Eu me odiei a cada segundo após o término com Nohan, me odiei por pensar que teria feito mal a ele, eu sei que foi o melhor, mas mesmo assim algo dentro de mim me força a acreditar que talvez não tenha sido. Nohan sempre fez bem a Stella, mas ela não soube valorizar isso, ela não o amava, e muito menos eu amo, mas talvez fosse diferente se ela o amasse, talvez eu continuasse com ele por saber que era o melhor, não para mim, mas eu ficaria bem com o melhor para ele. É meio estranho sentir isso que sinto por ele, um sentimento de pena, não sei, só sei que eu quero o bem dele, tem algo nele que me faz sentir isso, mas não sei o que é, e agora estou longe de descobrir.

— Você ta bem? – Megan me perguntou assim que saímos da aula.

— Mais ou menos. – Respondi sincera.

— Não foi como você esperava não é?

— Não chegou nem perto.

— Acho que pra ele também não, ele nem veio hoje.

— Eu percebi. – Suspirei. – Me sinto mal por ele, não quero machuca-lo.

— Era a única saída, ou machuca-lo ou iludi-lo.

— Eu sei disso. – Respondi e logo preferi por mudar de assunto. – Viu a Rachel?

— Sim, eu a vi rápido falando com alguém, mas nem vi quem era.

— Estranho.

— Parecia algum tipo de namorado. – Ela riu.

— Sério? – Fiz uma cara de tédio, se for um namorado, ela nem deve imaginar em que roubada está se metendo.

— Acho que sim, ela falou muito carinhosa.

— Pode ser uma amiga ou algo do tipo.

— Se iluda Anna. – Ela riu me fazendo rir junto.

Não me lembro de minha irmã alguma vez ter me dito, ou dito a Stella que já teve algum namorado. Apesar de ela ter 16 anos e ser mais nova, ela era mais responsável que Stella, e optou corretamente por não namorar, pelo menos é isso que me lembro. E é claro que ela já deu o primeiro beijo e teve alguns lances, mas nada sério, nada que a faça se apaixonar e estragar sua vida, assim como eu.

Fiquei conversando com Rachel durante toda a aula, a minha sorte era que eu era inteligente em minha época, e Stella em sua, portanto minha inteligência foi dobrada nessa vida. Se não fosse isso eu estaria boiando na matéria agora. Depois que a aula terminou, me despedi de Megan e logo fui para casa, na intenção de não encontrar com Victor e encontrar Rachel em casa já. Mas me enganei na segunda opção, Rachel não havia chego ainda, e a preocupação de Stella com sua irmã subiu para a minha cabeça, tornando-se minha preocupação.

— Onde está sua irmã? – Meu pai perguntou assim que entrei em casa.

— Ela não chegou né? – Fiz essa pergunta teoricamente idiota. – Não sei, ela saiu com uns amigos.

— Quando volta?

— Não sei. – Menti sobre ela ter saído com uns amigos, a verdade era que eu não sabia onde e nem com quem ela estava.

Terminei de falar com meu pai e logo subi para meu quarto, agora minha cabeça estava mais bagunçada que meu quarto, por mais impossível que seja isso. A preocupação com Rachel me atormentava, mas o que mais me fazia mal era lembrar de Nohan, eu queria tanto saber se ele estava bem, queria saber o que aconteceu depois, se ele sofreu muito. Droga, com certeza sim.

O nome dele martelava por minha mente durante toda a tarde, e eu detestava isso.

— Boa tarde. – Rachel entrou pela porta do meu quarto falando alegremente. – Como foi seu dia hoje? O meu foi ótimo.

— Não muito bom. – Levei um pequeno susto com sua entrada no quarto. – Fiquei muito preocupada com você.

— Não deveria, eu sei me cuidar. – Ela sorriu, estava na cara que algo muito bom aconteceu.

— Onde você estava?

— Com uma pessoa. – Ela continuou sorrindo, muita felicidade pro meu gosto.

— Quem?

— Um garoto né.

— Seu namorado? – Tive medo da resposta.

— Ainda não. – Ela imaginou provavelmente como seria se namorasse com ele, e adivinha? Sorriu.

— Ainda? – Fiz uma careta. – Não é você que não quer namorar cedo?

— Não está mais cedo Anna. – Ela me repreendeu. – E ele é diferente.

— Não existe isso de diferente.

— Eu juro, ele é sim, ele é tão carinhoso, me respeita tanto...

— Grande coisa. – Interrompi.

— Eu nunca senti isso por ninguém, quando falo com ele meu coração bate muito rápido, chega a doer.

— Droga. – Fiz uma cara assustada. – Espero que seja um enfarte, porque se for paixão já era.

— Ai que horrível. – Ela fez uma cara feia para mim. – Prefiro me apaixonar.

— Acredite em mim, o enfarte é melhor.

— Nem brinque com isso.

— Quem é ele?

— Ele pediu para não contar.

— Ah ele já está se escondendo.

— Não é nada disso Anna, qual o seu problema?

— Ele.

— Você nem sabe quem é.

— Só não quero que se machuque, o amor só nos faz mal Rachel, não é uma coisa boa, é horrível.

— Você está errada, o amor é bom sim, você fica o culpando com algo que não fala o que é, mas você está completamente errada, não podemos culpar o amor, a culpa é sua que enxergou algo onde não existia. – Rachel disse aparentemente com raiva do que eu havia acabado de dizer, a fazendo gritar comigo e sair logo do meu quarto.

