Notas iniciais
O I E Voltei. Renasci. Dei uns roles em Narnia e senti saudades de casa. Desculpa pelo atraso gente. Senti taaanta falta de vocês e da Nina. Mas eu estava sem meu computador,sabe porque? Tava no Ceará Nordeste Aquele sol de rachar Apesar que choveu um dia Mas voltei hoje. A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi terminar esse capítulo, recheado de personagens novos. Espero que vocês gostem! Beijo Beijo ;) P.S: Algum de vocês é do Ceará? P.S 2: Tá curtinho. Mas é que eu vou postar mais alguns logo logo e maiores.

11 MESES ANTES

31 de dezembro de 2014, Quarta-feira, 23:55

– É incrível como a Áurea consegue ficar bêbada rápido – Mariana comentou, virando a cabeça levemente para o lado.

A minha família estava toda reunida na minha casa, como acontecia em todas as viradas de ano. Algumas das amigas da minha mãe, tias e a minha própria mãe estavam na cozinha, conversando e terminando de cozinhar o doce; meus pais estava com meus tios jogando algum jogo de cartas na mesa de jantar; minhas primas e meus primos mais velhos estavam rindo enquanto conversavam com Elisa, Rodrigo e Augusto; e meus primos mais novos brincavam junto de Lucas com as peças de Lego que meu irmão ganhará no Natal. Eu estava afastada de todo mundo, conversando com Gustavo e Mariana.

Áurea estava jogada no sofá da sala, conversando sozinha. Melhor, resmungando sozinha. Ela falava várias palavras sem sentido, mas que pareciam fazer total sentido para ela. Fazia perguntas e as respondia alguns segundos depois. Ela estava completamente bêbada. Não que fosse uma novidade para qualquer um de nós.

– E isso porque a gente tá passando o ano novo em família. Já viram a Áurea passando a virada com os amigos estranhos dela? – Gustavo perguntou.

– Não – eu e Mariana respondemos juntas.

Ele deu uma risada irônica.

– Eu já. É bem engraçado. Ela quebrou o pé ano passado – Gustavo contou.

Ri um pouquinho. Não foi pro maldade, Leitor, eu juro. Foi só que...eu sou aquele tipo de pessoa que ri feito uma hiena por qualquer tombo que um ser humano leva. A minha irmã bêbada quebrando o pé dançando funk era quase um show de stand up.

– Desde quando isso é engraçado, Gustavo? – Mariana repreendeu.

Continuei a rir discretamente sobre a situação.

– Se você tivesse lá, teria dado risada, mana. Ela quebrou o pé dançando funk – Gustavo ressaltou.

Balancei minha cabeça de um lado para o outro.

– Quem quebra o pé dançando funk? – falei baixinho, chocada – Pelo amor de Deus.

–A Áurea, pelo jeito – ele me respondeu.

Nós três olhamos para o sofá. Ela continuava resmungando, quase caindo no chão tentando alcançar o tapete com sua mão.

–Áurea dançando funk é uma imagem que eu gostaria de manter longe da minha cabeça – Mariana falou.

Eu e Gustavo concordamos. Para ela dançar funk, deveria estar bem bêbada. Apesar de que isso já estava se tornado repetitivo, já que ela estava bêbada 70% do tempo.

– Ás vezes eu me pergunto se a mãe sabia que a Áurea ia ser estranha desse jeito desde quando ela tava na barriga? – Gustavo falou.

– Estranha tipo natureba ou estranha tipo o cabelo dela? – perguntei.

Áurea tinha um cabelo que ia até um pouco depois da bunda, completamente liso e pintado de verde, azul e preto. Ela dizia que o verde representava a natureza, azul representava as águas e o preto representava o luto dela pelo ser humano estar matando tanto a natureza tanto quanto a água que ainda sobra.

Apenas ela consegue ver o significado poético por trás do cabelo, só para constar. O resto da nossa família ainda acha que minha mãe deixou ela cair do berço algumas vezes quando Áurea era bebê e resolveu não contar para ninguém.

– Natureba – Gustavo respondeu – Por causa do nome, sabe. Áurea.

– E Áurea lembra aurora. O raiar de um novo dia – falei.

Ele concordou com a cabeça.

– Na verdade, Áurea significa “a que é como ouro” ou “de ouro”, coisas assim – Mariana corrigiu.

Levantei minhas sobrancelhas.

– Como você sabe? – perguntei.

– A mãe gosta de nomes estranhos – ela me respondeu – Olha só pro seu nome! Nunca ficou com curiosidade de pesquisar o significado?

– Na verdade, não. Nunquinha – respondi – Prefiro ficar sofrendo por causa do gosto ruim da mãe.

