O Acordar Do Faraó

10 Capítulo 10 - Conquistado Parte III


Notas iniciais
Oi pessoas ;3 Depois uma coisa bizarra acontecer com a minha fic, consegui traze-la como de costume á sexta-feira. Só uma notinha a minha fic não merece nada de mal, tudo nessa coisa é feito com enorme dedicação e esforço ao minimo detalhe. ;)Muito Obrigada pelos comentários/favoritos ! Alcançaram 100 comentários! ♥Espero que gostem o capítulo que tinha preparado, e não tem lemon pesado! Não estava programado lemon neste caps. Mas vai haver muito em breve.Boa leitura ♥

O resultado das constantes discussões estava estampado no rosto de Saludja, a aurora de um novo dia despertava, as consequentes noites em claro eram visíveis pelos círculos escuros em baixo dos olhos alaranjados de sacerdote. A razão do seu mal continuava a matutar na sua cabeça.

Um sacerdote pode estuprar, matar, viver levianamente mas não pode sentir ódio, quando um servo dos Deuses sente a primeira farpa de ódio será o princípio do fim.

– Sal… vamos continuar discutindo? – Arkon estava deitado de costas para o seu amante, embora tenham feito amor com a paixão de sempre, Saludja estava irritado. – Desiste de ir para o meio do deserto encontrar Nehken.

E mais uma vez a aversão do sacerdote contra o tal amigo de Arkon fervia dentro dele. Nunca fora com a cara do tipo quando o conheceu, ainda em adolescentes, não gostava da demasiada confiança com que outro tratava o seu Arkon. Saludja não sentia raiva ou inimizade por alguém, mas quando alguém dizia o nome ‘Nehken’ ou mencionava a Tribo do Escorpião a fúria automaticamente despoletava nele.

– Esse teu lado infantil é irritante. Eu não vou ver Nehken porque eu quero! Eu vou porque é o meu dever, ou esqueceste quais são as nossas obrigações? – Arkon virou-se para encarar o mais velho e ter a mesma conversa amarga vezes sem conta, como nos dias anteriores.

Quando avisara que teria que ir para o deserto recolher informações sobre o paradeiro de Jafir. que os guerreiros da Tribo do Escorpião possuíam, Saludja só não quebrou as paredes do palácio por mera sorte.

Pousou uma mão no peito de Saludja, esse não retirou os olhos do teto para olha-lo. Vê-lo com ciúmes era uma coisa muito estranha, o sacerdote era um poço de gentileza, essa qualidade chegava a provocar um grande desconforto em Arkon, ver desde crianças a idosos desfazerem-se em sorrisos para com ele.

– Tanto faz. – O seu ciúme não deixava o ser lado sensato funcionar, resultando em ser seco e rude com a pessoa mais importante para ele. Levantou-se sem fazer o ritual de todas as manhãs, beijar o lado esquerdo do peito do seu amado. – Quando regressares certifica-te que não trazes o fedor dele no teu corpo.

Mal terminara de proferir aquelas palavras uma pequena adaga atravessara na frente do seu rosto, a lâmina era tão fina e aguçada que conseguiu cravar-se na parede de mármore.

Foi atirada por Arkon, como mestre de armas o seu reflexo nem fora notado por Saludja. Fervendo de raiva por tais palavras que em nada tinham fundo para serem verdadeiras, o general levantou-se encarando ameaçadoramente o mais velho. – Não me compares com um prostituto barato. Não me compares contigo!

Os dois homens ficaram encarando-se com os rostos próximos com tensão. O olhar de Saludja escurecia, sabia que merecia que ele tocasse nas feridas do passado. – Eu sei muito bem o que eu fiz quando era mais novo.

Nesse tempo ainda não estavam bem consolidados em uma relação, o jovem sacerdote era um frequentador da Casa de Anuket e Casa da Cerveja, os dois sítios onde a luxuria entrava com os bolsos cheios e saiam vazios, com o corpo tocado e satisfeito por prostitutos.

Mesmo não sendo comprometidos oficialmente naquela época, Arkon não lhe perdoara essas ações. Enquanto o seu doce amante fora a designação de fidelidade, ele fora a leviandade da carne.

– Sal, não vamos aproveitar? Quando eu voltar será a tua vez de partir para os templos. – As mãos do general desceram do peito largo do outro para a região baixa, acariciou o membro viril do seu homem.

Esse respondendo de imediato às caricias conhecidas. Submetendo-se a Arkon segurou o rosto dele por entre as mãos, sem pestanejar fixou os olhos alaranjados nos castanhos, como se quisesse hipnotiza-lo. – Se algo acontecer contigo eu matarei aquele infeliz. Albi maaak Arkon!

Essas palavras sempre arrancavam um sorriso meigo ao general, só as palavras de Saludja faziam o jovem inexpressivo sorrir. – O meu coração está contigo também, Saludja.

O juramento foi selado com um beijo faminto demais para os dois permanecerem em pé, deslizaram para o chão coberto com a tapeçaria, mesmo com a cama a poucos centímetros. O corpo de Arkon recebeu o peso do seu amante sobre si, tornando a possessão do beijo mais feroz.

Saludja separou as pernas do outro e puxou-o pelas coxas para se encaixar melhor, entrando nele. Arkon ainda estava lubrificado com restos do sêmen dele dentro da sua entrada intima. Arqueou as costas ao sentir o pênis do sacerdote invadindo o seu corpo, ele gostava assim, ele não era uma mulher nem tão frágil para o seu amante ter todo o cuidado de prepara-o antes da penetração.

O jovem general era um homem que amava outro homem, gostava da dor natural que esse ato de amor carnal lhe proporcionava. Uma vez todo dentro dele, Saludja apoiou os seus braços um em cada lado do corpo de Arkon, iniciando a penetração.

O interior do mais novo espasmava com alguma violência chegando a magoa-lo com a fricção da pouca lubrificação, mas a expressão libidinosa que Arkon fazia valia a pena ele sentir também dor. Recusando a fechar os olhos em resposta às sensações luxuriosas que o seu corpo estava sentindo, Arkon encarou-o sem pestanejar.

Olhar para os olhos de Saludja era o seu maior excitamento, não estava certo se ele sabia ou se apercebia-se que a cor dos seus olhos parecia líquida, o laranja ficava mais vivo e intenso, durante o ato.

Arkon não sabia o quanto disso não era alucinação provocada pelas doses de adrenalina. Enterrou as unhas nas costas de Saludja quando as investidas tornaram-se mais enérgicas, fazendo ambos os corpos vibrarem.

Mais uma vez Saludja sentia-se perdido dentro do seu amado, era impressionante como ele sempre conseguia fazê-lo ficar pronto em segundos para uma nova relação sexual. A imagem que Arkon transmitida nesse momento era de um garoto com um corpo extremamente sensível ao contato do seu amante.

As expressões eram excessivamente eróticas, apenas um rastilho para incendia-lo mais. Inclinou-se para mordiscar a área erógena dele, o ombro esquerdo. A mordida pode-se comparar quando se come um pedaço de pêssego, como a polpa é macia não é preciso exercer muita força ao morde-la, o roçar dos dentes na pele causou de imediato um gemido alto a Arkon.

Praticamente enlouquecia quando era mordido ali, a resposta do seu corpo foi mais que enlouquecida, as pernas apertavam-se no quadril de Saludja incitando-o a aumentar a velocidade e preenche-lo com o esperma quente.

O que não tardou a acontecer, as últimas estocadas fizeram Arkon embater diversas vezes com as costas no chão devido às investidas violentas chegando ao ápice.

