- ‘’Eu morreria por você, não só por te amar, mas também por não aguentar um segundo sequer em um mundo onde você não existisse. Eu não aguentaria acordar e ver que você não está em minha cama, e muito menos que o resto do dia seria vazio, sem você comigo. Eu sei que esse sentimento é meio egoísta, mas eu sou assim, quando se trata de você eu sou completamente egoísta, eu me recuso a viver sem você, e mesmo se você tivesse que viver sem mim, de alguma forma eu daria um jeito de cuidar de você. ‘’

Me lembrei das palavras ditas por Victor duas semanas antes de ele me matar, lembrei-me que aquilo foi tão lindo que não poderia ser verdade, e de fato não era. Agora eu entendo a expressão: ‘’ o amor é cego’’, não é que ele seja cego, ele nos deixa cego, e eu fiquei cega pelo Victor, pelo amor que ele me mostrou, mesmo não sendo real. E lembrando-me dessa fala dele, pensei que eu não estava só cega, eu também estava surda. Eu deveria ter me ligado mais, ter imaginado que tudo era perfeito demais, era bom demais para ser verdade.

— Anna? – Rachel me gritou assim que entrou em meu quarto. – Acorda.
— Já estou acordada. – Respondi me descobrindo e a olhando de mau humor por ela entrar gritando.
— Você ainda está na cama. – Ela resmungou.
— Eu disse que já estou acordada, e não que irei levantar. – Voltei a me cobrir com a coberta. – Quero dormir o dia inteiro... ou melhor, a vida inteira.
— Levanta logo Anna, tenho uma coisa pra te contar. – Ela pulou em cima de mim na cama. – É urgente.
— Diga Rachel. – Me levantei empurrando-a de cima de mim. – Espero que seja algo mais importante do que ficar na cama.
— Não comece. – Ela sorriu. – Você conhece o Arthur?
— Do segundo ano? – Perguntei me lembrando do Arthur, o segundo menino mais lindo do colégio, depois de Nohan, ou melhor, o terceiro, já que o Victor agora estuda lá, e apesar de faltar mais do que ir, ele acaba tomando o lugar do Nohan.
— Sim, da minha turma. – Ela sorriu. – Ele é tudo de bom.
— Por que é tudo de bom?
— Ele consegue ser lindo e fofo ao mesmo tempo.
— Não se iluda.
— Não começa com isso Anna. – Ela me repreendeu. – Ele é lindo.
— É a pior espécie.
— Ele me chamou de amor hoje. – Ela ignorou meu comentário. – Foi a primeira vez que falou comigo, apesar de sermos da mesma turma.
— Ele não sabe seu nome. – Fiz uma cara de tédio.
— Ah pelo amor de Deus. – Ela saiu do quarto com raiva de eu não concordar com ela, e ainda de certa forma fazer piadinhas, mas eram verdadeiras.

Assusta-me a forma como a minha irmã era iludida, a forma como ela se parece comigo, e isso me faz pensar que eu estava errada, eu não entrei no corpo de Stella por se parecer com ela, e sim por se aparecer com sua irmã, por me parecer com Rachel. Eu de alguma forma me sentia responsável por mantê-la salva, por não deixa-la cometer o mesmo erro que eu. E era isso a explicação, eu seria como um anjo da guarda para Rachel, eu não poderia permitir que ela se machucasse assim como eu. Eu não estava aqui sem nenhum motivo, é claro que havia algum, e eu acabo de descobrir qual era.
Não seria uma missão fácil já que esse rapaz que ela está quase namorando é um dos mais bonitos do colégio, e provavelmente não vale nada. E eu não estou me enganado pela beleza dele, o julgando por ser bonito, como fiz com Nohan, não é por isso, e sim por me lembrar de que Stella já o conhecia, e sabia que ele não era o candidato certo para sua irmã, e é ai que eu entro na história, vou protegê-la e fazer com que ela se apaixone pelo cara certo, que com certeza não é esse.

— Cadê a Rachel? – Perguntei a meu pai um tempo depois de ter terminado a conversa com Rachel, e sim, eu levantei muito tarde.
— Ela saiu com um rapaz. – Ele fez uma cara de poucos amigos. – Nem veio me apresentar ele.
— Pai ninguém mais apresenta hoje em dia. – Revirei os olhos. – Não é mais como na minha época.
— Muito engraçadinha. – Ele fez uma careta, achando que eu estava brincando com a ‘’minha época’’.
— O que achou dele?
— Eu nem o vi.
— Ele parece um marginal. – Brinquei, provocando meu pai.
— Como é? – Ele fez uma cara de espanto.
— Estou brincando pai. – Tentei conter a risada.
— Que bom que acordou de bom humor. – Ele me olhou sério. – Porque eu não.