– Sim, você fica sofrendo, o que é ridículo. E se “Severina” significasse “ a deusa suprema de todas as galáxias”?

Sorri.

– Significa isso? – perguntei.

– Não – ela respondeu.

Dei uma risada irônica e falei:

– Viu só...

– O que “Severina” significa então? – Gustavo perguntou.

– “Severa”, “Dura” – Mariana responde.

– Isso é tudo o que eu quero que as pessoas pensem de mim, não é mesmo? – falei ironicamente.

Mariana ia me responder, mas no mesmo momento alguém gritou:

– FALTAM SÓ SESSENTA SEGUNDOS!

Olhei para o relógio pendurado na parede da cozinha. Eram 23:59. Nosso último minuto em 2014. Meu último minuto em 2014.

Respirei profundamente. Bem profundamente. Tentei me acalmar quando senti minhas mãos começarem a tremer.

Retirei meu celular do bolso da calça jeans e abri o Whatsapp, finalmente lendo as mensagens que eu tinha ignorado o dia todo

Lívia

Amiga

2014 tá acabando.

Você disse que ia contar para o Matheus ainda esse ano.

E aí? Tá pronta?

Falta uma hora para o ano novo, Nina.

Você vai contar ou não?

Porra, não me deixa na expectativa!

Mas se você não quiser contar, não precisa. Eu entendo.

Só me responde.

Eu iria contar?

Eu devia contar?

No ano novo anterior eu tinha prometido para mim mesma que contaria no próximo ano. E lá estava eu, ainda repassando na minha cabeça uma lista de prós e contras. E o Matheus estava lá, ainda sem saber de nada.

Eu tentei contar para ele. Juro que tentei. Tive 364 dias para contar.Eu tentei 364 vezes. Mas nunca conseguir reunir toda a coragem necessária.

Mas eu não podia adiar mais um ano. Não podia viver com isso dentro de mim por mais 365 dias. Eu simplesmente não podia.

– FALTAM SÓ 40 SEGUNDOS – Escutei alguém gritar.

Abri a conversa do whatsapp com o Matheus.Ali havia várias e várias conversas que eu poderia passar horas lendo.Mas não podia recuar e adiar a verdade ainda mais. Não. Nós éramos melhores amigos. Independentemente de tudo, eu merecia contar e ele merecia saber. Certo? É assim que amizade funciona. Honestidade.Eu precisava reunir coragem e ser honesta.

E eu reuni coragem, Leitor. Em segundos eu digitei aquela mensagem naquele campo branco.

“ Matheus, eu preciso ser honesta com você. Sinto muito se vou te machucar por causa disso. Mas eu meio que gosto de você. Há 4 anos. E acho que você merece saber.”

–VINTE SEGUNDOS! – gritaram.

Mas o destino gosta de brincar com as pessoas. Ou melhor, gosta de brincar comigo. Quase como se fosse uma daqueles adultos cruéis que dá doce para uma criança apenas para arrancar de volta e apreciar o choro.

No momento que eu ia enviar, uma outra mensagem chegou no grupo em que apenas eu, Matheus e Lívia estávamos.Do Matheus, é óbvio.

Amantes da Elsa

Lívinhaaaaaa

Ninaaaaa

Em um minuto o ano vai acabar e eu vou ficar sem bateria para falar com vocês de madrugada, então vou falar agora:

FELIZ ANO NOVO, PORRA!

Meninas, espero que o 2015 de vocês seja ótimo. Eu já comecei com o pé direito! Adivinhem só: A Karen finalmente aceitou namorar comigo. Finalmente! Afinal, ela é legal. E gostosa. Me dei bem.

Agr, pra encerrar, espero que o 2015 de vocês seja o melhor ano de todos. Cheio de todas aquelas baboseiras que eu sei que a Nina vai desejar cuidadosamente em um textinho daqui a pouco.

FELIZ ANO NOVO!

Adeus

;)

A gente se fala amanhã de manhã, meninas.

Leitor, eu não tive coragem de enviar a mensagem. De novo.

Sentindo aquele buraco no peito que eu já conhecia muito bem, enviei uma última mensagem para Lívia em 2014.

Lívia

Lívia

Eu não posso.

Eu estou tão cansada disso tudo.

Mas não dá.

Não consigo.

Guardei o celular no bolso da calça jeans.

Ouvi os fogos de artificio.

Senti Mariana me abraçando e gritando :

– Feliz ano novo!

Sorri e desejei de volta.

Mas, é...nem tanto.

10 De Novembro de 2015, Terça-feira, 12:01

Olhos castanhos.

