Notas iniciais
Olá, povo do Nyah. Como vocês estão? Eu espero que bem. Tenho duas coisas para dizer nas notas hoje. A primeira é: Eu falei que ia postar em três dias e acabei postando em 7. I’m so sorry. É que eu esqueci que nessa semana de provas tinha física e álgebra. E eu sou de humanas gente. Então até podem imaginar quão desesperada eu fiquei hahahaha Mas a próxima semana já é minha última de aulas e depois...liberdade! Férias! E eu tenho certeza que os capítulos virão bem melhores e bem mais rapidamente. A segunda coisa: Eu estava planejando postar esse capítulo apenas no domingo, mas meu coração ficou apertado com o que aconteceu nessa sexta-feira, 13, em Paris. Então eu quero dizer que nossos corações estão todos com as pessoas na França. As que se foram, as que ainda estão lá com medo e as que perderam alguém. E não só em Paris, mas em Minas Gerais também. Aconteceram coisas horríveis em Minas e a mídia não se importou tanto em divulgar devido a ganância de certas pessoas. Mas nossos corações estão com as pessoas que, nessa tragédia, se foram, as que estão lá com medo, as que perderam tudo e as que perderam alguém. E como eu acho que a leitura, a literatura, tem muito a ver com sentimentos, quero pedir que todos que possam, ajudem de alguma forma essas pessoas. Doando dinheiro, roupas, alimentos ou até orações sinceras. Eu vou tentar fazer o possível. Posso ser otimista demais, mas eu realmente acredito que juntos podemos fazer do mundo um lugar melhor. Espero que vocês estejam bem e gostem do capítulo. Mesmo que o capítulo não esteja perfeito já que não sou boa com começos Hahahahaha Beijo beijo ;)

Eu acho que a única coisa que me difere das outras 85 garotas que estudam no 9° ano da Escola América é a minha altura. Eu tenho 15 anos e exatamente 1, 80 m. Além de ser mais velha, eu sou quase um gigante perto da maioria das delas. Por isso mesmo, os apelidinhos vieram desde cedo : Gigante, girafa, poste de luz, arranha-céu, escada de bombeiro e por aí vai.

Sendo sincera, eu nunca me ofendi com nenhum desses apelidos. As pessoas que os usavam contra mim não são terroristas, vilões ou algo do tipo. Só eram incrivelmente desocupados e estavam tão entediados quanto eu numa aula de matemática.

Uma das únicas pessoas mais altas que eu no meu círculo social é o Matheus. Ele tem 1, 85 m. É o meu melhor amigo e o cara que eu sou apaixonada desde os 10 anos, não que isso seja muito relevante. Apesar de que, eu gosto dele há um terço da minha vida (parece que estou finalmente entendendo frações) e isso é muito já que eu tenho só 15 anos. Correto?

A Lívia, minha melhor amiga, tem 1,56 m e 14 anos de idade. Uma vez eu dei um tapa na cara dela quando fui mexer o braço, gesticulando sobre alguma história do meu primo( vou poupar vocês de falar sobre ele agora) . Foi sem querer, mas bem engraçado. Coitada dela que ficou com a bochecha vermelha e coitada de mim que sofreu de chantagens emocionais por dois meses depois disso.

Fora a minha altura, não tem nada muito importante sobre o meu físico para dizer. Eu tenho cabelo cacheado longo (mas não aquele cacheado bonito estilo a Taís Araújo, cacheado do tipo se não sabe se é enrolado ou liso mesmo), eu não sou extremamente magra nem muito acima do peso. Olhos verdes, a propósito. Já dá para você me imaginar como eu sou.

Mas se quiser me imaginar como alguém gostosa ai pra você, eu também não tenho nada contra.

(...)

–Nina... – três batidas na porta – Nina... – mais três batidas na porta – Nina... Levanta, porra!

–Rodrigo Carlos Santos, olha o palavreado, menino!

–Tá, desculpa Maria.

Virei-me para o outro lado da cama, passando o braço por debaixo do travesseiro. Resmunguei alguma coisa sem nexo. Era domingo de manhã, poxa. Será que nem de domingo eles conseguem calar a boca e me deixar dormir?

–Nina, pelo amor de Deus! Já são 6 e 50. Se em quinze minutos você não estiver sentada no banco do carro, eu te abandono aqui e não vou perder um minuto do meu sono por causa disso.

