Não solte a minha mão!
27 Vivo para te amar.
Notas iniciais
estava um dia maravilhoso. porém, eu estava preocupada com arthur. aquele sangramento não era tão comum assim. ele notará que eu estava estranha.
– o que foi?
–arthur, eu não paro de pensar na sua pequena hemorragia. estou preocupada com você!
ele abaixou a cabeça e respirou fundo.
– tudo bem... não tem por que eu esconder isso também! eu...eu... não tenho leucemia crônica, e sim aguda.
foi mais um choque para mim.
– eu já fiz o transplante, agora é só esperar os resultados. por isso ainda tenho sangramentos, hematomas, febre, perda de apetite, falta de ar... bom, você sabe.
– por que você não me contou?
– eu não queria te preocupar ainda mais. eu tenho esperança de que serei curado com esse transplante. então, não quis falar sobre isso.
– você vai ser curado. não importa que tipo de leucemia tenha.
eu o abracei. eu sabia que era difícil para ele, e que ele precisava do meu apoio. mais do que nunca.
a leucemia aguda, é ainda pior. Uma característica da doença é sua rápida progressão, podendo ser fatal em um curto espaço de tempo (semanas ou meses) se deixada sem tratamento adequado. porém, arthur estava no caminho para a cura. eu sabia que o caminho ainda seria longe e que ele passaria por momentos terríveis. mas eu estaria lá com ele. para segurar a sua mão e dar tudo o que ele precisar.
– eu tenho medo. -ele confessou em meus braços. — coisas estranhas estão acontecendo comigo. eu já perdi dois quilos e não consigo comer quase nada.
– arthur, você tem que ser forte.
– falta muito para que tudo isso acabe. eu não sei se vou resistir...
– você vai arthur. -eu ja chorava. — você vai sair dessa e sabe disso.
– me sinto cada dia pior... eu vou precisar de muitas seções de quimioterapia. e elas não são fáceis...
– vai ficar tudo bem. tudo vai ficar bem. não se preocupe meu amor.
ele levantou a cabeça e olhou em meus olhos. seu olhos estavam vermelhos de chorar, iguais aos meus. então, ele beijou minha boca e sorriu entre o beijo.
– você me chamou de 'meu amor'.
– não posso? -perguntei sorrindo.
– a hora que quiser. — foi o que ele respondeu. e voltou a me beijar.
eu estava disposta a dedicar a minha vida à ele. eu precisava estar com ele para ajudá-lo. e com certeza, eu estaria lá para aplaudir em pé a sua vitória.
– você gostaria de namorar um doente que não sabe quanto tempo de vida tem?
eu não sabia se aquilo era um pedido, ou apenas uma pergunta.
– passaria todos os momentos possíveis ao lado dele. se eu pudesse, nunca deixaria que ele tivesse tantas dúvidas quanto ao seu tempo de vida.
– tem certeza?
– tenho.
ele sorriu e olhando em meus olhos disse algo muito sincero.
– eu quero ser seu namorado. você aceita namorar comigo?
eu vi verdade em seus olhos. e lágrimas se misturaram ao meu enorme sorriso.
– com a maior certeza do mundo! -respondi.
nos beijamos carinhosamente. depois arthur me abrigou em seus braços. e lá eu me senti completamente protegida de todo o mal. de tudo o que poderia me ferir ou me magoar.
– obrigado por tudo o que está fazendo. -ele agradeceu.- com você esqueço os meus problemas e me sinto apto para viver bem.
– eu vivo para te amar. -respondi.
ele sorriu e passou seu dedo carinhosamente em minha boca.
– você é perfeita.
– sabe que eu não sou.
– pra mim, você é. -ele falou com certeza. — eu amo você!
eu quase passei mal. nunca imaginei ouvir isso e ver verdade em seus olhos enquanto ele dizia que me amava.
fiquei sem reação e ele me puxou para descer da caminhonete.