Permaneceram colados destilando suor e fluidos, Saludja de olhos fechados apoiou a sua testa na testa do seu amante, ofegante e sentindo o seu membro dando os últimos espasmos dentro do corpo de Arkon. Os dois sentiam os batimentos cardíacos ritmados descompassadamente junto com a respiração acelerada.

Um pouco mais com o folego recuperado, Arkon segurou no rosto do amante e beijou-lhe os lábios com lentidão. A maturidade de seis anos de relacionamento estava visível na qualidade dos afetos e na forma como faziam amor.

Procuravam dar mais prazer um ao outro do que se concentrar no próprio prazer, no princípio da relação o que imperava era a satisfação dos corpos e ter orgasmos, agora havia um equilíbrio conectando prazer carnal com o prazer espiritual.

Saludja rodeou a cintura magra de Arkon apertando-o contra si, sentindo o seu membro reagir um pouquinho dentro dele enquanto se beijavam. – Mais um pouquinho? – Saludja ronronava no ouvido dele pressentindo que iria ser negado.

A alvorada fora tomada completamente pelos primeiros raios de sol, significando que mais um dia de trabalho começava e fanático por disciplina e rigidez militar, e isso incluía estar na ala do exército instruindo os soldados, a horas.

Muitos deles, a maioria dos novatos e os mais distraídos não sabiam que o General Supremo tinha um amante e se submetia-se a ele na cama. Era dito que quando um homem fica por baixo de outro submisso era visto como fraco, não sendo bem visto na hierarquia militar, quem fica por baixo eram sempre os dominados.

Não podendo ver o seu orgulho ou o seu poder sobre os soldados questionado, Arkon não demonstrava qualquer tipo de afeto a Saludja em público. Ficando enfurecido quando o sacerdote quebrava a sua regra mais valiosa quando se viam em público, contudo o general não recusava um beijo dele. – Claro que não. Sai de cima de mim.

Pediu calmamente, apesar de ser gostoso senti-lo ainda dentro de dele, nisso Arkon tinha que ser honesto. Sentindo que o outro não queria mexer-se, recorreu a ameaça. – Sai enquanto eu estou sendo meigo.

Não seria problema algum tirar Saludja de cima de si, bastava um chute seu. A risada do sacerdote encheu o quarto, meigo não era uma qualidade aplicável a Arkon, beijou-lhe a testa e começou a retirar-se de dentro dele.

Uma batida na porta seguida de uma voz excessivamente alta, interrompeu-os. – Tjati! Mensagem do Rei!

Saludja franziu a testa, não era usual Khan mandar mensagens quando estava fora. Levantou-se puxando o lençol da cama para cobrir-se e ir receber a mensagem. Do outro lado da porta um dos seus subalternos estendia-lhe um pedaço de papiro com as duas mãos estendidas na sua direção, com a cabeça baixa.

Encarar o Sumo-Sacerdote nos olhos era considerado pecado para eles. Aproveitando a interrupção Arkon dirigiu-se para o banho, não demorando a retirar os resquícios do corpo com a água fria e perfumada pelas flores de lótus de Saludja.

Enrolando um saiote de saída de banho na cintura retornou ao quarto, onde Saludja atirava coisas para dentro de um baú de viagem, andava apressado e nu entre o quarto e a sua oficina de medicina. – O que aconteceu?

O general pegou no pedaço do pergaminho atirado em cima da cama e leu-o. As rugas da testa acentuaram-se não entendendo muito bem qual o significado da mensagem do rei. '' Saludja, vem para Mênfis, não me importo se Tebas cair enquanto está sozinha. É uma ordem do teu rei, espero-te amanhã. Khan.''

– Os Medjay estão lá, não faço ideia do que pode ter acontecido. – Saludja já temia que algo pudesse acontecer, os dias de paz e quietude apenas anteviam o pior. Entrou no banheiro, lavou-se rapidamente, voltou para o quarto pingando, colocou uma túnica fresca.

Se ele partisse agora para Mênfis chegaria ao pôr-do-sol. Arkon vestira-se com a mesma rapidez. – Eu devo ficar no palácio? – A dúvida do general era pertinente, ele iria partir para o deserto, ninguém de confiança ficaria no palácio. – Não. Não resta ninguém com importância aqui, por isso vais para o deserto como estava planeado. – Saludja foi até à porta e chamou um servo ordenando para prepararem um barco.

Enquanto isso juntou mais algumas coisas necessárias, conjuntos de medicinas, vidros com soluções diversas e utensílios para operações. Achando que tinha tudo o que precisava fechou o baú. Virou-se para Arkon e abraçou-o apertado, aqueles seriam os últimos momentos dos dois antes da longa separação pelos deveres de ambos.

Saludja inspirou profundamente o aroma do seu amor, detestava aquela altura do ano, a veneração dos Deuses, isso faria o Sumo-Sacerdote ir a todos os principais templos do Egito para entregar as oferendas e veneração do povo aos Deuses com as suas mãos, fazia de intermediário entre humanos e divindades.

Arkon retribuía o abraço forte, sabia que ele ficava muito emocional com a separação, durante seis anos que tinham aquele ritual de separação. Pousou o rosto no peito do mais velho. – Calma, Sal.

– Tem cuidado no deserto, se algo te acontecer eu destruo tudo até ao último grão de areia. – A ameaça era imperativa e a ousadia também, mas ninguém sabia qual era o seu verdadeiro poder até que fosse chegada a hora de o demonstrar.

– Exagerado. Não sou um garoto e definitivamente não sou uma mulherzinha indefesa. – Adicionando a ação de colocar a sua adaga preferida rente ao pescoço de Saludja sem esse o esperar, mostrando a habilidade de guerreiro das sombras. – Sempre me perguntou de onde é que saem esses punhais. – Mesmo Saludja perguntando ele nunca descobria nem com os anos juntos.

Arkon sorriu trapaceiro, revirou a lâmina na sua mão oferecendo o cabo negro ao sacerdote. – A minha adaga preferida, para dar sorte. – Todas as vezes em que se separavam levavam algo do outro. Arkon oferecia-lhe sempre uma das suas armas, na opinião dele eram bonitas e úteis.

Saludja insistia em dar-lhe amuletos e talismãs purificados por ele, mas o general sempre os perdia num meio de um conflito e por distração, então mudara o presente de algo material para um beijo afetuoso.

Guardou o punhal atrás das suas costas, preso na faixa do cinto da túnica, voltou a segurar o corpo de Arkon pela sua cintura e colou-o ao seu corpo. A sua mão subiu até a nuca envolvendo os seus dedos nos cabelos castanhos macios. Inclinou-se na direção do rosto de Arkon, a pouca diferença de alturas e massa muscular entre ambos fazia com que o general parecesse mesmo um garoto, e não o temível guerreiro que sob o seu comando haviam legiões de soldados cujo a fama viajava para países distantes.

Os guerreiros nascidos do sol e areia extremamente altos e de músculos largos expelindo força bruta por todos os poros do corpo.

A língua do general penetrou na boca do seu amante com avidez e um tanto com desespero, antevendo uma longa separação. Saludja correspondia com a mesma intensidade, sem se preocuparam em controlar o oxigênio ou pararem pela falta dele.

Os últimos momentos do beijo foram mais arrebatadores, as línguas chocando-se uma na outra ora com ternura ora ânsia, estreitando os braços de ambos em redor um do outro. O pressentimento de que estava na hora de parar fê-los abrandar o ritmo, ofegantes separaram-se milimetricamente sem retirarem os olhos um do outro. Mesmo depois de tanto tempo juntos, os dois surpreendiam-se com os diferentes beijos que conseguiam dar.