Então eu ouvi passos se afastando do meu quarto e presumi que o meu primo querido já havia me deixado em paz. Finalmente. Mas porque ele tinha me acordado as 06h50min num domingo? Ele nunca acorda antes do meio dia de final de semana.

Rolei para o outro lado e liguei o celular só para conferir a hora.

9 de Novembro de 2015,Segunda-feira,6:52.

Segunda-feira.

Ai, merda.

Joguei as cobertas para o lado e pulei da cama com tanta pressa que até esqueci do meu tornozelo machucado do final de semana anterior. Mas eu não tinha tempo nem de sentir dor. Tinha a última prova de geografia do ano na primeira aula.

Fui correndo para o meu banheiro (a única vantagem de ser a única adolescente do sexo feminino morando em uma casa com outros dois adolescentes do sexo masculino é ter um banheiro só para você. Por mais minúsculo e bagunçado que seja) e nem considerei tomar um banho. Fiz minha higiene, me troquei como um furacão, arrumei o cabelo em forma de rabo de cavalo e passei um gloss transparente.

Dei uma rápida olhada no espelho só para checar minha aparência. Eu estava okay. Nenhuma agência de modelos ia me dar um cartãozinho no meio da rua, mas nenhuma criança ia me ver e ir chorar para a mãe. Esse era o máximo que eu conseguia fazer em sete minutos.

Coloquei meu All Star azul, demorando muito tempo no pé esquerdo por causa do tornozelo machucado. Chequei no celular depois. Eu ainda tinha dois minutos.

Peguei a mochila, o fone e o celular e saí correndo. Desci as escadas de dois em dois degraus. Maria ( depois eu falo sobre ela com calma) estava sentada na mesa resolvendo palavras cruzadas. Ela disse sem nem sequer levantar o olhar:

–Bom dia, Nina.

Respondi algo similar com um “bom dia” enquanto pegava alguma coisa no armário da cozinha que serviria como lanche na hora do intervalo. Guardei na mochila com cuidado.

Peguei uma maçã na fruteira e sentei-me à mesa para comer. Dei a primeira mordida.

–Eles já estão lá fora te esperando –Maria disse.

Revirei os olhos. Custava ter falado antes de eu sentar?

Saí correndo da cozinha sem nem dar tchau, lembrando apenas de pegar as chaves de casa antes de passar na porta.

Meu primo já estava sentado no banco do motorista mexendo no rádio e meu irmão mais novo já tinha se apoderado do banco do passageiro. Eles não conversavam ente si e não disseram uma única palavra quando entrei no carro. Apenas fomos embora.

Coloquei os fones de ouvido. Ficamos provavelmente uns cinco minutos sem nenhum som além do rádio.

–Nina, eu vou sair com a Amanda hoje, então não vai dar pra te levar no inglês, tá? Você pode ir a pé? – Meu primo perguntou. O nome dele é Rodrigo. Só para esclarecer.

A coisa mais importante para dizer sobre o Rodrigo é que ele é um gato. Muito, muito gato. Se eu fosse um pouco menos contra ter relações amorosas com pessoas do mesmo sangue, eu pegava ele. O Rodrigo tem mais de um metro e noventa, é forte, tem olhos azuis e uns cabelos loiros que nunca estão arrumados. E tem 18 anos.

E, bem, o fato dele ser muito gato não é o mais importante para falar sobre ele, sendo sincera.

Uns sete anos antes, quando eu tinha oito anos, o carro dos meus tios capotou numa estrada. O Rodrigo acabou sobrevivendo, mas nenhum dos meus tios conseguiu. Eles morreram naquele dia. Foi horrível. Eu não gosto nem de lembrar do velório, da minha mãe chorando desesperadamente, da hora que eu recebi a noticia...acho que foi a pior semana de toda minha vida.

Como a minha irmã mais velha tinha acabado de sair para a faculdade, tínhamos um quarto sobrando na casa e o Rodrigo veio ficar com a gente. Nós morávamos na mesma cidade, então éramos a opção mais clara de quem ele deveria ficar. O Rô continuou frequentando a mesma escola, o mesmo clube, o mesmo cursinho de inglês... Ele só não tinha mais pais.

