O Acordar Do Faraó
5 Capítulo 5 - A Vida em Água.
Notas iniciais
Mais um capítulo acho que ficou muito meloso, mas eu gosto rs
Focado em Saludja e Arkon também. Ah e o Ramsés, lembram-se dele o irmão mais novo do Faraó? Ele também vai ter mais presença futuramente HSUASHAUS É o terror dos novinhos do palácio q
Pretendo explorar as histórias deles e enriquecer mais a fic.
Boa leitura! ♥

As águas das chuvas colidindo com o solo escaldante do deserto surtia um efeito balsâmico nas terras cobertas pelo sol e areia escaldante. A época das monções era a mais esperada, água sagrada que alimentaria a fome com o crescimento das colheitas regadas por essa chuva. Os corpos castigados pelo sol poderiam descansar durante os meses em que as chuvas duravam.
Gotas grossas desciam do céu carregado, cobrindo todo o Egito.
Rouge acordou naquela manhã com o som melancólico da chuva. Observou o fenômeno natural na varanda, via as pessoas andarem em baixo da chuva com uma alegria incontrolável. Água era um presente divino para os povos do deserto.
Toda a sua rotina foi feita normalmente, relembrou-se que Kanope e Nadhirra viriam mais tarde passar algum tempo consigo. O ruivo pensava nas possíveis maneiras de poder entreter as crianças em cinzentos. Pensou em papel e tinta, crianças adoravam pinturas e de se lambuzarem-se com tinta.
Perguntou a Sahib onde poderia arranjar esses materiais, a criada disse que só os escribas utilizavam isso. Teria que ir à ala dedicada a eles no palácio. Tendo o livre aceso dado pelo Faraó e poderia ir aonde quisesse, todos estavam cientes disso quando o viam vagando pelo palácio.
Resolveu aventurar-se sozinho e descobrir onde ficaria a ala dos escribas. Pediu as direções a Sahib, que insistia que mandaria alguém buscar o que queria para ele. Teimoso como um bom ruivo sabia ser, e aventureiro como um arqueólogo não aceitou, iria pelo seu pé o que queria.
Contudo naquele labirinto de mármore perdeu-se quando virou no corredor errado. ''Era para virar no segundo ou no terceiro corredor? Que merda.'' Como todo o estrangeiro em terras desconhecidas, por mais explicitas que as indicações do caminho fossem, sempre dava para perder-se.
Rouge viu uma grande arcada dando passagem para um jardim interior, uma fonte emergia no centro, jorrando água por uma flor de Lótus em cristal vermelho. Ouviu vozes provindo de lá, caminhou para dentro do jardim a fim de perguntar a alguém a direção certa.
Um pequeno grupo de três mulheres e um rapaz conversavam junto à fonte, pela expressão de surpresa estampada nos seus rostos diria que era a primeira vez que o viam. Sentiu-se desconfortável com os olhos analíticos das pessoas em si.
A sua roupa era bem simples naquele dia, uma túnica branca de uma manga única lateral, deixando um ombro descoberto. Uma faixa de cetim preto preso na cintura, estava sem joias ou outros adornos, os pés tocavam diretamente no chão frio.
O seu cabelo estava liso e solto, era a imagem contraria daquelas pessoas que estavam muito bem vestidas com tecidos caros e joias, o ruivo pensou que poderiam ser pessoas importantes. Tarde de mais para passar despercebido e sair dali sem ser notado, Rouge abriu a boa na intenção de falar, quando uma voz masculina pronunciou o seu nome. – Rouge!
Saludja franziu a testa ao ver o ruivo ali naquele sítio, fez um pequeno gesto de cabeça para o pequeno grupo, dando sinal para irem embora. Voltando a sua atenção para ruivo. – Rouge está perdido?
O sacerdote viu a pele alva ruborizar levemente de embaraço, dando um assentir leve de cabeça. – Hm eu estava tentando chegar até aos escribas para arranjar papiro e tintas.
O homem mais velho arqueou uma sobrancelha, curioso. O ruivo continuou tentando clarificar o seu objetivo. – Para ensinar uma brincadeira do meu tempo às crianças.
Saludja sorriu e dispôs-se a caminhar incitando Rouge a segui-lo, tinha que levar a joia de Khan para fora do Harém.
– Parece interessante, qualquer pessoa do reino que tenha oportunidade de aprender algo consigo é um afortunado. – O ruivo não respondeu e evitou olhar para Saludja, não era muito bom a receber elogios.
Tentou desconversar com outro tópico. – Qual o nome daquele jardim?
Saludja permaneceu calado por uns momentos pensando se deveria dizer ou não, mas como a verdade é sempre o caminho mais correto, esperava não causar desconforto ao ruivo.
Preferiu omitir a verdade sobre o significado da fonte, a Lótus vermelha representava a paixão, amor entre outras coisas reservadas ao coração e corpo humano. – É o jardim do Harém, não tem um nome específico.
Rouge empalideceu um pouco, muito claramente se esquecera que tinha que haver um harém para o rei. Não gostou de saber que pisara num sitio onde era especificamente para dar prazer e satisfazer o Faraó. Ter encarado as pessoas que tocavam em Khan deu-lhe um leve enjoo, fazia dias que não o via.
O outro nem aparecera mais durante a noite para o molestar, como fizera na noite em que perdera a virgindade. Devia ter estado enrolado com outros porque simplesmente devia de gostar de variar. Tentou comentar de maneira que fosse uma piada e sorriu, o que foi pouco convincente.
– Deve estar cheio, eu imagino.
Saludja como pessoa que mexia com as energias vivas e coisas místicas pôde sentir uma pequena tristeza fluindo no ruivo. ''Corações apaixonados são os mais sinceros e tremem a cada dúvida.'' Debochou internamente o Sacerdote.
Decidiu acalmar o coração do ruivo. – Khan não frequenta mais o harém, deixou-o à anos, poucas pessoas permanecem ali porque não têm mais para onde ir. – Rouge pareceu entender pois as batidas do seu coração ganhavam outro ritmo, mais leve. – Muito generoso.
