Notas iniciais
Ooie gente Como vocês estão? Eu estou extremamente bem!Sabe o por que? FÉRIASS... Vou colocar em dia todas as séries, livros... e postar muitos capítulos aqui no Nyah. Nessa história e na outra que eu criei ontem hahahahaha Ai Deus, vou ficar atolada. Mas enfim, não tenho muito a falar. Aqui vai o segundo capítulo. Espero que vocês gostem e espero ver vocês nos comentários.

A primeira coisa que passou na minha cabeça foi “Merda, morri”.

Mas, Leitor, não me culpe por pensar isso. A minha situação no momento era, no mínimo, estranha. Recapitulando: Eu estava chorando feito louca no banheiro em uma praça que ficava no fim do mundo porque o meu melhor amigo, pelo qual sou apaixonada há um terço da minha via, se declarou para a minha outra melhor amiga, que é lésbica, na frente de toda a nossa sala de aula. Uma mulher com saia de tule apareceu, com um pedaço de madeira na mão, disse alguma coisa e logo depois eu desmaiei.

Isso não acontece todo dia.

E, pensando bem, aquele pedaço de madeira poderia muito bem ser um arma e ela poderia ter dado um tiro bem no meio da minha testa. Afinal, eu não estava emocionalmente estável no momento. Poderia ter visto qualquer coisa.

E, pelo amor de Deus, eu não queria morrer no meio de um banheiro fedorento.

– Pare de drama, Severina. Você não está morta. Está só...momentaneamente apagada, ou indisponível.

Abri os olhos. Foi como voltara vida e levantar de um caixão.

Mas eu não estava em um cemitério. Parecia mais como um vale ou algo do tipo. Eu estava deitada em uma grama bem verde e macia, com o sol brilhando no céu extremamente azul. Não conseguia ver prédio ou casas além no horizonte, era apenas grama e mais grama até onde meus olhos alcançavam.

Era assim o Paraíso? Ou, quem sabe, o Inferno. Nunca se sabe, melhor não tirar conclusões precipitadas.

Levantei o tronco, me sentindo ainda meio tonta. Meus olhos conseguiam ver, mas eu ainda não conseguia processar o que eu estava vendo. Minha concentração momentânea estava completamente no ar puro que entrava pelos pulmões e no vento suave tocando meu rosto.

Eu tinha uma leve sensação de já conhecer aquele lugar.

– Estamos na sua cabeça, Severina. Provavelmente, todas as coisas por aqui serão do seu agrado e conhecimento.

Nessa hora, eu “acordei pra vida”.

Na minha frente, estava a mesma mulher que eu havia visto antes de desmaiar. Ela estava igualzinha, mas naquela hora eu pude observá-la com cuidado. Ela tinha cabelos rosas longos que iam até a bunda, olhos rosa cintilantes e usava uma saia de tule. Rosa.

Eu nunca tinha visto tanto rosa junto.

Seus olhos me encaravam de uma forma quase maternal, mesmo que sua expressão facial fosse um tanto quanto severa. Ela me olhou de cima a baixo, enquanto dava voltas ao redor do meu corpo – vivo, pelo jeito – , analisando-me.

Meus cotovelos estavam apoiados na grama, e eu sentia pinicar. Queria me levantar, mas ainda me sentia um pouco zonza, então escolhi ficar deitada na grama.

Ambas ficamos quietas por alguns minutos. Eu, pensando no que diabos estava acontecendo e ela, me olhando de uma forma bem estranha.

Até que eu pigarrei e consegui perguntar:

– Ah, então, eu não quer soar arrogante nem nada do tipo...longe de mim fazer isso...mas...érr...quem diabos é você?

– Severina, a senhorita realmente gosta de usar a expressão “diabos”, não gosta?

– Não me chame de Severina – ralhei – e, pelo amor de Deus, nem de senhorita.

Ela deu ombros, mostrando indiferença.

– Como preferir.

Me sentei com as pernas cruzadas. A grama pinicava minha coxa e eu tinha que levantar minha cabeça para conseguir conversar com aquela mulher, já que ela era incrivelmente alta.

– Enfim... Nina, é como seus amigos te chamam? ...Enfim, Nina,eu não sou ninguém e sou todo mundo ao mesmo tempo.

Levantei uma sobrancelha.

Se eu não estava morta, muito provavelmente havia ingerido alguma droga que afetava seriamente a região do meu cérebro.

