Não me deixe acordar
1 Primeira noite
... Salve-me!
Eu ouvi a voz angelical pedir, mas não sabia de onde vinha.
O som ecoava em todas as direções. Eu olhava do meio da clareira para as árvores ao redor. Estava em pânico. Ofegante, suando frio...
Não conhecia o dono da voz, mas sentia a urgência em ajudá -lo...
O pânico tomou conta de mim. Não sabia para onde ir.
Acordei assustada. Respirei fundo sentindo urgência por ar.
Meus olhos contemplaram o branco do teto do meu quarto.
— Foi um sonho...! _ falei sentando.
Estava tão atrasada, que peguei o primeiro vestido preto que vi e saí vestindo por cima da minha blusinha e da calcinha com os quais dormi, calçada numa botina de couro preto que enfiava os pés assim que levantava quando estava atrasada.
— Café, querida? _ ouço o meu irmão mais velho dizer.
— Tô atrasada, Shane _ grito correndo para o meu carro.
Cheguei na universidade estacionando de qualquer jeito. Saí correndo para aula de Química torcendo para o Sr Grun ter se atrasado também.
Consegui entrar antes dele, mas me deparei com um olhar, que não entendi, de um novato alto e másculo. Pareceu Me julgar? Fiz cara feia para ele, e me voltei para a frente.
A aula correu, quando olhei para ele por cima do ombro, reparei que ele me olhava, imperturbável. Até esboçou um sorriso. Fiz cara de nojo, vendo o seu esboço de sorriso se tornar em um sorriso completo e divertido.
Virei o rosto para frente confusa. O que há de errado com esse garoto?! Reclamei em minha mente. Foi aí que percebi que o meu rosto estava quente, minha pele Branca devia estar rosa choque.
— Por que está tão vermelha, srta. Ives? _ disse o professor confuso se eu estava passando mal.
Todos se voltaram para mim, e alguns riram. Olhei para o novato com olhos acusadores. Ele deu de ombros. Pasmei diante do seu egoísmo.
Mas que idiota! Resmunguei pegando o material para a próxima aula no meu armário. Continuei.
Convencido de um figa! Com aquele sorriso cheio de dentes. Quem ele pensa que é? Me julgando por chegar atrasada? Hoje é só o seu primeiro dia. Espera só...
— Primeiro dia? _ disse uma voz masculina bem perto.
Desviei o olhar para o lado, de onde vinha a voz. Eu não acreditava que eu fosse azarada ao ponto de ter o meu armário perto do dele.
Pasmei como um gesto de desagrado, com uma careta reprimindo um palavrão.
— Estava falando de mim, nos seus resmungos? _ esperou uma resposta me encarando.
— V-Você? Quem é você? Eu nem te conheço.
— Isso mesmo. Lembre-se de que é muito feio julgar alguém que você não conhece.
Dei um riso de desagrado e descrença, vendo ele sair. Como ele teve a coragem de me passar esse sermão depois do modo como me olhou quando entrei atrasada na sala?!
Mas é um babaca! Explodi batendo a porta do armário e trancando.
Entrei na minha próxima aula, e fechei as mãos em punho ao ver que o novato estava ali.
E o pior, atrás da minha carteira. Como na outra aula.
Caminhei para o meu lugar a contragosto. Mas era a única carteira vaga.
Lancei um olhar sério para o rapaz alto sentado com as pernas abertas e mal acomodado na carteira que era pequena para o seu tamanho. Ainda assim, tinha aquela cara de eu não tô nem aí para o que você pensa. E me provocava sempre que podia sem dizer uma só palavra.
Tinha um ar de superioridade que dava nos nervos só de olha-lo. Mas era lindo! Uma beleza difícil de descrever. Algo que combinava a simetria perfeita do seu corpo e rosto, com os seus gestos, expressões faciais, voz. Por vezes, percebi que até o cenário ao redor dele parecia favorável à sua beleza. Era irritantemente perfeito!
Todas as meninas e até os meninos mais superficiais não paravam de olhar para ele. Mas ele insistia em olhar para mim. Ignorando tudo ao seu redor como estivesse mergulhado numa atmosfera própria.
No almoço cheguei a flagrar o vento soprar os seu cabelos lisos de modo cinematográfico. Ah! Fala sério! Exclamei alto. Juro que vi o seu olhar sobre mim neste momento. Foi como se tivesse me ouvido, apesar de estar do outro lado do refeitório.
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