Pouco mais conversaram, a sala dos escribas apareceu diante dos dois. Duas grandes portas de madeira negra com Thoth, Deus da escrita, da sabedoria e divindade tutelar dos escribas, desenhado a cores vivas nelas.
Todos os escribas pareciam iguais se olhasse de relance, com pele muito queimada do sol, carecas e corpo livre de qualquer pelo, saiote branco e um colar grosso de ouro com pequenos hieróglifos indicando a sua profissão incrustados no ouro do colar. Esse era o aspeto geral.
O escriba profissional era uma importante figura nos vários aspetos da administração do antigo Egito — civil, militar e religioso. A administração egípcia era formada basicamente por escribas. Eles encarregavam-se de organizar e distribuir a produção; de controlar a ordem pública; de supervisionar todo e qualquer tipo de atividade antes da aprovação final do rei.
Obedeciam à autoridade do Faraó e dos templos. A habilidade para escrever garantia uma posição superior na sociedade e a possibilidade de progresso na carreira. A escalada da escada social não era fácil, mas a profissão de escriba permitia a subida desde que as realizações do indivíduo fossem marcantes.
Saludja abriu uma das portas dando passagem ao ruivo primeiro, entrando em seguida, os escribas lá dentro pararam de trabalhar no momento que os dois entraram na sala. Ofereceram uma saudação respeitável, afinal Saludja, era o principal Sacerdote ou o Sumo-Sacerdote que servia a Amon-Ra, rei dos deuses e força criadora da vida, patrono e protetor da cidade de Tebas.
Servia também a Deusa Neith, Guardiã das almas dos mortos, aquela que abre os caminhos, também conhecida como a deusa do céu, guerreira e protetora. Mãe de Ra, era a divindade das ervas, magia, cura, conhecimento místico, rituais e meditações. Deusa Sekhmet , deusa da vingança e das doenças, também era uma força espiritual presente em Saludja.
Era muito raro um sacerdote conseguir servir a vários deuses, o corpo humano não conseguia suportar o desgaste desse poder. Nos três milênios desde da criação do Egipto nas areias do deserto, existiram apenas dois Sumo-Sacerdotes capazes dessa proeza. Saludja era o segundo dotado com isso.
– Saba-hel. – Dois homens mais velhos e com roupas mais ricas, cobertos com ouro e um manto de pele de leopardo, aproximaram-se deles. Seguindo os demais com mesmo gesto de reverência. – Hillel, Sammai, deste dia em diante terão que servir a esta pessoa. A Joia do Faraó, satisfaçam qualquer desejo pedido.
Rouge, virou a cabeça de espanto para Saludja de um modo tão rápido que não soube como não deslocou-a. Não precisava falar aquele modo, nem de ser servido, só queria uns pedaços de papel e tinta.
''Joia? Por alguma razão isso me soa igual a um prostituto de luxo…’’ O Sacerdote pediu os materiais que o ruivo queria, sendo trazido sem muita demora. Entregaram-lhe um montinho de folhas de papel papiro e três estojos que continham o material de escrita. A madeira dos estojos tinham inscrições em hieróglifos, invocando o Deus Thoth.
A tinta preta era feita com carvão ou fuligem e a vermelha com ocre dessa cor finamente moído. O branco se obtinha do carbonato ou sulfato de cálcio, enquanto o azul e o verde eram produzidos com uma combinação de sílica, cobre e cálcio. Os ingredientes eram misturados com uma solução fraca de cola, gelatina feita através de gordura animal, cera ou clara de ovo, de forma a endurecerem ao secar.
Para utilizar as tintas misturava-se água à pasta do pigmento, como fazem as crianças com as suas aquarelas no século XXI. O cálamo, o pincel era feito de uma haste de junco, com cerca de quinze a vinte e cinto centímetros de comprimento, a ponta era cortada obliquamente.
Rouge agradeceu pelos materiais aos escribas e a Saludja. Rejeitando educadamente quando o sacerdote se ofereceu para leva-lo de volta ao quarto, não queria incomodar mais, até porque ele reconheceu o caminho de volta.
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Saludja entrou na sua saleta, dividida em dois cômodos, oficina de trabalho e quarto. Na oficina o sacerdote fabricava os seus remédios e poções, a saleta estava repleta com estantes em carvalho altas do chão quase até ao teto, todas as prateleiras estavam ocupadas por livros.
Ingredientes, instrumentos metálicos, ouro, pedra ou madeira para fabricação dos remédios e poções assentavam lugar por toda a saleta. Uma bancada de trabalho ocupava o centro da saleta, continha várias ervas, tigelas, bacias, canforas com óleos, lamparinas de azeite e velas, tudo espalhado pela superfície plana sem qualquer organização.
Apenas Saludja entendia a sua confusão e conseguia trabalhar assim. A sua mesa de escrita não estava menos desarrumada, camadas de papiros, livros encadernados com caracteres e signos não-egípcios, potinhos redondos de tintas, pinceis e penas de escrever, e uma luminária de azeite.
O moreno sentou-se na sua mesa, e colocou o estojo medicina de madeira com vários utensílios dentro em cima da mesa. Tinha ido examinar uma das ex-concubina que não se estava sentindo muito bem, apesar de ter alguns assistentes, o médico gostava de tratar tudo por ele mesmo.
Gostava de se sobrecarregar entre pesquisas médicas, fabricação de remédios, o sacerdócio aos deuses, ter a Casa da Vida sob a sua alçada como mestre e diretor, ser o braço direito do rei e colaborar para deter o traidor do Jafir, eram só as suas tarefas diárias.
Pegou numa das penas e começou a escrever os sintomas e reações que vira na mulher efémera. Estava a meio da sua escrita quando Khan entrou na sua saleta. Sem tirar os olhos do que estava fazendo falou para o amigo. – É uma visita de médico, conselheiro ou amigo?
Khan encostou as suas costas na mesa grande ficando de frente para ele. – É Kanope. Saludja levantou o rosto com a testa ligeiramente franzida logo que o nome do menino foi pronunciado. Kanope parecia-lhe sempre bem todas as vezes em que o via. – O que tem o meu afilhado?
