Névoa
5 Capítulo IV - A gincana
Cheguei a escola no momento em que sorteavam os grupos, sem muito ânimo procurei me juntar a uma garota chamada Ami e um rapaz chamado Masaomi. Logo outras pessoas foram lotando o grupo e uma sensação de enjoo tomou conta de meu estomago.
Uma doce brisa passou por minha franja me fazendo fechar os olhos, ao abri-los, vi um vulto me observar por detrás de um pilar.
— Kyoya... — Resmunguei baixinho.
Só então me lembrei de que no dia anterior mal tivera tempo de utilizar o mapa, uma reunião havia sido feita na casa do Chefe e só então o mapa estava guardado no bolso exterior de minha bolsa.
— Então galera, é o seguinte...
Enquanto o líder de nosso time explicava a estratégia para vencer os 3 desafios, eu remexia em minha bolsa a procura do papel tão precioso.
— Ei! Menina nova! — Rapidamente me virei.
— Você não acha que vai ficar para não é? — O menino disse em um tom de superioridade.
— Eu não me sinto bem — disse com uma voz baixa colocando a mão na barriga.
— Pobrezinha! — A menina chamada Ami disse.
— Hunf, pelo menos não vai atrapalhar! Pode ir para a enfermaria.
Assenti e me virei caminhando para dentro da escola, um sorriso brotou em meu rosto, olhei em volta e então abri o mapa.
Fiquei fascinada com tantos mistérios e segredos que envolviam aquele local que a vista da maioria parecia ser mais uma academia de ensino.
Junto com as imagens, haviam descrições dos cômodos, como sua história, o que se fazia entre outros.
Um espaço em especial me chamou a atenção, ao que parecia ficava perto do telhado e havia uma ótima vista.
A sua história não havia sido preenchida, apenas havia o desenho de uma flor de lótus.
Me familiarizei com aquela imagem e comecei a traçar o percurso por qual deveria passar.
Depois de pouco mais de meia hora andando, subindo, escalando, descendo e praticamente me encolhendo cheguei ao meu destino.
A sala que era pequena e tinha apenas um piano e velhos cenários de teatro como uma lua enorme, tinha um cheiro de velho, que se misturava com minhas lembranças que começavam a aparecer.
Me aproximei da janela, que mais estava para sacada, e fechei os olhos apreciando uma leve brisa que tomava conta do meu corpo, junto com o doce aroma de algumas flores ao redor.
— Porque não ficaria surpreso em vê-la justo nesse lugar?
A voz imponente e ao mesmo tempo rouca me fez virar e dar de cara com olhos... Olhos que não poderiam ser caracterizado se não olhos de Hibari Kyoya.
— Porque essa sala não tem “história”?
Ouvi uma risada se aproximando e só então sento seu gélido corpo se aproximar.
— Essa sala não tem “história” como as outras, ela não tem nada de anormal, nem mesmo uma magia, ela não está preenchida porque era a sala de minha mãe.
Meus olhos se arregalaram e não pude evitar de olhá-lo indignada e ao mesmo tempo curiosa.
— Eu a morderia até a morte, porém não quero que mais ninguém morra aqui.
Só então associações começaram a ser feitas em minha mente, o fato de a lacuna “história” estar em branco, o fato de haver uma flor de lótus, e o fato de haver coisas bastante femininas ao redor.
— O que sua mãe fazia nessa sala?
Ouvi um suspiro e vi a imagem do japonês se encostar-se a uma das paredes.
— Ela dava aula de pianos para alguns alunos e colegas. Assim como também era encarregada do teatro.
Lembrei, de alguns comentário de que os participantes do Teatro não podiam mexer nas roupas dos camarins, as roupas deveriam ser compradas por eles, assim como o cenário também.
— Agora, o que te trouxe aqui?
A pergunta me pegou totalmente desprevenida me fazendo corar, não sei o porquê.
— Eu não sei.
— Você é tão estúpida assim?
Pisquei sem entender.
— Não sabe nem o motivo de estar aqui. Tenho pena.
Sua figura logo desapareceu de meus olhos, só ouvi o barulho da porta se fechando.
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