– Olha, eu sei que é difícil de entender.

Ela se sentou com as pernas cruzadas na minha frente. O tule era muito volumoso e se parecia com um cobertor ou algo do tipo quando a mulher sentava.

– Mas eu vou tentar explicar do melhor jeito possível, e a mocinha inteligente vai tentar me compreender. Eu não sou uma pessoa especifica de carne e alma, como você e seus conhecidos. Mas continuo sendo uma pessoa, um ser. Não sou uma planta ou uma outra raça de animal, porém. Não sou um ser vivo com células, como os humanos classificam.

Aquela mulher ela louca!

– Se você não tem células, não é viva. É a ciência.

– Não nego a verdade da ciência, Nina, mas nem mesmo a ciência compreende de tudo.

–Então você é tipo um ET?

–Não. O meu lar é a Terra, assim como é o seu. Eu vivo entre todas as pessoas comuns, durmo e como. Apenas não sou igual a vocês. Estou entre vocês, mas não somos semelhantes. Consegue compreender?

– Como algum tipo de deusa ou sei lá o quê?

–Deusa? Como as da antiga Grécia e Roma? Não, não sou uma deusa. Vivo para servir, não ser servida. E no momento, Nina, meu trabalha é servi-la.

Nesse momento, ela retirou o colar do pescoço com delicadeza. Cuidadosamente, envolveu a pedra do pingente com os dedos e murmurou algumas palavras que não pude entender. A mulher sussurrou rapidamente, com um tom de voz extremamente baixo, segurando a pedra entre os dedos, como se rezasse. Talvez ela estivesse mesmo rezando ou alguma coisa assim. As coisas para mim estavam tão confusas, que nem com um manual de instruções eu conseguiria entender a minha vida naquele momento.

Com os joelhos no chão, ela soltou levemente a pera e a esticou sobre a grama verde. A pedra rosa entrou em contraste com a natureza, ainda mais depois que começou a brilhar.

Permanecendo ajoelhada há um tempo já, caí para trás com o susto de quando o colar começou a brilhar.

–Mas que porr...

– Sem palavrões, por favor, Nina.

Não falei palavrões e também não falei nada. Eu simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo. Estava assustada, mas admirada.

Parece loucura falar, mas não me senti desesperada. Durante todo o tempo em que permaneci lá, fiquei confusa e assustada, mas nunca senti um medo intenso. Sentia que podia confiar naquela mulher, por mais idiotice que isso pareça agora.

– Eu preciso te mostrar uma coisa.

Ela movimentou a mão rapidamente por cima do colar e uma imagem se tremida foi projetada através da pedra. Com a boca aberta, admirada, me aproximei para observar.

Parecia como a cena de algum filme : Uma menininha corria por um parque, e era perseguida por uma mulher. As duas estavam gargalhando. A mais nova gritava algo parecido com “ você não me pega” e disparava na corrida. A outra a perseguia, rindo abertamente.

Me aproximei mais um pouco da imagem. Aquele parque me era muito familiar.

A menina começava a se cansar e a mais velha ainda corria atrás. Se escondendo atrás da árvore, a garotinha gritou:

– Você nunca vai conseguir me pegar, Mari!

Aquela voz...aquela voz era minha.

Franzi minhas sobrancelhas. Eu estava vendo alguma cena da minha vida?

– Eu sempre vou te alcançar, Nina!

Aquela voz era da Mariana, uma das minhas irmãs. A única que eu tinha alguma proximidade verdadeira, desde sempre.

– Porque eu estou vendo isso? – perguntei para a mulher.

Ela sorriu ainda observando a lembrança. Eu não queria mais olhar. Simplesmente não queria. Era doloroso demais lembrar da época em que as coisas estavam tão fáceis.

– Isso, Nina – ela apontou para a imagem saindo do colar – é o seu passado. Você consegue se lembrar desse dia?

Assenti levemente.

– Pode me dizer?

Suspirei.

– Era meu aniversário. Minha mãe quis fazer uma festa, mas eu pedi por um piquenique. A minha família inteira foi. Meus avós vieram da Itália e passaram uns dias comigo. Meus irmãos estavam todos lá, até o único que já tinha ido para a faculdade. E...meus tios ainda não tinham morrido. Então eles estavam lá também, com o Rodrigo. Até a Lívia foi.

Ela sorriu para mim.

– Consideraria essa a sua melhor lembrança, Nina? – ela me perguntou.