Khan fez uma pequena pausa antes de prosseguir, Saludja era a única pessoa que tinha com quem pudesse falar sobre os filhos e aquietar o seu coração de pai. – Ele está bem mais feliz ultimamente, fala de Rouge até ao último piscar de olhos quando vai dormir.
O moreno deu um pequeno sorriso ao pensar na transformação do seu filho de uma criança introvertida e calada para um tagarela. O Sacerdote deu uma risada aliviado por saber que não era nada de preocupante. – Pai e filho têm o mesmo sangue sem dúvida, é hereditário, então os dois vão disputar a preciosa Joia.
Saludja sempre sentiu um pouco de inveja do rei, filhos eram realmente o único tesouro que um homem podia possuir na vida, até um rei não tinha mais nada que pudesse chamar de só seu a não ser os seus filhos. O Sacerdote gostaria um dia de experimentar essa felicidade. Não podia ser de sangue mas qualquer criança acolhida por si e por Arkon seria amada de coração do mesmo jeito.
– Kanope tem muito bom gosto mesmo. – O pai gracejou orgulhoso, mas o interesse que pai e filho tinham em Rouge era completamente diferente um do outro.
– Por falar em Joia, encontrei-o perdido no Harém hoje mais cedo, não me pareceu muito feliz por saber que aquilo era o teu Harém. – Saludja estudou a expressão do moreno, por vezes não sabia o que ia na cabeça impulsiva de Khan. A testa do rei franziu-se levemente ao ouvir aquilo para depois abrir um sorrisinho suspeito. – Será ciúmes?
– Que ego convencido nosso rei tem, lembrando que foram os ciúmes que fizeram estarmos nesta situação. – A animação do rei transformou-se numa expressão fechada. – Eu irei matar aquele filho de Seth e escolta-lo pessoalmente até ao tribunal de Osíris.
– Eu acompanho, já que parte deste fardo é meu, nunca me apercebi que o conteúdo da alma dele escondia a semente da escuridão. – Saludja ressentiu-se por ter escolhido Jafir para ser um dos sacerdotes assistentes no Templo de Amon-Ra e consequentemente introduzi-lo no palácio.
Lembrou-se da simpatia que nutria pelo novo sacerdote. Foi descuidado em não prestar atenção aos sentimentos de Jafir, a adoração pelo Faraó tornara-se a sua obsessão. – Não vamos deixar esse espinho dominar a nossa vida. Jafir não vai destruir-me.
A hora do ex-sacerdote viria a curto ou a longo prazo, nem que levasse a vida inteira tentando apanha-lo, mas iria cortar a cabeça do maldito com as próprias mãos. Essa era a promessa interna que Khan fizera para si mesmo.
Saludja deu um pequeno sorriso com as palavras do amigo, rezando e orando para todos os deuses que assim fosse.
– Por mencionar espinho, quando é que vossa santidade resolve casar? Eu quero unir a minha vida com a de Arkon, mas ele só vai aceitar quando o Rei casar-se primeiro. Vossa Santidade só atrapalha.
Fazia tempos que Saludja tentava convencer o amante a casar-se consigo. Irredutível afirmou que só aceitaria quando Khan casasse primeiro. Contudo Arkon sabia que era uma desculpa, sabendo que Khan não pretendia casar-se, usaria isso para mante-lo afastado.
– Quando as chuvas acabarem, daqui a três meses. É tempo limite para fazer a minha Joia ficar louco por mim. – Decidiu que conquistaria Rouge, ganharia o seu coração, se bem que a primeira noite deles já aconteceu. Faria um esforço para não agarrar o ruivo de novo, até colocar uma aliança no dedo dele e marca-lo como seu. Só voltaria a toca-lo quando ele pedisse ou melhor implorasse por isso.
– O Grande Sacerdote dos Deuses está tendo problemas em domar Arkon? Será que está ficando frouxo? — A típica conversa de machos alfa, tomava lugar para desanuviar o ambiente tenso de pouco antes.
– O meu gatinho está bem domado, já o seu meu amigo, Rouge vai-te fazer suar, e não é só na cama. – Khan deu uma risada sonora, ali tinha um pouco de verdade. Rouge era difícil de decifrar, não conseguia ler as suas emoções porque o ruivo expressava-se pouco, o seu rosto era sempre decorado com uma expressão fria e quando falava era irônico e sarcástico.
Uma leve batida na madeira da porta interrompeu a conversa dos dois homens, um serviçal informou que os donos das terras de cultivo mais ricas haviam chegado. Assim pondo fim ao intervalo do rei, seria hora de trabalhar, com sorte ainda conseguiria ver Rouge depois. Fazia dias que não se encontrava com ele, sentia falta dos seus lábios carnudos, da sua língua doce e viperina.
Suspirando despediu-se de Saludja e saiu da sala com os ombros tensos e cansado. Saludja continuou a escrever no papiro, quando acabasse teria que ir para a Per Ankh, onde era mestre de medicina e um pouco de outras coisas. Ensinava vários remédios e curas naturais para os alunos mais velhos, os pupilos com 14 anos já tinham idade para seguir para templos ou outros trabalhos de elevado estatuto para aprofundarem o seu aprendizado, se assim desejassem.
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Vasculhando pelo quarto inteiro procurando pela criança escondida, em quanto fingia que não via a pequena Nadhirra segurando na sua perna. A menina não entendia o conceito da brincadeira de esconde-esconde por ser muito pequena. Rouge pegava nela fazendo cócegas na barriguinha, fazendo ‘achar’ a menina vezes sem conta. – Achei a Nadhirra!! – A garotinha ria e ria por vezes corria pelo quarto elétrica.
– Só falta Kanope huh… — Mesmo no quarto, ele escondera-se bem, o ruivo pensava que não houvesse bons esconderijos ali, mas pelos vistos enganou-se. Quando uma risadinha abafada chegou aos ouvidos dele, o som parecia vindo de um baú de madeira talhada e colorida, encostado na parede era de certa forma grande. Podia muito bem abrigar uma criança de cinco anos.
Rouge levantou o tampo do baú, e um menino vivaz saiu de dentro gritando e exclamando que ganhara o jogo. Crianças tinham mesmo o dom de trapacear e mudar as regras em seu benefício, inocência de criança.