Eu sei que isso é horrível. Eu sinto tanta falta dos meus tios que as vezes dói. Mas as vezes eu gosto de pensar nas coisas pelo lado positivo. E o lado positivo foi que eu ganhei mais um irmão. O Rodrigo é uma peste, mas eu amo ele. E não que eu precisasse de mais um irmão para encher o meu saco, já que eu já tinha outro três meninos... Mas vocês entenderam o que eu quis dizer.

– Você vai sair com a Amanda? –Meu irmão mais novo, Lucas, perguntou – A gostosa?

Lucas, Lucas... Ele é o mais novo de 7 filhos. Oito, se contarmos o Rodrigo. Eu realmente não sei qual a graça que a minha mãe vê em ter um filho a cada um ano e meio, de verdade. Eu acho que a graça está no que acontece antes da gravidez, se é que vocês me entendem. Meus pais realmente devem se divertir muito fazendo sexo sem camisinha.

Mas vamos voltar a falar do Lucas. O Lucas é tão bonito quanto um menino de 12 anos consegue ser. Todos meus irmãos e irmãs são lindos, só eu saí estranha. Ele tem um metro e sessenta e nove, olhos verdes ( que nem os meus) e cabelos bem pretinhos. Ele parece um boneco, as vezes. Dá até vontade de apertar. Não que ele goste disso.

– E você já tem idade para falar assim de uma garota, pirralho? – perguntei, irritando-o.

–Do mesmo jeito que você tem idade para ficar se agarrando com o Ben na festa da Samira – ele me respondeu.

Meu queixo quase foi parar no chão. Como é que ele sabia disso?

– Quem é Ben? – Rodrigo me perguntou com uma voz um pouquinho carregada.

Eu realmente não estava a fim de lidar com ciúmes de irmão mais velho.

E não é como se eu tivesse feito grande coisa com o Ben. Isso tinha sido uns três meses atrás e foi meu primeiro beijo. Não tinha sido a melhor coisa do mundo, vamos combinar.

E como o Lucas sabia disso?

– Ninguém – respondi, sabendo que o Rodrigo não ia insistir muito.

Lucas deu uma risadinha irônica no banco da frente eu prontamente ignorei. Eu era muito boa nisso. Aperfeiçoei principalmente no único ano da minha vida que todos os meus irmãos e irmãs viveram na mesma casa ao mesmo tempo. Ano difícil, tempos sombrios. Não há como negar.

(...)

–Mas, vai, puta que pariu, que diabos de professor de geografia pergunta qual é a capital da Rússia valendo meio ponto? Porra. A gente tá estudando a África esse semestre!

Eu estava quase dormindo em cima da carteira enquanto a Lívia reclamava sobre a prova. Não que ela tivesse percebido isso. Mas eu simplesmente estava desabando. Era a última aula do dia e ela ainda estava falando sobre a maldita prova que nós fizemos na primeira.

Que, para constar, eu fui incrivelmente mal.

Eu tenho que lembrar de esconder o boletim da minha mãe quando a escola enviar por correio no encerramento do ano letivo.

– Nina, você tá me ouvindo?

–Tô, sim.

Levantei a cabeça e esfreguei os olhos, tentando acordar. A professora de Ciências tinha dado aula livre, enquanto ela corrigia as provas. A maioria dos meus colegas estava sentados pelo chão da sala, conversando, jogando Uno ou simplesmente existindo.

Lívia me encarava com uma sobrancelha levantada. Parei para observá-la. Sempre senti um pouco de inveja – inveja branca, ela é minha melhor amiga – da aparência dela. Lívia é baixinha, mas tem cabelos lisos e castanhos que vão até a bunda, unhas impecavelmente feitas, um corpo ótimo e olhos azuis. O que mais um ser humano poderia querer?

– Você dormiu pelo menos essa noite? Sua cara tá pior que o mendigo aqui da frente. Aquele que a tiazinha da limpeza vive dando vassourada porque ele passa mão na bunda das alunas, sabe?

– Por Deus, Lívia, nem me lembra disso.

– Ele parecia bem interessado em você esses dias,né? Tá arrasando corações, amiga.

Dei um tapa na cabeça dela. Que nojo.

Lívia continuou rindo da minha cara enquanto eu revirava os olhos, tentando não pensar naquele mendigo tarado que morava na frente da nossa escola. Mas é um pouco difícil. A coisa toda sobre o Carlos( o nome do cara. Ou como a gente o apelidou, pois ele realmente parece uma versão careca do nosso professor de física) é que quando você começa a pensar nele, não da mais para parar. Aí você só fica, basicamente, com vontade de vomitar.

