O Acordar Do Faraó
3 Capítulo 3 - O Passeio
Notas iniciais
Leitores fantasminhas também quero ler as vossas opiniões.
Espero que gostem deste capitulo e ainda não tem lemon Ok? Primeiro vamos deixar as coisas acontecerem HSUASAUS
O palácio presente na imagem não é do estilo do Egito antigo é só porque gosto mais deste estilo haha
Boa Leitura!

Fazia menos de semana em que o ruivo havia chegado aquele sítio, era precisamente o quarto dia. O corpo mole e relaxado na cama indicava que Rouge ainda estava dormindo profundamente, uma voz feminina acompanhada de uma mão no seu ombro tentava acordar o jovem. Resmungou baixo virou-se para o lado, então a voz e a sua mão foram mais insistentes e enérgicos.
– Ahmar, acorde por favor! – Sahib não desistia. Com a consciência já desperta era muito difícil ignorar e continuar a dormir, Rouge abriu os olhos lentamente. A luz do dia era fraca, a brisa ainda era um pouco fria, passava pouco do amanhecer, Sahib sorriu por ver que era uma criada eficiente. O ruivo espreguiçou-se e afastou os lençóis dourado-envelhecido.
– Porque me acordaste tão cedo, Sahib? – Olhou para a jovem mulher que resplandecia uma frescura impossível para qualquer ser humano àquela hora do dia.
– O Faraó que levar-lhe a um passeio pelo mercado de Tebas. – Só a menção ao rei Rouge sentiu um arrepio na espinha. ‘’Quer passear comigo?’’ De certa forma a ideia agradou-lhe muito, todo o tempo dele era gasto em fazer nada, banha-se, comia as fartas comidas, esparramava-se nas almofadas da varanda observando a cidade.
O manto amarelo de areia no horizonte, os barcos chegando e partindo no rio Nilo de lá, vez ou outra Khan levava-o aos jardins do palácio, conversavam, bebiam chás de flores juntos e pouco mais. Durante esse tempo o moreno não tentara tocar ou beijar Rouge, basicamente ficava trancado no seu quarto morrendo de tédio.
Levantou-se e dirigiu para a ala do banho que já esperava por ele com as tradicionais pétalas e flores dentro e dezenas de velas e incensos. A temperatura da água estava um pouco mais quente que o normal devido o sol não ter aquecido o suficiente para permitir banhos gelados.
Permaneceu um pouco apreciando o calor morno da água perfumada, havia rejeitado as criadas para lhe banharem, não precisava e era incomodo e desconfortável, ele próprio faria isso, privacidade na hora do banho realmente não tinha preço, e agora apreciava isso mais que nunca.
Saiu da água, secou o corpo com a macia toalha de algodão e vestiu o robe de saída-de-banho de sempre. No quarto Sahib preparara-lhe um conjunto até bastante bonito e um tanto feminino, ele teria que se habituar à ideia de que só iriam preparar-lhe roupas suaves e delicadas. E todas as mulheres que confeccionavam as suas roupas concordavam afincadamente nisso, sim Rouge ganhara umas costureiras particulares, outra coisa que evidenciava o poder do rei.
O conjunto consistia numas calças de tecido vermelho bastante largas e disformes que dava a sensação de uma saia longa, apertava nos tornozelos, na cintura havia decorações de ouro e prata com pedras pequenas e brilhantes formando uma espécie de cinto largo. A parte de cima era uma blusa minima simples sem adornos de manga curta, era uma ‘’mini-blusa’’ como Rouge apelidara porque só chegava até pouco abaixo do peito, não cobria o abdome magro.
Nos pés levava umas sandálias prateadas simples, dessa vez não tinha as habituais gemas preciosas vistosas, como era a primeira vez que ia sair para fora do palácio teve que levar uma espécie de véu que chegava até pouco abaixo dos ombros cobrindo os cabelos. O tecido era de algodão e não deixa os cabelos vermelhos mostrarem a sua cor, uma espécie de fita prateada entrançada com linha vermelha prendia, formando uma tiara (segundo parecia era ordem de Khan para que cobrisse os cabelos), isso faria o khimar não cair.
Um bracelete de prata grossa incrustada com rubis e diamantes no pulso e uns colares de contas era o básico para realçar a beleza do conjunto. As Odaliscas ficariam com inveja dele.
O visual combinava no corpo do jovem, que olhava-se no grande espelho de parede do seu quarto, com certa admiração Rouge achou-se muito bonito com aquelas roupas. Estava exótico e a sua autoestima encontrava-se nas alturas. Sahib indicou para que comesse algo antes de ir, a habitual fartura de comida recheava a sua mesa, comeu os bolinhos de milho com tâmaras e pinhões, uma banana e o seu chá de rosas com mel, acordar tão cedo sempre fazia Rouge comer pouco. O sol começava a aquecer lá fora, depois de pronto foi ao encontro do rei.
Quase se esquecendo de levar o seu iphone, no dia em que foi cair ali ele tinha o seu celular no bolso das calças que Sahib levara para lavar. Esta devolveu-o um tanto intrigada com tal objeto nunca antes visto, acompanhado por dois caramelos de goma sabor a fruta.
Rouge havia esquecido dele, o telefone estava funcionando mas sem sinal de rede ou internet, óbvio, levaria para tirar umas fotos quando voltasse para o século XXI seriam a prova que não estivera em coma e aquilo não passasse de um sonho louco.
