Notas iniciais
HOJE É NATAL, QUE DIA MAIS FELIZ! Opa...música errada...rsrsrs E hoje não é natal, mas véspera!Mas conta, né... Ooie meus amores, como vão vocês? Espero que bem, ainda mais num dia tão lindo como esse. Provavelmente muitos de vocês não lerão hoje e sim estarão comendo peru, ouvindo as piadinhas de é pavê ou pacumê, trocando presentes e engordando uns 10 quilos..exatamente como eu rsrsrs...Então eu espero ver vocês nos comentários daqui há alguns dias. Depois do Natal e antes do ano Novo ainda vai ter capítulo, eu acho. Então fiquem ligados ou leiam tudo já em 2016. Eu quero desejar um Natal maravilhoso para todos vocês. Um natal cheio de sorrisos, reencontros, abraços, risadas, amor...ah, e tudo o que o Natal tem de melhor. É uma época mágica, a melhor do ano para mim. Eu espero que vocês passem do lado das pessoas que vocês mais amam no mundo , comemorando tudo de bom que aconteceu ao longo desses últimos 365 dias e celebrando as coisas simples que fazem nossos corações felizes. Ah, espero que Não Tão Clichê possa fazer parte disso também rsrs Um feliz Natal! Beijo Beijo ;) P.S: Vou na onda da coca-cola e...MAKE SOMEONE HAPPY! Ai meu Deus, gente desculpa, to muito chata né? Kkkkkkkk Bom capítulo.

11 MESES ANTES

25 de Dezembro de 2014, Quarta-feira, 21:00

De: Matheus

Para: Nina, Lívia

Meninas,

Hoje é nataaaal!

E como eu sou uma pessoa maravilhosa, resolvi reservar um tempo na minha agenda lotada para mandar essa mensagem carinhosa, poética e profunda para vocês:

Feliz Natal!

Matheus.

De: Lívia

Para: Matheus, Nina

“Resolvi reservar um tempo na minha agenda lotada...” HÁ-HÁ-HÁ. A gente sabe que a única coisa que você faz no Natal é engordar, Matheus. E nem sequer ajuda a preparar as comidas que vão te engordar. Coitada da sua mãe.

Feliz Natal pra vocês também!

Com amor,

Lívia.

De: Matheus

Para:Lívia, Nina

Engordo porra nenhuma! Você que é uma baleia mesmo, só que ainda não se deu conta.

A propósito, a minha mãe é nutricionista, lembra? Ela disse que pode oferecer uma consulta grátis para a minha amiga sem problemas...

Da pessoa mais magra dessa conversa,

Matheus

De: Nina

Para: Matheus, Lívia

Meu Deus, parem vocês dois! É Natal, não conseguem sossegar nem hoje?

Jesus Cristo abençoe vocês. E me abençoe também, para que eu consiga suportá-los.

E Matheus, lembre-se: eu quero um chaveirinho com a Torre Eiffel, no mínimo, de presente de Natal. Já que você vai passar as festas na França, nada mais justo que lembrar das amigas queridas, não é mesmo?

Com amor,

Nina

De: Lívia

Para: Matheus

É VERDADE, NINA!

Matheus, não esquece dos meus perfumes da Beyonce, Selena Gomez, Taylor Swift e o do Little Mix. Eles são mais baratos por aí e eu mereço ganhar, já que fui uma boa garota e te aturei esse ano todinho.

Abraços,

Lívia.

De: Matheus

Para: Lívia, Nina

Quem foi que disse que o Natal não era época de cobiça?

Eu tenho que ligar para esse cara...

De uma pessoa com bem menos dinheiro depois dessas mensagens,

Matheus

P.S: Lívia, quer o perfume dos Beatles também, querida?

De: Lívia

Para: Matheus, Nina

MEU DEUS, EXISTE?

Quero sim.

De: Matheus

Para: Lívia, Nina

Não, não existe, Lívia. Você é impossível...