– Detesto quando tu fazes parecer que é uma despedida permanente. – Arkon colocou a sua mão no meio do rosto de Saludja, tapando os seus olhos, apertava-lhe o coração que o outro fizesse aquela expressão de tristeza extrema.

– Sou um homem apaixonado, não poderia agir de outro jeito. – Saludja retirou a mão do general do seu rosto e colocou-a sobre o coração, uma sensação de calor desferiu-se pelo corpo de Arkon através da mão pousada no peito do sacerdote. – Os Deuses estão vendo sua magnificência sacerdotal.

– Qual seria o sentido de ter estes poderes e não poder usar na pessoa que eu amo? – Saludja sorriu ardiloso, a sua obrigação era servir os Deuses, ser o mediador e voz entre as deidades e os mortais de resto podia fazer o que bem entendesse, era dono do próprio dom. Ele escolhera o caminho de conseguir comunicar com os Deuses por vontade própria.

– Raposa astuta. – Sentindo o seu corpo mais leve Arkon deu-lhe o seu sorriso carinhoso. Uma segunda batida anunciou que era momento de se separarem. Saludja ordenou que levassem as suas coisas para o barco, um beijo casto nos lábios, uma caricia no rosto, e um olhar intenso, o sacerdote virou as costas e saíra do quarto, sem pronunciar as palavras ‘adeus’ ou um ‘até depois’ em despedida.

Conforme se esperava, o temível guerreiro viu-se com os olhos úmidos, um reflexo de quem está vendo o amado partir. Recompôs-se e seguiu os mesmos passos de Saludja, passou pela parede onde o punhal que atirara-lhe ainda estava encravado, saiu do quarto e fechou a porta, nenhum dos dois iriam utiliza-lo por uns tempos.

.OoO.

O dia tinha começado estranho além de ter acordado no chão duro de uma sala que nunca tinha visto, por ter tido um sono agitado todas as almofadas estavam espalhadas, todo o seu corpo doía.

Sahib encontrava-se ajoelhada ao seu lado, esperando que ele acordasse. – Bom dia, dormiu bem? – A mulher sorriu-lhe amavelmente como sempre. Incomodado com a luz brilhante do dia, Rouge tapou o rosto com o braço antes de murmurar. – Não, nem por isso. – Levantou-se e esfregou a coluna, relembrando-se do porquê estar dormindo no chão, recordando-se da enorme colônia de escorpiões na sua cama. – Onde está o rei?

– Nisu está ocupado esta manhã, algo ocorreu, está reunido com o seu tio. – Sahib fora ordenada a deixar Rouge o menos tempo sozinho possível. Foi conduzindo de volta ao seu quarto, a cama permanecia despida de lençóis, sem pensar muito a respeito disso dirigiu-se para a piscina, à sua espera um banho caprichado o esperava como sempre.

O dia previa-se normal por isso um banho perfumado bastaria sem se preocupar com os óleos e loções depois, uma roupa leve seria o ideal também. A água fria aliviou-lhe as costas doloridas, amarrou os cabelos com uma fita de seda, pegou na pequena toalha feita de linho suave,e passou o tecido com cuidado nos ombros ainda queimados.

Observando Rouge a banhar-se era erótico demais para não pensar em coisas pervertidas logo pela manhã, as pétalas grudadas na pele translucida aumentava a intensidade como Khan estava sendo seduzido. Desde o amanhecer que dera instruções aos Medjay e aos guardas do seu tio para inspecionarem todo o palácio e arredores em busca de sinais de Jafir, o maldito saber todos os movimentos que dava ou onde estava era frustrante.

Estar à mercê do traidor daquela maneira provocava um turbilhão incandescente de raiva em Khan, enquanto por seu lado encontrava-se completamente às cegas sobre a localização do maldito.

Aproximou-se da borda da piscina agachando-se, falando docemente. – Banhar-se desatento assim pode ser atiçar os pervertidos.

Nesse momento Rouge quis destapar o fundo da piscina e escoar-se junto com a água, além do sobressalto a situação era embaraçosa, ser interrompido por Khan enquanto tomava banho era de faze-lo ficar ruborescido e sem jeito.

A sua intenção era ir para o mais longe possível da beira da piscina, todavia fez exatamente o contrário, aproximou-se com a camada de pétalas e flores na superfície da água seguindo-o, estava confiante que Khan não conseguia ver nada.

– Só estou vendo um pervertido aqui. Pensava que estaria ocupado demais para vir importunar-me hoje. – Sorriu com falsa doçura, olhou demoradamente no rosto do egípcio, estava perfeito como sempre nada parecia alterar a expressão do rosto dele. Fazia tempo que o ruivo se questionava como ele se encontrava sempre tão bem, sem cansaço ou olheiras, de fato o ruivo só conhecia a expressão de luxuria que ele lhe dirigia e por duas ou três vezes também via preocupação, recordando-se dos acontecimentos perigosos por que passara.

– Saudades minhas? De fato estou ocupado hoje, mas nos veremos mais tarde. – A voz de Khan agravou-se um pouco, não iria relaxar enquanto não revirassem tudo e esperava ansioso a chegada de Saludja. Elevou o rosto de Rouge e aproximou o seu, deslizando o olhar de ouro pelo rosto dele até aos lábios rosados.

Rouge sentiu-se como a pequena sereia, ele dentro de água e sendo quase beijado por um rei.

‘’Que merda Rouge, para de sonhar com os contos de fadas!’’ Comparando-se com as histórias fantasiosas já era exagero, era inevitável não tinha culpa se o homem viril, lindo, cheio de fogo no corpo o fazia sentir-se como uma quase princesa encantada. Era tudo culpa do homem na sua frente que a mente dele estava deixando-se levar pela fantasia, Khan estava quebrando qualquer defesa que ele tinha colocado em si a fim manter a sanidade.

Cada pedaço de Khan era escandalosamente sexy, até mesmo as suas clavículas transpiravam sensualidade que parecia que ele gostava de exibir isso devido a quase nunca usar nada para cobrir o tronco.

Pela primeira vez pôde analisar bem as características faciais do rei, longos cílios negros contrastando com o dourado das iris, nariz afilado, lábios desenhados para fazer estremecer qualquer um, tudo se encaixava na harmonia de um rosto elegante que facilmente faria sucesso como modelo ou um ator porno. O cabelo castanho escuro alourado deveria assentar-lhe bem tanto longo quanto curto.

Acordando do seu estado de transe pelo beijo casto que recebera na testa. Rouge espantou-se, não esperava por uma investida tão inocente pela parte de Khan. – És completamente adorável quando ficas distraído. – E ele adorava observa-lo em qualquer jeito, a sua obsessão em vê-lo dormir, tomar banho, observa-lo distraído de longe ou perto tronara-se um estranho prazer para o rei.

Mal podia esperar para se enterrar em Rouge e tornarem-se num só.

– Não devia tocar nas pessoas tão libertinamente. – Rouge sentia-se perdendo-se com os gestos carinhosos, quem não seria fraco contra afetos meigos.

– Sempre impertinente, isso só me estimula mais como predador. Infelizmente tenho que ir. – Soltando o rosto do ruivo e ignorando forçadamente que ele estava completamente nu e eroticamente rodeado pelas flores do banho, Khan levantou-se.

– Predador? Os predadores viram sempre as presas. – O sorrisinho irônico aflorou nos lábios de Rouge, naquele caso em específico o predador movia-se de acordo com a sua presa, Khan não faria nada que desagradasse a ele.

Arqueando as sobrancelhas em espanto, Khan gargalhou, achou-o mais adorável quando o ruivo mostrava-lhe a sua astucia. – De fato, a tua capacidade de argumentação é assombrosa. Agora sê uma boa joia e permanece dentro do palácio. – Dito isso o egípcio foi embora.