A seguinte brincadeira seria a pintura, o ruivo pegou num dos tapetes do chão perto da cama e levou para o centro do quarto, colocou as crianças ali e foi buscar as folhas de papel e os estojos com as tintas.
Voltou e sentou-se na frente das crianças, que esperavam ansiosamente por outro jogo novo do qual nunca haviam brincado. Rouge colocou as folhas na frente deles e abriu os estojos, pegou no pincel, molhou-o numa tacinha com água e depois na tinta colocando sobre o papel, deslizando o pincel desenhando no papel.
Tudo foi feito sob o olhar infantil atento e interessado, depois de explicar, as crianças atacaram as folhas com desenhos multicoloridos. Pouco depois o resultado eram, os três pintados da cabeça aos pés incluindo roupas.
Os traquinas pintaram a túnica de Rouge de vermelho dizendo que ficava mais bonito assim. Nadhirra excitou-se demais e saiu pintando o chão marmoreado branco imaculado. – Nadhirra não faz isso, ah sua pestinha.
Imaginado no quanto difícil aquelas tintas seriam para sair do chão ou da pele. Já que muitas gravuras e pinturas conseguiam conservar as suas cores aos longo dos milênios, quando eram encontradas nas escavações.
Colocou uma folha nova na frente dela. – Pinta aqui, e não no chão. – Num ato de ‘dona de casa desesperada’ Rouge pegou na bainha da túnica e esfregou no chão orando para que a tinta não o manchasse.
Estava de joelhos virado para a parte e de cabeça baixa quando alguém nervoso gritou o seu nome. – ROUGE!
Khan finalmente acabara todas as obrigações do dia, e só pensou em ir encontrar Rouge. Dirigiu-se apressado para o quarto dele, só faltando correr que nem doido para lá.
Contudo encontrou uma imagem que não esperava, Rouge de joelhos com as roupas tingidas de vermelho, o chão estava manchado igualmente de vermelho. ''Sangue?'' – ROUGE! – Khan correu até ao ruivo, parecendo assustado. Colocou uma mão no ventre dele, por cima do tecido sujo de vermelho analisando.
– O que aconteceu? – Olhou por cima do ombro do ruivo e viu que os seus filhos estavam igualmente sujos com diferentes cores, franziu a testa.
– Crianças brincando animadas demais, foi o que aconteceu. – Rouge sorriu, ignorando a mão pesada sobre a sua barriga, provocando-lhe calafrios no estomago.
Khan suspirou de alivio, o seu sangue congelara quando o viu coberto de vermelho. Levou uma mão até á bochecha pintada e deslizou o polegar tentando limpar a mancha, mas a sua atenção desviou-se para os lábios gritantes por beijos. Definitivamente era uma boca desenhada para se beijar.
Rouge estremeceu subtilmente, os olhos azuis-céu fixaram no rosto do mais velho, notando que ele não estava olhando para os seus olhos, mas sim para a direção da sua boca. Corou por ver que despertava um desejo intenso naquele homem.
Nesse momento o pequeno Kanope, e o seu ótimo sentido de salvar Rouge do constrangimento, estava ao lado deles com uma folha desenhada na mão. Khan retirou a sua mão do rosto fogueado do ruivo, olhou com adoração para o menino. Que estava tímido segurando a folha de papel na direção de Rouge.
– Oh que lindo, esse sou eu? – Rouge olhou para a sua caricatura, longos traços vermelhos para o cabelo, rosto era um círculo branco com dois pontos azuis para os olhos. Um aceno de cabeça de Kanope confirmou que era ele.
O ruivo sorriu e deu um beijinho fraterno e carinhoso na bochecha do menino. Que ficou muito vermelho, estava somente habituado a qualquer gesto carinhoso do seu pai, tio, Saludja e por vezes de Arkon. Receber carinhos na frente do seu pai envergonhou-o mais, virou costas e voltou para as suas pinturas.
Khan observou intensamente a cena um tanto ‘maternal’ do seu filho e Rouge, quem os visse assim pensaria que os quatro eram uma família. A pequena Nadhirra não ficando atrás, levou o seu desenho para Rouge, era um conjunto de traços vermelhos, azuis, amarelos.
A menina balbuciava. — Umm, Umm, Umm. – A criança sentou-se no colo do seu pai ficando balançando os pezinhos. Khan abraçou a filha, olhando para Rouge com um sorriso matreiro. – Daria uma linda mãe, não é meu amor?
Rouge riu nervoso por ouvir a garota chamar-lhe ‘mãe’. Aquele lugar estava distorcendo-lhe o seu cérebro, como já se habituara aos avanços diretos de Khan não ligou muito ao que ele disse. Acariciou os cabelos negros da garotinha, sorrindo para o rostinho rechonchudo todo pintalgado de tinta.
Com toda a paciência tentou explicar. – Eu não posso ser a tua Umm meu amor, homens não podem ser mães. – Nadhirra fez um biquinho de quem não conseguia entender, e contrariar um bebé de dois anos era hilário.
Porque nunca seria como os adultos queriam, nunca ganhariam contra os desejos das crianças, a menina repetiu dando o assunto por encerrado. – Umm.
Khan riu da expressão frustrada do ruivo e acariciou o rosto dele. Falando no tom macio como seda. – Desiste. Quando os meus filhos querem que uma coisa seja do jeito deles, sempre conseguem isso, Umm. Nadhirra vai brincar, o Ab e Umm precisamos conversar.
Colocou a garota no chão que saiu disparada para perto do irmão, atrapalhando o que quer que ele estivesse a fazer. Rouge fuzilava o Faraó com o olhar. Não tinha sentido algum usar os termos ‘pai e mãe’ para se referir a eles.
''O desgraçado fica dias sem me ver e quando vem acaba com a minha sanidade.'' – O que você tem para conversar comigo? Aliás, sabe ter uma conversa? Pensava que a sua habilidade era invadir camas alheias. – A irritação consumiu o ruivo, lembrou-se do Harém, dos dias em não o viu, ficando ali abandonado.