Sempre gostei de olhos castanhos.Ao contrário da maioria das pessoas, sempre preferi os olhos castanhos aos azuis ou verdes. Não sei bem porque. Mas as pessoas com olhos caramelo ou chocolate(castanhos, basicamente. Mas chocolate e caramelo fica mais bonitinho, Leitor) sempre tiveram um encanto sobre mim que aqueles olhos claros nunca conseguiram.

Um encanto que fazia meu coração bater três vezes mais rápido que o considerado normal.

Exatamente como naquele momento enquanto aquele par especifico de olhos castanhos me encara.

– Hãn? – foi a resposta que eu dei para aquele menino.

Ele me encarou como se eu fosse extremamente retardada. O que é compreensível, já que eu havia corrido por uns bons minutos feito louca, parado sabe lá Deus aonde e estava chorando feito condenada desde então. E não fazia ideia de quem aquele menino era.Mas eu tinha uma certeza concreta que o conhecia.

– Deixa ela, Breno. Coitadinha da garota – uma menina um pouco mais baixa falou.

Breno.

O nome do garoto de olhos castanhos era Breno. Soava bem. Soava até que familiar.

–“ Coitadinha da garota”, Aimee? Ela beijou a porra do noivo da porra irmã no meio da porra do casamento! – Breno respondeu.

Grunhi, me deitando no chão novamente. Será que as pessoas não conseguiam parar de falar sobre esse assunto?

– Olha a boca, Breno, pelo amor de Deus! – uma outra menina de cabelos vermelhos repreendeu.

– Como se você fosse santa, Vivian – Breno respondeu.

– Não sou santa, mas tenho bom senso, mano .

Eles todos falavam e se respondiam muito rápido. Eu me esforçava um pouco para conseguir acompanhar o dialogo. Mas era engraçado ver a forma como eles se tratavam, com tanta familiaridade.

Será que aquela menina de cabelos vermelhos – Vivian – era irmã dos olhos castanhos – Breno?

– Mas é claro que a Aimee vai ficar com pena da Severina. Porque não ficaria? Tudo farinha do mesmo saco – um menino ao lado do Breno falou. Ele era um pouco mais baixo, mas ainda era uns bons dez centímetros mais alto que eu. Não conseguia ver seus olhos da distância em que estava, mas ele tinha cabelos pretos bem curtos.

A outra garota, Aimee, se aproximou do menino e falou:

– Vai tomar no cu, Enzo! Você não pode superar esse assunto não?

– Superar minha ex-namorada agindo como vadia? Eu acho que n...

Plat!

A menina – Aimee – pelo menos vinte centímetros mais baixo que o garoto – Breno – desferiu um tapa bem dado na bochecha direita do mesmo.

– Ai – gemi, tomando as dores dele. Deveria ter doido.

Breno se aproximou de Aimee e a segurou pela cintura, dando dois passos para trás e a afastando de Enzo.

– Me solta, Breno! – Aimee gritou enquanto esperneava.

– Não vai rolar, querida. Eu não posso deixar você matar meu melhor amigo no meu turno – Breno respondeu enquanto a arrastava para mais longe.

– Ah, pode sim! – Ela resmungou de volta.

Breno, carregando Aimee, deu alguns passos para longe de Enzo e perto de mim e jogou a menina na grama ao meu lado.

–Agora, fica aí – ele falou.

Ele se aproximou de Enzo, que estava massageando a bochecha e parecia extremamente bravo. Um outro garoto, que não tinha falado nada ainda, se aproximou deles e os três começaram a conversar.

Eu estava completamente perdida entre eles e as conversas rápidas que mudavam de assunto rapidamente. Como um peixe em marte tentando acompanhar uma manada de elefantes. Eu.

– Puta que pariu, minhas costas...Ele me jogou aqui como se eu fosse um saco de batatas – Aimee reclamou.

Pisquei os olhos. Esqueci que ela estava lá, ao meu lado.

– Ele não foi muito cuidadoso, mesmo – concordei, um pouco receosa.

Aimee balançou a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse chocada.

– É. Não que eu tenha sido também. Mas ele ia me chamar de vadia. Porra! Quem ele pensa que é?

– Han...quê? – Eu estava extremamente confusa. Eram muitos nomes novos agindo como se fossem antigos.

– O Enzo! O Enzo! Ele ia me chamar de vadia...

Então ela começou a chorar.

Merda.

Nunca fui boa em consolar pessoas que estavam chorando. Ainda menos meninas. Nem Livia eu sabia como consolar direito. Na maior parte do tempo, eu simplesmente dava uma barra de chocolate para ela e tudo se resumiu depois de alguns episódios de The Vampire Diaries.

Mas não tinha nenhum Box de The Vampire Diaries e nenhuma barra de chocolate por perto.

Então eu a abracei, Leitor.

E aquela estranha chorou no me ombro por algum tempo.