Rouge suspirou, aquele homem só aparecia para o destabilizar e provocar, de fato gostaria de saber o que ele teria para fazer que o manteria ocupado e longe dele. Dessa vez foi Sahib que entrou na sala de banho, trazendo toalhas limpas e a sua roupa. A criada virou-lhe as costas como sempre, para ele poder vestir-se, a túnica de mangas curtas caia-lhe sobre o corpo até á altura dos joelhos, a cor da vez era alegre e chamativa, um amarelo canário, dependendo do humor qualquer um ficaria animado só com a iluminação das cores fortes.

– Qual é o plano para hoje Sahib? Ficar no tédio não é mais uma opção. – Rouge voltava para o quarto com Sahib ao seu lado, amarrou melhor os seus cabelos, resolvera que os deixaria amarrados num coque.

– Não vai ficar no tédio, tem visitas que o esperam no quarto. – A jovem sorriu para o seu amo, as vezes ser da nobreza não compensava nem preenchia os dias vazios, trabalhar sempre era melhor do que fazer nada por horas a fio. As visitas estavam muito animadas, as primas do rei, as crianças e até Ankhesenamom estava presente, sentada numa cadeira com ar de superioridade.

As adolescentes davam gritinhos de excitamento quando o viram, correndo para ele segurando nas suas mãos e falando uma por cima da outra. – Rouge qual é o vestido que usará amanha? – Como é que se consegue um corpo desses? – Rouge sentia-se um ídolo famoso sendo abordado pelas perguntas clichés das fãs. – Vestido? O que tem amanhã?

– A festa! O aniversário do nosso primo! – O ruivo claramente que esquecera-se do aniversário de Khan, os dias passaram rápido, e ele nem sequer pensara em algo para dar de presente para ele. Uma leve aflição surgiu em Rouge, precisaria de pensar em algo rápido. – O pequeno-almoço senhor.

As garotas deixaram-no e Rouge andou para a mesa, o que aparentemente antes seria a sua comida, agora estava toda espalhada pela mesa, a pequena princesa estava divertindo-se a comer e a brincar, por isso que não correra para ele quando entrou, estava fazendo algo mais interessante.

Sentou-se na almofada ao lado dela, e beijou-lhe o topo da cabeça, Kanope querendo um beijinho sentou-se ao lado dele com a expressão de súplica no rostinho moreno. Rouge deu-lhe um beijo demorado nos cabelos, tudo isso foi feito sobre o olhar invejoso de Ankhesenamom.

– Agora eu sei que um dos motivos que Khan se apaixonou por ele está bem na nossa frente, encontrou uma mãe capaz para os filhos. – Rabiyah falava estarrecida com a cena maternal. – Muito mais carinhoso do que algumas mulheres que eu conheço. – Shameelah atirava o sarcasmo direto para a irmã mais velha.

A irmã mais velha claramente ignorou-as, só estava ali para poder apreciar e descobrir qualquer coisa que mostrasse que aquela criatura de cabeça vermelha não era tão perfeita como queria aparentar. – Onde estão as roupas de Rouge? – Mais animadas as garotas queriam ver as roupas e queriam vestir Rouge como se ele fosse uma boneca de brincar.

A criada apontara os três baús de Rouge, antes de Sahib poder chegar a eles as garotas correram até abrindo tudo sem cerimônia, a alheio a isso Rouge comia com as crianças.

.OoO.

Ventos secos e cortantes abatiam-se sobre os homens a cavalo como se os castigassem por invadirem o deserto sem permissão, de fato o deserto não era um domínio que poderia entrar-se frivolamente e quando se quisesse, era tão traiçoeiro quanto o seu dono, Seth.

Arkon ajeitou o seu turbante negro que ameaçava voar, um terreno tão insipido só poderia ser atravessado por homens destemidos e inteligentes pois as areias não permaneciam por muito tempo no mesmo sítio, sendo um cenário de movimento e transformação constante.

O oásis de Kharijah ficava a um dia e meio de Tebas, todavia para aqueles guerreiros a distância se resumiria a um dia, sem fazerem qualquer paragem eles aguentariam as advertências climáticas com a resistência inumana, que se requeria dos guerreiros sem rosto.

O intenso treino para se tornar um Medjay começava por volta dos nove anos de idade, quando o corpo infantil começaria a transformar-se com o início da puberdade aos doze. Moldar o corpo e mente de uma criança para se tornar um guerreiro e assassino era mais fácil.

O que significava que as suas mentes seriam desprovidas do crescimento natural e moldada com os princípios militares, pouco espaço para sentimentos do tipo amorosos e outros normais era nulo. Apenas o jovem general contornara essa doutrina, graças aos seus dois amigos de infância, sendo seis anos mais novo que Khan e Saludja ele fora tratado como um irmãozinho mais novo, as pessoas mais velhas estranhavam a amizade do peculiar trio.

Os três conheceram-se no palácio quando o pai de Arkon atirara-o para a escola militar com nove anos, Khan e Saludja então com quinze já se conheciam. Devido à personalidade esbanjada do Sacerdote que armava sempre alguma coisa ou provocava o caos com as criadas do palácio ou era rude com os mestres da Casa da Vida.

O príncipe sempre que podia fugia dos seus deveres reais, rejeitando a educação privada que recebia, fugindo muitas vezes pela janela da sala de estudo no segundo andar.

Os dois arruaceiros esbaravam sempre um no outro durante as suas fugas, sorrindo trapaceiros firmaram uma amizade e simpatia instantânea, um plebeu e o príncipe herdeiro, várias fugas e confusões rondaram os dois.

Cerveja e as primeiras visitas à Casa de Anuket começaram nessa mesma altura, esbanjavam todo o ouro que Khan trazia. Tenros na idade, a idade dos hormônios, Saludja e o príncipe deitavam-se com três ou quatro mulheres por noite, a juventude permitia-os a que tivessem relações sexuais sem precisarem de muito tempo para se recuperaram fisicamente, ganhando apelidos entre as prostitutas.

Deus dos três dedos, era como Saludja era reconhecido, pelo simples fato de fazer as prostitutas terem um orgasmo apenas usando as suas mãos. Khan era a reencarnação do Deus Min, a virilidade, masculinidade, o seu pênis fora venerado pelas prostitutas como uma divindade.

Ele possuía-as sem fazer os preliminares, por não saber muito bem como fazer e não querer perder tempo com isso. Prostituição não era bem vista no reino, mas as necessidades carnais eram sagradas.

.OoO.

Vestido atrás de vestido Rouge era massacrado para os experimentar, já não conseguia importar-se em ficar nu na frente das pessoas, ninguém parecia dar como importância à sua região intima, era algo tão corriqueiro que não dava para pensar nisso como algo sujo ou embaraçoso.

– As suas ancas foram modeladas como deve ser! – Uma das garotas invejava os quadris e coxas roliças e torneadas do ruivo. – Foi assim que o meu primo ficou conquistado? As pernas estão acima de qualquer beleza.

Outra comentava, ajudando-o a fazer o tecido de seda deslizar pelo corpo do ruivo, ele apenas estava fazendo a vontade das adolescentes sendo uma boneca de vestir, tão pouco estava escolhendo algo para vestir no dia seguinte.

A sua mente estava um pouco distante, pensando no que seria ideal para oferecer ao rei. – Eu não sei o que o fez o teu primo ficar conquistado. – No momento em que o conhecera já estava sendo arrastado, poder-se-ia dizer que fora amor à primeira vista pela parte do Faraó?