– eu quero aproveitar cada minuto da minha vida com você. quero fazer coisas que eu nunca fiz, e você vai ser minha cúmplice!
eu apenas sorri. então, depois que ele se despediu do tio, voltamos para a cidade, eu não sabia o que arthur queria fazer. já estava anoitecendo então liguei e avisei meu pai para não se preocupar que eu estava bem. ele entendeu meus motivos e disse para mim que ele estava feliz por me ver bem novamente.
ao lado de arthur eu me sentia outra. sem dúvidas.
ele parou o carro na sua casa, e entramos. a mãe dele não estava lá, (para minha sorte), subimos as escadas com cuidado e nos deparamos com a placa de 'area restrita' pendurada na porta do quarto de arthur, o que me fez rir alto.
o seu quarto estava diferente, por incrível que pareça, estava bem mais arrumado, eu já não via roupas nem camisinhas jogadas pelos cantos.
ele beijou minha testa e foi até o banheiro, deixando-me olhando suas coisas. agora no criado-mudo, haviam remédios, o que me interessou, peguei-os e li as indicações. ( afinal eu fazia medicina). rsrs'
a festa de formatura já havia acontecido. arthur não se formou como o esperado ele ficaria um ano atrasado. a não ser que ele desistiria da faculdade. o que eu ainda não sabia se ele faria.
ele saiu do banheiro apenas com uma boxer, secando os cabelos com uma toalha branca. havia tomado banho, e acho que eu também precisava disso. fiquei por alguns segundos observando o seu corpo escultural que contia ainda algumas gotas d'água. pude ver hematomas em suas costas e peito.
– tem uma toalha extra no banheiro. -ele me informou e eu segui para o banheiro.
depois do meu banho, eu sai do banheiro enrolada na toalha.
– tem um problema... eu não tenho roupas limpas!
– eu já resolvi seu problema.- ele respondeu me estendendo duas peças de roupa. um short jeans lindíssimo e uma regata lilás. — comprei pra você nos estados unidos. logo que cheguei lá.
eu sorri e voltei para o banheiro me vestir. ele sabia o meu manequim, pois serviu perfeitamente. do jeito que eu gostava.
– que gata! -ele suspirou quando eu voltei para o quarto.
– você tem bom gosto! -sorri e nos abraçamos.
– eu quero andar de skate com você de novo...
eu me afastei dele e peguei seu skate que estava escorado sobre a parede.
– o que você está esperando?!
saímos da casa sem fazer ruídos. entramos na caminhonete e fomos para a pracinha. só tínhamos um skate conosco, mas arthur afirmou que andaríamos os dois juntos, eu achei curioso mas não questionei.
foi o que fizemos. dois em cima de um skate.
arthur me segurava pela cintura, e eu estava com os braços abertos curtindo o vento bater em meu rosto. depois, eu e arthur descemos de uma das rampas, só que sentados no skate. foi uma experiência maluca, porém única.
depois eu e arthur guardamos o skate no carro e fomos passear. agora, já deviam ser umas 17:00 hrs. encontramos uma farmácia aberta, e arthur sismou em entrar nela, eu o acompanhei sem entender.
ele pediu ao farmacêutico remédios para 'gastrite'. eu comecei a rir descontroladamente. remédio para gastrite?!
assim que o farmacêutico nos entregou as opções de remédios, arthur agarrou meu braço com uma mão, e com a outra furtou uma caixinha de remédios. ele me puxou e eu tive de correr com ele. nem acredito! acabávamos de roubar uma farmácia! notamos que o homem da farmácia vinha atrás de nós gritando. eu estava rindo da situação, porém achava uma idiotice de arthur. não éramos ladrões! foi aí, que arthur pegou a caixinha de remédio e atirou de volta, caindo na frente do farmacêutico que a ajuntou e continuou gritando, nos chamando de malucos
assim, que estávamos longe da farmácia, paramos para descansar, afinal foi uma corrida e tanto!
– por que você fez isso?-perguntei ofegante.
– eu vi nos filmes e quis testar para ver como era. -ele riu.
– você é maluco! e agora eu sou maluca também!
– bem-vinda ao clube! -ele disse enquanto me abraçava.
– você deve estar cansado meu amor. -falei colocando a mão em seu peito.