– Livia...oi. Tudo bem?

Eu estava deitada em cima da carteira, mas sabia quem era.Matheus. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Levantei meu olhar e sorri. Matheus. Meu melhor amigo desde sempre e o cara pelo qual eu sou secretamente apaixonada( só a Lívia sabe do meu amor ) desde os meus dez anos de idade. Ele é bem alto e tem cabelo loiro. Além de olhos azuis e um sorriso “derrete pernas”. Ele é tipo...perfeito. Eu nem sei descrever direito, daquele jeito bonito que as garotas da minha idade fazem. Só posso dizer que, o quão incrível vocês conseguem imaginar ele, tenham certeza que o Matheus é três vezes mais.

Mas ele parecia nem ter me notado. Só encarava a Lívia com um olha engraçado e a minha amiga parecia estar morta de vergonha.

Matheus estava estralando os dedos da mãos constantemente, o que indicava nervosismo. Ele encarava Lívia bem intensamente, enquanto a mesma olhava para qualquer lugar, menos para ele.

Que estranho.

– Oi Mat! – falei, com um grande sorriso no rosto.

– Oi – ele nem olhou pra mim.

Ai, essa doeu.

– Livia, você viu a mensagem que eu te mandei ontem no whatsapp? – ele sussurrou alto demais.

– Sim, eu vi.

Eu comecei a fingir que estava mexendo no meu celular para dar a eles um pouco de privacidade.

– Então você sabe que e...

– A resposta é não, Matheus.

– Mas... – ele parecia magoado – porque?

– Você sabe muito bem porque.

– Não, eu não sei, não faz sentido , Livia. Eu só...

Será que eles realmente não tinham percebido que ambos estavam quase gritando?

Não que todos os xeretas da minha sala se importassem com os gritos. Eles estavam bem interessados em um barraco ou coisa do tipo. Um bando de sem nada pra fazer.

E eu também estava um pouco curiosa sobre o que eles estavam falando. Bem curiosa, na verdade. Eu tinha uma sugestão sobre o que era mas....não, não podia ser isso. Não era isso. Não podia ser. Era só um chute idiota.

Matheus tentou encostar no braço da minha amiga, dizendo alguma coisa, mas ela recuou, me olhando assusta.

E, bem naquela hora, eu senti um aperto gigante no coração, como se alguém o tivesse arrancado de dentro do meu peito e começasse a dar beliscões nele todo. Com intenções de machucar gravemente, mas não ferir. Beliscões não doem. Não ainda.

Minha respiração estava presa, eu só conseguia concentrar toda minha atenção neles dois e no que eles iam falar.

Não podia ser isso... Não, não podia. Por favor, meu Deus. Eu não estava pronta para ter que lidar com um coração partido. Não aquela hora.

Mas corações partidos nunca vem quando esperamos e eu aprendi isso naquele dia, Leitor. Eles são como chuvas de verão. Uma hora o sol está brilhando completamente no céu e na outra você está correndo para casa, procurando abrigo.

A Livia me encarou. Com aquele olhar. Olhar de conselheira, de melhor amiga, de preocupação.Olhar de quem sabe da minha paixão pelo mesmo menino há cinco anos e sabe que eu vou passar o próximo final de semana chorando.É, foi bem naquela hora que eu tive certeza.

Naquela hora, começou a chover e eu tive que ir correndo para casa procurar por abrigo.

Leitor, só para você ter noção, toda essa cena durou aproximadamente uns dez minutos. Eu fiquei dez minutos sofrendo e eles ficaram dez minutos discutindo. Eu poderia descrever com mais detalhes aquele dia, para vocês não acharem que as coisas foram assim tão rápidas. Mas eu não consigo, sinto muito. Qualquer um que teve um coração partido, sabe como dói falar sobre isso.

E quando as palavras saíram da boca do Matheus, uma tempestade de dor ( nossa, isso é um cichê enorme até para mim) já tinha começado dentro de mim.

– Eu estou apaixonada por você, Livia.

Eu acho que o Matheus gritou meu nome quando percebeu o que estava acontecendo. Eu também acho que a Livia tentou me seguir, mas ela nunca foi assim tão rápida que nem eu.

Ah, leitor, você até já sabe o que eu fiz. Bem típico de mocinha de filme adolescente, eu sei. Não me orgulho disso. Mas foi a primeira reação que meu corpo teve.Correr. Correr o mais rápido que eu consegui, para o mais longe possível.