– Que aberração. Um homem tentando ser uma mulher, que afronta! – Ankhesenamom incapaz de conter-se, tinha que destilar o seu veneno pelo menos várias vezes ao dia, dirigiu pela primeira vez palavras para Rouge. – Khan precisa de uma mulher a sério. Vai embora perturbação odiosa.

Espantado e atordoado com tais palavras Rouge virou-se para ela, em vez de responder aos insultos à letra o ruivo remeteu-se ao silêncio e sorriu, o silêncio sempre fazia os agressores verbais ferverem por dentro por verem que as suas ofensas não tinham resposta.

Quem tomou a sua defesa e respondeu no mesmo tom de veneno fora uma das irmãs da jovem. – Guarda esse teu veneno para ti sua serpente. Khan precisa de amor e alguém que cuide dos seus filhos! E tu nunca chegarás a ser essa pessoa, se conforma em ser uma infeliz como a tua mãe.

– Essa tua inveja e ciúme te cegaram, o primo nunca te olhou nem vai olhar da maneira como tu o desejas. Guarda a monstruosidade da tua alma para ti mesmo Ankhesenamom.

Assombrado com as farpas envenenadas entre as irmãs, pensando como é que pessoas da mesma família poderiam se dar como inimigos. Não ficando atrás e porque Ankhesenamom tinha dar a palavra final e sair de cabeça erguida, dedicou um olhar mortífero para o ruivo. – Eu ainda vou ter Khan como eu o desejo.

Os olhos cristalinos não piscaram ou desviaram-se dos escuros e maliciosos da jovem, não gostou da ameaça, o seu espirito de disputa fora acendido.

– Boa sorte. – Rouge retirou o vestido revelando o corpo translucido delgado e torneado, enviando um aviso silencioso que ele não estaria em desvantagem se ela quisesse entrar em disputa pelo rei.

O ego do inglês inflamou-se, podia não estar muito certo quais as reais intenções de Khan mas pelo menos sabia que o outro estava enlouquecido por ele. Irritada pela guerra declarada pelo ruivo, Ankhesenamom saiu do quarto, esbarrando em Ramses e Rai na porta.

Os dois resolveram ir até Rouge e ficar um pouco com ele, ou melhor Khan sugerira firmemente que não podiam deixa-lo sozinho, por isso todas as pessoas passariam a fazer companhia ao ruivo. – Oh, desculpa não era intenção de ver a joia do meu irmão sem roupa. – Ramses virara as costas quando percebera o estado dele.

Rouge voltara a vestir a túnica amarela canário atrapalhadamente que Sahib lhe estendia. As risadas das garotas estridentes aumentavam o embaraço de Rouge, a personalidade dele era inconstante, num momento ele tirava a roupa e esfregava na cara de Ankhesenamom que ela não podia competir contra ele, e no outro encontrava-se embaraçado.

Rai não percebera a atitude do príncipe, ele estava farto de ver corpos despidos, pensou que o príncipe folgado estaria ficando púdico. O que seria irrisório.

– E-Eu que peço desculpa! Precisa de algo? – As bochechas de Rouge estavam rubras. Sentou-se na cadeira de vime, sentado não haveria perigo de fazer algo que aumentasse o embaraço. As primas do príncipe penduraram-se em Rai e levaram-no para uma cadeira e ficaram a encara-lo sorridentes.

– Só queria ver como o meu cunhado estaria esta manhã. – Ramses sorriu, sentou-se na cadeira ao lado de Rai, caso precisasse de salva-lo das mãos das suas primas. – Eu estou bem, eu acho. Na verdade eu precisava de um conselho seu.

Apesar da diferença de idades, Rouge mantinha a formalidade de trata-lo por ‘você’ em vez do usual ‘tu’, já que não eram da mesma camada social. O príncipe arqueou o sobrecenho ficando interessado. – Sobre o quê?

– Amanhã é o dia de aniversário do seu irmão, e eu me perguntaria o que eu poderia oferecer-lhe, alguma sugestão? – Rouge sustinha no rosto o ar de esperança que o irmão mais novo o pudesse iluminar.

Um sorriso amplo apareceu no rosto moreno de Rá. – O teu corpo é um bom presente, Khan vai adorar. – Mas era claro que se esquecera da malicia da pergunta, Rouge estava mesmo a pedir uma resposta daquelas.

''Ramses nunca vai ser púdico.’’ Rai esperava algo desse gênero do príncipe.

– Isso é um pouco complicado, não é tão fácil assim. – Rouge balbuciava a resposta sem sentido.

– Não é fácil? Hm o meu irmão bem pode dizer que não está fácil para ele, abstinência não lhe faz bem. – Divertido com a reação atrapalhada do ruivo, Ramses não conseguia parar de deixa-lo mais embaraçado.

– Primo, não macules a mente de Rouge com essa conversa inapropriada. Olha para ele, está da cor de um tomate. – A gozação das garotas era a pior, tão sem tento na língua falavam qualquer coisa.

Salvo do constrangimento pela pequena princesa, que lembrara-se que queria a sua atenção. Nadhirra tocava nas pernas de Rouge tentando subir para o colo dele.

– Mudando de assunto, por quê que a Ankhesenamom saiu daqui destilando veneno? – A insuportável prima estava cada vez mais detestável, a cada ano que vinham para a casa do tio ela parecia mais amarga.

– Ankhesenamom quer disputar Khan com Rouge. – Rabiyah, a mais nova, respondeu seriamente. Ramses ficou olhando incrédulo para ela.

– A minha irmã está ficando com a sua alma apodrecida. – Shameelah sentia pena da irmã, afogava-se a cada dia um pouco mais no poço venenoso da amargura.

– Está completamente louca, desta vez pode ser que aprenda de uma vez por todas, que nada de bom acontece a pessoas cruéis. E ela está precisando de uma boa foda para deixar de ser invejosa. – Os limites da prima estavam longe de a parar, seria bom que algo acontecesse e abrisse os olhos dela antes que fosse tarde demais.

As afirmações não receberam um aval geral, Rouge ficara com cara de quem estaria olhando para um porco andando de bicicleta, o palavreado não era mediado nem mesmo com a presença das crianças. Felizmente parecia que Nadhirra estava ocupada a mexer no cabelo dele e não estaria atenta às conversas dos adultos, já Kanope estava brincando com barro no jardim em frente á janela do quarto.

''Que boca suja.’’ Rai não abria a sua boca mas mentalmente xingava e colocava prontamente defeitos em Ramses. Relembrando-se que o príncipe não tinha relações sexuais fazia bastantes dias, o que seria de admirar ou então durante a noite ele receberia algum dos servos no seu quarto.

O grego não poderia ter a certeza disso, o que não deixava de ser curioso, pensar nisso lhe provocava vontade de vomitar, pensar que Ramses pudesse ter levado o seu comportamento leviano para aquele sítio causava-lhe uma estranha sensação de nojo.

O príncipe ficaria muito melhor se deixasse de ser cortesão, pelo menos Rai gostaria mais dele se fosse decente.

Entre mais conversas e risadas, o almoço fora servido nos aposentos de Rouge, menor que uma mesa de banquete as pessoas ficaram mais próximas umas das outras, desfrutando melhor de um almoço alegre.

Quando satisfeitos o Karkadeh fora servido, as cuidadoras vieram buscar as crianças para dormirem um pouco, ficarem agitadas depois do almoço não lhes faria bem. Depois de receberem beijos de toda a família foram com as mulheres.

A súbita curiosidade fez Rouge colocar conversa com o jovem servo silencioso. – Rai nasceu em Hélade ou em Kemet?

– Hélade, os meus pais vieram para Kemet quando eu ainda era bebê. – Os pais aventureiros resolveram desbravar os mares e assentarem na famosa terra nascida do Nilo. Crescera a ouvir histórias e a língua materna dos seus pais.