O chocado,

Matheus.

De: Nina

Para: Matheus, Lívia

Gente, essa é a última mensagem que vou mandar, já que a minha família esta chegando. E, cruz credo, é uma penca de gente.

Quero desejar à vocês dois um feliz Natal e um próspero ano novo. Espero que 2015 só traga coisas boas nas nossas vidas.

Eu nunca vou esquecer vocês!

Amo os dois!

Beijos,

Nina

De: Matheus

Para: Nina, Lívia

A gente também te ama, Severina!

Feliz ano novo para você e toda a penca de gente da sua família,

Matheus

P.S: Nunca irei te esquecer também.

10 De Novembro de 2015, Terça-feira, 11:27

Já empurraram alguém para trás com todas as suas forças no meio de um beijo de língua?

É bem legal.

– Nina, mas que por...

– Não toca em mim, seu maluco – gritei.

Ele me olhou como se a maluca ali fosse eu. Talvez eu parecesse mesmo, já que estava gritando muito alto, no meio do corredor , usando um pijama de bolinhas, com maquiagem borrada e o cabelo parecendo com o da bruxa daquele desenhinho da Disney...mas isso não importa.

– Maluco, eu? Gata, o qu...

– Não me chata de gata, seu...seu...pervertido!

A cara dele era impagável, de verdade. A boca estava meio torcida e os olhos estreitados.

Henry era bem bonito, sendo sincera. Ele tinha uns cabelos pretos bagunçados e olhos grandes muito verdes. Uma pele branca, e uma boca vermelha bem desenhada. Ele era bem alto, provavelmente uns quinze centímetros mais alto que eu. Eu conseguia ver o que eu e Elisa tínhamos visto nele.

Nossa, nunca pensei que diria isso, Leitor.

– Pervertido, eu? Olha, Nina, ontem mesmo a pervertida foi você. Falando nisso, que ideia foi aquela do beijo? Gata, a gente já tinha combinado de se encontrar lá em Paris.

Arregalei os olhos e dei um passo para trás.

– O que? – perguntei, surpresa.

– Lembra? Eu ia dar umas escapadinhas da Elisa só para te ver, linda. Você ia pegar um voo para França junto da Áurea e depois ia despistá-la...lembra, né? Tava tudo planejado!

Coloquei a mão na testa e comecei a andar em círculos pelo corredor.

Beijar o cara no meio do casamento já me fazia uma vadia.O cara ser o noivo da minha irmã me fazia ser uma vadia em um nível ainda não criado. Mas dar uns amassos em plena lua-de-mel deles? Deus, eu merecia um prêmio.

– Nina, o que você tem? – ele perguntou, chegando mais perto de mim e segurando levemente no meu braço. Me afastei, com força.

Eu estava com medo. Muito medo. Sentia-me perdida, sem saber o que estava acontecendo completamente, como as pessoas esperavam que eu agisse ou até mesmo quem eu era. Não sabia de nada. Sobre mim, sobre a situação de todas as pessoas que eu conhecia...

Meu Deus, será que Matheus ainda frequentava a minha sala de aula e nós simplesmente nunca conversamos? Eu nunca recebi as mensagens de Natal dele?

Como será que minha mãe ficou rica? O dinheiro a tinha mudado também?

Aquele acidente de carro dos meus tios nunca aconteceu? Ou será que aconteceu, mas eles conseguiram sobreviver?

– O que está acontecendo comigo? – sussurrei baixinho, me fazendo uma pergunta que eu não sabia responder.

Henry me lançou um olhar estranho, que eu tentei ignorar e não consegui. Tive que decifrar o que havia naquele olhar. Havia muito. Era um olhar com medo, preocupação e...

– Meu Deus, você me ama – disse.

Ele falou em um tom mais alto e parecendo um pouco zangado agora:

– Mas é claro que amo, Nina. O que está acontecendo com você ultimamente?