Logo após ela sair, suas ultimas palavras ficaram rodando em minha cabeça. ‘’ A culpa é sua que enxergou algo onde não existia’’. Droga, eu não esperava que ela dissesse isso, mas disse, e de uma certa forma aquilo me machucou, me fez lembrar novamente do meu passado e pensar se ela estava certa. Será que o erro foi meu? Eu fui tão idiota a ponto de enxergar amor onde não tinha? Ou Rachel estava errada e a culpa era mesmo do amor?

O amor é só um sentimento, não poderia ser culpa dele. Ou poderia. É um sentimento, e daí? O ódio também é um sentimento e faz mal as pessoas, o ciúme é um sentimento e causa a mesma dor, e por que o amor seria diferente? Rachel está errada, o amor faz mal sim, assim como o ódio, a raiva, os ciúmes, o orgulho e outros que sabemos muito bem quais são.

— Anna? – Meu pai me gritou da cozinha.

— Sim? – Retribui o grito do meu quarto.

— Tem um rapaz querendo falar contigo.

A primeira coisa que veio em minha mente foi Nohan. O primeiro nome, e isso me fez sorrir, eu realmente precisava saber se ele estava bem. E ele ter vindo aqui seria ótimo para obter a minha resposta. Seria.

— Victor? – Falei assim que desci as escadas e fui até a porta na intenção de encontrar Nohan.

— Saudades? – Ele deu aquele mesmo sorriso irônico que eu odiava.

— Como descobriu onde eu moro?

— Tenho meus contatos.

— Quem?

— É segredo. – Ele sorriu. – Você andou sumida, fugindo de mim?

— O que quer aqui? – Falei ignorando completamente sua pergunta. – Sabe que não pode tentar nada em público...

— Quem te disse isso? – Ele me interrompeu sorrindo diabolicamente. – Eu posso tudo amor, mas fique tranquila, não farei nada, não hoje.

— Que tal se você morresse e me deixasse para sempre? – Tentei ser irônica como ele, mas demonstrei um pouco minha raiva, coisa que ele não fazia.

— Não posso. – Ele riu. — Você sabe que morrerá de saudade também, seria em vão.

— Só se for no seu sonho. – Revidei, aos poucos eu ia melhorando na ironia, queria demonstrar a ele que eu era forte, e o uso da ironia era um bom começo.

— Admita que ainda me ama. – Ele continuou rindo, ele queria mesmo um joguinho.

— Eu odeio você. – Sorri.

— Não minta pra mim amor. – Ele riu puxando minha cintura fazendo com que eu colasse meu corpo ao dele, logo depois sussurrou em meu ouvido – Eu sei que ainda me quer, sei que sente falta do meu corpo, do meu beijo.

Eu senti a respiração quente dele em meu ouvido, junto com aquelas palavras que ardiam em meu ouvido, e isso fez com que eu tivesse um efeito contrário ao que eu deveria sentir. Eu senti vontade, vontade de corresponder aquilo, eu queria o corpo e o beijo dele naquele momento, mas eu não podia, eu não devia. Não sei que droga me ocorreu naquele momento, talvez um momento de ilusão, ou alguma vontade de relembrar melhor época da minha vida, a época em que eu ainda acreditava no amor verdadeiro.

— Me larga. – Gritei empurrando ele, conseguindo me recompor e evitando que o pior acontecesse.

— Eu vi nos seus olhos. – Ele pareceu surpreso. – Você queria, você me queria.

— Nunca. – Gritei com raiva daquela situação, e mais ainda por ser verdade.

— Eu sei que queria, eu conheço você. – Ele sorriu, havia um brilho diferente em seus olhos naquele momento. – Você ainda me ama.

— Não amo. – Continuei gritando, era verdade, eu não o amava, e nunca mais amaria. – Mas eu já amei, eu te amei da forma mais bonita, e o que você fez? Você nem se importou.

— Eu... Eu não... – Ele se afastou de mim, havia algo diferente nele naquele momento, não sei explicar o que era, mas havia, ou não. – Você foi ótaria, só isso.

— Eu sei disso. – Falei voltando a querer mata-lo. – Mas foi bom, eu aprendi agora.

— Espero que sim. – Ele riu.

— Já terminou? Eu preciso ir pra casa.

— Eu vou te deixar ir. – Ele sorriu segurando a minha mão e beijando-a carinhosamente em seguida. – A gente se ver meu amor.

Não sei como eu pude querer corresponder a aproximação dele, eu tenho nojo dele, não suporto o jeito falso e maldoso dele. Não sei o que foi aquele momento, não sei como eu pude pensar em corresponder, eu realmente quis beija-lo, não sei o que deu em mim, mas que bom que essa vontade passou a tempo de eu fazer essa besteira. Talvez tenha sido só um momento de fraqueza, alias por mais que eu me negue a lembrar, a gente viveu uma história de amor, pelo menos para mim, e o fato dele ter se aproximado tanto me deixou fraca. E como toda fraqueza passa, eu fui forte e não cometi o pior erro da minha vida, não de novo.

Notas finais
Eita, uma recaída, que bom que passou haha
Anna com Nohan = NohAnna
E Victor com Anna? kkkk