Olhei para a imagem mais uma vez. Minha mãe estava me abraçando por trás, enquanto Mari recuperava o fôlego do pega-pega. Mamãe parecia tão jovem aquele dia, tão bonita e alegre. Uma pessoa completamente diferente da que eu conhecia naqueles dias: uma enfermeira cansada e mal- humorada que passava as noites fazendo plantões nos hospitais.

– Se não é a melhor, é uma das melhoras – sorri – Mas porque está me mostrando isso?

Ela moveu novamente a mão e a imagem foi embora. Senti-me triste momentaneamente. Eu sentia tanta saudade daqueles dias que sentia meu peito rasgar.

– Memórias são importantes, Nina. Sabe porque?

Fiquei em silêncio por um tempo.

– Fazem bem pra gente?

Ela negou com a cabeça e explicou em seguida:

– Nina, amor acaba. Amigos vão embora. Parentes morrem. Mas as memórias ficam, as boas e as ruins. Sempre lembre-se disso.

Não a respondi. Estava um pouco distraída nos meus pensamentos particulares sobre como as coisas eram antigamente.Mas em algum cantinho no fundo da minha mente, eu guardei aquela frase: “Nina, amor acaba. Amigos vão embora. Parentes morrem. Mas as memórias ficam, as boas e as ruins. Sempre lembre-se disso.”

Respirei fundo e perguntei:

– Eu não entendo. Porque estava me falando essas coisas? Porque está me mostrando essas memórias? O que quer comigo?

Ela pegou a pedra do chão e novamente a colocou ao redor do pescoço.

– Eu vim aqui para te fazer uma proposta.

– Que tipo de proposta?

– Uma grande – ela me respondeu, com um tom de voz pesado – Nina, você pode não entender o que sou, mas meu dever é cuidar de você, olhar por você. E, pobre garota, sua vida anda...humm...como vocês jovens dizem mesmo?...ah, uma merda. Sua vida anda uma merda nos últimos tempos. E por isso mesmo, eu vim aqui para te conceder três desejos.

Três desejos?

Ah, Leitor, eu quase comecei a gargalhar naquela hora. Quase. Mas me segurei, usando cada pinguinho de educação que tinha e apenas levantei uma sobrancelha.

– Oi? – perguntei. Talvez eu não estivesse ouvindo bem e ela tivesse dito alguma coisa bem diferente do que eu achava ter escutado. Aquela mulher merecia o beneficio da minha dúvida, da mesma talvez ter alguma sanidade.

– A senhorita ouviu bem. Três desejos – ela me respondeu.

Nenhum semblante de dúvida se passou pelo rosto dela. A mulher estava convicta de que o que falava era completamente normal e nada louco.

– Três desejos? – repeti.

– Exatamente. Mas como esta é uma negociação séria, tenho que lhe informar que: Primeiramente, você não pode pedir por outros desejos, são apenas três e acabou. Segundo, você terá que lidar com as consequências dos seus desejos. Em último lugar, os desejos precisam ser em nível pessoal, afetando apenas a sua vida, ou seja, nada de pedir a paz mundial. Compreende?

– Sim, mas.... Como posso acreditar em você? Você pode ser uma daquelas pessoas que fugiu do manicômio ou algo do tipo.

Ela revirou os olhos, impaciente.

–Não fugi de nenhum manicômio. Sou completamente sã – me respondeu — Você, por outro lado... – sussurrou.

– Como é que é?

Ela estava me chamando de louca?

– E, a propósito, não precisa acreditar em mim, Severina. Ao contrário da crença popular, minha espécie não é movida por crença. Você precisa apenas me deixar cuidar de você.Agora, faça seus desejos – ordenou.

Dessa vez, gargalhei com vontade, esquecendo cada pingo de educação que eu tinha.

– Sua espécie? Pelo amor de Deus! Vai me dizer que é uma fada? Tipo a Sininho? Ou é minha Fada Madrinha?

– Já te falei quem sou – Ela parecia estar ficando impaciente comigo.

– “Ninguém e todo mundo ao mesmo tempo”? – repeti suas palavras de alguns minutos antes.

– Exatamente.

Balancei a minha cabeça várias vezes, descrença de suas palavras. Aquilo era tão louco.

– Não confio em você.

– Porque?

–Se você não é uma fada, deve ser um gênio da lâmpada, versão feminina.Já vi filmes de gênios de lâmpada e não vou deixar você me enganar com esse troço de três desejos que depois vão se virar contra mim!