Eu não estava de bom humor, estava bem longe de estar. Mas percebi que eu não poderia perder tempo triste, apesar de continuar, aprendi que eu não estava mais na minha época, que as pessoas de hoje em dia eram diferentes, elas poderiam estar morrendo por dentro, mas estão brincando e sorrindo por fora. E é assim que serei daqui para frente, chorando por dentro e sorrindo por fora.

Depois que terminei a conversa com meu pai, lembrei-me que hoje era sábado, dia de se divertir, e não de ficar em casa, então subi rapidamente para meu quarto, peguei meu celular, e revirei a agenda em busca do numero que eu desejava ligar para um momento mais tranquilo, um momento de diversão sem nenhum tipo de cobrança ou algo do tipo.

— Amiga vamos sair? – Perguntei assim que achei o numero de Megan e ela atendeu o celular.
— Para aonde? – Ela respondeu-me com outra pergunta.
— Sei lá, só dar uma volta. – Fiz uma pausa. – Ta ocupada?
— Não, hoje meu dia está meio chato. – Ela riu. – Que bom que me convidou.
— Não tem de quê. – Sorri. – Aparece aqui em casa.
— Está bem, vou me arrumar e chego ai rápido.
— Ta, estarei te esperando. – Falei desligando a ligação.

Joguei o celular em cima da cama, e fui rapidamente tomar um banho, logo depois me arrumei e esperei por Megan. Por sorte fiz tudo rapidamente e ainda sobrou tempo para que eu ainda esperasse a sua chegada.

— O namorado misterioso é o Arthur? – Megan disse rindo após chegar a minha casa, eu contar as novidades pra ela, e já quando estávamos na rua.
— Sim. – Falei me lembrando de que Megan era nova e não deveria conhecer ele. – Sabe quem é?
— Sim, uma menina me falou dele, nesse colégio tem escala de beleza. – Ela riu.
— Terceiro mais bonito. – A acompanhei no riso. – O que ela disse sobre ele?
— Ela disse que amava ele, mas não sabia o que fazer, pediu minha ajuda.
— Quem é ela?
— Não sei, foi um pedido de conselho, no meu site, estava em anônimo.
— Você tem um site de conselhos? – Perguntei rindo.
— Não ria. – Ela fez uma careta. – Tenho, até que é divertido.
— Será que foi Rachel quem perguntou?
— Não sei. – Ela pareceu pensar. – Mas por que pediria conselho a mim?
— Porque você é o único ser do planeta com site de conselhos anônimos. – Falei caindo novamente na gargalhada.
— Não tem graça. – Ela falou segurando o riso, em vão, pois logo depois começou a rir comigo.

Fiquei a tarde inteira conversando com Megan, eu adorava conversar com ela. Além de ser boa ouvinte, ela era ótima para conselhos, conversas intimas, guardar segredos, me fazer rir, enfim... Ela era uma ótima amiga.

— Fez o que de bom ontem? – Megan me perguntou enquanto caminhávamos perto da praia.
— De bom nada. – Respondi abaixando a cabeça, olhando meus pés enquanto caminhava.
— E de ruim?
— Victor.
— O que tem ele?
— Ele foi lá em casa.
— E...?
— Lembra que eu disse que ele já foi meu namorado, mas que agora eu o odeio?
— Sim.
— Era verdade, eu o odeio demais, mas...
— Mas o que?
— Ontem eu não tinha tanta certeza disso.
— Por quê? O que aconteceu?
— Foi só por um momento, ele quase me beijou, e eu quase correspondi.
— Isso é normal Anna, ele já foi seu namorado, e ele é lindo, é normal querer beija-lo. – Ela riu.
— Talvez sim, mas eu fiquei meio perturbada com isso, não quero sentir nem desejo, nem nada além de ódio por ele.
— Você não sente, confia em mim, já tive isso, foi uma coisa de momento mesmo, como você disse.
— Eu sei que foi, mas fiquei pensando nele a noite inteira.
— O que pensou?
— Pensei no quanto eu queria que fosse diferente. – Falei demonstrando o quanto eu queria que voltássemos ao passado, e nada daquilo tivesse acontecido.
No fundo eu sabia que era normal querer beija-lo por um momento, eu sabia que era normal deseja-lo por uns segundos, eu sabia que era normal esquecer que eu o odiava quando ele estivesse próximo de mais a mim, eu sabia disso tudo, porque eu sabia que o que eu vivi com ele era muito complicado de esquecer, por mais que não tenha sido real, era complicado, algo praticamente gravado na memória, como uma tatuagem, que nunca mais sairia de lá.
Por mais que eu tentasse escondê-la, passar por cima, ou algo parecido, ela sempre estaria lá, e eu sabia disso, mas do que ninguém.