Saludja encarava Khan por cima do seu copo de leite com canela e cravinho, não conseguira dissuadir o teimoso do rei a esperar mais algum tempo até se mostrar. Algum espião de Jafir poderia dar com a língua nos e o informasse que o seu plano tinha falhado. Contudo o rei parecia com um aspeto mais feliz que o normal, suspirou ao lembrar-se que ele dispensara a guarda real e até Arkon para os acompanhar.
Não que Khan fosse incapaz de andar sozinho, ele era um retrato vivo de um guerreiro exímio, alegou que queria privacidade, até Arkon estava um pouco ofendido por estar sendo dispensado da sua função. O rei queria privacidade eles tinham que obedecer, Saludja desconfiou que aquele passeio mais seria uma fuga de amantes.
Depois da conversa de dias atrás não sabia bem o que rei iria fazer com uma pessoa que poderia ser uma grande ajuda, salvar o rei se for o caso ou seria uma arma perigosa devido às informações que o ruivo possuía. Não iam pressiona-lo porque com toda a certeza ele ia ficar com medo e assustado, ninguém ali tinha experiência em ter ido para um sítio completamente desconhecido, então não sabiam como o psicológico dessa pessoa podia estar.
Impaciente e com o corpo já dormente pela espera o rei levantou-se, exibia umas calças de linho, uma túnica de manga curta branca até abaixo da cintura com uma faixa negra sobre ela, sandálias de couro castanhas e uma capa branca quando descesse até á cidade teria que cobrir o rosto. Não usava nenhum ouro ou outra coisa que evencia-se riqueza, apenas teria Rouge para exibir.
Ele sabia que poderia ser muito arriscado mas mandou a precaução se afundar no Nilo, iria mostrar um pouco do reino para a adorável criatura e aproximar-se um pouco mais dele pela maneira correta e sensata e não partir para a violência e posse.
Porque estava muito tentado possuir Ahmar de um jeito nada puro, cada vez mais o desejo de possui-lo ferozmente estava ganhando força no seu interior, todas as vezes que encontravam-se para conversar ou beber chá, o ruivo por vezes sorria para ele, outra ficava irritado ou frio.
Khan não tinha a certeza quais eram os sentimentos ou sensações verdadeiros que transmitia para ele. Ahmar podia ter o rosto mais lindo que já vira mas frequentemente escondia-se atrás de uma mascara, não expressando nada ou expressando desagrado em excesso. Ficava corado com frequência, também isso dava-lhe um charme, que fazia a sua vontade de joga-lo no chão e consumi-lo cruamente aumentar.
Não conseguia sentir mais prazer com outros corpos como antes, quando se encontrava com uma das concubinas ou com duas. O orgasmo era sempre direto, sem excitação alguma derramava-se dentro delas sempre com o ruivo no pensamento.
As coisas ficaram assim desde que a bela criatura vermelha aparecera, apenas passara-se quatro dias e já conseguia mexia com ele sem fazer muito esforço. Restava a dúvida de que o ruivo sabia exatamente o que estava a fazer, como por exemplo seduzi-lo, ninguém recusaria seduzir um rei se tivesse essa oportunidade na mão.
A única certeza que Khan detinha era que estava ficando louco.
A porta pesada do salão de refeições abriu-se, Sahib entrou primeiro baixando a cabeça e Rouge apareceu em seguida as suas pulseiras chocalhavam nos pulsos a cada passo dele.
Os olhos azuis-céu pousaram demoradamente sobre a figura altiva e imponente do moreno, ver-lhe com aquela roupa casual dava-lhe a impressão de ser um selvagem do deserto. Quaisquer trapos assentavam bem naquele corpo forjado por paredes de músculos, depois de analisar a pessoa que tirara-lhe da cama tão cedo desviou o olhar para Saludja, visando a ousadia de dirigir o primeiro bom dia para ele e não para o rei, ignorando-o.
– Bom dia, Saludja. – O seu sotaque inglês acentuava-se mais com palavras de difícil dicção. A sua voz não era tão grossa assim, androgênio até no falar. O conselheiro respondeu ao comprimento com um pequeno sorriso, observando a maneira como o ruivo estava vestido, a ideia de privacidade que Khan tanto queria podia não ser assim tão fácil de conseguir.
Ahmar só por si chamava demasiada atenção então com aquelas roupas era uma tocha sinalizadora, as costureiras estavam empolgadas demais na extravagancia das roupas confeccionadas para o novo morador do palácio.
Reconhecendo o gesto do rei de o levar a conhecer o verdadeiro mercado egípcio, decidiu ser agradável para com ele. Afinal quantas pessoas teriam uma oportunidade como aquela? Uma em toda a humanidade, só a ele saiu o bilhete dourado. – Bom dia, meu Rei Khan. – Juntou um sorriso deslumbrante àquelas palavras enquanto fazia uma pequena vênia.
Rouge sabia que aquele bom dia era interesseiro, mas não podia fazer nada quanto a isso. A sua veia de historiador fervilhava e usaria qualquer método para descobrir novas coisas. Khan arqueou as sobrancelhas surpreendido com o ‘’meu rei’’, isso saído dos lábios avermelhados estranhamente soava como uma melodia sussurrando doces palavras.
Aproximou-se do menor e segurou uma mão gentilmente levou-a aos seus lábios, seus olhos encontravam os olhos azuis-céu murmurou arrastando a voz rouca. – Bom dia…
Por aquela altura, das três pessoas que estavam presentes não sabiam qual a mais espantada. Khan com as palavras de Rouge, Rouge com os lábios do moreno tocando na sua pele trazendo uma sensação de formigar no estomago. Ou Saludja que parou no meio da dentada do seu pão ao observar a cena.
