caíssem. — Pra provar que você é fraca demais perto de mim, vou te matar pela segunda vez, e também por... – Ele deu uma pausa. – Ah sei lá, só quero acabar logo com isso, te matar de uma vez por todas, e vencer logo essa nossa disputa, ou sei lá como se chama. — Você sabe que não precisa me matar para me vencer. – Falei chorando o que eu havia segurado por anos, o fato era que eu estava morrendo de medo, era a segunda vez que eu iria morrer, e dessa vez não teria mais volta. – Você já me venceu quando disse que nunca me amou, você venceu Victor, você acabou comigo. E eu desabafei, durante 30 anos eu segurei isso dentro de mim pois não havia ninguém a quem falar, e depois não pude falar também para não demonstrar minha fraqueza, mas agora eu podia, e eu falaria, mesmo parecendo uma idiota na frente dele novamente, eu falaria, porque eu sabia que nada do que eu falasse impediria a minha morte, e eu escolhi por não morrer guardando tudo dentro de mim. — Eu odeio você Victor, eu te odiarei eternamente. – Ele apontava a arma para mim, e analisava atentamente o que eu dizia. – Eu odeio cada parte de mim que te amou. Eu confiei em você e você me matou, justo você. Você tinha tudo nas mãos e jogou fora, você me tinha nas mãos e não se importou com isso, você não soube dar valor ao amor que eu sentia por você, e eu te odeio por isso. Sei que me matará agora, mate então, acabe logo com isso, pode acabar, já havia acabado há muito tempo mesmo, não fará diferença mais uma morte, não para mim. — Você não disse nada do que eu já não saiba, sei que me odeia, sei de tudo, mas pensei que você fosse mais orgulhosa, não sabia que demonstraria tanto medo assim. – Ele riu da situação, ele era um monstro, sempre foi, e agora eu tenho certeza disso. — Eu irei morrer mesmo. – Falei ainda chorando. – Acabe logo com isso Victor, mate-me. Olhei para ele uma ultima vez, pensei no quanto eu o amei e no quanto eu o odiava agora. Pensei em Rachel, em Megan e em Nohan, eu nunca mais veria nenhum deles, mas só assim eles seguiriam suas vidas, e não lembrariam nunca mais quem eu era. Espero que todos eles fiquem felizes, eu preciso que eles fiquem. São pessoas ótimas, que merecem tudo de bom nessa vida, merecem muito mais do que eu poderia um dia merecer, eu devo morrer mesmo, eu já havia errado uma vez em amar Victor, e essa foi a pior coisa que fiz na minha vida, é um erro que não merecesse segunda chance. Vi ele apontar a arma para mim, e pensei em fechar os olhos para ver se amenizaria a dor, mas antes que pudesse fazer isso vi Victor jogar a arma no chão, e se debater contra sí mesmo. Ele colocava as mãos na cabeça, segurando os cabelos como se fosse arranca-los, e logo caiu no chão, ajoelhado a minha frente. Eu não estava entendendo nada, fiquei apenas olhando assustada, tentando entender se aquilo era um castigo por tentar me matar, ou se era porque ele havia me matado já, e eu não senti nada, mas não era nada disso. — Por que isso? Por quê? – Ele gritou. – Me deixa em paz. — Victor? – Perguntei olhando-o, ele parecia sofrer, o que estava acontecendo? — Eu não consigo entender, eu quero isso, eu preciso. – Ele continuava a gritar. – Mas eu não consigo. — Victor? – Gritei ignorando completamente que ainda estava em perigo. — Sai daqui. – Ele continuava gritando. – Você morrerá Anna, eu vou te matar, eu quero isso. Eu o ouvi dizer isso, e sai correndo de lá, sem entender nada do que havia acontecido. Eu me abri, confessei que havia me machucado muito por saber que ele nunca me amou, confessei não ser completamente forte, demonstrei ainda ser ingênua e frágil, e confessei também que tinha medo, eu disse o que veio em minha mente naquele momento, coisa que não sou acostumada a fazer, tirando o fato de dizer que eu o odeio, porque isso eu digo sempre. Mas eu disse, e demonstrei, porque sabia que era a ultima chance que eu teria para dizer e demonstrar, mas não foi. Impressionantemente não foi, eu não entendi o porquê, mas ele não me matou, algo forte o machucou naquele momento o impedindo. Eu não sabia o que era, mas agradeço muito por essa possível força sobrenatural ter me salvado. Agradeço mesmo sem entender, mesmo sem saber o que aconteceu naquele beco, eu apenas agradeço, agradeço por uma possível terceira chance, agradeço por ainda estar viva.
Notas finais
Algo a declarar sobre essa cena VicAnna? :p haha
Dessa vez foi quase ein, Anna recebeu uma força do além ali kkk
Mandem reviews, i like *-*
Dessa vez foi quase ein, Anna recebeu uma força do além ali kkk
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