Os portões da escola já tinham aberto e passei por eles sem nem mostrar minha carteirinha. Eu não podia esperar. Eu só precisava ir o mais longe possível.

(...)

Eu não sei aonde eu fui parar, nem como consegui tanto fôlego para correr tanto. Eu só sei que peguei o primeiro ônibus que passou em frente ao ponto, depois de correr feito uma louca pela Avenida Gomes inteira.

Eu deveria ter pensado que aquele ônibus ia para o fim do mundo, já que era horário de pico e praticamente ninguém estava ali. Só eu e uma senhorinha. Mas eu estava chorando tanto naquela hora que o perigo nem sequer passou pela minha cabeça. Patética, eu sei.

Eu fiquei lá, no último banco, encostando a cabeça na janela por um tempo. Uma hora – ou três – passou e resolvi descer. Era uma praça bonita, cheia de árvores, flores e coisas desse tipo. Algumas pessoas caminhavam na pista de corrida e outras faziam piqueniques na grama.

Okay. Era um ótimo lugar para ficar depressiva por algum tempo.

Respirei o ar puro daquele lugar e senti as lagrimas vindo

Mas não, eu não ia chorar. Não ainda.

Com muita calma, segui algumas plaquinhas de madeira que me levaram em direção do banheiro do parque. Não era lá um local muito cheiroso ou bonito, mas eu já tinha visto piores. E sinceramente, eu tinha várias outras cosias na cabeça.

Fiz um rabo de cavalo mal feito, molhando um pouco os cabelos com a água da pia. Tirei a minha jaqueta e amarrei na cintura. Estava calor ali dentro.

Ouvi o bipe do celular e coloquei minha mão dentro do meu bolso. Eu não iria responder nenhuma mensagem, mas estava curiosa para ler.

5 chamadas perdidas. Duas de Livia, uma de Maria e duas de Mãe.

Droga. Todo mundo já deve ter notado meu sumiço.

Abri o whatsapp.

40 mensagens de 7 conversas.

Livia:

NINA! (13:28)

Me responde amiga, por favor. Eu posso explicar tudo. Mas por favor, por favor, não some desse jeito. (13:28)

Me liga quando puder! ( 13:28)

Nina, pelo amor de Deus, sua mãe acabou de me ligar desesperada. AONDE VOCÊ ESTÁ??? (16:12)

Nina, eu sei eu você está magoada, mas pare de ser uma VADIA! Todo mundo tá te procurando. ( 16:45)

Até o Matheus. (16:45)

Matheus

Nina, nós precisamos conversar. ( 13:00)

Vai ficar tudo bem, eu juro. (13:01)

Onde você está??? ( 16:15)

Tá todo mundo preocupado com você! (16:15)

Mãe

NINA (15:00)

Você está muito, mas muito encrencada quando chegar em casa. (15:00)

Onde está? ( 15:00)

E as mensagens continuavam nesse nível. Pelo amor de Deus, até minha irmã mais velha me mandou mensagem!

Guardei o celular no bolso do casaco.

Apoiei as duas mãos na pia e me aproximei do espelho. Minha aparência era terrível: Meus olhos estavam inchados, as bochechas estavam vermelhas, minha boca tinha várias feridas e parecia que eu tinha acabado de correr uma maratona de tanto que suava.

Mas quer saber, dane-se.

– A minha vida tá arruinada. Meu bom Deus. Quando chegar em casa, a mãe vai me matar e colocar minha cabeça a venda. Todo mundo na escola deve tá sabendo que eu gosto do Matheus...tô morta. É isso. Tipo definitivo. Eu mesma vou me matar –comecei a resmungar sozinha para o espelho.

– Eu não lembrava o quando você conseguia ser dramática, Severina.

Me virei com o susto. Quem diabos me chamava de Severina?

Era uma mulher alta, loira, com um pedaço de madeira na mão e...aquilo que ela vestia era uma saia de tule?

Eu devia estra vendo coisa, mesmo.

– Quem é voc...

– Sinto muito por isto. Mas é extremamente necessário.

Ela fez algum movimento esquisito com aquele pedaço de madeira na mão e, eu juro Leitor, aquilo é a última coisa que eu consigo me lembrar antes de tudo ter ficado preto.

Ou melhor:Antes de tudo ter ficado rosa.