– dane-se essa falta de ar. dane-se esse cansaço! eu quero viver!
então, ele me pegou no colo, estilo noiva, e começou a fazer voltas em torno de si mesmo. eu já estava tonta, imagina ele!
resultado: caímos no meio da calçada.
estávamos rindo feito loucos, e as pessoas nos olhavam assustadas. ríamos ainda mais da reação das pessoas que passavam por ali.
depois daquele 'vexame', eu e arthur fomos até a praia. lá, tomamos banho de mar no escuro. pulamos as ondas e brincamos feito crianças. porém, eu ja podia perceber o cansaço estampado em seu rosto. ele estava cansado.
– vamos amor. amanhã a gente aproveita mais, eu prometo. agora você precisa descansar. -falei sorrindo.
então, entramos em seu carro o molhando todo.
já andando, arthur falou com sinceridade.
– quero que você durma em minha casa.
– não!... a sua mãe... -ele me interrompeu.
– minha mãe terá de aceitar ou não. você agora é minha namorada! e frequentará a minha casa quantas vezes quiser.
– eu não quero criar nenhum conflito entre vocês.
– não se preocupe. eu sei lidar com ela...
enquanto íamos até sua casa. liguei para meu pai novamente. eu estava com pena dele, parecia abandonado por mim. ele mostrou tranquilidade, e falou para mim me divertir e nem pensar nele pois ele estava bem. mas era meio impossível.
então, descemos do carro de arthur. e adentramos na casa.
sua mãe estava o esperando na sala.
– onde é que você estava??!
– eu passei o dia com a minha namorada.
– sua.... -então ela me viu. — SUA NAMORADA??!
ela gritou feito estérica.
– sim. minha namorada. e ela vai dormir aqui esta noite! — falou tranquilamente.
– você não seja nem maluco a esse ponto!! essa garota não é sua namorada nem vai dormi aqui. de maneira nenhuma!
– você não escolhe minhas namoradas. nem quem dorme comigo ou não!
a mãe dele estava pronta para gritar mais uma vez. porém, foi surpreendida.
– deixe a garota em paz! — era o pai de arthur. — ela parece ser uma boa menina.
– mas como você pode aceitar isso??! -ela perguntou a ele que não deu muita importancia.
– filho. suba para o seu quarto, eu e sua mãe temos que conversar.
assim que ouviu isso, arthur me puxou para as escadas em forma de espiral.
paramos quando ouvimos seu pai novamente.
– prazer em conhecer você debra.
eu sorri tímida, e eu e arthur fomos para o quarto.
– como seu pai sabe meu nome? -perguntei.
– digamos que eu falava muito de você no hospital . -ele sorriu.
– eles vão brigar por minha causa?
– não se preocupe linda. meu pai sabe domar a minha mãe. logo ela vem te pedir desculpas, mas você não é obrigada a aceitá-las.
eu fiz cara de confusa.
– digamos que a minha mãe é 'bipolar'.
rimos.
depois de tomarmos banho novamente e retirarmos aquela água salgada do mar de nossos corpos. descemos para o jantar. eu usava um vestido da mãe dele, para piorar ainda mais a situação.
tinha uma mesa enorme, e seus pais já estavam sentados nos esperando. assim, que nos aproximamos a mãe de arthur pediu para que eu ficasse a vontade, já tentando se redimir.
depois, de algum tempo de conversa, ela me pediu desculpas como arthur falou que faria. disse que não me conhecia direito e não tinha o direito de me julgar. ela parecia realmente arrependida. arthur cochichou em meu ouvido dizendo-me que ela sempre quis rúbia como sua nora. por isso tentava 'espantar' todas as outras garotas que apareciam ali.
eu a desculpei e conversamos normalmente. o pai de arthur não parecia ser tão bravo, não comigo ali.
ele foi super gentil comigo.
depois do jantar, arthur e eu subimos para o quarto. assim que arthur fechou a porta, começou a me beijar e a me acariciar. apesar de ambos estarem cansados, a vontade que tínhamos um do outro falou mais alto.
então, nossos corpos se entregaram novamente. eu jamais esqueceria, daquela noite... daquele dia.
em que eu me senti sua namorada oficial.
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