''Ah meu amigo, foi preciso ir para outra dimensão e encontrar alguém para prender o teu coração.'' De certa forma o sacerdote esperava observar mais momentos como aquele. Era divertido assistir o rei que nunca casaria com atitudes de apaixonado, só outro apaixonado saberia ver essas coisas, o amor ia fazer bem para Khan.
Decidiu ser um pouco implicante com eles e picar a cena. – Sexo na minha frente não por favor.
Khan sorriu, continuando a segurar a mão pálida saiu do salão e dirigia-se para entrada principal do palácio. Onde o seu garanhão puro-sangue o aguardava. – Cuidado na rua, crianças! – Foram as últimas palavras que ouviram de Saludja junto com a sua risada.
Rouge encontrava-se em estado de vergonha em nível astronômico, as palavras afiadas do sacerdote giravam na sua cabeça. ''S-sexo, sexo… que coisa mais ridícula.'' Pensamentos incomodativos enchiam o cérebro do ruivo de zumbidos de pessoa gay que recusava admitir essa opção.
Quando deu por si estava na entrada principal do palácio com um cavalo de grande porte relinchando na sua frente.
– Um cavalo? – Perguntou inaudivelmente. O animal era coberto de um pelo que reluzia como ouro negro ao sol, as patas dianteiras e traseiras exibiam uma musculatura forte e desenvolvida. Cavalos egípcios eram mais resistentes por todo o tempo que cavalgam nas areias instáveis do deserto.
A sua crina era longa e lustrosa também, tudo devido ao bom tratamento e alimentação que recebia diariamente. Rouge nunca chegara perto de um animal de grande porte, gatinhos e cachorrinhos fofinhos era tudo o que ele conhecia na vida, e agora já encontrara um tigre e um cavalo, ficou apreensivo.
Khan finalmente largou a mão do ruivo e alisou a crina do animal, relinchou em resposta ao carinho. Segundos depois o moreno estava montado no dorso do animal e estendia uma mão a Rouge para ajuda-lo a subir.
Notando a relutância dele, pegou na sua mão e instantes depois o ruivo estava sendo ajudado a subir para o cavalo, tendo o seu corpo erguido por um dos soldados. A primeira impressão foi que não era muito confortável estar no dorso de um quadrupede.
– Nunca montou? Que tipo de pessoa não sabe montar? – Incrédulo com a novidade, só as mulheres por ali é que não sabiam montar a cavalo.
Achou o receio estampado na cara do ruivo extremamente adorável, com toda a certeza aquela pessoa possuía diversas singularidades. Esperou que ele se acomodasse melhor e não demorando muito o ruivo retrucou o que o moreno disse, incomodado por ele o fazer parecer que era um inútil.
– As pessoas do meu século, pessoas normais não têm cavalos como transporte. — Acomodou-se melhor atrás de Khan, uma coisa sabia e não iria segurar o outro pela cintura. Khan incitou o cavalo a andar.
Se sentado era desconfortável então com o animal em movimento era o dobro do desconforto. O palácio ficava no ponto mais alto da cidade, então o caminho era um pouco longo e íngreme, portanto iam no balanço da descida o que fazia a gravidade funcionar contra o ruivo.
Rouge viu-se obrigado a abraça-lo ou corria o risco de tombar para o lado se desequilibra-se e espalmou o seu rosto nas costas de Khan, esse estava apreciando ter o ruivo rodeando o corpo, um pouco do seu ego elevou-se mais.
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Saludja terminava ao seu desjejum quando Arkon adentrava no salão. O moreno exalava mau humor por todo o seu rosto perfeito, ainda devia estar ressentido por Khan ter dispensado a sua escolta.
Arkon sentou-se encarando o mais velho. – O rei idiota já foi com aquela pessoa vermelha? Sair com aquilo é igual a sair com uma tocha incandescente no meio da noite e querer passar despercebido.
–Arkon estava mesmo azedo observou o sacerdote, então para o incomodar um pouco mais respondeu algo que iria resultar no mínimo em um machucado roxo. Porém adorava atiçar Arkon, o seu amante tinha sempre uma expressão controlada no rosto.
– Ahmar é mesmo uma pessoa que qualquer homem não consegue tirar os olhos.
No momento seguinte Saludja tinha uma adaga colada ao seu pescoço. Arkon estava atrás de dele e sussurrou rente ao ouvido do amante perigosamente baixo e roucamente. O sacerdote não poderia esperar menos do que uma ameaça assassina cravando na sua pele, mas nada daquilo o intimidou.
– Qualquer homem? – O mais novo era um guerreiro de alto nível destemido e determinado. Isso enquanto guerreiro mas enquanto pessoa tinha os seus sentimentos e emoções. Naquele momento o ciúme apoderava-se dele.
O mais velho não ficava nada atrás na categoria de guerreiro, fez um movimento pegando no braço do mais novo apertando o seu pulso até a adaga cair no chão. Girou o corpo do outro fazendo-o cair sentado no seu colo. Saludja adorou a expressão que encontrou, desconcertamento, estampado no rosto de quem havia entrado no mundo adulto havia pouco tempo.
Segurou o queixo de Arkon, aproximou-se dele e mordiscou o seu lábio, manhosamente deu-lhe beijinhos e pequenos carinhos.