Depois de um tempo conversando, Megan se despediu de mim e foi para casa. E eu fiquei na rua até a noite, lembrando e pensando sobre tudo que havíamos conversado. Falamos sobre o envolvimento de Rachel com Arthur, sobre Nohan e o sentimento de amizade que eu tinha por ele, e sobre Victor e o sentimento confuso de amor e ódio, mais pra ódio é claro.

— Anna? – Uma voz masculina falou atrás de mim. – O que faz aqui sozinha?
— Eu... – Me virei e vi quem era, surpresa por sua presença. – Nohan.
— Eu. – Ele sorriu, parecia bem, e não sei por que, mas eu esperava que não estivesse, e isso acabou me fazendo pensar que talvez não tenha sido ruim pra ele. – O que faz aqui?
— Eu estava com Megan. – Falei analisando as expressões em seu rosto. – E você? Sozinho?
— Não, estou com você. – Ele riu. – Tudo bem?
— Sim, e você? – Abaixei a cabeça. – Estive preocupada.
— Estou bem, por que estava preocupada?
— Você sumiu.
— Eu não estive muito bem.
— E já está bem?
— Sim.
— Como conseguiu?
— Não tenho outra escolha. – Se ele começou aparentando estar bem, agora já demonstrava algo diferente.
— Quero te ver bem. – Falei sendo sincera.
— Bem de verdade?
— Sim.
— Nunca me verá assim. – Ele abaixou a cabeça demonstrando sua tristeza.
— Por que não?
— Porque você não está comigo.
— Não me diga isso.
— É a verdade. – Ele levantou a cabeça e encarou meus olhos profundamente. – Eu estou bem Anna, por fora eu estou ótimo, mas por dentro ainda falta você.
— Nohan eu... – Tentei falar.
— Você precisa entender... – Ele disse segurando meu rosto suavemente, seus olhos penetravam os meus intensamente que chegava a me doer. – Você está certa em me deixar, mas eu também estou certo em não aceitar isso.

Então de repente Nohan me puxou pela nuca, colando nossos corpos com vontade, eu sentia sua respiração quente muito perto, então ele disse olhando em meus olhos:

— Eu não estava tão apaixonado por você, nunca estive. – Ele disse cada vez aproximando mais sua boca da minha, e eu não conseguia me mover. – Mas as coisas mudaram, você mudou, e eu mudei com você, eu quero você Anna, mais do que nunca, eu quero você.
— Mas Nohan, apesar de gostar de você, eu não quero ficar com você. – Consegui falar apesar da proximidade dele, tentei ser o máximo sincera possível, como sempre.
— Eu sei disso, mas um aviso... – Ele deu uma pausa, encostou a ponta do seu nariz no meu, e continuou baixinho. – Eu não sou de desistir.

Em seguida ele me beijou, carinhosamente e cuidadosamente como sempre, mas tinha algo diferente nesse beijo, além de existir uma certa saudade da parte dele o fazendo me beijar mais calorosamente, ainda existia algo a mais, algo mais forte. Tinha algo diferente naquele beijo, estava muito melhor do que da primeira vez, estava muito melhor, dessa vez foi até difícil parar, quer dizer, foi impossível parar, eu não consegui, eu quis continuar, e continuei.

Logo depois de parar o beijo, depois de um beijo ardente e demorado, ele me olhou com doçura, encostou sua testa na minha, e encarou novamente os meus olhos, aquilo me matava, então fechei os olhos, sentindo sua presença e seu cheiro perto de mim, não vou negar era gostoso estar ali com ele. Logo em seguida, ele afastou seu rosto do meu, e eu permaneci de olhos fechados, então ele beijou minha testa suavemente e sussurrou para que ninguém mais ouvisse:

— Eu te amo!



Megan:
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Notas finais
Quem gostou do momento NohAnna? *-*
Próximo cap, teremos o nosso querido Victor, mas nada romântico kkkk