Foram humildes e o pouco que tinham era fruto do trabalho árduo dos dois, a sua mãe fora uma artesã, as cerâmicas de vidros coloridos fizeram sucesso entre as donas de casa pela singularidade de transformar uma simples bacia de barro em algo bonito e brilhante, já o seu pai trabalhara na construções faraônicas e templos, a sua força braçal era reconhecida pelos construtores e arquitetos que simpatizavam com o jovem grego.

Finalmente achando um tema que lhe interessava, Ramses agradecia mentalmente ao ruivo por fazer Rai falar sobre si. – Eles devem estar orgulhosos do seu filho, trabalhador e independente. – Rouge sabia que o garoto não devia ter mais de quinze ou dezasseis anos, estar trabalhando em vez de poder estar na Casa da Vida estudando.

– Não sei, eles não estão vivos. – E francamente Rai não conseguia ficar mais triste quando se lembrava disso, a tristeza não iria traze-los de volta. Chorara tudo quando aos oito anos se vira órfão e entregue a si mesmo, apenas ficando com a casa que os pais construíram.

Tentara fazer o trabalho forçado do seu pai mas em vão, ele era demasiado fraco para trabalhar nas construções e ainda era uma criança, esforçara-se para aprender artesanato todavia era incapaz de fazer uma bacia de barro.

Só restava trabalhos mais fáceis, encontrara um na Casa da Cerveja servindo às mesas, enchendo as canecas de todo o tipo de clientes. Não fora dos tempos mais felizes da sua vida, por quatro anos permanecera trabalhando afincadamente até que se vira forçado a sair, o que mais tarde ou cedo aconteceria.

A aparência singelamente bonita e chamativa despertaram comportamentos menos abonatórios pela parte dos homens frequentadores da casa, fora assim que ganhara a sua cicatriz. Com doze anos começara a servir nas casas dos nobres abastados em dinheiro, gula e luxuria, Rai servira bem em qualquer tarefa.

– Perdão, por vezes a minha boca é mais rápida que a minha sensatez. – Um pouco tocado, o ruivo repreendeu-se internamente, evidentemente que a morte dos pais afetavam e traziam sempre algum desconforto para os filhos, ainda mais quando a perda se dava quando se era criança.

Silencioso o príncipe baixou o olhar, sabia o que era não ter pais, mas tinha um irmão mais velho e claramente Rai não tinha nenhum. – Não se preocupe, já foi à muito tempo. – De praxe dizer aquilo mas realmente não queria que o consorte do rei sentisse pena dele, não precisava.

– E qual é o teu objetivo de vida? — A curiosidade desmedida fazia-o perguntar coisas pessoais, ruivo era intrometido porém sem maldade.

A resposta de Rai foi direta. – Trabalhar o suficiente para deixar Kemet e retornar ao país dos meus pais.

Estremecendo com as palavras de Rai, Ramses encarava o garoto com frieza, uma irritação assombrava interiormente. – Desculpem preciso fazer algo. – Levantou-se e saiu do quarto pela saída mais próxima, a janela que dava acesso ao jardim.

Sem entenderem muito bem o que acontecera, ficaram olhando uns para os outros. – Eu acho que deverias segui-lo Rai… — A garota sugeriu-lhe um tanto encantada de poder haver algo a mais entre o seu primo e serviçal.

Inapto de contestar ou de demonstrar a sua frustração abertamente, ter que fazer-se de cachorrinho do príncipe e segui-lo era cansativo, saiu por onde o príncipe cortesão saíra.

– Nós também iremos, vemo-nos no jantar Rouge, ou melhor futuro primo? – As garotas deram as últimas risadas e piadas e deixaram o ruivo sozinho com a sensação de que aquela família tinha graves problemas.

.OoO.

Khan regressara ao palácio depois de verificar os arredores, nada de anormal alertava-o de perigo, desmontou do cavalo e entregava-o a um rapaz das cavalariças. O palácio encontrava-se em um rebuliço, os criados andavam atarefados com os preparativos para o dia seguinte, cada pormenor da decoração e efeitos eram cuidados desde já.

A essa comoção misturava-se os guardas rondando todo o perímetro.

– Khan, chegou uma mensagem. – Heqet estendia-lhe o pedaço de papiro que chegara no falcão mais cedo. Khan desdobrou e leu a folha.

''Meu glorioso rei, o seu mais fiel servo está quase chegando a Mênfis nada tema, acho bom que tenha uma boa razão para ter interrompido a minha manhã animada. Assinado Saludja, O Magnifico’’ – Por mais que a situação fosse séria, Khan riu com a mensagem, Saludja sempre fora espiritoso em qualquer ocasião. Todavia o rosto sorridente do rei voltara a ficar sério. – Encontraram alguma coisa tio?

– Não, Jafir é muito perigoso, pessoas comuns nunca chegarão para fazer-lhe frente, o nosso metal contra a sua magia não nos dá muita vantagem, caso ele decida mandar mais presentes envenenados. – O mais velho preocupou-se, uma espada não seria a proteção ideal contra o bruxo.

– Eu sei, só mais por dois ou três dias vamos manter o palácio vigiado, quando regressarmos a Tebas ele não vai ter tanta liberdade. – Por isso que chamara Saludja, ele protegeria Rouge e os seus filhos, magia ataca-se somente com magia.

No palácio real havia mais sacerdotes, mesmo a ousadia de Jafir estava limitada, mesmo que ele entrasse no palácio de novo não poderia provocar grandes estragos. – Não será melhor cancelar o banquete? – Heqet inquiriu.

– Não, não vou cancelar nada, nem que ele me mande outro presente envenenado. – Khan não iria cancelar aquela noite, não iria dar o gosto de vitória a Jafir e pensar que ele iria submeter-se ao medo e limitar a sua vida.

Os dois homens adentraram no salão de refeições para comerem e beberem algo, Tathenen juntara-se a eles, acabara de chegar da cidade onde procurara saber se eventos estranhos aconteceram por lá. – Nada aconteceu por lá, fico impressionado com a persistência do traidor em perturbar-te. O que é que ele quer? – Tath sentou-se e tragou alguns goles de cerveja da sua caneca.

– Ele quer perder a cabeça. O meu erro for tê-lo deixado vivo à três anos, misericórdia nem sempre é a coisa acertada para se fazer. – A centelha da amizade dentro de Khan não permitira-lhe tirar a vida do até então amigo.

Depois de comer um pouco Khan deixara a companhia do tio e primo para ir ver os filhos.

As crianças estavam dormindo relaxadamente, afagou o rosto de Kanope e Nadhirra, colocou a boneca preferida da menina nos braços dela e ajeitou a cortina de tule que protegia a cama dos insetos.

Não passara para ver Rouge, iria sair para buscar Saludja, e fugir da tentação era uma boa opção, o sexo oral que o ruivo lhe dera aliviara-lhe um pouco mas por outro lado fizera-lhe querer mais daquela boca lasciva lhe dando satisfação.

Afastou as ideias depravadas da mente, dirigiu-se para o portão principal onde dois cavalos o esperavam, montou num e trazia outro atrás, partiu para o porto da cidade.

Os passos atrás de si apenas aumentaram o seu descontentamento. – Para de me seguir Rai. – Ramses sentara-se na grama em frente ao lago onde vários peixes de cores únicas salpicavam a superfície com as suas barbatanas.

O jovem serviçal ajoelhara-se na grama, ficando bem atrás do seu amo, não respondendo. Mesmo de costas o príncipe podia sentir a vibração provinda de Rai. Chegava a pensar que aquele sentimento estranho não era tão bom assim, era sufocante e doloroso.

