O Amigo Do Meu Pai
31 Relíquia de família
Notas iniciais
Era oito e quinze da noite e eu terminava de me arrumar para encontrar, junto com Sam, Michael em um restaurante. Como eu havia dito, Michael havia combinando conosco de pegar as amostras naquela noite, já que ele estava no estado para uma convenção médica e aproveitou e parou aqui em Phoenix para nos encontrar e pegar as amostras. Mas como Sam dissera, o irmão dele não era uma pessoa pratica e simples. Tudo com ele era complicado. Então para nos “facilitar”, Michael inventara de nos encontramos esta noite para “batermos um papo”. Sam, que nem discutira com o irmão porque sabia que seria inútil, fez reservas em um restaurante e marcou para as nove de nos encontramos. Eu passei o meu batom, terminando de me arrumar. Eu vestia uma camisa sem mangas branca com um laço perto no meio, uma saia com alças (como suspensórios) que se cruzavam nas costas, saltos pretos estilo boneca e uma bolsa que fazia alusão ao cinema. Levava comigo um casaco de couro preto. Meu cabelo estava solto, caindo em cachos largos, e maquiara meus olhos com uma sombra e delineador, além de minha boca vinho. Como se tivessem adivinhado que terminara de me arrumar, bateram à minha porta. Ah, esquecera-me de comentar: Sam alugara um quarto de hotel para mim, no mesmo hotel onde ele e a banda se hospedaram. Eu não queria, estava mais afim de alugar um quarto em um hotel próximo ao dele, mas não no mesmo. Mas ele me abrigara. E quando digo obrigara não minto. Eu abri a porta e lá estava meu tormento preferido: Sam vestia uma camisa social branca (levemente transparente, diga-se de passagem) com uma jeans escura e sapatos sociais. Ele também trazia um blazer jogado aos ombros, que ele segurando por trás. Ele estava apoiado ao portal da porta e tinha a cabeça baixa quando abri a porta. Senti seu olhar em minhas pernas, subindo lentamente, até ele levantar a cabeça para me encarar. Ele abriu seu típico sorriso travesso, que amo diga-se de passagem.
–Então, preciso dizer que você pode entrar? – Levantei uma sobrancelha.
–Não, eu só queria admirar um pouco a vista – Ele respondeu malicioso.
Revirei os olhos e saí da porta, entrando no quarto. Sam seguiu-me, fechando a porta ao passar. Eu virei para ele, com minha bolsa e meu celular em mãos.
–Estou quase pronta, só falta arrumar minha bolsa – Avisei.
–Nunca entendi por que vocês mulheres tem tanto que trocar de bolsa! — Ele comentou se sentando na poltrona ao canto.
–Vocês querem uma mulher feia, reclamando que a roupa não está boa? – Rebati.
–E o que tem a ver uma bolsa? — Ele perguntou sem entender.
–Tudo. Se a bolsa não combinar com a roupa, consequentemente a mulher vai estar com a roupa toda errada. E se ela tiver com a roupa errada irão comentar – Respondi guardando minhas maquiagens básicas na bolsa.
–Quem iria a dizer? – Ele questionou confuso — Um homem que não será...
–Não, porque vocês só ligam para nada. Mas as mulheres sim. Elas reparam, e muito, na roupa das outras mulheres. Sabe, tem um velho ditado que diz que mulheres não se vestem para os homens, e sim, para as outras mulheres.
–Nossa, e eu pensando que tudo isso era para mim! — Ele decepcionou-se.
Eu virei para ele com minha bolsa pronta, com tudo que precisava já dentro dela. Dei um sorriso e disse:
–Nem em sonhos, baby!
Ele fez cara de ofendido e depois tirou do bolso do blazer uma caixinha de joia. Ele abriu-a para si mesmo e suspirou, admirando o conteúdo:
–Que pena, porque eu tinha algo que lhe pretendia dar...!
Ele virou a caixinha para mim e me mostrou um anel lindo. Tinha aparência de antigo, o que o dava um charme a mais. Tinha um lindo ônix encrustado no mesmo, com uma espécie arranjo de perolas em volta. Eu fiquei sem reação. Sam sorriu vitoriosos diante disso. Ele se levantou e pegou minha mão, tirando o anel de dentro da caixa.
–É um anel de família. Foi de minha avó. Eu, por acaso, descobri que eu botara a caixa que ele estava no meio de minhas coisas, na hora que arrumara as malas. Eu o vi e logo imaginei em você – Ele explicou botando a relíquia em meu dedo anelar esquerdo.
Eu admirei o anel em meu dedo, boba. Sam sorriu satisfeito. Mas eu logo balancei minha cabeça negativamente, espantando o meu estado de boba.
–Eu não posso Sam! É uma joia de família! — Recusei tirando o anel de meu dedo e o entregando a ele.
Mas Sam não o aceitou de volta.
–Não Anne, eu quis dá-lo a você. Eu tenho certeza que minha avó teria gostado de você e ficaria feliz em saber que eu te escolhi para usa-lo – Respondeu Sam, botando o anel de novo em meu dedo.
–Não, Sam. Não posso... — Voltei a negar.
–Você pode e vai. Quero você o usando, e sem mais – Cortou-me Sam.
Eu balancei a cabeça, sorrindo do tipo “você não tem jeito...”. Eu abracei-o, para agradecer.
–Obrigada. Eu amei. Cuidarei dele muito bem –Prometi soltando-o e admirando o anel.
–Sei que vai... — Ele disse sorrindo.
Eu peguei a minha bolsa na mesa e segui para a porta. Olhei para trás, para Sam, e sorri chamando-o. Ele sorriu e saiu do quarto, me acompanhando. A noite só estava começando...
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