– Hathor já nós uniu meu amor, o meu coração e alma são teus. – Saludja murmurou passando a língua pelo lábio de Arkon pedindo passagem para entrar na sua boca.
Antes de satisfazer-lhe o desejo, Arkon olhou-o azedo. – Tão ardiloso quanto uma raposa do deserto.
Beijaram-se com ardor enquanto o mais novo apertava as pernas em volta da cintura do maior.
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Menthu e os seus ocupantes pararam num estábulo de descanso, que ficava na entrada da cidade. Khan desmontou com agilidade já Rouge não estava tão confiante para descer. O moreno pegou na mão dele e puxou-o delicadamente para a frente segurando na sua cintura com as duas mãos firmes e grandes, do estilo muito Lady de descer do cavalo.
O ruivo viu-se com uma dor na sua traseira, consequência da primeira vez em andar num quadrupede. Retirou o seu iphone que trouxe preso na cintura da sua calça, transportar o aparelho ali era a única opção.
Khan deu uma moeda de ouro ao rapaz do estábulo para dar água fresca e feno ao seu cavalo. Reparou que o ruivo tinha algo estranho na mão, um pequeno retângulo branco, curioso perguntou-lhe o que era.
Rouge munido da arrogância de quem era do futuro respondeu sarcástico. – É uma ferramenta de magia muito poderosa! — Exclamou apontando o iphone na direção do rei e tirou uma foto, e não era que uma pessoa do ano 3.000 A.C podia ser incrivelmente fotogênica?
Admirou a foto do moreno por segundos e logo mostrou a tela do telefone para Khan, que transbordava curiosidade e surpresa ao ver o seu rosto naquele retângulo branco. – Bruxaria?
– Sim. Uma bruxaria chamada fotografia! Tem pessoas em que a fotografia fica muito horrível, elas choram horrores por isso. – O ruivo se divertiu iludindo o rei.
Khan rodeou a cintura do ruivo trazendo-o para perto de si e começou a entrar pelos labirintos da cidade. Casas de barro e pedra branca, arcos e pilares construíam as ruas, o chão da cidade era revestido com pedras escuras lisas de tamanhos irregulares. Vários corredores com bancas de vendedores com as suas bancadas fartas e brilhantes, com os mais frescos legumes, frutas, carnes e peixes capturados pouco menos de duas horas no Nilo.
Animais vivos como galinhas, porcos, ovelhas, bazares de tecidos, joias e de animais exóticos misturavam-se. Rouge olhava para tudo estarrecido, multidões de pessoas, vozes animadas ou alteradas, a mistura de cheiros das bancadas de especiarias, flores e sons enchiam o ar e tudo aquecido pelo sol que começava a mostrar a sua graça quente.
As pessoas amontoavam-se nas galerias do mercado esbarrando umas nas outras, mas quase sempre era no ruivo que esbarravam. Se o seu acompanhante com mais de um metro e oitenta, não o segurasse junto ao seu corpo facilmente era arrastado pela multidão.
Khan andava em passo lento para dar tempo ao ruivo para apreciar as coisas, esse apontava a estranha invenção retangular e branca para todas as direções, pessoas, casas, comida.
Arrastando o moreno para uma bancada onde uns belos figos maduros, brilhantes com a sua doçura escorrendo, Rouge salivou com os seus olhos cobiçando-os. A expressão de gula atraiu a atenção do rei que sorriu colando o seu corpo nas costas do ruivo, movimento necessário para poder satisfazer o desejo dele.
Pediu para o vendedor dois quilos da fruta, foram bem atendidos com uma sacola de pano com o fundo forrado com as folhas da própria figueira para impedir os frutos amassarem.
Rouge ficou tenso ao sentir o a parede de músculos de Khan roçando nas suas costas. ''Aproveitador.''– Xingou mentalmente.
– Aqui, Halewa. – O rei abriu um sorriso largo entregando a sacola cheia. – Obrigado doçura… — Decidiu devolver o apelido carinhoso e aceitou os frutos feliz. Atacando um, a polpa da fruta desfazia-se na boca de tão tenra, madura e doce que era.
Khan pousou um braço em redor dos ombros do ruivo para recomeçarem a andar pelas tendas e bancadas, desse jeito ele não iria ser arrastado. Várias pessoas lançavam olhares estranhos a eles, Rouge chamava demasiada atenção com a sua aparência singular, mesmo com os fios vermelhos cobertos era chamativo na mesma.
As pessoas pensavam que seria um filho de um nobre de alta hierarquia, deduziam somente isso pela elegância dele. A calça larga vermelha modelava bem os glúteos, o tecido era semitransparente do meio das coxas para baixo, apenas a região íntima era protegida por um tecido opaco.
Khan cobiçava cada movimento de quadril que o ruivo fazia, ou melhor embebecia-se a cada gesto daquela pessoa. A graciosidade do corpo delicado sobre aqueles tecidos fluidos que mexiam-se de forma quase erótica, na visão do rei era quase obsceno.
seguindo os movimentos daquele corpo, o ruivo não tinha noção da linguagem que o seu corpo transmitia.
O rei estava de peito inchado por poder exibir tal beleza invulgar e exótica, algo inexistente por ali. Possuir tal joia rara enchia o ego a qualquer homem, se bem que não o possuíra daquele jeito ainda.