Descobrir que tudo o que o outro queria era ir-se embora do Egito, deixa-lo como se nada significasse, talvez fosse isso mesmo, para Rai ele não significava nada. Essa análise fez o príncipe ficar de rastos, a falta de compreensão de Rai deixava-o confuso.

As palavras ásperas fizeram o servo enrugar a testa em apreensão, não gostara daquele tom, não percebia o motivo da atitude repentina, tinha ciência que devia dizer algo mas não sabia o quê.

A falta de tato do garoto em parte tinha a ver com a não existência de pessoas próximas que o ajudassem a desenvolverem o seu lado sentimental, não tivera os seus pais para lhe ensinar a expressar bem as emoções.

– Eu não sou bom para ti, Rai? – Ramses perguntou firmemente.

Se antes não conseguia entender o príncipe naquele instante muito menos. – Vossa Alteza é muito boa comigo.

Como a gota que transbordara o copo, Ramsés levantara-se com o rosto endurecido, ajoelhou-se na frente do garoto e empurrou-o pelos ombros fazendo-o cair na grama, ficando a escassos centímetros do rosto dele. Aprisionando o corpo dele entre a grama e o seu.

Pela primeira vez o príncipe pôde ver uma expressão que nunca vira no rosto bonito de Rai, sorriu tristemente, o outro estava aterrorizado, os olhos verdes dilataram-se e o peito subia e descia loucamente em baixo de si.

– O que eu quis dizer foi o que me falta para tu gostares de mim. -

Paralisado com o inesperado ataque do príncipe Rai não pôde deixar de se sentir assustado, a expressão de Ramsés não era amigável, o reflexo do olhar dourado não era lascivo como sempre. Os olhos que contemplavam o rosto do grego eram de um homem magoado.

– Para gostar de si? Para que quer que eu goste de si? Os seus prostitutos fazem isso muito bem. – O seu peito estava estranho, as palavras foram ditas com a intensão de magoa-lo, detestava que o fizesse sentir-se assim nervoso.

Por mais que Ramsés fosse bom consigo e que nos últimos dias tivessem conversado um pouco mais ou até rindo juntos, algo fazia Rai dar sempre um passo atrás, não era pessoa de ficar iludida com os gestos que recebia. Tudo na sua cabeça estava um caos, não queria ser um dos brinquedos do príncipe.

A tentação de provar os lábios do grego era gritante, estava bem perto apenas um movimento e poderia apoderar-se e descobrir se os lábios seriam tão sumarentos quanto pareciam ser.

Estava adorando tê-lo em baixo de si, os cabelos tocando na grama, os lábios que normalmente encontravam-se fechados numa linha inexpressiva agora achavam-se entreabertos, as bochechas tonalizadas de rosa, estava completamente adorável.

Desistindo da ideia de toca-lo um tanto por causa da forma impregnada com desprezo que Rai dirigira a ele. Levantou-se e virou-lhe as costas. – Não me sigas.

Rai permaneceu no chão por instantes, tapou o rosto com o braço para esconder as lágrimas indesejadas. – Idiota…

.OoO.

Espreguiçar-se depois de ter dormido um pouco era uma delícia, o silêncio circundante ajudara-o a cair no sono, o entardecer pintava o céu de dourado. Colocou os pés no chão e espreguiçou-se um pouco mais, nem Sahib encontrava-se por ali, ajeitou o seu cabelo recompondo a fita que os amarrava.

Saiu do quarto pensando em ir procurar os outros. Ao passar por uma esquina, uma arcada sustentada por dois pilares cilíndricos convidavam a quem quer que passasse a entrar. Vasos com plantas exóticas e várias pinturas nas paredes formavam um bonito hall de entrada, querendo apreciar as obras de arte entrou no que parecia ser um museu dentro de casa.

A galeria estendia-se por duas salas contíguas, peças de ouro, prata, cerâmicas multicoloridas, armas estrangeiras, quadros com pinturas não-egípcias e escritos hieroglíficos enchiam as paredes de mármore.

Rouge andava por entre as peças apreciando a singularidade mas algo lhe chamou a atenção uma placa de pedra preta estava exposta deitada sobre uma pequena almofada, leu o título formado por hieróglifos coloridos e bem desenhados na pedra.

– ‘’Perseguição de Seth?’’ Não me lembro disso. – Algo desconhecido era como uma galinha dos ovos de ouro para um arqueólogo, descobrir algo novo era uma excitação que somente quem trabalha com artefatos sabe o quanto é gratificante e entusiasmante descobrir algo novo. Continuou a ler.

– ‘’O deus Seth, o assassino do Deus Osíris, aquele que partiu seu corpo em vários pedaços e jogou no Rio Nilo, tentou assediar e ter, o Jovem Deus Hórus. Manter uma investida sobre um homem, era ter sobre ele, o poder, para que desta maneira, Seth mostrasse a sua capacidade de reinar perante a sucessão do poder do Deus Osíris.'' – Os primeiros hieroglifos desfilaram pelos olhos de Rouge.

''A violação de um homem é um ato de poder sobre o violado, e é nesta vertente que deve ser entendida a perseguição de Seth ao filho de Osíris. A tentativa de violação de Seth não foi bem-sucedida. No leito com o jovem Hórus, Seth acabou engolindo o sêmen do Deus Hórus, e ele é quem acabou por ter o poder sobre o Seth, assim Hórus sucedeu o poder de seu pai.’’

Rouge releu uma segunda vez verificando se não tinha interpretado mal os hieróglifos. No fim ficou de queixo caído com a informação. – Quem escreveu isto? – Procurou uma assinatura mas nenhum nome constava no escrito.

– Quer dizer que esses dois Deuses têm uma história mais além de vingança? A linha entre o amor e ódio é realmente ténue, para chegarem a se tocarem assim… Wow! – Rouge estava estasiado, precisava perguntar de onde aquela tabuleta viera ou se aquela história era realmente verídica. Um pequeno alarme soou na sua cabeça. ‘’Espera, engolir sêmen faz um homem ficar subjugado a outro permitindo ficar em seu poder? Boa Rouge, pensa por onde andaste com a tua boa ontem…’’ – Esfregou a sua testa como se aqueles pensamentos de repente pesassem toneladas, o seu rosto estava levemente quente.

Tomada pelo súbito terror, Sahib deixara cair a bandeja com o chá, encontrar o quarto do seu amo vazio quando deixara Rouge dormindo era mau presságio. Saiu desesperada pela porta sem dar conta que esbarrava em alguém, antes do embate fazê-la cair umas mãos segurou-a.

Percebendo que era o anfitrião desesperou-se. Tathenen estranhou o comportamento da jovem, estava aterrorizada. – O consorte do rei desapareceu! O quarto está vazio! – O rápido raciocínio de Tathenen demonstrava uma resposta à altura do acontecimento.

– Procura nos cômodos, salas de banho aqui perto. – Tath correu para ordenar uma busca completa ao palácio.

Khan regressava com Saludja nesse instante, a urgência do primo fez o rei franzir a testa e desmontar de imediato do seu cavalo. – Rouge desapareceu!

Gelado até á espinha, correu até ao quarto de Rouge sem dar tempo de ouvir mais alguma coisa.

– Que boas-vindas inusitadas, a princesa dos cabelos vermelhos sabe bem como deixar todos em alvoroço. – Saludja seguia Khan pelo corredor a fora, ficara a par dos acontecimentos assim que colocara o pé em terra firme.