Khan segurou o rosto dele elevando-o um pouco, inclinou-se para a frente do ruivo alcançando o ouvido e sussurrando. – Sentiu saudades minhas, meu amor? – Rouge sentiu-se esquentar, deixou a língua vespertina solta no mesmo tom sussurrado. – Saudades? De quê? De ter esse ‘monstro’ dentro de mim? Não.
Khan deu uma gargalhada curta e puxou o rosto para mais perto do seu. Respirando e soprando mais do que necessário na orelha do ruivo. Ofercendo calafrios na espinha dele. – O meu ‘monstro’ só vai voltar a tocar-te quando tu implorares por isso, meu amor.
Sem mais delonga, Khan colou as bocas de ambos pressionando ferozmente levando o ruivo entreabrindo os lábios. Embrulharam as línguas num beijo discreto mas profundo devido à presença das crianças. Quando Rouge estava se empolgado o rei parou e descolou os lábios.
Sorrindo para a confusão dele, voltou a colar os lábios no ouvido de Rouge. – E eu gostei mais da cor vermelha escorrendo pelo meio das tuas pernas, a nossa primeira vez foi perfeita.
– Bastardo. – Foi tudo o que conseguiu dizer em voz baixa. O ruivo realmente estava deixando-se levar, culpou o clima chuvoso pelos seus hormônios estarem nervosos.
Sempre disseram que o clima cinzento era o melhor para ‘namorar’, o casal foi interrompido por Sahib que trazia uma bandeja com o triplo do conteúdo, bolinhos de aveia com mel, pãezinhos redondos de canela, tâmaras, figos, salada de frutas, e leite morno com uma vagem de baunilha.
A criada fez uma reverência ao ver o rei. Colocou as iguarias na mesa, e ficou de cabeça baixa e olhos no chão enquanto se retirava para o seu canto. Ficara perplexa por ver os três coloridos dos pés á cabeça, curiosa para saber o que andaram a fazer. O rei, cumprindo o objetivo do dia 1 da missão fazer Rouge ficar louco por si, resolveu ir embora.
Para o bem da sua sanidade corporal e espiritual, voltaria mais tarde para atiça-lo e matar um pouquinho mais a sede que tinha dele.
– Espera por mim acordado meu amor. — Beijou a testa do ruivo provocativamente, piscando-lhe um olho.
Levantou-se e saiu do quarto, deixando um jovem que parecia que estaria a treinar para ser um homem-estátua de tão imóvel e petrificado que tinha ficado. Sendo retirado seu transe quando Nadhirra o chamou. – Umm, Umm, fome. – Rouge fez um carinho na bochecha da menina medindo bem a extensão da sujidade da tinta.
Ficou na dúvida se daria banho nas crianças primeiro e depois é que iriam comer, mas suspeitando que aquelas crianças nunca brincaram até se sujarem e muito menos comeram sujas. Deixou eles experimentarem como era ser uma criança de verdade, andou com os dois segurando-os pelas mãos até se sentarem na mesa.
Pediu a Sabih para preparar o banho para depois. As crianças enchiam a boca com gosto, mas a monarquia ainda se fazia presente na rigidez da maneira como comiam.
Rouge encheu a boca com bolinhos de aveia até as suas bochechas ficarem inchadas como se fosse um esquilo. Entortou os olhos, olhando para a ponta do nariz, fazendo uma careta medonha.
Kanope primeiro ficou confuso com a atitude do ruivo mas depois riu. Nadhirra tentou imitar mas o máximo de bolinhos que conseguiu colocar na boca foi meio bolinho. Continuaram brincando e comendo por um bom bocado. Saboreando a comida com as mãos sujas das brincadeiras.
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Na Casa da Vida, o Sumo-Sacerdote andava por entre as mesas dos seus dez alunos. Dando dicas e truques para aperfeiçoar o remédio que estariam a fabricar, um calmante para lesões musculares.
A medicina na Casa da Vida tinha como mantra: ''No Egito, os Homens são mais qualificados em medicina do que qualquer outra civilização.''
A cultura médica do antigo Egito tinha excelente reputação, líderes de outros impérios frequentemente requisitavam ao Faraó o envio do seu melhor médico para o tratamento de familiares.
Os egípcios possuíam um bom conhecimento de anatomia humana no processo clássico de mumificação. Os mumificadores sabiam como inserir um utensílio como um anzol na ponta através de uma narina, partindo o osso fino do crânio de modo a remover o cérebro.
Também tinham uma panorâmica detalhada da localização dos órgãos internos, que removiam através de uma pequena incisão na virilha esquerda. Os médicos egípcios estavam cientes da existência do pulso e da relação entre o pulso e coração, possuíam até uma vaga ideia do sistema cardíaco.
A cirurgia era uma prática comum entre médicos no tratamento de lesões físicas. Os médicos reconheciam três categorias de lesões: tratáveis, contestáveis e intratáveis. Uma lesão na categoria tratável podia ser imediatamente atendida pelos cirurgiões. Lesões contestáveis eram aquelas em que a vítima provavelmente poderia sobreviver sem tratamento, sendo os pacientes que se assumia estarem nesta categoria ficarem sob observação. E caso sobrevivessem então seria tentada a cirurgia.
Instrumentos cirúrgicos usados incluiam facas, ganchos, brocas, forceps, balanças, colehers, serras e recipientes para queima de incenso.
A magia e religião eram parte integrante do quotidiano no antigo Egipto. Os Deuses eram vistos como responsáveis por muitos alimentos, pelo que frequentemente os tratamentos envolviam um elemento sobrenatural, tal como iniciar o tratamento com um apelo a uma divindade.
Os amuletos em geral eram bastante populares, sendo usados para os mais variados propósitos mágicos. Os que tinham relação com a saúde estão classificados em homeopoéticos, filáticos e teofóricos. Os homeopoéticos retratam um animal ou parte de um animal, a partir do qual quem o empenha aspira a ganhar atributos positivos como força ou velocidade.
Amuletos filáticos protegem contra deuses e demónios prejudiciais, e os teofóricos representam deuses egípcios. Os amuletos são frequentemente feitos a partir de osso e seguros por uma tira de pele.
Alguns pupilos cometiam pequenos erros bastante evitáveis. Ter o Sumo-Sacerdote tão perto avaliando o que estavam a fazer deixava-os muito desconfortáveis. Todos ali tinham 14 anos e com essa idade a puberdade atingi-os, todos coravam quando o olhar penetrante alaranjado recaia sobre eles.