Com certeza era uma das tentações criada por Anuket, a Deusa da Luxúria, enviada para faze-lo sucumbir. Khan como Faraó era encarnação do Deus Hórus, seria uma a reencarnação do mesmo na terra, mas isso não impedia de sentir a fraqueza da carne.
Para enfraquecer um pouco mais o seu auto controlo a bela criatura inclinara-se para uma bancada de figos exibindo o seu corpo, arrebitando o traseiro de forma quase obscena.
Instintivamente Khan cobrira toda a parte traseira do corpo dele, seria pecaminoso e desrespeitoso se mais alguém admirasse aquela visão com os seus olhos indignos. Sorriu ao sentir a tensão nos músculos do ruivo quando colou o corpo, no comprou as frutas e deu-as a ele.
Continuaram o percurso da feira, admirando as riquezas nascidas do seu reino, com Ahmar em baixo do seu braço aquele passeio era estranhamente harmonioso e balsâmico. Parecia que estava vendo o mercado que tantas vezes percorria com outros olhos, de uma nova perspectiva.
Andava calmamente proporcionando-lhe um melhor visionamento de tudo ao ruivo, vez ou outra continuava a apontar o objeto branco estranho para as coisas. O rei não tirou os olhos do seu ruivo em momento algum, todavia a sua visão periférica identificou um vulto conhecido, encostado na parede de barro de uma das casas.
O seu general repousava as costas numa das casas laterais, este nem se importou em ser notado. Arkon não desistira de segui-lo e dar-lhe a sua proteção, mesmo quando foi expressamente dito que não precisaria.
Além que ele era seis anos mais novo, então seria Khan que devia proteger Arkon como um irmão mais velho fazia. O dever, lealdade e juramento à proteção do Faraó estava sempre em primeiro pensamento para o jovem guerreiro, fazendo-o afastar-se assim um pouco da relação de irmandade. O chamaria para uma bebida quando fossem descansar e resguardar-se do sol tórrido.
Rouge atolava a sua boca de figos doces, esquecendo de oferecer para a pessoa que os comprou. Enfiou a mão na sacola de pano, trazendo um bem maduro e brilhante pelo tanto de açúcar liquido que escorria do fruto. Parecia frutos feitos de mel. Ofereceu-o olhando para o rosto do moreno.
– Esqueci as boas maneiras, coma um. – Khan observou o fruto depositado na palma pálida, aquilo pareceu-lhe muito erótico, tudo parecia -lhe erótico se fosse feito pelo ruivo.
Khan já não estava mais no seu bom senso e juízo, pegou delicadamente na mão dele em vez de pegar o fruto, levou a sua boca até ao mesmo. Depois de coloca-lo inteiro, lambeu a palma da mão do ruivo provocadoramente, nesse gesto os escassos pelos do corpo do ruivo se eriçaram como um gato assanhado.
– Eii para que isso idiota? – Elevou a voz mais do que necessário. Corando como se esperava, Rouge já estava a começar a achar que aquele homem enorme e musculado estava a assedia-lo de maneira barata.
''Ser assediado por um ser humano com mais de 3000 anos’’, havia com cada coisa mais insólito passando-lhe pela mente. A experiência mais sem nexo com certeza ser aquela que estava vivendo no momento, um Faraó querendo que ele se tornasse na sua joia, por outras palavras um amante.
Para afundar o ruivo mais em constrangimento Khan passou o polegar dele no canto da boca e lambeu-o, sorrindo. – Delicioso.
– Eh… o rei tem esse estranho passatempo de assediar homens. – Todos os argumentos pareciam fracos no ponto de vista do ruivo gaguejante. O moreno gargalhou, colocou o braço de volta nos ombros delicados incitando para que eles recomeçassem a andar.
– Normalmente eu não sou assim, não preciso de esforço algum para alguém cair aos meus pés, o meu interesse por ti aumentou por seres diferente do resto.
Um gesto de carinho foi feito com as costas da mão do moreno na bochecha de Rouge.
Rouge era um lerdo, virgem no sentido de gay, virgem de sentimentos intensos não sabia o que fazer ou dizer nas situações de intimidade como as que vinha sofrendo com Khan.
A inexperiência acabava-lhe por dar-lhe um ar de retardado nesses jogos de sedução, ele próprio não sabia o que estava a sentir em relação a tudo. Existia aquela expressão de ‘’Deixar ir… deixa acontecer…’’ toda a gente dizia essas coisas em caso de dúvidas amorosas. Rouge permaneceu calado por uns momentos para depois abrir a boca e exclamar uma coisa que de verdade não tinha muito. – Eu não sou gay.
– Gay?! O que isso significa? – Lembrando que ele vinha usando essas palavras estranhas. Curioso Khan perguntou o significado, adquirir conhecimento de outra dimensão nunca era de mais.
– Gays, são pessoas que se relacionam emocionalmente e fisicamente com pessoas do mesmo gênero.
Khan parou de andar, ainda com o ruivo em baixo do seu braço, com as pontas dos dedos aproximou os rostos elevando um pouco o rosto pálido com as maças do rosto tonalizados de rosa.
O ouro líquido dos olhos do Faraó encarava os esbugalhados olhos céu, assentou um beijo simples de toque de lábios pressionando possessivamente os lábios rosados.
Durou segundos o beijo roubado, comentando um fato. – Hmm… eu acho que vou adorar ser gay. – O ruivo poderia ganhar o concurso de estátuas vivas, de tão rijo que ficou provocada pela tensão que o seu corpo acumulou naquele instante. A sua máscara facial gélida retornou para salva-lo do constrangimento. – Eu já deixei claro que não que vou ser um brinquedinho.