Balancei a cabeça de um lado para o outro, sem conseguir processar o que ele estava falando. Mas era verdade, ele me amava. Eu conseguia notar pelo expressão facial, pelos gestos e conseguia ver o amor naqueles olhos verdes.

O noivo da minha irmã era apaixonado por mim.

Será que eu era apaixonada por ele também?

Obviamente eu era, já que Lívia tinha me dito...mas, eu amava um cara? Um cara mais velho, noivo da minha irmã e que não era o Matheus?

– Isso é tão estranho – falei.

– Concordo – me responderam.

Rodrigo estava atrás de mim, com uma cara nada boa. Sem toda aquela adrenalina da noite anterior ( só 98% eu ainda tinha) e Elisa tentando me bater ( e conseguindo), observei Rodrigo com mais cuidado. Ele não parecia muito diferente do Rodrigo que eu tinha visto pela última vez antes de fazer os pedidos. Cabelos loiros, olhos azuis ( que fuzilavam o cara ao meu lado), bem alto e gato como sempre. Vestindo uma camiseta polo branca e uma bermuda azul básica. Ele parecia o Rodrigo de sempre.

– Henry, você não deveria estar tentando fazer Elisa te perdoar ou algo do tipo, camarada?

– Rodrigo, você não deveria estar transando com a prima da Elisa, camarada?

Rodrigo deu dois passos enormes e chegou perto de nós dois. Ele nem sequer me olhou. Apenas agarrou Henry pelo colarinho e disse com uma voz bem ameaçadora, no estilo galã de filme romântico barato:

– Vai se foder, Henry. E some daqui, agora!

Até eu fiquei assustada.

E o Henry sumiu, alguns segundos depois.

– Covarde – sussurrei, rindo baixinho. Meu primo poderia ser mesmo bem intimidador, ainda mais sendo uns dez centímetros mais alto que Henry.

– Cala a boca, Nina – Rodrigo mandou, ainda sem me olhar.

– Vai se fuder, Rodrigo – respondi automaticamente.

Ele estreitou os olhos para mim. Okay. Isso é sinal de raiva e o Rodrigo com raiva nunca é bom.

Eu lembro uma vez que minha mãe foi chamada na diretoria por causa de uma briga em que meu primo se meteu. Como eu era muito nova e não podia ficar sozinha, ela me levou junto até a escola dele, mesmo contra vontade.

Nem lembro o motivo da briga direito, mas lembro que foi alguma coisa feia. O Rodrigo ficou com um belo de um olho roxo e o outro menino foi até parar no hospital com o nariz quebrado e alguns dentes também.

– Eu ir me fuder?Exatamente o que você quase estava fazendo com aquele canalha, não? – ele respondeu.

Dei um passo para mais perto e apontei um dedo para o meio de sua cara.

– Meu Deus, é claro que não! Ele tentou me beijar e eu empurrei ele!

Ah, eu estava ficando furiosa. Quem ele pensava que era para falar comigo daquele jeito?

Mesmo eu não sendo nenhuma santa exatamente, Rodrigo sempre foi um diabinho, desde pequeno. Bem pior do que eu.

Rodrigo deu uma risada debochada devido a minha resposta.

– Mas é claro, Nina. Eu acredito completamente em você. Mas também, como não poderia? O vídeo do casamento de ontem é a prova que a vítima da história é você.

Levantei uma sobrancelha.

– Elisa teve coragem de fazer o vídeo? Nossa, vai ter que rolar muita edição, não é? – comentei, tentando aliviar o clima.

Eu simplesmente não sabia mais o que dizer. Estava começando a ficar cansada de discutir com as pessoas sobre esse casamento. Mas eu sentia que ainda teria que ouvir muito sobre isso.

–É sério que é nisso que você tá pensando? – Rodrigo me olhava chocado.

– Ahh...bem...é estranho, não? – Soltei uma risada nervosa e ele soltou uma risada irônica.