Ser poderoso e bonito era um presente dos Deuses para os garotos admirarem e apreciarem, segundo os pensamentos adolescentes. Saludja tentava ser pacientes com eles, inconscientemente fazia isso para praticar a habilidade de ser pai, algum dia quereria ser sê-lo.
Os seus alunos preferidos eram da faixa etária dos cinco anos, a esses o sacerdote ensinava as constelações e sobre os Deuses.
Deu uma olhada para o grande pilar do relógio-solar que estava no centro do pátio da Casa da Vida. Mas como estava nublado e chovendo intensamente era inútil ver que horas eram, decidiu dar a aula por encerrada. – Não se esqueçam de praticarem e registarem os ensinamentos de hoje, comam e durmam apropriadamente.
Saludja preocupava-se com as crianças presentes na Casa da Vida. Muitos delas estavam ali longe das famílias, apenas contavam com os mestres e com os amigos que faziam ali.
Por ordem do Faraó, a educação estendia-se sem distinção entre ricos ou pobres, todos poderiam participar. Oferecia conhecimento igualmente para todas as crianças, alimentava-as com a mesma comida e os dormitórios eram distribuídos cinco crianças por cada quarto.
Depois do último pupilo sair Saludja arrumou as suas coisas. O céu estava cada vez mais escurecido, os criados andavam de sala em sala, corredor em corredor acendendo os lampiões e archotes.
Cinco corredores depois, chegou ao seu comodo, depositou tudo em cima da mesa para depois entrar no seu quarto. Que era separado da saleta de trabalho por uma cortina transparente vermelha. Suspirando cansado, retirou o manto de pele de leopardo, o saiote de linho e sandálias foram retiradas a seguir, e caminhou nu até à piscina de pedra da sua sala de banho privativa.
A água morna com flores de lótus brancos o esperava, tudo o que ele precisava era revitalizar o seu corpo e mente esgotados. Um banho com Lótus brancos simbolizaria um corpo puro, mente e espírito. Juntamente com a pacificação concedida pela própria natureza.
Levou uma mão molhada e esfregou demoradamente o rosto. As marcas tribais naturais que tinha no rosto logo abaixo dos olhos de vez em quando picavam-lhe de dor.
O seu corpo estava ressentindo-se do esforço com que tinha-se sobrecarregado, contudo não podia escolher se queria ou não, apenas tinha que cumprir qualquer dever divino ou Faraônico que fosse direcionado a ele.
Encostou a sua cabeça na borda de pedra da piscina e fechou os olhos pensando na pessoa pelo qual o seu coração clamava, o seu ponto de equilíbrio. Hoje tinha todo o direito divino de amar e ser amado sem se lembrar do dever. Porque fazia exatamente seis anos que os Deuses colocaram Salduja e Arkon a olharem-se de modo diferente.
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Arrumando vinte espadas com um braço machucado era uma tarefa complicada. Arkon estava suando mais que o normal, naquela tarde estivera treinando os novos recrutas para o exército.
Rajesh Shah um garoto de dezassete anos, o mais dotado e habilidoso dentre dos novos recrutas, conseguira tocar-lhe com a lâmina da espada no braço. Como no seu exército não usam somente uma simples espada de ferro, os gumes das lâminas eram impregnando com veneno de escorpião negro, mortal para pessoas comuns, normais. Isso complicava o grau de dificuldade e faria-os concentrar mais, senão quisessem morrer envenenados.
Arrumou mais qualquer equipamento fora do lugar e apressou-se para o seu quarto, tomou um banho para amenizar a atrofia muscular do seu braço. Não podia ir encontrar com Saludja com um aspeto tão débil e com cara de dor.
Arkon não aceitava nem queria mostrar-se fraco diante das pessoas e muito menos para o homem que amava, por isso que sempre usava a expressão fria e seca no rosto. Ganhando o apelido de demônio sem expressão. Ele fingia não se importar muito com o que as pessoas achavam dele ou como o chamavam, mas no fundo não era bem assim. Isso doía.
Ele era um jovem adulto de vinte anos com um cargo importante sobrecarregando os seus ombros, e por isso ser uma escolha sua não podia permitir-se a vacilar. Tudo em Arkon era feito de esforço e dedicação.
Saludja fora o único que penetrara na sua barreira de ferro. Conhecia-o muito bem, sabia que era uma pessoa um pouco sensível, que se escondia dos afetos dele através do sarcasmo e da expressão de não se importar.
O moreno amava cada toque das mãos dele, lábios, cada vez que os corpo se tocavam quando faziam amor, tudo isso fluía como mel pelo coração de guerreiro. Todo o afeto que recebia do mais velho era reciproco, mas ele tinha dificuldade em expressar-se e demonstrar corretamente isso.
Conseguia dizer um tímido ‘te amo’, podia ser tímido mas era sincero e quando faziam amor, Arkon gemia alto sem se envergonhar com isso. E conhecerem-se desde os tempos de infância foi essencial, para o Sacerdote conseguir ver Arkon mais além do que ele demonstrava ser.
Lavou-se com cuidado, o corte vertical no braço estava em carne viva com pedaço já negros e pútridos, pus escorrida de lá quando ele apertava o ferimento. Só se encontrava naquele estado porque se recusara a ir correndo para o médico assim que se feriu.
Então passou o dia com a ferida exposta e infetando, com toda a certeza ia levar um sermão do seu homem, de como ele era um pirralho teimoso e inconsequente. Limpou a água do corpo, vestiu algo simples e rápido, um saiote vermelho-sangue, raramente vestia uma peça de roupa que deixasse as suas pernas nuas, mas aquele era um dia especial.
Colocou uma pulseira de tornozelo vermelha talhada em contas de madeira decoradas com signos tribais, presente de Saludja. E saiu para o quarto onde todas as noites dormia.
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As brincadeiras aquáticas eram uma constante, gritinhos, risadas e água espalhando-se por todo o lado era o final para um dia que nunca antes existira na vida dos pequenos príncipe e princesa Khalil.