– E eu disse que não és um brinquedo, mas uma joia. – Retrucou o moreno serenamente. – Agora vamos? Ainda temos muito que ver. – Pediu delicadamente, Rouge não disse mais nada e tampouco reclamou do braço de Khan nos seus ombros, não desgostava daquilo.
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Seguindo os dois, Arkon observava cenas muito interessantes que nunca antes presenciou. Observados por fora, aquelas duas pessoas pareciam realmente um casal de amantes, em sintonia passeando no mercado. Desde de que conhecia Khan nunca viu demostrações de carinhos amorosos para com alguém, e muito menos o rei saia para passear enquanto o palácios estava em estado de alerta.
Como se costumava dizer que as pessoas apaixonadas ficam mais descuidadas, o moreno suspeitou de algo. ''Khan apaixonou-se.'' Como amigo não sabia ainda muito bem se daria o seu aval ou seria contra. Afinal quem estava nos braços dele era uma pessoa com cabelos vermelhos vindo sabe-se lá de onde e quais as intenções.
Arkon nem se incomodou em aproximar-se mais dos dois, depois de se libertar de Saludja acabara por vir atrás do rei, ele sabia que Khan notara a sua presença. Prevenção era o caminho para uma vida longa, muito mais em tempos conturbados como aqueles era uma valiosa arma.
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Saindo de uma tenda recheada de tecidos luxuosos e joias, Rouge trouxera consigo um escaravelho real de argila azul incrustado com safiras e uma borda de ouro por toda a extensão da peça. Era um pequeno amuleto, representava a ressurreição e proteção da alma após a morte, apenas achar-o muito bonito não pensava muito no seu significado.
Teve que esforçar-se e convencer Khan que não precisava de tudo o que ele queria oferecer-lhe, se bem que ele era um rei e o ruivo estaria a fazer um enorme bem para o vendedor deixando-o mais rico, mas não seria justo fazer isso.
Entraram numa praça redonda de estátuas representando as divindades, em especial Amon, o patrono de Tebas ocupava o centro. Barracas de venda de comidas e bebidas prontas circundava o sítio, mesas e cadeiras de madeira estavam espalhadas cobertas pela sombra feito por enormes pedaços panos presos em postes de madeiras.
Por aquela hora o sol já castigava as peles habituadas à sua fúria, porém ainda estaria cedo para as pessoas encontrarem-se ali, para aproveitar uma conversa e uma cerveja ou vinho, por isso o local encontrava-se meio vazio.
Khan acomodou o ruivo numa mesa, observando o recinto procurando por algum sinal de que não seria bom ficar por ali. Não notou nada não viu motivo para ir embora. E o ruivo estava coberto com o khimar então não chamaria tanto a atenção, iria buscar algo para beber e procurar o teimoso do Arkon. – Espera aqui por mim, por favor.
Rouge apenas assentiu com a cabeça, ele ficaria ali esperando, e de fato estava um pouco cansado. Viu o moreno desaparecer por uma esquina, para matar um pouco o tempo de espera, mexia um pouco com o iphone incrivelmente ainda tinha a sua bateria cheia.
Vu as fotos que tirou, se tivesse acesso à internet colocaria-as no seu facebook para a sua família poder vê-las, mas era impossível e ele nem estava de férias fazendo turismo. Estava preso numa distorção do tempo e espaço, sem interesse colocou o aparelho dentro da sacola com os restantes figos.
Tocou no pequeno amuleto, um pequeno artefacto como aquele valeria uma fortuna no futuro, divagou ele. Tudo estava tranquilo até uma sombra pairar na frente do ruivo.
Ele não estava tão seguro quanto Khan pensou antes de partir.
– Foi rápido, rei. – Gracejou Rouge levantando o rosto, porém não era o rei na sua frente, mas um homem grande, troncudo de aparência suja e rosto rebarbado e nojento. Sorrindo de forma escabrosa para o ruivo, fazendo as entranhas dele revoltarem-se de agonia. – Ora ora o que uma preciosidade como esta a fazer aqui sozinho, está perdido?
A voz do homem era tão suja quanto a sua aparência, Rouge levantou-se, tinha a intenção de correr dali para qualquer direção mas as suas costas bateram em algo, atrás de si havia mais dois homens do mesmo feitio do outro, um deles segurou-o pelos ombros.
Sorriam maliciosamente, mostrando uns dentes podres acompanhados de um hálito pútrido de tal intensidade que chegou ao nariz do ruivo, dando-lhe vontade de vomitar, tentou intimida-los.
– Eu estou esperando o meu marido! Vão-se embora! – Atirou-lhes essas palavras esperando por um efeito positivo mas foi ao contrário, o que o estava segurando, pegou no seu braço magro e puxou-o de uma maneira tão violenta que o ruivo parecia que ia erguer-se do chão. Claro que todos os brutamontes têm que ter força de um touro.
– Oh marido… vamos ver quanto eu vou ganhar contigo te vendendo na Casa de Anuket. – O homem que falava chegou perto do ruivo e puxou o tecido que cobria os cabelos dele. Quase deixando caírem as próprias caras no chão, os homens arregalaram os olhos indecorosos por verem um vermelho lustroso e brilhante como cabelo, refletido essa cor mais vivamente pelo sol.