Ela estalou a língua, em forma de reprovação.

– Não sou um gênio da lâmpada, Nina, e os seus desejos não se virarão contra você, posso lhe garantir. Mas eles virão com consequências. Mas consequências que o destino tramou, não eu.

Minha cara de confusa naquela hora poderia ter ganhado um prêmio, Leitor, no Teen Choice Awards ou alguma coisa do tipo.

– O que você quer dizer com isso? – perguntei. Acho que fiz essa pergunta para a mulher pelo menos umas trinta vezes. Ela realmente não falava coisa com coisa.

Ela suspirou pesadamente. Colocando a mão no colar, murmurou algumas rápidas palavras e me olhou intensamente novamente.

– Não posso dizer muito mais, Nina. Nosso tempo está se esgotando. Preciso saber se vai aceitar minha ajuda.

Devo ter demorado uns cinco segundos para responder.

Olhando em minha volta, era impossível acreditar que alguma coisa daquelas realmente estava acontecendo. Eu estava sentada em cima da grama macia e verdinha que se estendia até onde meus olhos conseguiam alcançar, sentindo o ar puro penetrando meus pulmões e com um céu extremamente azul acima da minha cabeça. Eu me sentia em paz, mesmo com a mulher doida não falando nada com nada ao meu lado.

Eu ia aceitar os três desejos que ela me oferecia?

– Sinto que vou me arrepender completamente disso, mas vou – respondi.

Ela abriu um enorme sorriso, satisfeita.

– Ótimo. Pode me falar, estou pronta.

Okay. Eu precisa pensar, Leitor. O que eu mais queria nesse mundo?

– Eu quero que...o acidente que meus tios morreram, nunca tivesse acontecido! Nunca, nunca mesmo. Então eles estariam vivos e o Rodrigo também estaria bem e feliz – falei, sem nem pensar muito a respeito.

Eu fantasiava por noites ter meus tios comigo novamente. Fantasiava com a minha tia e melhor amiga, com as comidas que só o meu tio sabia fazer e com ver meu primo feliz e completo. Se eu tinha uma chance de transformar minhas fantasias em realidade, então essa seria a primeira coisa que eu transformaria.

A mulher assentiu levemente e, com a mão em cima do colar, murmurou algumas rápidas palavras. Depois, com um gesto de cabeça, me incentivou a continuar.

Pensei por alguns segundos. Relembrei daquele dia, meu aniversário, em eu fizemos o piquenique junto de toda a minha família. Todos estavam leves, sorrindo e felizes. Daquilo, o que eu mais sentia falta?

– Também quero que minha mãe tenha...sei lá...ganhado na loteria há uns meses atrás e que nós fossemos bem podres de ricos, para ela não ter que ficar trabalhando todas as noites – desejei.

Ela repetiu o mesmo gesto anterior. Mão no colar, murmúrios e me incentivou a continuar.

Meu último desejo, minha última mudança.

Eu sabia exatamente o que queria. Alguma coisa para remendar meu coração partido e sabia exatamente o que era essa coisa,

– E, agora, meu último desejo. Eu conheci o Matheus quando eu tinha dez anos e me apaixonei por ele. Meu desejo final é... – durante dois segundos, repensei se era isso que eu realmente queria. Mas a dor no meu coração destruiu qualquer semblante de dúvida – Meu desejo é ter passado o dia inteiro em casa, sozinha, no dia em que deveria ter conhecido o Matheus e me apaixonado por ele.

– Seus pedidos são uma ordem, Nina – me respondeu.

Mão no colar, murmúrios.

Durante um bom tempo depois, ela não disse nada. Apenas sorriu para mim, como se sentisse mais aliviada ou algo do tipo.

Fiquei esperando alguma coisa. Um sinal, um sentimento diferente. Até uma explosão, quem sabe. Mas...

– Eu não me sinto diferente – falei.

–Para você, as coisas continuam as mesmas, você continua a mesma Nina. Mas a situação atual é diferente – ela respondeu no mesmo segundo.

Assenti levemente, compreendendo que as coisas na minha vida estariam diferente quando eu acordasse. A não ser que eu estivesse delirando completamente, o que era uma possibilidade

– Eu te desejo sorte, Severina. Vou estar olhando por você durante toda a sua jornada. E agora é hora de acordar.

Eu acordei.