Rouge tinha Nadhirra nos braços e tentava tirar a tinta das bochechas dela em quanto Kanope brincava de mergulhar. A garota só se abraçava ao pescoço do ruivo dificultando a tarefa da limpeza, meia hora depois colocou-a na beira da piscina e mandou o menino fazer o mesmo.
Vendo os dois sentados bem comportados era bonitinho, Rouge saiu também. Vestiu o seu robe-saída-de-banho, pegou numa toalha e começava a secar a mais nova, secava gentilmente os cabelos e o corpinho.
Deixando ela embrulhada com uma outra toalha seca, fez o mesmo com Kanope e embrulhou o menino do mesmo jeito, voltou a erguer Nadhirra no colo e Kanope pela mão, o pequeno príncipe não conseguia movimentar-se muito bem com uma toalha enorme enrolada no seu corpo. Só deixando o rosto descoberto, parecia uma mini-múmia enrolada na toalha tentando andar.
No quarto, as cuidadoras das crianças já as esperavam para as levar para os aposentos. Todavia descolar a bebé do seu pescoço foi um problema, Rouge teve que usar uma das mentiras universais para enganar as crianças. – Nadhirra vai com a Safira e Núbia colocar um vestido bem bonito, assim que estiveres pronta, elas te trazem rapidinho de volta, meu amor.
Rouge sentiu-se que iria para o inferno por mentir a uma criança, mas era necessário, a mentirinha piedosa pareceu funcionar a menina largou o seu pescoço e ele pode entrega-la a uma das cuidadoras. Deu um beijo nela e em Kanope.
Quando eles saíram, Rouge vestiu uma túnica de mangas compridas azul-escuro com bordados em ouro no decote e deitou-se na cama, mirando o teto marmoreado. Pensando em tudo e em nada, acabando por adormecer.
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Sem bater na porta Arkon entrou na saleta do seu amante, que estava arrumando umas coisas nas estantes. Quando terminou, Saludja virou-se para ele com a cara mais feliz do mundo. Caminhou lentamente para o mais velho e estendeu-lhe o braço ferido, fazendo o sorriso nos lábios do médico desaparecer, transformando-o numa expressão de dureza.
Arkon engoliu imperceptivelmente em seco. Recebeu um demorado olhar de censura, causando-lhe um arrepio na sua espinha. Sem se deixar amedrontar, Arkon susteve o olhar de desafio. – Veneno de escorpião negro.
Saludja suspirou, e mandou o amado se sentar, foi buscar os seus remédios para o veneno e utensílios. Sentou-se na frente dele e pegando-lhe no braço com uma delicadeza firme observando o ferimento. Conteve um gemido de exasperação, lançou um olhar fuzilante para o moreno.
O ferimento estava com um aspeto realmente muito feio. Primeiro, deu-lhe um copo com uma pequena dose de leite de papoula para ele beber a fim de anestesiar a região do braço. Arkon tomou a droga sem questionar.
Saludja esperou uns instantes para que o leite começasse a surtir efeito e aproveitou para repreender o amado. – Devias ter vindo imediatamente procurar-me.
– Não pude, estive ocupado, também sou ocupado. – Era uma resposta dada de um jeito rude, mas não deixava de ser verdade.
O médico deixou um muxoxo escapar dos lábios e não disse mais nada.
Pegando numa pequena faca de prata com lâmina muito fina e aguçada, colocou o braço gentilmente em cima da mesa para dar estabilidade ao seu trabalho. Começou a cortar e raspar os pedaços de carne e pele apodrecidos, limpando o pus e sangue com um pedaço de tecido de linho esterilizado com uma solução de água com sal.
Depois de extrair todo o pus e carne morta, limpou o espaço aberto da ferida com vinagre, vendo que os tecidos musculares reagirem bem ao ácido do vinagre, borbulhando em contado com a carne, era um bom sinal, estava desinfetando. Saludja pôde cozer a ferida com uma agulha curva e linha de seda.
Arkon observava Saludja trabalhando com atenção, os olhos castanhos contornavam o perfil prefeito do sacerdote, a franja ligeiramente comprida caindo um na frente dos olhos. O nariz perfeito, os lábios que sempre lhe levaram ao êxtase. Esse pensamentos mais o efeito entorpecente do leite de papoula estavam deixando Arkon muito quente.
Depois de cozer a ferida, o médico passou um balsamo de ervas e flores medicinais para desinchar a área e amaciar a pele a fim de evitar uma cicatriz muito feia. No fim, enfaixou o braço para proteger a ferida de organismos estranhos evitando que penetrassem.
O general não reparou que já tinha o braço tratado, ele estava com o pensamento longe. Aproveitando a distração Saludja roubou um beijo a Arkon, acordando-o.
– E agora como pensa pagar-me pelo serviço? – O médico ronronou.
O mais novo corou, levantou-se do banco com intenção de ir embora. – Não pago nada.
Rindo, o mais velho abraçou Arkon pela cintura colando as costas do mais novo a si. Ergueu uma mão em direção à porta e essa automaticamente fechou-se como se tivesse sido o vento. – Meu amor, para ti é outro tipo de pagamento.
– É necessário fechar a porta assim? – Arkon estava ficando em ponto de açúcar derretido com Saludja colado a ele, sentindo cada respiração dele no pescoço.
– Hum, sim, hoje só saio daqui se o palácio pegar fogo, além de que parece que esqueceste que dia é hoje. – O mais velho deu um selinho no pescoço branco.
– Por isso que me drogaste? – Arkon provocou-o roçando a bunda no quadril do outro. A droga tomada para evitar a dor estava desinibindo-o e deixando-o mole.
Arkon revirou-se nos braços do maior e ficou de frente para ele. Lambeu os lábios de Saludja, que estava ficando cada vez mais excitado.
– Se funcionar, preciso usar mais vezes. – Perdendo o raciocínio, o médico puxou-o pela nuca apoderando-se e devorando os lábios de Arkon. Desenfrearam-se num beijo enquanto tentavam chegar ao quarto, ou melhor à cama.
Entre tropeções se jogaram nela, Saludja retirou o saiote de Arkon apressadamente. Lambeu e chupou toda a extensão da pele, mordendo ocasionalmente os mamilos e o estomago definido.
