Névoa
6 Capítulo V - O baile de última hora
— Haverá um baile, como todos já sabem, o famoso baile de máscaras será feito no salão, amanhã à noite. — O mesmo homem dos recados disse, desta vez com um sorriso.
Os alunos festejaram felizes, sem alegria eu apenas olhei a janela lembrando das palavras de um certo guardião.
As aulas passaram rapidamente, o intervalo passei ao lado do Chefe.
— Me desculpe Chrome-chan! Eu deveria ter lhe avisado! É que esse baile nunca foi importante pra mim! Mas nossa! — Ele dizia envergonhado, mas com total sinceridade.
— As meninas são loucas, elas passam a tarde inteira se arrumando, muitas vezes nem vem à aula, tudo por causa de um estúpido baile, com uma música medíocre, roupas elegantes e bebidas sem álcool. Tão idiota.
— Calma Gokudera! Até que é legal o baile! Afinal, ele é feito para nos divertimos não? — Yamamoto disse com um de seus sorrisos largos.
— Tsc, para um idiota como você claro que é divertido! É só te dar um taco e lançar uma bola que você já fica que nem um retardado! Cabeça oca! — Gokudera retrucou como resposta.
— Ei, parem! Gente não vamos brigar enquanto comemos ok?
Caminhei até a sacada, um dos poucos lugares que me deixavam feliz na escola era o telhado, e uma das poucas companhias que gostava era a do Chefe.
Não sei o porque, mas há algo em seu olhar, ele parece saber de tudo que ocorre com cada um de seus guardiões, mas ele guarda tudo em silencio, mesmo assim sua preocupação é de se admirar.
— Bem, você vai ao baile não é Chrome-chan?
Hesitei.
— Não sei.
— Oh sim... Seria bem legal se você fosse! Mesmo sem um par sabe! Eu mesmo nunca tive um! — O Chefe disse um pouco envergonhado enquanto mexia em seu cabelo.
— Oh... Nesse caso... Talvez eu pense.
Pude ver um sorriso em seu rosto e um olhar que me acalmava. Quem sabe ir não poderia ser uma boa ideia?
~~
Um pouco depois de acabar as aulas acabei por seguir para meu mais novo esconderijo, lá passei a tarde inteira refletindo, relembrando e sofrendo por dentro.
Agora que a guerra acabou comigo
Eu estou acordando, eu não posso ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor
Algumas frases simplesmente não saiam de minha cabeça, alguns erros, algumas escolhas, alguns olhares.
O mundo estava confuso, primeiro, Mukuro-sama, meu mestre, meu Deus, meu pai, meu... amor?
Depois o Chefe, sempre com aquele sorriso bobo e aqueles olhos carinhosos e ao mesmo tempo preocupados. Ele sempre me apoiou e tentou me deixar o mais confortável possível.
E agora... Aqueles olhos negros... Que tinham um fundo de semelhança com os meus.
Aqueles olhos carregavam força, terror, fúria, vingança, ódio e medo.
— Hibari-san... — Suspirei em um tom baixo.
— Vejo que permaneço até em seus pensamentos.
Virei-me envergonhada e observei a figura em que não conseguia parar de pensar.
— Yo... O que faz aqui?
— Eu é que deveria perguntar, esse lugar sempre foi e sempre será meu, nãos e esqueça que posso tomá-lo de você à qualquer momento. — Disse frio.
Meu coração se apertou com as palavras e seus olhos pareceram notar isso.
— Mas não será agora que farei isso. — Ele se aproximou da janela e virou me encarando.
Sua pele agora estava sendo iluminada pelo sol, pude ver a cor Marfim começar a brilhar e seus cabelos começarem a se embaraçar com o vento.
— Eu só queria saber se iria ao baile.
— Eu irei. Talvez.
O silencio tomou conta do espaço.
— Você irá também, certo?
— Sim. Afinal esses vândalos podem destruir minha querida escola à qualquer momento. — Ele apontou para baixo onde dois garotos brincavam perto de uma sala de aula. — Nos vemos.
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