– M-Mas que bruxaria é essa? – Umas mãos rudes e fedidas seguraram o queixo do ruivo de maneira que achava que ele iria quebra-lo. Nesse momento o homem largou-o de maneira súbita e caiu de joelhos com os olhos revirados caindo duro no chão.
Uma adaga fora atirada nas costas do homem, o que segurava Rouge largou-o de maneira bruta fazendo ele se desequilibrar e cair no chão. O tal homem partiu para atacar o homem que matara o seu companheiro, já o terceiro homem havia saído dali a fugir.
Num piscar de olhos o atacante tinha a sua garganta rasgada pela lâmina do seu salvador, isso aconteceu ao mesmo tempo em que Rouge se levantava do chão. Arregalou os olhos para o seu salvador. Arkon sabia que tinha sido bom segui-los.
Khan não encontrou o general e com um mau pressentimento regressou correndo para onde Rouge estava. Estancou ao vê-lo de cabelos soltos e dois cadáveres no chão e Arkon limpando o sangue da sua adaga. Gelado aproximou-se do ruivo e acariciou gentilmente o rosto dele, o rei esboçou uma expressão de medo, o medo dele estar machucado.
Depois de presenciar uma cena assustadora o calor da mão gentil do outro teve um efeito de balsamo. Rouge percebendo o temor nos olhos dourados esboçou um sorriso tranquilizador. – Eu estou bem. Graças a Arkon. – Manteve o olhar fixo no rosto daquele homem preenchendo-o de estranhos sentimentos naquele momento, seria segurança?
– Então não preciso estar por perto não é grandioso rei? – Arkon atirou sarcástico. Contudo antes de Khan poder responder um barulho de homens irados aparecendo na esquina fê-lo semicerrar os olhos.
Segundos depois estavam cercados por vários homens de aspeto sujo e raivosos, o que fugira teve a audácia de recrutar o resto do bando. Khan puxou o ruivo contra o seu corpo, pegou nas coisas que estavam em cima da mesa e andou até Arkon.
Pousou a sua mão no ombro do amigo e apertou-a. – Acaba com eles e manda as suas almas hediondas para Anúbis alimentar os seus cães no submundo. – A autoridade do rei através de uma voz profunda e cavernosa fez-se imperativa. A ordem estava dada e o soldado iria cumpri-la.
Rouge estremeceu como varas verdes, como ele deveria reagir quando seres humanos iriam ser mortos em instantes? Khan guiou-o para longe daquele lugar, adentrou por uma rua mais vazia até chegar ao estábulo
Retirou a sua capa e colocou sobre o ruivo e sorriu-lhe de maneira fria. Montou no seu cavalo e puxou Rouge para subir dessa vez sem qualquer gentileza, foi colocado na frente de Khan que enlaçou o seu braço na cintura do ruivo e apertou-o contra si de maneira que quase impossibilitava a sua respiração.
Com o toque do calcanhar no flanco o animal seguiu o seu caminho de volta ao palácio. Recebendo vários toques sucessivas para acelerar, só abrandando quando já se encontravam dentro dos portões do palácio. Tudo foi feito mecanicamente, desceram do cavalo, Khan pegou na mão alva com certa pressa. Chegando à porta do quarto do ruivo, recebendo uma carícia no rosto e viu o moreno ir-se embora.
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Entrando no seu quarto, o rei tomou um banho, vestiu roupas mais formais e foi como uma tempestade tratar de acabar com os malfeitores do seu reino com a corte real. A existência de bando de ladrões não teria mais futuro por ali.
O ruivo permaneceu um bom tempo dentro de água pensando nos acontecimentos do dia. Não sabia o pensar, só saiu da água quando o seu estomago clamava por sustento. Saindo do banho limpou-se sem ficar completamente seco, deixaria a pele úmida para sustentar a frescura contra o calor por mais tempo.
Na sua cama estava esperando uma única peça, uma túnica de uma só manga cruzando no peito, deixando o outro ombro descoberto, chegava até a meio das coxas e apertava na cintura com um cinto dourado.
Sahib trouxera carne de ganso assado com mel, legumes, pão, fruta, peras com mel, cerveja e infusões. Não se conteve e nem precisava se conter, o ruivo atacou com vontade a refeição, mesmo depois de ter comido os figos.
Ofereceu o resto dos frutos a Sahib, que chorou de agreadecimento por receber algo que muito raramente podia comer. Depois da refeição estatelou-se nas almofadas da varanda, com os habituais escravos abanando-o com grandes plumas e penas em forma de um leque gigante com cabos feitos de ouro puro. Sentia pena deles, mas o fresco que era proporcionado era tentador demais para ficar sem isso.
Passou vários minutos ou horas assim, perdeu a noção do tempo por estar ficando sonolento, quando sentiu uma movimentação ao seu lado. Abriu preguiçosamente os olhos e piscou olhando para ver quem estava ali, um garotinho e uma garotinha.
O menino estava segurando a mão da menina mais nova, as crianças estavam ricamente vestidas, o menino com o tradicional saiote chegando pouco acima dos joelhos bordado na cintura com ouro, não trazia túnica vestida mas carregava um colar grosso de ouro no pescoço e um bracelete no braço.
O seu cabelo era castanho muito escuro mesclado com dourado, chegando até à altura do pescoço, era magro e transbordava uma saúde saudável. A garotinha era mais pequena, trajava um uma túnica-vestido de alças de um rosa clarinho debruado com linhas coloridas nas extremidades das alças e bainha, combinando com um cinto de seda lilás e sandálias de tiras de seda branca.