– Meu Deus, Nina. Você é uma vadia.

Dei um passo para trás por causa do choque.

Senti os olhos marejarem. Mas não, eu não ia chorar, não agora. Não na frente dele.

Antes que conseguisse pensar direito no que estava acontecendo, me aproximei de Rodrigo, fiquei nas pontas dos pés e dei um tapa em sua bochecha esquerda.

Ele me olhou chocado.

Dei um passo para trás. Senti uma lágrima solitária escorrer pela minha bochecha enquanto eu e Rodrigo nos olhávamos nos olhos.

– Nina, eu...- ele começou a falar, mas não cheguei a ouvi a frase inteira. Durante um momento, acho que vi arrependimento em seu olhar, mas não tive coragem de continuar lá para descobrir se estava certa.

Corri.

(...)

Sempre adorei a natureza. Não como Áurea, que é uma natureba assumida que aplaude a lua, só come coisas que cresceram da terra e reza à Mãe Natureza antes de dormir. Mas sempre gostei de deitar na grama, de danças na chuva e nadar em rios.

Agora, eu morava em uma fazenda. Uma fazendo que eu não conhecia, mas que no fundo do meu coração, eu sentia como se já morasse lá desde que nasci.

Depois de sair correndo de perto de Rodrigo, desci as escadas da enorme casa em segundos. Ninguém estava na enorme sala, graças a Deus. Mal parei para admirá-la, apenas saí correndo pela enorme porta que, ainda bem, estava destrancada.

Quando saí e senti aquele cheiro, me senti melhor automaticamente. Aquele cheiro que só sítios ou fazendas( não sei em qual das duas a minha casa se classificava ainda) tem. Cheio de mato, de grama, de natureza. Sabem esse cheiro? Então, esse cheiro sempre me acalmou.

Joguei os sapatos em algum canto perto da porta e senti a grama recém-cortada pinicar meus pés. Olhei ao meu redor e não avistei ninguém. Eles deveriam estar em algum lugar escondido reunidos em um “clube de falar mal da Nina”.

Corri pela grama, meio sem rumo. Meus pés apenas me levavam. Quando sentia que tinha que virar a direita, eu virava a direita. Quando sentia que deveria continuar correndo, eu aumentava a velocidade.

Corri, corri e corri.

E por mais que eu não tivesse ideia de aonde estava indo, sentia que meu coração e meu corpo tinham alguma noção disso. Só a minha cabeça era a desinformada da história e estava mais perdida que aquele estudante de intercâmbio da minha escola que veio da China e achava que “vai se foder” significava “ posso ir ao banheiro?”

Era trágica a vida daquele garoto.

Mas enfim, eu tinha um rumo.

E ele era lindo.

Após alguns minutos de corrida, eu me encontrava em uma lagoa bem pequena. A água era cristalina, a grama era verde e recém-cortada e não parecia haver formigueiros perto do local. No lado direito, havia algumas pedra perto da água.

Era um bom lugar para não pensar em nada.

Me deitei na grama e olhei para o céu azul. O sol estava muito forte. Cobri meus olhos com o ante-braço e senti meu rosto completamente molhado.

Lágrimas. Devo ter chorado durante toda a corrida depois da discussão com o Rodrigo.

Grunhi. Porque as coisas não poderia simplesmente ser o conto de fadas que deveriam ser?

– Parece que o castelo da princesinha está desmoronando.

Virei o rosto rapidamente.

Encontrei alguns adolescentes me encarando. Uns cinco provavelmente. E um deles, um garoto bem alto com cabelos castanhos, tomava a dianteira do grupo e com as mãos dentro dos bolsos jeans, me encarava ironicamente, sorrindo maldoso.

Senti que deveria conhecer aquele garoto de algum lugar. E Leitor, pelo jeito, a gente não se dava tão bem assim, porque meu coração bateu pelo menos três vezes mais rápido que o normal quando encarei aqueles olhos castanhos.