Deslizou a língua atingindo a masculinidade do mais novo já dura.
– Hm..Sal..Sal. – Arkon gemia e contorcia o corpo desesperado para que o outro desse-lhe o que queria. Matreiro Saludja parou de chupa-lo e ergueu-se, encontrando os lábios do outro para mais um beijo com tesão, ora lento ora enérgico. Brincando com a frustração do seu amado.
Com a mão hábil livrou-se do próprio saiote e roçou a sua ereção no ventre dele. Juntou as duas ereções e começou a masturba-los ao mesmo tempo. Isso acabava por leva-lo ao limite, não queria ser masturbado. – S-Sal?
– O que é que eu posso fazer por ti meu amor? – Saludja diminuía a velocidade da masturbação.
Arkon desesperou-se mais com a frustração. – Enfia logo! – Ordem dada, ordem satisfeita. Saludja colocou-se de joelhos, afastando as pernas do mais novo. Pressionou o seu pênis na entrada sempre apertada de Arkon, sem preparo. Ele estava ainda sobre o efeito anestesiante da droga então não sentiria muita dor.
Investiu de uma só vez, tocando certeiro no ponto sensível masculino fazendo Arkon gritar. As estocadas começaram lentas e fundas aumentando o ritmo gradualmente. Saludja gemia baixo com a respiração entrecortada, sentido o interior de Arkon apertando-o, sabia que não demoraria para o orgasmo. Quando o sexo deles era feito com tamanha urgência, não demorariam muito para atingir o clímax.
Os corpos suados chocavam, o sêmen de Arkon escorria do seu membro, molhando com o líquido viscoso o seu abdômen. Desde que Saludja o começou a masturba-lo esse era o segundo orgasmo que teve, e continuava ejaculando.
Pouco depois, Saludja derramou-se em abundância dentro da cavidade apertada. Abraçou fortemente o corpo que lhe levava à loucura e que lhe proporcionava infinitas emoções. Apoiou o rosto na curva do pescoço suado dele, murmurando. – Eu te amo loucamente, Arkon.
Emocionado como sempre, Arkon apertou o corpo do mais velho com o seu não permitindo que ele saísse de dentro de si. – Eu me lembro que dia é hoje. Seis anos é só o início para eu te amar Sal.
O som da chuva caindo, agora o céu estava da cor da noite, criava o ambiente perfeito para pessoas apaixonadas se entregarem vezes sem conta.
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Rouge estava adormecido quando alguém entrou nos aposentos. Uma voz feminina em jeito de desculpa chamou a atenção dele, abriu os olhos piscando para se acostumar à pouca visibilidade do quarto, iluminado por poucas lamparinas de azeite.
– Umm! – Nadhirra estava de volta nos braços da cuidadora. O rostinho dela estava vermelho e os olhos redondos pareciam marejados. Assim como Kanope estava na beira da cama, esperando permissão para poder subir para a cama de Rouge. Vestidos com a sua roupa de dormir, já estavam prontos para irem dormir.
A menina estendia os braços para o ruivo pedindo colo. – Sua traquina, não consegui te enganar. – Ele recolheu a bebé nos seus braços aconchegando-a ao peito. Dispensou a criada dizendo que ficaria com eles na aquela noite. Kanope subiu para a cama e sentou-se ao seu lado, tapando-se com o lençol. – Vamos dormir juntos Umm!
Rouge sorriu e colocou Nadhirra no meio deles, tapou os três. Fez cocegas com a ponta dos dedos na barriguinha da menina, arrancando uma risada sonolenta. Adormeceram pouco depois com o som da chuva lá fora embalando, junto com o quarto iluminado fracamente por lamparinas, criando um ambiente propício a uma boa noite de sono.
Khan voltou horas depois ao quarto de Rouge esperava tudo menos o que viu. Uma cena terna, os seus filhos adormecidos junto a praticamente a um estranho que Nadhirra inocentemente começou a chamar-lhe de mãe. Acariciou Kanope no rosto tapando melhor os três.
Apagou algumas lamparinas escurecendo o quarto. Permaneceu parado por minutos encostado na ombreira da porta que ligava o quarto à varanda, observando a chuva.
Rouge meio que despertou com os movimentos dentro quarto e a súbita escuridão. Levantou-se silenciosamente e andou até ao homem encostado na janela. Tocou nas suas costas.
Sem ter a consciência muito desperta ou aproveitando que era de noite e desinibiu-se, Rouge tocou nas costas masculinas com vontade. Surpreso por ver o ruivo acordado Khan, abriu um sorriso malicioso, rodeou a cintura delicada puxando-o para si.
Puxou o rosto de Rouge para perto do seu. – Totalmente outra pessoa quando a noite chega, acho que gostas de ser gay comigo.
Rouge piscou os olhos de maneira lenta e abriu um sorriso sedutor. – Shhiu…não precisas falar tanto.
Aproveitando a deixa o Faraó apoderou-se dos lábios e de todo o interior doce de Rouge.
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Num recanto escondido, uma voz entoava umas palavras, o som da voz misturado com o som da chuva tocado no deserto dava uma atmosfera mais sombria. Numa gruta mal iluminada exibia-se um altar carregado de ingredientes mortos e em decomposição. Uma estatua negra assumia a imagem de Seth.
Jafir cortava o seu pulso penetrando fortemente na carne, um fio grosso de sangue caia numa bacia de ferro envelhecido. Continuava a recitar as palavras do ritual sem interromper-se ou sentindo dor pela lâmina rasgando a carne. O recitamento era feito de modo hipnótico e sem vida no olhar. Oferecia sangue ao Deus da carnificina em troca de poder.
Momentos depois fumo negro saía da estátua em direção a ele, penetrando no corpo de Jafir. Toda a fumaça fora absorvida pelo corpo do homem, o poder maligno de Seth era agora seu.
O tormento ao novo brinquedinho do Faraó iria começar.
Notas finais
Boom tudo indica que no próximo capítulo haja alguma ação e ossos partidos q haha
As descrições dos escribas, tintas e médicos são reais okay? xD é pesquisa
Beijinhos! ;)
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