Os seus cabelos eram negros e longos, uma franja reta caia pouco acima dos olhos, no seu pequeno pescoço caia colares de contas coloridas e dois braceletes de ouro adornava os braços franzinos da criança. A menina exibia um rosto com bochechas cheiinhas, a sua pele era de um tom de moreno mais claro que o garoto, ambos tinham os olhos da impressionante cor de ouro.
Kanope e Nadhirra em carne e osso estavam ali na frente de Rouge.
– És tu o Ahmar? – Kanope perguntou com o rosto cheio de curiosidade infantil. Havia conseguido escapar da sua cuidadora e finalmente procurar pela pessoa que tanto alvoroço tinha causado no palácio, e obviamente trouxera a sua irmãzinha consigo.
Sem se conter, Rouge já estava sentado e segurava no rosto da criança admirando-o, não podia negar que era filho de quem era. Com cinco anos Kanope tinha o porte real do futuro rei, era tão bonito quanto o pai. Um Khan em miniatura. A aparência das crianças refletia o império e riqueza do seu grande rei, seu pai.
– O meu nome é Rouge, Kanope. – Retirou as mãos do garoto para admirar garota, praticamente um bebé ainda tinha dois anos, nem falava corretamente. A sua pele de bebé era delicada, os cabelos negros e macios, era uma verdadeira princesa. Aquela criança representava bem o seu nome, Nadhirra traduzida á letra queria dizer rosto iluminado, saudável e feliz. Era a própria definição do seu nome. A menina riu para ele mostrando os dentinhos de leite em crescimento, ficou apaixonado pelas crianças à primeira vista.
Kanope sem se fazer de rogado sentou numa das almofadas e começou a brincar com uma massa barrosa e úmida que trazia numa mão, deduziu ser barro. O menino adorava brincar de construir igual a um criador, como o seu nome indicava.
Rouge lembrou-se dos dois caramelos de fruta que se salvaram na viagem ao tempo e fui busca-los. As crianças olhavam curiosas e fascinadas quando ele mostrou-os, tirou o papel de embrulho do caramelo e entregou o pequeno quadrado a Kanope dizendo para come-lo.
No instante em que o garoto colocou aquilo na boca, a sua cara faiscou de uma maneira iluminada, expressando a típica reação de criança que adora doces.
– AAH é muito bom!! – O mais velho riu e fez o mesmo para Nadhirra, a menina mastigava o caramelo de boca aberta pela impressão causada pela goma colar nos dentinhos dela. Ela ria e metia os dedinhos na boca fazendo caretas engraçadas. ''Crianças sempre foram assim tão fofas?'' Puxou a menina para sentar no seu colo e apertou ela.
Pouco depois estava ensinando músicas infantis em inglês às crianças, e fazia gestos com os braços de Nadhirra sentada no seu colo para acompanhar as músicas. Kanope sentou na frente do ruivo e absorveu cada palavra dele, repetindo os gestos entre risadas e cocegas.
A menina cheia de energia mexia-se sem parar no seu colo, balançando braços e pés. Cantou ‘’Mary Had a Little Lamb’’ quando chegava na parte de dizer carneirinho Rouge imitava o som do animal da maneira mais desajeitada possível, arrancando gargalhadas das duas crianças. Um manto de pelo laranja e preto parou perto deles e rugiu baixo, o ruivo assustou-se, sem Khan por ali estava mais do que amedrontado, com a tigresa.
Nuri deu o ar da sua graça por ali, a porta do quarto devia ter ficado aberta quando as crianças entraram. Sem dar importância ao ruivo a tigresa deitou-se preguiçosamente no chão frio bem ao lado deles, abanando a sua cauda do tipo que diz que estava acordada e atenta.
E pouco depois alguém chamava pelas crianças, um rapaz moreno, alto sem muitos músculos definidos, cabelo negro e olhos dourados, saiote de linho e braceletes de ouro nos pulsos, entrava na varanda. O rapaz surpreendeu-se ao ver o ruivo, não sabia que aquele era o quarto dele. Ramsés procurava pelos sobrinhos e Nuri o guiou até ali. então Rouge sorriu em comprimento para ele, efeito corante foi imediato.
– Kanope está na hora de ir para a Per Ankh. – O menino sem protestar ou choramingar levantou-se como um verdadeiro príncipe que sabia muito bem qual era o seu dever. Não podia ter birras por ser interrompido nas suas brincadeiras, tinha esse ensinamento desde do berço.
Per Ankh era uma instituição de ensino dentro do palácio dedicado aos as crianças nobres, pobres e para os futuros reis. Deu um beijo corrido em Rouge e saiu largado para onde o seu tio o esperava, Nadhirra seguiu o exemplo do seu irmão e deu um beijinho na bochecha do ruivo e seguiu com eles. De Rouge crianças só tinha tido contato com os seus primos, e mal os vias e quando os via já estavam crescidos e irritantes.
Então ficou com o coração enternecido com o simples gesto dos pequenos. Um beijinho na bochecha dado por uma criança era muito enternecedor.

Notas finais
Hathor é a deusa do Amor
Halewa é doçura.
Per Ankh significa à letra Casa da Vida.
Casa da Vida é mesmo o nome dessa 'escola' situada no palácio xD
E então gostaram? Ficou bom? A história continua boa? HSUASH
O próximo capitulo vai demorar um pouco a sair.
Beijos!!
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