Jafir estava começando a irrita-lo mais, a sua honra como sacerdote estava em jogo afinal de contas, o ex-sacerdote conseguia ser a serpente mais escorregadia e sabia muito bem esquivar-se dele. Todavia não sentia a presença de algum ser malévolo por perto.

A comoção que se juntou no corredor onde o quarto se localizava apenas fez o nervoso de Khan aumentar, os nervos de aço e autocontrolo que o rei tanto se orgulhava de ter estavam desabando, nos últimos meses tiveram mais sobressaltos do que em vinte e seis anos de vida. – Revirem tudo de cima a baixo! Cada buraco de entrada de ratos revistado!

Ele e Saludja entraram no quarto, o sacerdote colocou a sua mão no colchão sentindo apenas o rasto da energia de Rouge, nada na atmosfera indicava que alguém com intensões menos boas tivesse entrado ali. – Aqui não tem nada. Rouge pode estar por ai vagueando.

Incapaz de permanecer parado Khan saiu porta a fora olhando para os dois lados do corredor.

A confusão de vozes tornando o ambiente barulhento alertou Rouge, curioso para saber o que acontecera, saíra da sala museu. As costas largas do rei foi a primeira coisa que vira, aproximou-se dele alarmado, colocou uma mão no ombro dele falando aflito. – Aconteceu alguma coisa com as crianças?!

Khan virou-se rapidamente para ele, exasperado tapou o rosto com a mão tentando recompor-se.

– O que foi?! – Rouge insistia, achando que o moreno estava estranho. Um longo suspiro desesperado escapara dos lábios dele, tentou recuperar a calma antes e não ser rude com Rouge.

– Onde… onde estavas Rouge? – O ruivo sobressaltou-se pelo tom de voz grave, baixo e com uma calma enganadora, os olhos de ouro estavam semicerrados e a fronte franzida expressando tensão.

– E-eu estava naquela sala. O que aconteceu? – O nervoso estava apoderando-se dele, Khan estava mostrando-lhe um rosto que nunca vira, chegava a ser arrepiante. Nesse momento Sahib ajoelhou-se aos pés de Rouge, clamando perdão.

– Me perdoe! Não devia ter saído do seu lado! Aceitarei qualquer punição! – Não entendendo mais nada, Rouge abaixou-se e fez Sahib levantar-se. – Tudo isso é porque eu sai por minha conta?! Não era necessário um cenário de tragédia.

Cerrando os dentes, Khan pegou bruscamente no pulso do ruivo e arrastou-o para dentro da sala de onde saíra, empurrou-o contra a parede e prensou-o contra a parede fria.

Com o embate das suas costas Rouge na parede soltou um gemido de dor, os seus pulsos foram agarrados por uma mão grande e colocados acima da sua cabeça de forma violenta. Quando arriscou-se a abrir os olhos, o ruivo encontrou Khan olhando-o selvagemente.

– Eu preciso fazer-te entender muita coisa. – Atacou a boca voluptuosa sem se importar se o machucaria. Todo o corpo do inglês estremecia, era um estremecer bom e não de medo, nunca antes Khan fora violento consigo, e masoquistamente ele estava gostando da experiência.

Tentou libertar os pulsos, na terceira tentativa conseguiu libertar-se, enlaçou os braços no pescoço do rei e beijou-o com urgência enterrando as mãos nos cabelos castanhos-dourados.

Rouge estava completamente intoxicado pelas feromonas masculinas e viris do egípcio. Percebendo a mudança da sua joia, mais recetivo que alguma vez estivera, as mãos experientes conheciam bem o caminho do que o seu dono gostava, coxas e nádegas.

Apertou-as ganhando um gemido por isso, no impulso Khan elevou-o fazendo colocar as pernas do ruivo rodeando a sua cintura. A intensidade do beijo aumentava e diminuía, numa das paragens para respirarem, Rouge estava embriagado pelo corrupio de sensações. – Não tinha-me dado conta o quanto adoro os teus beijos. – A voz plena de sinceridade e rouca de excitamento, era tal o calor de dentro do seu peito que não conseguia guardar mais essas coisas para si.

As pontas dos dedos pálidos tocaram nos lábios másculos do rei. A risada nasalada fez o rei ficar mais erótico aos olhos do ruivo. Khan puxou-o pela nuca encostando os lábios. – Ver-te receptivo e compreenderes que eu sou o único homem a tocar-te me deixa louco.

Os lábios voltaram a dançar freneticamente.

– Tudo não passou de um mal-entendido, e agora estou com sede, onde tem cerveja por aqui? – Saludja agora percebia por que fora chamado, coração de homem apaixonado era ansioso e difícil de aquietar, sabia muito bem isso por experiencia própria.

.OoO.

Exatamente como planeado chegaram ao oásis de Kharijah ao cair da noite. A presença da Tribo do Escorpião alastrava-se por uns bons quilômetros, tendas, camelos, cavalos e tudo o que fazia parte da vida nómada estava ali.

Arkon desmontara do seu cavalo e tirara o seu turbante, e sem ficar surpreendido no instante que se virava, uns lábios tocavam nos seus, Nehken o cumprimentava assim desde novos.

O ato já estava tão banalizado que o general não perdia saliva a repreender o amigo de infância. – Quando é que vais largar o sacerdote bonitinho com personalidade de gata prenha e ficar comigo? – Nehken adorava xingar e implicar com Saludja desde do primeiro dia em que colocara os olhos naquele cabelo alaranjado pela primeira vez. E um homem não poderia perder a esperança.

– Nunca. Saludja não é uma gata prenha. – Por mais interiormente achasse hilário as farpas de Nehken, Arkon não iria rir do seu homem. O líder da tribo sabia muito bem que Saludja não era pessoa para brincar quando ele se descontrolava um pouquinho que seja.

O que controlava o poder que o sacerdote tinha em mãos era a sua personalidade indulgente e amistosa, o caminho do bom uso do seu dom estava bem trilhado.

– E pensar que poderia ter a sorte das divindades do meu lado. Mas parece que não. – O falso esmorecimento do homem não impedira de colar os lábios de novo. Arkon deu-lhe um soco no estomago. – Vamos tratar do que interessa?

– Ouch! Lindo e perigoso, adoro. — Nehken massageou o abdómen dolorido, um soco de Arkon doía bastante e ele nunca se acostumava com essa dor.

– Vários falcões nossos estão desaparecendo com mais frequência quando sobrevoam os desfiladeiros a sul.

– Falcões? Oferendas a Seth. – Os desfiladeiros do sul precisariam ser batidos de pedra a pedra o mais rápido possível. – Vamos, tu e os teus homens precisam comer e descansar. Depois podemos ir atrás do louco.

Sem discordar Arkon seguiu para a tenda a qual seria a sua casa provisória pelos próximos tempos.

Notas finais
Haverá mais 2 capítulos para encerrar a viagem. Depois disso vou fazer um especial Saludja x Arkon , Ramsés e Rai dedicado á Miss Black, Yuu e á Thamy por ter sido o 100º comentário.Espero que tenham gostado. A foto mostra um verdadeiro Oásis no meio do deserto ;) Casa da Cerveja era mesmo o nome lá da taberna dos bêbados epcícios HSAUSHA bem vulgar né? xD Os hieroglifos da imagens é apenas ilustrativo, não condiz com o que é a mensagem.Recentemente fiz uma página muito gay no facebook para postar coisas dos personagens de todas as minhas fics lá, estou certa que irei usar para avisar das postagens ou quando eu sumir de novo, avisarei lá, como é a rede social que utilizo mais e tal. Ou quem quiser perguntar algo que se esqueceu pode ir lá. Quem quiser curtir https://www.facebook.com/pages/Hist%C3%B3rias-da-Sofia/290354954435160Beijos !